Dentre as considerações feitas neste artigo, numa perspectiva Pastoral enfatiza-se o importante papel do catequista enquanto mestre e mistagogo.
De acordo com o Diretório para a Catequese (2020), toda a comunidade de fé é responsável pela catequese, mas é na pessoa do catequista que este processo de evangelização se concretiza de maneira sistemática e orgânica. O catequista é membro da comunidade cristã, compreende e vive o chamado de Deus e exerce sua missão de conduzir a caminhada de Iniciação à Vida Cristã dos irmãos. Ensina não somente ao anunciar a Boa notícia, mas sobretudo, com seu testemunho, da rica experiência de encontro com Jesus Cristo, Mestre e Senhor, dentro de sua caminhada pessoal e na comunidade de fé.
O Diretório para a Catequese explicita em seus pressupostos que conduzir ao Mistério requer do catequista, além de vocação, o necessário conhecimento da fé que anuncia, professa e, acima de tudo, testemunha em seu cotidiano. Trata-se de uma catequese “mistagógica”, que tem como missão levar o catecúmeno e/ou catequizando a conhecer e fazer a experiência desse Mistério revelado.
3.1. MOTU PROPRIO, ANTIQUUM MINISTERIUM
Na recente carta apostólica do Papa Francisco, sob forma de Motu Proprio, Antiquum Ministerium (AM) afirma que o catequista é ao mesmo tempo testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da igreja.
Mas, o Santo Padre exorta que para o catequista desenvolver uma identidade coerente e de responsabilidade é necessário que ele tenha vida de oração, estudo e participação direta na vida da comunidade(AM 6)
O próprio serviço pastoral dos leigos, conforme a vocação de cada um, em si já é uma forma de dar testemunho e evangelização no seguimento a Jesus. Desta maneira, estaremos respondendo à vocação a que todos nós somos chamados: “Ide pelo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
Os discípulos de Jesus tiveram a experiência fundamental da Páscoa, que é a verdadeira identidade cristã, onde iremos ativar a iniciação querigmática e, consequentemente, mistagógica.
E esse Mistério deve ser o centro da nossa fé cristã, nos chamando a refletir e direcionar o nosso olhar a Jesus Cristo e onde percebemos que a Palavra de Deus age na intimidade de cada pessoa e faz acontecer a plenitude da Revelação.
É desafio do nosso tempo, principalmente neste período pandêmico, evangelizar a pessoa para que ela tenha essa experiência pessoal e mistagógica. O processo de inspiração catecumenal ajudará tanto os catequistas como os catecúmenos e catequizandos, bem como toda a comunidade eclesial, a participar dessa experiência, mistagogia e vida, que nos levará para dentro do Mistério de Cristo, o centro de toda a catequese.
3..2. O LEIGO COMO PROTAGONISTA DA NOVA EVANGELIZAÇÃO
O concílio Vaticano II vem buscando novos métodos de um fazer catequético, afastando-se do modelo de “catecismo” e de “escolarização”, que dialoguem com o mundo moderno. Após o Concílio, o leigo é o visto como protagonista da Nova Evangelização. Evangeliza-se no mundo, adentrando-se nas realidades das comunidades de fé. Essa tarefa não é fácil. Falar de Jesus na e para a Igreja é fácil, mas testemunhar o Cristo no cotidiano configura um desafio constante.
A atuação dos leigos após Vaticano II não agradou a todos, mas cada vez mais ela vem sendo imprescindível. Os sacerdotes não podem estar em todos os lugares, há muitas tarefas a serem cumpridas numa paróquia, lugares de difícil acesso, onde apenas os paroquianos conseguem chegar.
Porém, ainda há muito ainda que se fazer acerca dos desafios apresentados para os cristãos leigos e leigas na Igreja no Brasil. Atualmente, é a realidade da pandemia e suas consequências crise sanitária, econômica, ética, social, política.
Segundo documento nº 105 da CNBB. no âmbito do laicato, a questão da formação dos cristãos leigos e a sua organização apresentam-se como dois desafios que a Igreja no Brasil precisa perseguir sempre para garantir a existência de um laicato maduro na fé, com sentimento de pertença e protagonista na Igreja e na sociedade.
Porém, não se faz protagonismo sem uma clara consciência da vocação, da missão e da necessária atualização do próprio laicato, principalmente no que diz respeito a uma formação teológica e pedagógica mais consistente.
Faz-se necessário, então, compreender a catequese com uma dimensão evangelizadora, querigmática e mistagógica, para aqueles que não conhecem o evangelho de Jesus, apesar de já serem batizados. assumindo uma perspectiva de espírito missionário. A Eucaristia vem a ser a centralidade dessa catequese voltada para a missão – o encontro pessoal com Jesus Eucarístico, que vem ao nosso encontro, acolhe nossas tristezas, tem interesse real por cada um de nós, fala através da Leitura das Escrituras, é doação na Eucaristia, faz arder nosso coração, transformando-nos em discípulos missionários.
Portanto, a antiga aula de catequese transfigura-se em encontro com o mistério de Deus em Jesus Cristo pela ação de seu Espírito presente entre nós.
CONCLUSÃO
A partir da perspectiva bíblica da aparição de Jesus Ressuscitado aos discípulos de Emaús, relatada em Lucas 24, 13 -35 buscou-se com o presente artigo um novo olhar para a evangelização na atualidade. Jesus leva esses discípulos que perderam a fé em decorrência do evento traumático da crucifixão a desenvolver um novo olhar, uma nova perspectiva mediante a pedagogia amorosa- dialógica, que leva a um amadurecimento da fé na convivência pastoral e comunitária.
Os discípulos de Emaús só foram capazes de reconhecer no forasteiro a pessoa de Jesus quando Ele, através da explicação das Escrituras, revelou o significado do mistério de Sua morte e ressurreição – catequese mistagógica.
Lucas emprega no seu relato um vocabulário eucarístico, mostrando aos leitores que a fração do pão, a partilha, ação missionária e comunitária são resultado do encontro pessoal com o Ressuscitado.
Na perspectiva e eclesial, a pedagogia de Jesus observada na passagem dos Discípulos de Emaús é centrada na convivência, no diálogo, no amor fraterno, no respeito, na dignidade e cuidado aos seres humanos e toda a Criação de Deus. Estes são desafios que toda comunidade de fé precisa enfrentar com coragem e perseverança.
Portanto, conclui-se com este artigo que se faz necessário buscar por um fazer catequético que não tenha somente a missão de aprofundar a fé ou de mantê-la, mas
que seja também um caminho de evangelização, exigido pelo contexto de descristianização da pós-modernidade.
É urgente que a Igreja como um todo busque por um novo paradigma de catequese na perspectiva de formação de discípulos missionários, caso contrário corremos o risco de perder todos os ganhos obtidos com a renovação catequética dos últimos cinquenta anos.
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