• Nenhum resultado encontrado

CATEGORIAS Comunicativa e

4 RESULTADOS DA PESQUISA

4.2 O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PRESENCIAL DA UFSC

4.2.3 Perfil e Competências desejados do formando

De acordo com o projeto pedagógico do curso, o egresso do curso de administração da UFSC deve possuir competências éticas, pessoais, profissionais, sócio afetivas, cognitivas, técnicas e de comunicação que o tornem capaz de melhor compreender-se a si mesmo e ao mundo e, através da educação recebida, ter meios para agir no mundo e contribuir para a vida em sociedade. Esses aspectos são considerados a partir do paradigma referencial atual no qual a profissão, entendida como um saber profissional escrito, foi substituída pela profissionalidade, de amplo espectro de saber profissional.

No que tange ao perfil do administrador egresso do curso de administração da UFSC, percebe-se também que as características destacadas vão ao encontro das premissas das competências cidadãs. No entanto, cabe destacar que o curso as considera como paradigma referencial, o qual aproxima-se do aspecto instrumental atrelado ao aspecto profissional. Aqui se alerta ao que normalmente ocorre nas instituições de ensino superior, que se limitam aos aspectos profissionais, esquecendo assim o aspecto social.

Como destacado por Fernández e Sánchez (2012), necessita-se de estratégias pedagógicas diferenciadas que possibilitem ao mesmo tempo criar um equilíbrio no foco de formação profissional e cidadã. Não obstante, ainda conforme os autores, a realidade das estratégias utilizadas pelas universidades priorizam quase que inteiramente o profissional em detrimento da formação cidadã. Logo, os autores enfatizam que o objetivo não se reduz a mudar o foco de formação profissional, mas sim agregar possibilidades para a formação de cidadãos, ou seja, criar estratégias para a formação de competência cidadã.

Já no que se refere às competências que o curso pretende desenvolver nos formandos, primeiramente vale destacar o conceito de competência na perspectiva do curso. Segundo o plano pedagógico, competência resulta da capacidade do sujeito de mobilizar recursos (conhecimentos, habilidades e atitudes) para atuar numa determinada situação, para atingir o desempenho esperado e necessário para o desenrolar da profissão. Ou seja, o conceito de competência atrela-se também a capacidade do sujeito em flexibilizar e adequar os conhecimentos informacionais, habilidades e atitudes à realidade circunstanciada.

O que se deseja do profissional-administrador, portanto, é que possua uma sólida formação básica na qual se incluam os conhecimentos

técnico-científicos atuais, mas, sobretudo, uma formação alicerçada na sua capacidade de adaptar e flexibilizar os conhecimentos às novas situações que a realidade da atuação profissional lhe exigir em diversos e diferentes momentos. Essa formação permite um processo de aprendizagem constante e permanente cuja característica primordial é a autonomia intelectual e profissional, habilitando-o a superar os desafios que as transformações impõem.

No que tange as competências, é valido destacar que o conceito proposto pelo projeto pedagógico limita-se à perspectiva usualmente utilizada no âmbito profissional, a qual compreende as competências sob a ótica instrumental.

Neste estudo, buscou-se aproximar o conceito de competências a partir da perspectiva complexa, que a entende como processos complexos que as pessoas põem em ação-atuação-criação, para resolver problemas e realizar atividades (da vida cotidiana e do contexto profissional), buscando a construção e a transformação da realidade na qual se integram o saber ser (automotivação, inciativa e trabalho colaborativo com os outros), o saber conhecer (observar, explicar, compreender e analisar) e o saber fazer (desempenho baseado em procedimentos e estratégias), tendo em conta os requerimentos específicos de cada contexto.

Percebe-se aqui que este conceito busca ultrapassar a perspectiva profissional, mas também se atrela a outros enclaves da vida do sujeito. Diante desta perspectiva, acredita-se ser de grande importância a consideração dos diversos contextos na formação dos universitários, para que se possa, desta maneira, criar um cultura de participação ativa no entorno social.

