6. RESULTADOS
6.1. LEVANTAMENTO DO PERFIL DOS ATORES ENVOLVIDOS NO PROGRAMA
NASCENTES DE JUNDIAÍ
a) As Unidades Gestoras de Projeto – UGP
O acompanhamento dos programas que envolvem o pagamento por serviços ambientais necessita que se estabeleça uma equipe multidisciplinar denominada UGP. Em ambos municípios a UGP é composta pelos órgãos gestores de recursos hídricos (representantes dos comitês de bacia hidrográfica, agência de bacia, serviços de saneamento ambiental, etc.), funcionários das prefeituras, representantes dos produtores rurais (associações de bairro, cooperativas, etc.); ONG e, em alguns casos, empresas, instituições financeiras, e universidades. O arranjo da UGP depende dos atores políticos locais envolvidos no projeto. Para a ANA (2013) as principais competências da UGP devem ser:
1. Arbitrar, em primeira instância administrativa, na resolução de conflitos relacionados à execução do projeto;
2. Estabelecer critérios e indicadores para o monitoramento e avaliação do projeto e avaliar o desenvolvimento das atividades por meio da interpretação destes indicadores;
3. Participar da comissão do edital de licitação dos projetos inscritos para receberem os pagamentos pelos serviços ambientais;
4. Elaborar pareceres técnicos com vistas a subsidiar a liberação dos recursos previstos para a execução dos projetos, incluindo o pagamento por serviço ambiental aos proprietários beneficiários do projeto.
Segundo a Agência, é permitida a participação de convidados, beneficiários e outros interessados no projeto nas reuniões da UGP, embora sem direito a voto e o direito a voz e inclusão de tema em pauta fica a critério do presidente da reunião.
Partindo do cenário acima exposto, identificou-se como ponto chave para o desenvolvimento da pesquisa, a participação nas reuniões das UGP dos projetos nos dois municípios, de forma compreender as interfaces entre os diversos atores envolvidos - e como essas interfaces contribuem para o avanço e consolidação dos programas, e principalmente, realizar interface com esses atores e os produtores rurais participantes dos programas, de forma buscar suas percepções individuais para compreender e analisar o contexto socioambiental dos cenários em ambos os municípios.
Inicialmente, as propostas dessa tese foram apresentadas nas reuniões periódicas que ocorrem entre os Grupos Gestores dos dois programas, em Jundiaí e em Salesópolis. Dessa forma, foi alinhado entre os atores os objetivos da pesquisa, bem como a necessidade de interface direta com todos os atores envolvidos, de forma levantar dados e informações sobre os temas junto aos atores para as posteriores análises.
A primeira etapa que envolveu a participação em UGP teve início em 2016, quando a pesquisadora Doutora Rosely Aparecida Liguori Imbernon firmou o convênio por meio de termo de Cooperação entre a Universidade de São Paulo, através da Escola de Artes, Ciências e Humanidades e a Prefeitura da Estância Turística de Salesópolis (São Paulo, 2016), e tornou- se membro efetivo desse grupo. A etapa de encontros com os produtores rurais neste município foi iniciada em maio de 2017, com visita à Associação dos Moradores do Bairro dos Pintos, área foco do programa para a realização de uma oficina com os produtores.
Nessa visita identificou-se que a maioria dos proprietários vive na propriedade, porém, exerce função remunerada em outro tipo de atividade, que não agricultura. Em geral, as propriedades são arrendadas pelas companhias de celulose e papel para plantio de eucaliptos, e todos participam da CAMAT. Em algumas propriedades, em função da empresa de papel estar diminuindo o arrendamento em detrimento à produção em fazendas próprias (por conta de certificações ambientais para exportação), alguns proprietários têm retirado o eucalipto e vendido para produção e pontaletes ou carvão, e plantado na área o cambuci. Salesópolis faz parte da Rota do Cambuci, uma ação afirmativa de desenvolvimento sustentável que parte da capital em direção às nascentes do Tietê, com atividades gastronômicas envolvendo o fruto (culinária e bebidas).
Entretanto, não identificou-se fatores que apontem que seja essa uma identidade rural para a região, visto que Salesópolis não apresenta uma historicidade em termos de produção rural, salvo o eucalipto para a indústria da celulose e papel, e produção de carvão.
