Seg. Ex 1,8-14.22 | SI 123,1-8 (R. 8a) | Mt 10,34-11,1. Ter. Ex 2,1-15a | SI 68,3.14.30-31.33-34 (R. cf. 33) | Mt 11,20- 24. Qua. Ex 3,1-6.9-12 | SI 102,1-4.6-7 (R. 8a) | Mt 11,25-27. Qui. Ex 3,13-20 | SI 104,1.5.8-9.24-27 (R. 8a) | Mt 11,28-30. Sex. Zc 2,14-17 | SI (Lc 1,46-55) (R. 49) | Mt 12,46-50. Sáb. Ex 12,37-42 | Sl 135.1.23-24.10.12.13-15 | Mt 12,14-21. revistarainha.com.br • JULHO 2021 | 49
Jesus teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor. Jr 23,1-6 | Sl 22 | Ef 2,13-18 | Mc 6,30-34
Verde | IV Semana do Saltério
18 de JULHO
16º DOMINGO DO TEMPO COMUM
No Evangelho do domingo passado refletíamos sobre o chamado e o envio dos discípulos missio- nários por parte de Jesus. No Evangelho deste domingo a nossa atenção se volta ao pastor e à metodologia pedagógica “pastoral” de Jesus.
Os enviados, tendo voltado de sua missão, se reúnem junto a Jesus e lhe contam o que tinham feito e ensinado. Como o Evangelho de Marcos é o primeiro redigido, podemos dizer que este diálogo alegre e amigável, foi o primeiro relatório da Igreja. Na cena paralela em Lucas 10, diante deste relato, Jesus exulta no Espírito Santo e exclama: “Eu te lou- vo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado” (Lc 10,21). Nos Evangelhos, a verdadeira alegria surge justamente da dimensão espiritual do cumprimento da missão apostólica.
Depois do cansativo e, todavia, feliz retorno e relato pastoral, nas primeiras palavras do trecho evangélico, Jesus lhes diz: “Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco” (v.31). É mar- cante e edificante esta constatação: todo o trabalho pastoral precisa ser intercalado entre a atividade, o descanso e a oração. Jesus está iniciando o caminho para Jerusalém, e objetiva sempre equacionar os momentos de ensino às multidões e os momentos de estar a sós com os seus. Certamente, foram estes momentos de “paz, diálogo e silêncio” entre Jesus e os seus, que mais profundamente lhes incutiram a vocação de bons pastores!
Ademais, no contexto dos quatro Evangelhos, Jesus não trata os seus “padres” e agentes de pasto- ral, como colaboradores mandados e subalternos, mas como amigos. Vejamos, por exemplo, em João 15,15: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”.
Com essa pedagogia da confiança e da corres- ponsabilidade, pouco a pouco, retira deles a inata tentação ao serviço burocrático e mercenário e cria neles uma alma de bom Pastor, daqueles que inter- nalizam a espiritualidade de oferecer a vida pelas ovelhas e pelo Reino: “O assalariado (o mercenário), que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge; e o lobo as ataca e dispersa. Por ser apenas um assalariado, ele não se importa com as ovelhas” (Jo 10,12-13).
A segunda parte do Evangelho trata sobre “Jesus e as multidões”. Diante da primeira intenção de ir descan- sar e rezar com os seus mais próximos e a inesperada presença de numerosa quantidade de pessoas em busca de pão e palavra, Jesus não se comporta como um funcionário, rígido observador de seus horários privados, ou alguém que está “sentado na cátedra”, olhando de cima, com ares de comando.
A primeira reação é a “comoção”: “quando Jesus viu a numerosa multidão, teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor” (v. 34). Aquele povo pobre e sofredor encontrou em Jesus alguém que não o despreza. Ele escuta e valoriza as necessidades do povo e lhes gera no coração o protagonismo da esperança. Em Israel muitos se apresentavam como pastores: os escribas, os fariseus, os rabinos, os chefes políticos, o rei Herodes, mas eles estavam longe do povo, detestavam o “cheiro das ovelhas”. Para estes, religiosamente eram pessoas à margem da Lei; eram homens que não cumpriam todas as prescrições da lei e das liturgias. Eram os “sem ter- ras, sem teto e sem protagonismo de participação e corresponsabilidade”.
