CONTROLE DE COVENCIONALIDADE: OS JULGAMENTOS DO BRASIL E AS AMPLIAÇÕES COM LEIS DE GENEBRA
10 AS LEIS DE GENEBRA(ONU)
preso apenas por não poder cumprir com uma obrigação contratual”, enquanto que Convenção
IDH, art. 7º, inciso VII estabelece:“Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita
os mandamentos da autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar.” Importante salienta que o PICP é de 1966, mas foi ratificado pelo Brasil em
24 de setembro de 1992, aprovado pelo Congresso (Decreto Legislativo n. 226/91) e adotado na legislação interna por força do Decreto Presidencial n. 592, de 06 de julho de 1992.
Convenção de 1969 (Pacto de San José), por sua vez, foi ratificada sem reserva pelo Brasil, aprovada pelo Decreto Legislativo n. 27/92, de 25 de setembro de 1992, e incorporada pelo ordenamento pátrio pelo Decreto Presidencial n. 678, de 06 de novembro de 1992.
A legislação interna foi construída na Constituição de 1988, que no artigo 5º, inciso LXVII, afirma: “Não haverá prisão civil por divida, salvo responsabilidade pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel”.
Com isso, o Código Civil trouxe dois artigos, o. 62: “ Pelo contrato de depósito recebe o
depositário um objeto móvel, para guardar, até que o depositante o reclame”,enquanto que o 652: “Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano, e ressarcir os prejuízos.”
O teor do julgamento sobre a Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva. Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão constitucional e das normas subalternas. Interpretação do art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). Recurso improvido. Julgamento conjunto do RE nº 349.703 e dos HCs nº 87.585 e nº 92.566. É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. (RE 466343, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 03/12/2008.
Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 25, dispondo que: “É ilícita a
prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.”
Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo, acabou por impossibilidade de prisão de depositário infiel abrange tanto a alienação fiduciária (caso do Recurso Extraordinário n. 466.343). Editou a Súmula 419: “Descabe a prisão civil do depositário judicial
infiel.”
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A interpretação do caso busca a universalidade dos direitos humanos, ampliando a competência da Corte para os tratados no âmbito das Nações Unidas é uma das recentes inovações. O julgamento é um caminho diferente, na qual a Corte amplia o objeto do controle para as chamadas Leis de Genebra e não se importa o catálogo de direitos, mas sim a supremacia desses direitos, com base no artigo. 62 da Convenção, dentro da concorrência dos controles internos e internacional ocorridos em o Masacre de Santo Domingo vs. Colômbia.
Foi instalado um tipo de controle dinâmico e complementar das obrigações convencionais dos Estados de respeitar e garantir os direitos humanos regionais (primariamente obrigadas) e as instâncias internacionais (de forma complementaria), de modo que os critérios de decisão possam ser conformados e adequados entre si. O dialogo inter convencional e internacional delimitada um novo campo.
A Corte tem prolatado sentenças de fundo com a ampliação da sua competência, com punições das violações de direitos humanos em conflitos armados internacionais, como o caso da Colômbia contra as Forças Armadas Revolucionárias (FARC). Nas justificativas do tribunal, fica claro que a Convenção não estabelece limitações, possibilitando a utilização das normas do Direito Internacional Humanitário como parâmetro.
Isso significa a possibilidade de utilizar mecanismos próprios do Direito Internacional Humanitário para expandir o alcance e os conteúdos dos direitos e deveres dos Estados, cujo exame de compatibilidade deve ser feito também pelos juízes internos e também pela Corte.
Na decisão, a Corte abriu a possibilidade de que, a interpretação das normas consuetudinárias do Direito Internacional Humanitário e seus respectivos princípios, como o da distinção, proporcionalidade e precaução, sejam marcos das obrigações do Estado estipuladas na própria Convenção, visando à complementaridade dos sistemas de proteção. Ainda que sejam diversos os sistemas não são antagônicos, mas compatíveis e subsidiários e por isso, a competência da Corte abrange os atos ou omissões dos Estados que violam direitos humanos previstos na Convenção de Genebra de 1949.
Os tratados globais devem servir para interpretação sistemática e principio lógica, como o princípio pro-homini e também o não ao retrocesso, complementariedade e proteção integral.
O Pacto de São José estabelece a ampliação do alcance da jurisdição, o que fica claro na defesa e rejeição das exceções preliminares de que as violações eram contra o direito à vida, integridade pessoal, propriedade privada e a circulação e direito de residência por serem temas relativos a uma presumível violação do Direito Internacional Humanitário, que faz parte dos
RIPE – REVISTA DO INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS, BAURU, V.50, N.65, P.107-128, JAN./JUN. 2016. AMARAL, SÉRGIO TIBIRIÇA; TIBIRIÇA, MARIA FERNANDA DE TOLEDO PENNACCHI. CONTROLE DE CONVEN- CIONALIDADE: OS JULGAMENTOS DO BRASIL E AS AMPLIAÇÕES COM LEIS DE GENEBRA.