Durante a visita em Salesópolis realizou-se uma oficina que contou com a participação de 11 produtores rurais, além da equipe da TNC. Na ocasião foram explicados os objetivos da pesquisa, bem como ressaltou-se o papel e a importância dos produtores nesse processo. Propôs-se, também, com essa oficina a visita em duas propriedades próximas a Associação, para que junto com os produtores fossem realizadas algumas coletas e análises simples de parâmetros básicos de qualidade de água através de sonda multiparâmetros (figura 7). O intuito dessa abordagem inicial não foi discutir aspectos qualitativos da água das propriedades, mas sim verificar o interesse dos produtores na participação dessa pesquisa e, de alguma forma,
colher informações iniciais sobre a percepção desses produtores frente ao Programa Produtor de Água e a melhoria na qualidade ambiental dos recursos hídricos.
Assim, tornou-se evidente nesse primeiro contato em Salesópolis que muitos produtores apresentaram certa dificuldade em associar os diversos aspectos do programa e sua importância para a bacia hidrográfica (reflorestamento versus qualidade da água; ou reflorestamento versus qualidade do solo, questões de saneamento básico etc.). Todos os envolvidos nessa abordagem se mostraram muito interessados com o tema da qualidade da água, e com o que foi explicado em relação a seu protagonismo, e o que se observou, de maneira geral, foi um interesse dos produtores pelo tema. Porém, eles não possuem muita informação acerca dos principais aspectos ambientais relacionados ao seu dia a dia nas propriedades e que fazem interface com os objetivos do programa no município.
Fig. 7: Análises em campo realizadas no município de Salesópolis junto aos produtores rurais.
Em Jundiaí a participação nas reuniões junto à UGP iniciou-se a partir da apresentação da proposta dessa pesquisa acatada pelo grupo gestor e pela gestão municipal, realizada em setembro de 2017. A Unidade Gestora se mostrou muito interessada no viés da pesquisa, tendo em vista que, segundo confirmado pelo próprio grupo gestor, não existem iniciativas no sentido de se realizar um mapeamento socioambiental em programas como este envolvendo os diversos atores com o intuito de se desenvolver a ferramenta metodológica proposta nessa tese, permitindo o estabelecimento de indicadores para as etapas de implantação e acompanhamento dos programas.
Cabe ressaltar que a UGP em Jundiaí é um grupo formado não especificamente para o desenvolvimento das ações do Programa Nascentes de Jundiaí. De fato, tem como objetivos auxiliar na gestão pública do licenciamento e acompanhamento de projetos desenvolvidos no município, que careçam de licenciamento ambiental e envolvam compensação ambiental, na forma de reflorestamento de áreas.
Assim, em ambos municípios a UGP apresenta configurações e atribuições distintas, enquanto em Salesópolis surge especificamente com a finalidade do projeto de PSA, em Jundiaí a UGP é composta, principalmente, por equipe técnica de funcionários concursados na Prefeitura, que, para além do PSA, se envolvem na avaliação e desenvolvimento de diversos outros projetos realizados pelo ou no município.
b) Protagonismo da ONG nos cenários de implantação dos programas
Em maio de 2017 foi realizada uma entrevista com os representantes da ONG TNC, cada qual responsável pelo acompanhamento dos programas nos dois municípios focos do estudo. Para descrição denomina-se Monitor S (para Salesópolis), formado em Biologia, e Monitor J (para Jundiaí), formado em Engenharia Florestal. A entrevista teve como objetivo compreender a concepção dos programas desde seu início, bem como as interações entre os atores envolvidos.
De acordo com o entrevistado Monitor J, a iniciativa da realização dos projetos em ambos os municípios foi da ONG, dentro do contexto estratégico para águas na América Latina da Organização. De acordo com o Monitor J, o objetivo central da ONG é criar uma estrutura para se ter um banco de áreas que se materialize na restauração dentro das propriedades, exonerando o proprietário rural de fazer esse restauro, previsto pelo Código Florestal.
