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S´ıntese e caracterizac¸˜ao dos mim´eticos

3.1 Ligantes Tripodais e metodologia retrossint´etica

A s´ıntese de ligantes tripodais ´e comum na literatura devido `a grande versatilidade destes no que tange `a composic¸˜ao e similaridade com centro ativos de metaloenzi- mas.67, 69, 100 Deste modo, existe uma grande diversidade de rotas sint´eticas para a sua obtenc¸˜ao, levando a um elevado n´umero de metodologias de s´ıntese. A escolha do m´etodo de s´ıntese foi realizada considerando a praticidade do m´etodo, a menor toxicidade e a disponibilidade dos reagentes, o rendimento descrito e a possibilidade de se obter um produto mais vers´atil. Com essa vis˜ao, as metodologias de aminac¸˜ao redutiva e abertura de anel de sulfeto de etileno foram escolhidas.69, 101

Assim a an´alise retrossint´etica dos ligantes foi realizada sempre dando preferˆencia aos sistemas com as caracter´ısticas supracitadas. O esquema da retross´ıntese do hi- pot´etico ligante N-NSO (Figura 3.1) foi realizado de modo a incluir a parte sulfu- rada por ´ultimo e utilizando uma metodologia cl´assica de abertura de um anel de sulfeto de etileno por uma amina secund´aria.69, 101 Ap´os, a s´ıntese do intermedi´ario N-NO tem duas possibilidades de s´ınton de polaridade reversas, sendo que ambas foram exploradas na literatura,102, 103 embora a metodologia (b) da Figura 3.1 seja a mais observada pela facilidade sint´etica em trabalhos com eletr´ofilos α-carbox´ılicos. Por´em, o uso de α-bromo´esteres tem o problema associado da sua alta toxicidade –– devido `a f´acil substituic¸˜ao desse bromo –– e a baixa variedade de substituintes. Por outro lado, a metodologia (a) usa um ´ester de amino´acido que tem uma baixa toxicidade e grande variedade de amino´acidos com grupos laterais de interesse.

Figura 3.1: An´alise retrossint´etica do hipot´etico ligante N-NSO mostrando as duas possibilidades de s´ıntese para o intermedi´ario NO. A primeira (a) a aminac¸˜ao redutiva de um ´ester de amino´acido e a segunda (b) envolvendo a substituic¸˜ao nucleof´ılica em um α-bromo´ester por uma amina prim´aria.

3.1.1 Intermedi´arios N-NN e N-NO

Atrav´es da reac¸˜ao de aminac¸˜ao redutiva, ambos os intermedi´arios necess´arios para a s´ıntese dos ligantes foram sintetizados. A s´ıntese da di(2-picolil)amina ´e bem descrita na literatura (Figura 3.2),67 se mostrou reprodut´ıvel e com rendimen- tos entorno de 90%. Os espectros de RMN de 1H e de 13C do intermedi´ario N-NN (Figuras 3.3 e 3.4) s˜ao coerentes com os descritos na literatura.67 Os deslocamen- tos qu´ımicos observados e as integrac¸˜oes obtidas s˜ao coerentes com a formac¸˜ao de uma esp´ecie sim´etrica derivada da 2-picolilamina, sendo observados quatro grupos

de sinais para os hidrogˆenios arom´aticos na regi˜ao de 8,5-7,0 ppm e um singleto para os “hidrogˆenios benz´ılicos” em 3,88 ppm. No espectro de 13C, os cinco si- nais dos carbonos da piridina e o sinal do carbono benz´ılico s˜ao bem evidentes e com os deslocamentos t´ıpicos para estes sistemas, confirmando, assim a s´ıntese do intermedi´ario N-NN.67

Figura 3.3: Espectro de RMN de1H do intermedi´ario di(2-picolil)amina (N-NN) em CD3CN, no qual o sinal do solvente foi ajustado para 1,94 ppm.

Figura 3.4: Espectro de RMN de13C do intermedi´ario di(2-picolil)amina (N-NN) em CD3CN, no qual o sinal do solvente foi ajustado para 118,2 ppm.

