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Existe um ponto comum entre as barreiras identificadas que se prende com a garantia de fornecimento de energia elétrica como fonte de alimentação das diversas tecnologias do sector de transportes, nomeadamente: “Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico”, “Carros Ligeiros Elétricos” e “Motociclos Elétricos”.

A garantia deste fornecimento de energia eléctrica para os sector dos Transportes advém do facto do sector de energia ter sido identificado como o que mais emissões de GEE emite para a

atmosfera em S. Tomé e Príncipe (MOPIRNA, TCN, 2019) e portanto ter sido enquadrado nas NDC como prioridade.

Neste quadro das NDC como reportado atrás, S. Tomé e Príncipe engaja-se a reduzir as emissões de GEE por fonte fóssil em 50%. O prazo estipulado para substituir as fontes de energia fóssil por energia limpa é 2030 e as hidroelétricas estão colocadas em primeiro lugar (PNUD, 2020), seguida das fotovoltaicas não menosprezando outras fontes como a eólica e inclusive a força motriz das ondas marinhas.

As projeções para o efeito podem ser visualizadas nos cenários das figuras nº 7 para a ilha de S.Tomé e nº 8 para a ilha do Príncipe.

Em termos de legislação atinente, embora não exista um Plano Diretor para o sector dos transportes que recomende e oriente sobre a preferência de transportes movidos por fonte de energia renovável, em termos administrativos e técnicos as três tecnologias são enquadradas pelo Código de Estrada (Neves, 2013).

São as seguintes as barreiras identificadas, divididas em subcategorias: Barreiras Económicas e Financeiras e Barreiras Não Financeiras.

As Barreiras Económicas e Financeiras dividem-se nas seguintes subcategorias: • Capacidade Institucional e Organizacional;

• Legal e Regulamentar; • Técnica;

• Capacidade Humana;

• Informação e Conscencialização; • Social, Cultural e Comportamental; • Condições de mercado;

• Rede; • Outros.

Utilizou-se o método da árvore de problemas como forma prática de relacionar as barreiras e os seus efeitos, através de uma relação de causa e efeito. Depois de identificado o problema fundamental, tivemos na raiz as causas e na copa da árvore os efeitos.

A tabela nº 42, abaixo a seguir, resume as ligações entre as barreiras para o sector dos Transportes.

Tabela 42 – Ligações entre as barreiras para as tecnologias do sector dos Transportes

Categorias das Barreiras Barreiras Comuns Tecnologias

Económicas e Financeiras Escassos recursos financeiros para aquisição e implementação da tecnologia; Dificuldade económica e financeira para aquisição da tecnologia;

Baixa capacidade de mobilização financeira

TPETF; CLE; ME.

Legal e Regulamentar • Quadro Legal Fragilizado; • Ausência de um quadro legal

adequado.

• Fraca aplicabilidade das leis; • Pouca apropriação das leis pelas

autoridades nacionais.

TPETF; ME.

TPETF; CLE.

Social, Cultural e Comportamental

❖ Resistência a introdução de boas práticas de utilização da nova tecnologia;

❖ Dificuldades na aceitação de novas tecnologias;

❖ Conhecimento limitado por parte da população.

TPETF; CLE; ME.

.

Capacidade Institucional e Organizacional

✓ Capacidade Institucional e Organizativa sem estruturação; ✓ Capacidade organizativa limitada.

CLE; ME.

Informação e Consciencialização Ineficiência do sistema de Informação e Comunicação ao nível do País;

Pouca informação e sensibilização.

TPETF; CLE.

Habilidade/Capacidade Humana Défice do reforço de capacidade técnica e material para manter a nova tecnologia; Recursos técnicos pouco qualificados e baixos salários.

TPETF; CLE.

Técnica Ausência de know- how para lidar com

nova tecnologia;

Desconhecimento das especificações técnicas e da própria tecnologia.

TPETF; CLE.

Outros Relevo acentuado;

Circulação limitada devido a relevo acentuado.

TPETF; ME.

Fonte: O autor (2020)- Legenda : Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico (TPETF); Carros Ligeiros Eléctricos (CLE); Motociclos Eléctricos (ME) – (Ver Anexo D 2)

As barreiras “económicas e financeiras” comuns identificadas para o sector dos transportes, são “os escassos recursos financeiros para aquisição e implementação da tecnologia”, “as dificuldades económicas e financeiras para aquisição da tecnologia” e “baixa capacidade de mobilização financeira”.

Pelo facto de, no sector dos transportes as três tecnologias priorizadas, nomeadamente “Transporte Público com Tecto fotovoltaico”, Carros Ligeiros Eléctricos” e “Motociclos Eléctricos” enquadrarem-se todas na categoria “Outros bens não mercado” devido as suas características de mercado, vai implicar maior cautela no seu tratamento, dada a situação socio-económica do País.