Salienta-se que Jundiaí não se encontra no mesmo contexto de bacia hidrográfica de Salesópolis, visto que a bacia do PCJ não abastece um grande contingente populacional, quando se compara com ao SPAT, por exemplo, mas permite a transposição de água para o abastecimento da RMSP. Segundo o Monitor J, Jundiaí tornou-se um município de interesse para o programa visto as parceiras que a ONG já mantinha com grandes grupos de empresas privadas da região. Em ambos os municípios a ONG foi responsável por induzir a demanda dos programas, procurando os municípios, mapeando e identificando os atores – e especificamente, dentro da Prefeitura, no sentido de encontrar um funcionário de carreira para fugir da
problemática das mudanças provocadas pela alternância de gestores públicos em períodos de eleição, o que, muitas vezes, acaba impactando na condução dos programas.
Uma vez mapeados esses atores em ambos os municípios, a ONG apresentou aos gestores a iniciativa e as justificativas para a implantação dos programas. Segundo o Monitor J, foi um trabalho diário de convencimento, até que as parceiras fossem estabelecidas.
Segundo relatado na entrevista, Jundiaí possui uma estrutura bem distinta com relação a esse desenho da gestão, identifica-se no município mais de um potencial gestor dentro da Prefeitura. Portanto, considera-se que o modelo tende a ser mais sustentável, mais independente, com capacidade de gestão muito interessante para que o projeto se auto sustente no município após implantação.
Um fator de destaque, segundo relatado, é a estrutura da Prefeitura de Jundiaí em termos técnicos e, principalmente, o perfil do funcionário, verificado também através da participação nas reuniões com a UGP. Nesse município, segundo o monitor entrevistado, muitas etapas acabaram sendo superadas, postergando para um segundo momento o pagamento pelos serviços ambientais, que é uma ferramenta de incentivo e que facilita a adesão do proprietário no início do programa. O contexto no município mostrou ser possível que o projeto fosse iniciado, em comum acordo e adesão dos proprietários, e os plantios fossem realizados sem que o PSA estivesse regulamentado. Tal fato demonstra um grau de maturidade do processo de implantação e gestão do programa no município, mas, principalmente o papel de uma UGP técnica permanente.
O Monitor J esclareceu, ainda durante a entrevista, que se a ONG atualmente sair do cenário do programa em Jundiaí, a probabilidade de a ação continuar e ganhar escala é elevada. Segundo relato do mesmo, se a UGP deixar de existir, a municipalidade em Jundiaí certamente seguiria com o programa.
Em Salesópolis, entretanto, o relatado é um cenário distinto do observado em Jundiaí. De fato, o que é considerado pela ONG é que a médio prazo o Comitê de Bacia do Alto Tietê seja um agente que tenha ações diretas com relação a maturação do programa. O que a ONG espera é que o Comitê de Bacia seja membro ativo na UGP durante toda construção e execução do programa. Segundo relatado, há experiências da ONG em outros municípios com programas de PSA apoiados pelo Comitê de Bacia, o que os faz acreditar que em médio prazo eles se tornarão atores representantes e mais atuantes, principalmente no que tange a questão da gestão dos recursos dos programas.
A UGP existe para discutir o programa, é um mecanismo de governança, e segundo a ONG, esse grupo deveria se extinguir em um determinado momento de maturidade do
programa. A Prefeitura, na figura da Secretaria do Meio Ambiente ou alguma outra secretaria com afinidade ao tema, deveria seguir com o programa e, quando necessário, buscar o apoio da ONG e de outros parceiros (ANA, SMA, FEHIDRO, Agência de Bacia, etc.). Segundo opinião dos entrevistados, a UGP é essencial para que o processo se inicie, para que as discussões sejam promovidas entre os diversos atores que tenham uma função e/ou contribuição dentro desse contexto.
Segundo ambos entrevistados, a criação inicial da UGP e articulação com todos os atores membros não deve ser necessariamente uma demanda da ONG. A Prefeitura pode, e é interessante se assim o fosse, assumir todas as etapas do programa. Desta forma, a proposta se insere em um processo fruto de uma demanda espontânea do município, e não uma demanda induzida. A questão e importância do pioneirismo do ator gestor público é que demonstra não apenas comprometimento, mas maturidade, para que o município seja o responsável em garantir a sustentabilidade do programa.