Por outro lado, a s´ıntese do intermedi´ario N-(2-picolil)glicinato de etila (N-NO) pela via de aminac¸˜ao redutiva ´e pouco relatada na literatura e com rendimentos bai- xos.102 Inicialmente, a reac¸˜ao foi realizada atrav´es de uma adaptac¸˜ao do m´etodo des- crito por Lacoste et al. com o cloridrato do ´ester et´ılico de glicina, sendo necess´ario o uso de uma base para desprotonar o grupo amina, para aumentar sua nucleofilicidade e reatividade frente `a carbonila do alde´ıdo de interesse.102 A reac¸˜ao foi realizada em metanol, solvente t´ıpico para aminac¸˜ao redutiva,67 com KOH como base, e borohi- dreto de s´odio NaBH4, como agente redutor. No entanto, devido `a baixa solubili- dade em metanol da amina, formou-se uma mistura reacional heterogˆenea, levando a um produto oleoso de cor escura e com part´ıculas s´olidas dispersas no meio. Para purificar o produto de interesse, foi realizada uma destilac¸˜ao a press˜ao reduzida, se- guindo a metodologia de Lacoste et al., por´em nenhum produto foi destilado antes da degradac¸˜ao por carbonizac¸˜ao do material de partida.

Devido aos problemas encontrados, a metodologia sint´etica foi alterada. Para evi- tar um meio extremamente b´asico que pode favorecer a desprotec¸˜ao do ´ester et´ılico, o KOH foi substitu´ıdo por uma amina terci´aria, tri(N-propil)amina ou trietilamina, enquanto o solvente foi alterado para etanol, no qual o cloridrato de amina tem maior solubilidade. No entanto, essa metodologia n˜ao solucionou o problema de heteroge- neidade e degradac¸˜ao na purificac¸˜ao, e uma nova rota sint´etica foi avaliada.

Para evitar o problema de heterogeneidade do meio reacional, foi proposta a s´ıntese em duas etapas, a primeira envolvendo a s´ıntese da imina de interesse entre a amina e o alde´ıdo utilizados, seguido da aminac¸˜ao redutiva da imina com ciano- borohidreto de s´odio. Por´em, devido `a alta reatividade da imina de interesse,104–106 os rendimentos obtidos foram baixos e o produto n˜ao chegou a ser caracterizado.

Ap´os observac¸˜ao que a destilac¸˜ao do produto levou `a degradac¸˜ao, outras t´ecnicas de purificac¸˜ao, como coluna cromatogr´aficas e extrac¸˜oes, foram inclu´ıdas para subs- titu´ı-la.

Na busca por uma metodologia sint´etica mais robusta, verificou-se que o uso de metodologias de aminac¸˜ao redutiva que fazem uso de solventes pr´oticos fluo- rados se destacam devido `a alta capacidade de solubilizac¸˜ao de reagentes polares, estabilizac¸˜ao de intermedi´arios de reduc¸˜ao com borohidreto devido `a sua alta ca- pacidade de formac¸˜ao de ligac¸˜ao de hidrogˆenio e necessidade de baixo volume de solvente, aliado `a facilidade de recuperac¸˜ao/tratamento para reutilizac¸˜ao.75, 76

A metodologia descrita por Tajbakhsh et al. foi adaptada e a reac¸˜ao foi reali- zada utilizando 2,2,2-trifluoroetanol, trietilamina e borohidreto de s´odio.76 O meio reacional obtido se mostrou homogˆeneo e levou a um produto oleoso de um tom ama- relado. Esse produto foi purificado via extrac¸˜ao com H2O e CHCl3, resultando em um ´oleo claro de colorac¸˜ao amarela. Esse foi analisado por RMN de1H e evidˆenciou a presenc¸a do produto de interesse, por´em com a presenc¸a de trietilamina como im- pureza.