As autoridades nacionais são-tomenses que são os provedores tradicionais desses bens para o usufruto da larga maioria da população, ao depararem-se com estas barreiras financeiras acima mencionadas, terão que redobrar os esforços no sentido de lograr de facto a transferência, implantação e difusão das referidas tecnologias.

A rede de estradas devidamente sinalizadas constituem infraestruturas comuns as três tecnologias, cabendo as Autarquias Locais o provimento das mesmas nos seus respectivos Distritos. A Direção dos Transportes terrestres detém o pelouro das questões técnicas, tais como as regras de trânsito, as obrigações, as sanções pelos incumprimentos, entre outras funções.

As Companhias Seguradoras jogam também um papel importante para as três tecnologias, uma vez que contribuem para uma gestão mais criteriosa dos transportes nas vias de circulação, no mar, no ar e em toda a plenitude dos mesmos.

As condições de mercado embora não se tenham sobressaído como barreiras comuns no confronto da análise das barreiras às três tecnologias, elas permanecem aí de forma latente em todas as tecnologias.

Para o sector dos transportes prevê-se que o Estado deva encontrar diversas formas de fornecer essas tecnologias às populações, devido aos constrangimentos económicos e financeiros que o País atravessa, embora as mesmas não sejam de grande escala como os bens fornecidos Publicamente.

Para as barreiras “não financeiras”comuns identificadas, tais como as da subcategoria “Legal e Regulamentar” destacam-se o “quadro legal fragilizado” e a “ausência de um quadro legal

adequado” entre as tecnologias “Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico” e “Motociclos Eléctricos”.

As barreiras “fraca aplicabilidade das leis” e “pouca apropriação das leis pelas autoridades nacionais” ainda para a subcategoria “Legal e Regulamentar” têm ligação entre as tecnologias “Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico” e “Carros Ligeiros Eléctricos” .

Todas concorrem para que o ambiente favorável à transferência, implantação e difusão dessas tecnologias no sector dos transportes possa ter um suporte legal.

As barreiras da subcategoria “Social, Cultural e Comportamental” enumeradas a seguir, isto é “resistência a introdução de boas prácticas de utilização da nova tecnologia”, “dificuldades na aceitação de novas tecnologias” e “conhecimento limitado por parte da população” são rasgos comuns de uma mesma barreira, porquanto a população perante uma tecnologia nova no país, sem uma boa campanha de sensibilização, estaria limitada em termos de conhecimento sobre a tecnologia em questão e muito difícilmente aceitaria a sua implantação e difusão.

No tocante a subcategoria “Institucional e Organizacional” as barreiras com ligação entre as tecnologias priorizadas para o sector, nomeadamente os “carros ligeiros eléctricos” e os “motociclos eléctricos” são a “capacidade institucional e organizativa sem estruturação” e “capacidade organizativa limitada”.

Claro está que estas barreiras brigam sobretudo com a implantação e difusão das tecnologias, uma vez que com uma capacidade institucional e organizativa sem estruturação, a capacidade organizativa é limitada e só com medidas capazes de as superar, será possível a existência dessas tecnologias em S.Tomé e Príncipe com sucesso.

As tecnologias com barreiras da subcategoria “Informação e Sensibilização” com ligações são o “Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico” e “Carros Ligeiros Eléctricos. Em ambas foram detectadas as seguintes barreiras, “ineficiência do sistema de informação e comunicação” e “pouca informação e sensibilização”.

Sem a devida informação e sensibilização através de programas concretos sobre as tecnologias, nos quais são previstas campanhas que sejam destinadas as populações, a transferência, implantação e difusão das tecnologias, tornam-se tarefas muito espinhosas. Para a subcategoria das barreiras não financeiras “Habilidade Humana” as tecnologias com barreiras que apresentam ligações, nomeadamente “ défice do reforço de capacidade técnica e

material para manter a nova tecnologia” e “recursos técnicos pouco qualificados e baixos salários” são entre as tecnologias “Transporte Público com Tecto Fotovoltaico” e “Carros Ligeiros Eléctricos (Ver anexo D2).

Na subcategoria “Técnica” as barreiras identificadas com ligações entre as tecnologias “Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico” e “Carros Ligeiros Eléctricos” são “ausência de know-how para lidar com nova tecnologia” e “desconhecimento das especificações técnicas e da própria tecnologia”.

Finalmente na subcategoria “Outras” as barreiras “relevo acentuado” e “circulação limitada devido a relevo acentuado” constituem as duas barreiras com ligações entre as tecnologias “Transporte Público Eléctrico com Tecto Fotovoltaico” e “Motociclos Eléctricos”.

De facto para as duas tecnologias a questão do relevo acentuado que caracteriza algumas regiões habitacionais do país, devem ser acauteladas de forma que o desempenho desse meios de transporte seja um sucesso.

3.6- ESTRUTURA DE ENQUADRAMENTO FAVORÁVEL PARA SUPERAR AS