Dentre as competências delineadas para a formação do egresso do curso de Administração da UFSC, evidencia-se:

[...]

 Reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente, introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, transferir e generalizar conhecimentos e exercer, em diferentes graus de complexidade, o processo da tomada de decisão;

 Desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar com valores e formulações matemáticas presentes nas relações formais e causais entre fenômenos produtivos, administrativos e de controle, bem

assim expressando-se de modo crítico e criativo diante dos diferentes contextos organizacionais e sociais;

 Ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa, vontade de aprender, abertura às mudanças e consciência da qualidade e das implicações éticas do seu exercício profissional;

 Desenvolver e praticar atitudes de pesquisa e de atualização elaborada do conhecimento;  Possuir capacidade de trabalhar em equipe,

estabelecendo relacionamentos próprios para a formação de parcerias solidárias;

 Compreender a diversidade cultural para inserir-se no mundo internacionalizado;  Vivenciar o processo de

construção/reconstrução do conhecimento em seu setor e em seu meio;

 Saber intervir na realidade com consciência, espírito crítico positivo e autonomia, como indivíduo e como integrante de uma coletividade;

[...] (PROJETO PEDAGÓGICO, 2007, p. 24) No destaque acima, foram evidenciadas algumas das competências que o projeto pedagógico do curso de Administração da UFSC pressupõe aos seus egressos. Foram evidenciadas as competências que vão ao encontro das competências cidadãs, objeto de estudo desta pesquisa. No que se refere a estas competências, é possível perceber que há uma estreita referência ao contexto profissional em detrimento dos demais contextos, como o social e educacional. Nesse sentido, vale novamente ressaltar a importância do contexto no qual as competências são situadas, pois serão desenvolvidas considerando o contexto de referência, através das estratégias e metodologias utilizadas. Logo, é importante considerar um equilíbrio entre os contextos utilizados de referência no desenvolvimento das competências pretendidas.

No que se refere ao processo de ensino-aprendizagem, o projeto pedagógico evidencia um processo dialético, pautado na construção conjunta do conhecimento entre professor e alunos, e evidencia a importância de ir além do simples repasse de conhecimentos, conforme ressaltado na sequência:

Assim, cabe ao professor criar situações propiciando condições onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação, ao mesmo tempo moral e racional. Cabe a ele evitar a rotina e a fixação de respostas. Deve simplesmente propor problemas sem ensinar-lhes a solução. Sua função consiste, portanto, em provocar desequilíbrios epistêmicos, propor desafios. Cabe-lhe o papel de orientador de estudos, porém, possibilitando ao aluno ampla margem de liberdade de ação na busca das soluções, de formas a permitir o desenvolvimento de sua autonomia e de todos os atributos e operações mentais a ela implicados. (PROJETO PEDAGÓGICO, 2007, p. 41). O projeto pedagógico ainda ressalta que um ensino que procura desenvolver a inteligência deverá priorizar a atividade do sujeito, considerando-o inserido numa situação social, pois apreender significa assimilar o objeto a esquemas mentais.

Aqui se destaca a importância de aproximar os estudantes na situação social/profissional, para que possam entender e vivenciar a realidade do seu entorno social. Fernández e Sánchez (2012) salientam algumas características importantes quando se fala no processo de desenvolvimento das competências voltadas para o exercício da cidadania, a saber: é necessária uma formação no contexto do exercício cidadão, para que os universitários estejam em consonância com seus direitos e deveres; a associação entre a cultura universitária e cidadã; e a integração harmônica dos contextos profissional e cidadão nas metodologias de formação e o ativismo social como um exercício cidadão dinamizador da dimensão sócio-política na formação universitária.

Logo, cabe aqui destacar a importância das metodologias e da didática de ensino no processo de desenvolvimento de uma cultura voltada para o exercício da participação ativa. Dessa forma, conforme os autores acima citados, é necessária uma formação no contexto do exercício cidadão a partir de uma integração harmônica entre os contextos profissional e cidadão.