Já na primeira leitura, o profeta Jeremias denunciava os falsos pastores: “Vós dispersastes o meu rebanho e o afugentastes e não cuidastes deles. Suscitarei para elas novos pastores que as apascentem; não sofrerão mais o medo e angústia, nenhuma delas 50 | JULHO 2021 • revistarainha.com.br
se perderá” (vv. 2 e 4). Agora sim, nos desígnios da providência misericordiosa de Deus, entra em ação o pastor há séculos prometido e esperado: Jesus de Nazaré e seus discípulos.
Jesus não faz discursos de inflamada revolta social; simplesmente se põe “a ensinar-lhes muitas coisas”, certamente as novidades do Reino de Deus, que já estavam em gérmen começando a acontecer. Algumas conclusões podem auxiliar as nos- sas liturgias e pastorais. Diz-se que as multidões acorriam e procuravam a Jesus. Isso nos recorda que as ovelhas, o povo de Deus, deve procurar seus pastores, não somente para batizar, abençoar casa- mentos e sepultamentos. E estes ofereçam espaços
de atendimento para a escuta e o ensino, impul- sionados com atitude de coração de bom pastor. O bom pastor vai à procura da ovelha, mas também a ovelha deveria ir à procura do pastor!
LEITURAS DA SEMANA
Seg. Ex 14,5-18 | SI (Ex 15,1-6) (R 1a) | Mt 12,38-42. Ter. Ex 14,21-15,1 | SI (Ex 15,8-10.12-17) (R. 1a) | Mt 12,46-50. Qua. Ex 16,1-5.9-15 | Sl 77,18-19.23-28 (R. 24b) | Mt 13,1-9. Qui. Ct 3,1-4a ou 2Cor 5,14-17 | SI 62(63),2-6.8-9 (R/. 2b) | Jo 20,1-2.11-18. Sex. Ex 20,1-17 | SI 18,8-11 (R. Jo 6,68c) | Mt 13,18-23. Sáb. Ex 24,3-8 | SI 49,1-2.5-6.14-15 (R. 15a) | Mt 13,24-30
Saciai os vossos filhos, ó Senhor! 2Rs 4,42-44 | Sl 144 | Ef 4,1-6 | Jo 6,1-15
Verde | I Semana do Saltério
25 de JULHO
17º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Pelos próximos cinco domingos a liturgia in- terrompe a leitura do Evangelho de Marcos e se insere a narrativa da multiplicação dos pães e do sequente discurso sobre a Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum. Tudo isto acontece porque o Evangelho de Marcos, o mais breve de todos, não preenche todos os domingos do Ano Litúrgico B. O quarto Evangelho, o de João não se lê num ano particular, assim como os Sinóticos (Mateus no ano A; Marcos no ano B e Lucas no ano C). O mais importante é que, pelos próximos cinco domingos, teremos uma ampla catequese sobre a Eucaristia.
O Evangelho de hoje é uma premissa para entender o que se segue sobre a Eucaristia. João vê a Eucaristia relacionada à caridade (Lava-pés), ao pão e à mesa; enquanto os sinóticos a relacionam, sobretudo, com o evento pascal. Porém, todos se baseiam na história, porque é o mesmo Jesus que explicou e celebrou a Eucaristia na sinagoga em Cafarnaum e a explicou e celebrou em Jerusalém.
Vejamos a orgânica relação que permeia todo o longo conteúdo do sexto capítulo do Evangelho de João, a fim de não inventar homilias desligadas das leituras bíblicas.