Durante a entrevista os representantes da ONG foram questionados sobre a etapa de prospecção e seleção dos municípios para participação em programas dessa natureza. A ONG leva em consideração o grau de maturidade da gestão do município com relação ao tema, e os entrevistados informaram que a questão chave para a escolha do município ou região é sua importância para o abastecimento de água dentro de um contexto (cenário urbano). Adicionalmente, afirmaram que é uma falha no critério de priorização não considerar fatores como o grau da estrutura política no município, pois, atualmente, é um desafio para a implantação desses programas definir um município já selecionado e não encontrar estrutura política mínima para o desenvolvimento do programa. Salientaram, que à época da implantação dos programas em ambos os municípios, Salesópolis e Jundiaí, não ocorreu um mapeamento político e social dos municípios e sua gestão.
c) Protagonismo das Agências de Bacias (esfera estadual) e ANA (esfera federal)
No âmbito do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) a gestão é efetivada pelos seguintes fóruns: Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH); Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal; Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH); órgãos de governo cujas competências se relacionem com a gestão de recursos hídricos e a ANA. Neste contexto, o estado de São Paulo foi pioneiro em instituir uma política pública de gestão dos recursos hídricos, por meio da Lei nº 7.663, de 30 de dezembro
de 1991, criando, também o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SIGRH), regulamentado em 1994, com o objetivo de fazer a gestão dos usos das águas de seu domínio (Garcia e Valencio, 2003).
No estado de São Paulo o SIGRH é constituído por três instâncias de articulação para atingir seus objetivos: técnica, financeira e deliberativa. A técnica é representada pelo Comitê Coordenador do Plano Estadual de Recursos Hídricos (CORHI); a financeira, pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO); a deliberativa é composta pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CRH), pelas Agências de Bacias e pelos Comitês de Bacias Hidrográficas (Barbi, 2014).
No estado de São Paulo há três Agências de Bacia: Agência das Bacias dos Rios PCJ, na qual se insere o município de Jundiaí; Fundação Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê - FABHAT, na qual se insere o município de Salesópolis; e a Fundação Agência da Bacia Hidrográfica dos Rios Sorocaba e Médio Tietê (FABH-SMT). As características, tanto de atribuições quanto de atuação de ambas agências de bacias nas quais se inserem os municípios de Salesópolis e Jundiaí, respectivamente, estão apresentadas no quadro 1.
Quadro 1: Atribuições e atuação das agências FABHAT e PCJ
FABHAT PCJ Atribuição no âmbito da Política Estadual de Recursos Hìdricos
A FABHAT foi criada pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT) a partir da constatação da necessidade de um braço executivo descentralizado, ágil e eficiente na promoção das gestões que por si são deliberadas. Veio prevista dentro de um contexto institucional e sistemático, devendo desempenhar um papel pré-estabelecido por lei independentemente de interesses de parte a parte, sendo, entretanto, desejável para desempenhar suas funções a articulação com os outros atores que, direta ou indiretamente, compartilham a responsabilidade do gerenciamento da bacia.
A Agência PCJ gerencia os recursos hídricos nas bacias PCJ - tanto os recursos arrecadados com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos nos rios de domínio da União como os recursos arrecadados nos rios de domínio do estado de São Paulo.
A FABHAT tem por função ser o braço executivo do CBH-A), a grosso modo, ela realiza o que o Comitê decidir. Possui as seguintes atribuições:
1.Desenvolver, facilitar e implementar os instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos no âmbito da Bacia do Alto Tietê;
2.Prestar apoio administrativo, técnico e financeiro necessário ao funcionamento do CBH-AT;
Atua como secretaria dos comitês PCJ, e tem as seguintes atribuições: 1.Elaborar periodicamente o plano de bacia hidrográfica submetendo-o aos Comitês de Bacia, encaminhando-o posteriormente ao CORHI, como proposta para integrar o Plano Estadual de Recursos Hídricos;
2. Elaborar os relatórios anuais sobre a "Situação dos Recursos
Atuação
3.Proporcionar apoio financeiro aos planos, programas, serviços e obras aprovadas pelo CBH-AT a serem executados na Bacia; 4.Promover capacitação de recursos humanos para o planejamento e gerenciamento de recursos hídricos, de acordo com programa aprovado pelo CBH-AT;
5. Apoiar e incentivar a educação ambiental e o desenvolvimento de tecnologias que possibilitem o uso racional de recursos hídricos;
6.Incentivar, na área de sua atuação, a articulação dos participantes do SIGRH com os demais sistemas do Estado de São Paulo, com o setor produtivo, a sociedade civil; 7.Praticar, no campo de recursos hídricos, ações que lhe sejam delegadas ou atribuídas pelos detentores do domínio das águas públicas;
8.Aplicar recursos financeiros a fundo perdido, dentro de critérios estabelecidos pelo CBH-AT.
