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2.4 DESENVOLVIMENTOS DE COMPETÊNCIAS

2.4.1 Levantamento da necessidade de Competências

No processo de levantamento das necessidades de competências busca-se identificar quais são as competências necessárias que devem ser desenvolvidas nos alunos. Assim, independentemente do objeto de aprendizagem, deve ser a primeira etapa a ser contemplada. Logo, Carvalho (1999) corrobora ao salientar que é necessário saber o que queremos que seja aprendido, diagnosticar que alguém precisa aprendê- lo, preparar situações que possibilitem o aprendizado e verificar os resultados.

De acordo com Marcondes (2007), nesta etapa o foco está em conhecer as metas e o planejamento dessa aprendizagem, bem como os conhecimentos, as habilidades e as atitudes a serem desenvolvidas no perfil dos alunos. Logo, identifica-se as deficiências que devem ser superadas quanto ao desempenho esperado. Assim, dentro do contexto deste levantamento, busca-se como resultado o perfil de competências de um setor econômico, uma função, uma área ocupacional, ou ainda um

conjunto de competências necessárias para se desenvolver determinada atividade ou desafio.

Através do mapeamento de competências é possível também identificar o gap de competências, ou a lacuna de competências existentes e quais delas precisa –se desenvolver para preencher determinada lacuna. Logo, tratando-se do ensino, mapeia-se as competências que os alunos já possuem e quais deveriam desenvolver. Possuindo-se do conhecimento das competências a serem desenvolvidas, é necessário ir à segunda etapa, a qual consiste no desenvolvimento de competências, de planejamento.

2.4.2 Planejamento

Na etapa do planejamento do desenvolvimento, não são apenas definidos os conteúdos, mas também o enfoque, a abordagem e a profundidade dos mesmos. É necessário que se tenha pertinência e consistência com o padrão de desempenho pretendido e os resultados esperados (MARCONDES, 2007). Assim, nesta etapa em que a escolha do método adequado é de grande importância, esse deve ser selecionado para que os conhecimentos, as habilidades e as atitudes sejam desenvolvidos.

Galvão, Câmara e Jordão (2012) apontam algumas metodologias de desenvolvimento de competências usualmente utilizadas, como o estudo deliberado, o estudo individual, metodologias de solução de problemas, educação problematizadora, jogos, entre outras.

No que tange ao estudo deliberado, apresenta-se uma metodologia na qual o aluno não somente controla, mas também toma iniciativas do processo, tendo como objetivo a melhoria do desempenho. Esta metodologia tem sido definida com relação à obtenção de alguma habilidade, relaciona-se à organização e apreensão de uma habilidade passo a passo (GALVÃO, CÂMARA E JORDÃO, 2012).

Ainda de acordo com os autores, o estudo individual buscando a aquisição de uma habilidade envolve a identificação de passos de ação, que são componentes sequenciais ou alternados, novos ou conhecidos que se tornam uma habilidade total quando operados juntos.

De acordo com Pozo (1998), a metodologia de solução de problemas não se caracteriza somente por dotar os alunos de habilidade e estratégias eficazes, mas também, hábitos e atitudes para enfrentar a aprendizagem como um problema, para o qual deve ser encontrada uma resposta quando uma determinada situação a exigir.

Apesar de os cursos que oferecem aos alunos maior proximidade com a realidade e com o contexto serem mais efetivos no desenvolvimento de competências, ainda assim, necessitam de outras estratégias. Dentre as metodologias problematizadoras, Cyrino e Toralles-Pereira (2004) sugerem a problematização e a aprendizagem baseada em problemas, duas abordagens distintas que buscam trabalhar com problemas intencionais para o desenvolvimento do processo de aprendizagem.

Em relação à utilização dos resultados, a aprendizagem baseada em problemas utiliza os novos conhecimentos para a aquisição de habilidades, do exercício e construção intelectual. Já na problematização, os resultados são utilizados para a compreensão crítica da realidade estudada, buscando a sua transformação diante proposições de intervenção da realidade estudada (BERBEL, 1998).

Paulo Freire diz que a educação não pode ser uma prática de depósito de conteúdos apoiada numa concepção de homens como seres vazios, mas de problematização de homens em suas relações com o mundo. Esta passagem reforça a importância da educação focada na resolução de problemas, possibilitando a aprendizagem através de um processo emancipatório (CYRINO; TORALLES-PEREIRA, 2004).

Esta abordagem, ainda de acordo com as autoras, busca trabalhar a construção do conhecimento a partir da vivência de experiências significativas, pautando-se na aprendizagem por descoberta, em oposição à de recepção de conteúdos.

Outra estratégia utilizada para o desenvolvimento de competências é a simulação, que se constitui de situações nas quais existe um cenário simulado representando modelos reais, tornando possível a representação do cotidiano. Exemplos de simulações simples são as reproduções por meio de teatros, situações-problema comuns a pessoas ou grupos. Tais atividades servem como pontos de partida para diagnósticos e ações corretivas pela aplicação de metodologias específicas de resolução de problemas (GRAMIGNA, 1993).

Outra abordagem que merece destaque, relacionada ao desenvolvimento de competências, consiste no problem-based-learning (PBL), no qual os alunos trabalham em equipes e de forma colaborativa, e aprendem por meio da resolução de problemas reais e complexos, sob a orientação do professor. Assim, a instrução baseada em problemas constitui-se a partir da construção do conhecimento estruturado, no qual se desenvolve no aluno habilidades que possibilitam a autoaprendizagem eficaz, que aumentam a satisfação e a motivação por aprender e que

desenvolvem competências de trabalho em equipe e habilidades de comunicação (ROJAS, ROJAS e OPAZO, 2010).

As atividades utilizadas no PBL possibilitam que os alunos desenvolvam habilidades que auxiliarão tanto na vida acadêmica quanto em outros contextos como o profissional e o social. O foco está no conceito de aprender fazendo, seja por meio de estudos de caso, exercícios em grupos, debates, jogos ou simulações (THOMPSON; BEAK, 2007).

De acordo com Dochy et al (2003) o PBL possibilita um efeito positivo nas competências dos alunos, sendo notável que os alunos que aprendem por meio deste método lembram com mais facilidade do conhecimento adquirido em comparação com estudantes que aprendem com a metodologia tradicional. Assim, o PBL pode ser considerado uma metodologia com uma abordagem desafiadora e motivacional. Logo, pode ser considerado um englobamento das outras estratégias e exige esforço e dedicação por parte do aluno na busca por soluções para problemas complexos ligados à disciplina, mas concernentes a realidade.