Dentre todos os milagres operados por Jesus, nenhum é narrado tantas vezes, nos quatro Evange- lhos, quanto o da multiplicação dos pães. Isso prova a importância que a Igreja inicial atribuía a este epi- sódio. João enquadra a multiplicação na moldura da proximidade da Páscoa (v. 4), a festa da libertação de Israel da escravidão do Egito. Como Moisés, assim Jesus atravessa as águas (Mar Vermelho e lago de Ti- beríades); ambos são acompanhados por multidões. Os dois sobem à montanha para, depois, ensinar. Como Moisés com o maná, Jesus sacia a fome do povo com o pão partilhado. A meta de Moisés, é a terra prometida, a de Jesus, o Reino de Deus.
O pão oferecido ao povo é de cevada, o alimento dos pobres (v. 9). Os abastados comiam pão de trigo. Ao tomar o pão, distribuí-lo por quanto quisessem, inaugura-se o profetismo da abundância e da ale- gria, pois todos comeram à saciedade e sobraram doze cestos cheios (v. 13).
Enquanto os discípulos querem despedir o povo faminto de pão e da palavra do Mestre, a fim de que se virassem, Jesus propõe que no mundo novo do Reino de Deus, basta deixar o egoísmo e o espírito de acumulação das riquezas. Na primeira leitura, revistarainha.com.br • JULHO 2021 | 51
“um homem de Baal-Salisa” (v. 42), oferece ao profeta Eliseu vinte pães de cevada e trigo novo. Com eles, no milagre da partilha, saciaram-se mais de cem pessoas famintas.
Hoje um menino oferece cinco pães de cevada e dois peixes. Segundo observamos na vida cotidiana, são as crianças os primeiros a comer tudo. O valor da generosidade do menino é simbólico. No Evan- gelho a criança é apresentada como modelo para o discipulado (cf. Mc 10,15). O menino são todos os discípulos que rompem o círculo do egoísmo e da acumulação e colocam à disposição dos irmãos, especialmente aos que têm fome de pão e de frater- nidade de Deus, para dispor tudo o que tem e são ao Reino de Deus, conforme Jesus lhes ensinava e testemunhava.
Decorrem diversos ensinamentos do Evan- gelho de hoje, bem como dos que se seguirão: Distribuir o pão aos que têm fome e distribuir a Eucaristia nos altares se inter-relacionam. Uma pas- toral que permanece somente nos altares, mesmo com muitas pompas e incensos, sem ir às periferias da fome física, humana e espiritual, são rituais que não agradam a Deus e nem transformam o mundo em Reino de Deus.
Olhando as nossas Missas com o horizonte da Igreja inicial, nos perguntamos: quando alcança- remos resgatar a Eucaristia como um banquete fraterno, no qual se come e bebe juntos, celebrado como memória da ceia do Senhor? Diante do hoje crescente hábito de comer “em mesas separadas”, com os olhos colados nas telas, por que as famílias, ao menos uma vez por dia, não “comem e bebem juntos”, rezando também nossas orações tradi- cionais, sem faltar as bênçãos sobre os alimentos e comensais que os pais podem pronunciar? Ou fizemos nossas refeições domésticas e as Eucaristias nos altares com a lógica do mundo ou da lógica do Reino de Deus! Que escolhas faremos?
Na segunda leitura, nas suas exortações à comunidade em Éfeso, Paulo elenca sete motivos que costuram e constroem a unidade comunitária, mesmo nas diferenças de raças, línguas e culturas: um só corpo, um só espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus, Pai de todos. Na nossa vida e missão cristã não devíamos esquecer estes valores constitutivos da espiritualidade pessoal e comunitária!
O autor, colaborador desta Revista, é padre palotino em Santa Maria (RS)
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52 | JULHO 2021 • revistarainha.com.br O PADRE PALOTINO GILBERTO ORSOLIN, CONCEDEU UMA BÊNÇÃO ESPECIAL PARA TODOS OS ASSINANTES E SEGUIDORES DA REVISTA RAINHA DOS APÓSTOLOS.
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