Hídricos da Bacia Hidrográfica", submetendo-os ao Comitê de Bacia, encaminhando-os posteriormente, como proposta, ao CORHI;
3. Gerenciar os recursos financeiros do FEHIDRO pertinentes à bacia hidrográfica, gerados pela cobrança, pelo uso da água e os outros definidos na Política Estadual de Recursos Hídricos em conformidade com o CRH;
4. Promover, na bacia hidrográfica, a articulação entre os componentes do SIGRH, com outros sistemas do Estado, com o setor produtivo e a sociedade civil.
Fonte: Portal SIGRH, 2019.
Cabe ressaltar que nas reuniões da UGP acompanhadas em Salesópolis não houve comparecimento de membros do CBH-AT, tampouco da FABHAT. Alguns membros presentes fazem parte do CBH-AT, porém estavam sempre representando os interesses de seus associados no PSA (caso da CAMAT, SABESP, DAEE, e associações de bairros).
Ao contrário, em Jundiaí, a Agência de Bacias PCJ sempre esteve presente, e é bastante atuante. Durante o ano de 2018, foi lançado pela Agência PCJ edital de submissão de projetos de PSA aos municípios componentes da bacia, com aporte de verba do FEHIDRO, especificamente para o PSA. Jundiaí não teve projeto aprovado pelo fato de na ocasião, ainda não ter a regulamentação que estabelecesse o PSA no município.
Em 13 de dezembro de 2018, uma reunião extraordinária da UGP de Jundiaí (realizada em Piracicaba, cidade sede da Agência PCJ), teve como objetivo a apresentação do projeto LUISA – Levantamento de Unidades para Investimento de Serviços Ambientais, iniciado em 2017, cujo principal objetivo é sistematizar todos os dados ambientais (recuperação e saneamento) para elaboração do Plano de Bacia e o Plano de Recuperação Ambiental.
O projeto envolve um software para elaboração do PIP pelos municípios. A proposta envolve a utilização de sistema lógico em campo, que permita realizar a coleta de dados e
armazenamento (em tempo real) em banco de dados, de forma que após a etapa de campo o PIP seja elaborado pelo software. A proposta busca unificar todas as bases municipais de dados de áreas para recuperação em um portal aberto, e se comunicará com o banco do Projeto Estadual Nascentes, gerando um banco de áreas para recuperação ambiental como compensação e projetos e obras.
Em uma análise realizada no software, destaca-se que o modelo apresentado cobre, fundamentalmente, a caracterização da cobertura vegetal, uso do solo e uso dos recursos hídricos, não se focando em questões que possam estar relacionados aos problemas gerados por tais usos, como tipo de solo, geomorfologia, etc.
Ao questionar os atores da Agência PCJ sobre essa característica, todos os membros foram unânimes em ressaltar que, de fato, não existiu durante a proposta uma preocupação com elementos do meio físico. Por exemplo, um dos técnicos da Agência (Engenheiro Agrônomo) citou que algumas propriedades apresentam 2 ou 3 tipos distintos de solo, mas que essa informação não é colocada no banco de dados do software.
A ANA realizou uma reunião em 13 de dezembro de 2018 em Jundiaí, pois também houve submissão de projeto a edital desta agência pela UGP do município, que foi hierarquizado, mas não contemplado, também pela falta da legislação do PSA.
O motivo da reunião foi o fato de que vários projetos contemplados neste edital não