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tratados da Organização das Nações Unidas.
Os Estados-partes se obrigam a respeitar também esses direitos e às liberdades reconhecidas no documento da ONU, bem como a garantir seu exercício para todas pessoas na sua jurisdição. A sentença diz que toda a atividade da Corte não tem nenhum limite normativo e toda norma jurídica é suscetível de ser submetida a ese controle de convencionalidade.
11 CONCLUSÕES
Do exposto, infere-se que o Sistema Interamericano de Direitos Humanos é de grande importância para acesso aos direitos fundamentais, funcionando o controle de convencionalidade como um fiscal da respeitabilidade por parte dos Estados-parte da Organização dos Estados Americanos, pois até mesmo os são signatários podem ser alcançados pelo controle de convencionalidade feito pela Comissão IDH.
Pelas análises jurisprudenciais fica claro que se trata de uma instância superior, supranacional, que visa à aceleração da proteção por um mecanismo destinado a corrigir falhas internas, como fica demonstrado na revogação da prisão civil por divida do depositário infiel no Brasil.
Na Corte funciona, embora alguns autores afirmem se tratar de controle concentrado, o mais correto é chamar esse controle de internacional, pois envolve o contencioso e o consultivo. No caso das petições que começam pela Comissão há um verdadeiro processo jurisdicional de partes, que dentro do devido processo legal de acusação, busca assegurar igualdade entre as partes, Estados e pessoas que acionam o sistema.
Dentro do Estatuto e o Regulamento da Corte, pode-se estruturar um real Código de Processo Constitucional Transnacional das Américas, que amplia seu alcance para normas do Direito Internacional Humanitário.
O Sistema Interamericano funciona como órgão de proteção complementar aos direitos humanos nos países da OEA, haja vista ser necessário, de regra, que sejam esgotados os recursos internos, embora existam exceções como a demora excessiva O dito exame de compatibilidade deve ser feito sobre todos os atos normativos ou não, bem como as sentenças proferidas pelo Judiciário, tomando como parâmetro a Convenção e seus Protocolos Adicionais, além da jurisprudência da Corte IDH, que é o órgão que tem autoridade para interpretar as disposições nos casos contenciosos que são levados para sua apreciação.
tratados da Organização das Nações Unidas.
Os Estados-partes se obrigam a respeitar também esses direitos e às liberdades reconhecidas no documento da ONU, bem como a garantir seu exercício para todas pessoas na sua jurisdição. A sentença diz que toda a atividade da Corte não tem nenhum limite normativo e toda norma jurídica é suscetível de ser submetida a ese controle de convencionalidade.
11 CONCLUSÕES
Do exposto, infere-se que o Sistema Interamericano de Direitos Humanos é de grande importância para acesso aos direitos fundamentais, funcionando o controle de convencionalidade como um fiscal da respeitabilidade por parte dos Estados-parte da Organização dos Estados Americanos, pois até mesmo os são signatários podem ser alcançados pelo controle de convencionalidade feito pela Comissão IDH.
Pelas análises jurisprudenciais fica claro que se trata de uma instância superior, supranacional, que visa à aceleração da proteção por um mecanismo destinado a corrigir falhas internas, como fica demonstrado na revogação da prisão civil por divida do depositário infiel no Brasil.
Na Corte funciona, embora alguns autores afirmem se tratar de controle concentrado, o mais correto é chamar esse controle de internacional, pois envolve o contencioso e o consultivo. No caso das petições que começam pela Comissão há um verdadeiro processo jurisdicional de partes, que dentro do devido processo legal de acusação, busca assegurar igualdade entre as partes, Estados e pessoas que acionam o sistema.
Dentro do Estatuto e o Regulamento da Corte, pode-se estruturar um real Código de Processo Constitucional Transnacional das Américas, que amplia seu alcance para normas do Direito Internacional Humanitário.
O Sistema Interamericano funciona como órgão de proteção complementar aos direitos humanos nos países da OEA, haja vista ser necessário, de regra, que sejam esgotados os recursos internos, embora existam exceções como a demora excessiva O dito exame de compatibilidade deve ser feito sobre todos os atos normativos ou não, bem como as sentenças proferidas pelo Judiciário, tomando como parâmetro a Convenção e seus Protocolos Adicionais, além da jurisprudência da Corte IDH, que é o órgão que tem autoridade para interpretar as disposições nos casos contenciosos que são levados para sua apreciação.
A partir da sentença do caso colombiano e outras manifestações no mesmo sentido, a jurisprudência vai sinalizando uma profunda atualização no sistema.
Apesar disso, por não ser órgão de um Estado, pode apreciar e julgar com imparcialidade todas as denúncias contra os próprios membros, que são os principais violadores dos direitos humanos. Essas autoridades que ocupam cargos e funções importantes passam a ter um controle no abuso das violações e degradações. Os Estados continuam com suas competências, mas a busca de Justiça não termina em nível interno.