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RIGHT TO THE ARTS: VISUAL LITERACY AND TEACHING OF VISUAL ARTS IN BRAZIL

Gilmara Benevides Costa Soares Damasceno62. Claudio Antônio Soares Damasceno63. RESUMO

Esta é uma pesquisa em desenvolvimento junto ao Mestrado em Educação Profissional Tecnológica (PROFEPT). O objeto desta análise científica é o ensino de Artes Visuais no Ensino Médio Integrado nos Institutos Federais. Em particular, o presente estudo busca refletir acerca do ensino de artes visuais no Estado do Ceará. Para tanto a pesquisa faz uma síntese cronológica da história da educação de artes, considerando os seguintes marcos: o culturalismo da atuação Jesuítica; a Missão Francesa e a oficialização do ensino de artes em 1826; o ensino do desenho direcionado ao mercado de trabalho no contexto republicano a partir de 1876; a influência modernista e a primeira LDB, em 1961. Quanto ao objeto central, a pesquisa está delimitada no recorte temporal da última década de publicações destinadas aos alunos do ensino médio. A pesquisa busca problematizar sobre o conteúdo dos livros didáticos de artes visuais quanto a mescla entre as categorias arte e cultura. A proposta é definir o caráter dessas abordagens e detectar até que ponto o ensino de artes visuais oferecidos aos alunos do Ensino Médio Integrado dos Institutos Federais no estado do Ceará promove efetivamente o “Alfabetismo Visual” e prepara os educandos a fruição artística, a compreensão e a produção no campo da linguagem visual.

Palavras-chave: Arte. Direito à Educação. Direitos Culturais. Ensino de Artes.

RESUME

This is a research under development at the Master's Degree in Professional Technological Education (PROFEPT). The object of this scientific analysis is the teaching of Visual Arts in High School Integrated in Federal Institutes. In particular, this study seeks to reflect on the teaching of visual arts in the State of Ceará. Therefore, the research makes a chronological synthesis of the history of art education, considering the following milestones: the culturalism of Jesuit action; the French Mission and the officialization of the teaching of arts in 1826; the teaching of drawing aimed at the labor market in the republican context from 1876 onwards; the modernist influence and the first LDB, in 1961. As for the central object, the research is delimited in the time frame of the last decade of publications aimed at high school students. The research seeks to problematize the content contained in visual arts textbooks regarding the mix between the

62 Doutora em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Graduada em Direito e História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Membro da Association of Critical Heritage Studies (ACHS). Membro do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais (IBDCult). Professora da Faculdade Integrada do Ceará (UNIFIC).

63 Mestrando em Educação Profissional Tecnológica (PROFEPT) pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

Especialista em educação pela Universidade Potiguar (UnP). Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE).

96 art and culture categories. The proposal is to define the character of these approaches and detect the extent to which the teaching of visual arts offered to students of Integrated High School at Federal Institutes in the state of Ceará effectively promotes "Visual Literacy"

and prepares students for artistic enjoyment, understanding and production in the field of visual language.

Keywords: Art. Right to education. Cultural Rights. Teaching of Arts.

INTRODUÇÃO

A arte é a mais remota forma de transmissão de conhecimentos que o ser humano domina. Em que pese o anacronismo do termo para significar ações humanas remotas que são impossíveis de serem cabalmente compreendidas, pode-se considerar que tecnicamente arte é linguagem, portanto, os feitos estéticos de agora e de outrora que denotam a intenção de representar algo, são abrangidos pelo termo.

Quanto à estética, do grego aisthetiké, Platão a tinha como idealização do belo, compreensão esta, distante da concepção Aristotélica que a define como forma e imitação.

Nesse sentido, não há discrepâncias na sua aplicação, em qualquer tempo, para abarcar os feitos artísticos, que necessariamente possuem uma forma definida quer seja, na esfera material ou no campo simbólico (CUNHA, 1996, p. 255).

Assim, independentemente das estruturas dos grupos humanos que, no decurso de milênios sustentaram o labor artístico, o legado arqueológico dessas remotas culturas é constituído por espécimes que foram idealizados e produzidos sob orientações estéticas, à exemplo dos similares realizados hoje por indígenas dos quatro continentes.

Desse modo, pinturas e gravuras rupestres, esculturas e uma grande quantidade de utensílios catalogados nos museus formam um amplo acervo cultural e artístico que antropologicamente é também uma instigante amostra de signos visuais, reincidentes em seus grupos, que atestam a vocação humana para a produção cultural, para a comunicação e para o ensino das práticas artísticas.

Podemos crer que o legado artístico de tempos passados são produtos de grupos ou indivíduos que foram preparados e chancelados para os realizarem. Estes objetos e signos foram, à sua época, extensões materiais e intelectuais de quem os produziu, com a definida intenção de fixar conhecimentos.

97 O ser humano desde sempre criou e produziu artes porque ela tem importância vital para sua existência, tanto para refletir a realidade que se lhe revela, segundo seu nível de percepção, quanto para quantifica-la e transmiti-la. As linguagens normativas são desdobramentos desse exercício cultural milenar.

A arte (ars) é compreendida no campo das ciências humanas e sociais como um processo sociocultural desenvolvido pelo homo faber desde a criação das primeiras técnicas (techné) aplicadas a utensílios e ferramentas (LEVI-STRAUSS, 2014). Isso explica porque na literatura ocidental a palavra arte era empregada no século 18 com o mesmo significado de “habilidade” e, desse modo, porque muitos carpinteiros, pintores e até falsificadores eram considerados hábeis (dotados de arte).

A arte também é uma atividade que alimenta a cultura transpassando os tipos e gêneros culturais produzidos pela humanidade. Nesse sentido, ela assume a ambivalência de ser uma manifestação em si, quanto ao objeto e a forma, bem como também é uma qualidade do que das realizações no campo cultura.

Em princípios do século 19, a noção de arte estaria mais integrada a um universo de atividades imaginativas, praticadas apenas pela pessoa do “artista”.

Concomitantemente teria surgido a figura do “esteta” como a pessoa especializada nos estudos em Estética e do julgamento da arte.

Assim, artistas e estetas exerciam atividade intelectualizada particular – associada ao meio urbano e de caráter liberal – apartada das atividades executadas pela “população”

e pela “burguesia” (WILLIAMS, 1987). Deste modo, a estreita relação entre arte e cultura é o objeto de pesquisas da História da Arte e da História Cultural desde aquele século (KRIEGER, 2001).

A mesma relação entre arte e cultura somente seria objeto da Antropologia Cultural, da Sociologia da Arte (GELL, 2016) e do Direito da Arte (FRANCA FILHO, 2019) já em fins daquele século e princípios do século 20. O debate sobre arte e cultura se renova no século 21, fundamentado na autonomia das linguagens artísticas e no alargamento da ideia de cultura.

Este estudo parte da relevância dada à arte como campo de experimentação. A arte é vista aqui como um espaço das linguagens abertas, em que os gêneros artísticos assumem suas expressividades e originalidade (DANTO, 2016). Deste modo, o objeto

98 desta pesquisa é o ensino de Artes Visuais no Ensino Médio Integrado nos Institutos Federais.