Desse modo, a reac¸˜ao foi repetida alterando a base para K2CO3 a fim de evitar a contaminac¸˜ao pela amina terci´aria, esquema de reac¸˜ao mostrado na Figura 3.5. O produto obtido foi caracterizado por RMN de 1H e ESI-(+)-MS, Figuras 3.6 e 3.7, respectivamente. O espectro de RMN de 1H mostrou a presenc¸a dos sinais do intermedi´ario N-NO, mais especificamente os quatro multipletos do grupo 2-piridil na regi˜ao de 8,5-7,0 ppm, al´em dos singletos dos “hidrogˆenios benz´ılicos” e do carbono alfa da glicina, e dos sinais do grupo etil do est´er. Todos os sinais s˜ao coerentes com os descritos na literatura.67 Por´em, ´e poss´ıvel observar a presenc¸a de

impurezas, mas que n˜ao afetaram as etapas posteriores. O espectro de ESI-(+)-MS revelou a presenc¸a do ´ıon molecular protonado em m/z = 195, confirmando, assim a s´ıntese do produto de interesse.

Figura 3.5: Reac¸˜ao otimizada para a s´ıntese do N-(2-picolil)glicinato de etila (N-NO) via aminac¸˜ao redutiva com NaBH4.

Figura 3.6: Espectro de RMN de1H do intermedi´ario N-(2-picolil)glicinato de etila (N-NO) em CD

3CN, no qual o sinal do solvente foi ajustado para 1,94 ppm.

Figura 3.7: Espectro de massas (ESI-(+)-MS) do intermedi´ario N-(2-picolil)glicinato de etila (N-NO) em MeOH. O ´ıon molecular protonado ´e observado em m/z 195.

3.1.2 Ligantes N-NNN e N-NNS

O ligante tri(2-picolil)amina (N-NNN) foi sintetizado utilizando o procedimento de aminac¸˜ao redutiva em meio ´acido com cianoborohidreto de s´odio (NaBH3(CN)) descrito por Liu et al., Figura 3.8.68 A reac¸˜ao resultou em um produto ceroso que, quando analisado por RMN de1H e de13C (Figuras 3.9 e 3.10), apresentou os sinais esperados.68 Foi observada a presenc¸a de impurezas atribu´ıdas aos reagentes de partida, que n˜ao interferem na s´ıntese do complexo de ZnII. Desta maneira, a pr´opria complexac¸˜ao com zinco foi utilizada como metodologia de purificac¸˜ao.

Os espectros obtidos demonstram a alta simetria do ligante, e portanto similares ao do intermedi´ario N-NN. No espectro de RMN de 1H foram observados 4 grupos de sinais na regi˜ao de 8,5-7,0 ppm, al´em do sinal dos hidrogˆenios do metilideno pirid´ınico em 3,79 ppm. J´a no espectro de RMN de 13C os sinais se mantiveram similares ao do intermedi´ario, com excec¸˜ao do sinal do carbono do metilideno pi- rid´ınico que mostrou uma desblindagem de ∼5 ppm, coerente com a entrada de um grupo retirador de densidade eletrˆonica como a 2-metilpiridina.

Figura 3.8: Diagrama com as etapas reacionais para a s´ıntese da tri(2-picolil)amina a partir da aminac¸˜ao redutiva em meio ´acido com NaBH3(CN).

4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 ppm 3.790 7.140 7.163 7.168 7.189 7.489 7.520 7.642 7.649 7.673 7.680 7.704 7.711 8.442 8.461 6.00 3.74 3.47 3.96 3.51 NNN − Eduardo − CD3CN

Figura 3.9: Espectro de RMN de 1H do ligante tri(2-picolil)amina (N-NNN) em CD3CN, no qual o sinal solvente foi ajustado para 1,94 ppm.

Figura 3.10: Espectro de RMN de 13C do ligante tri(2-picolil)amina (N-NNN) em CD3CN, onde pode-se observar a presenc¸a de 6 sinais do produto. Nesse o pico residual do solvente foi ajustado para 118,2 ppm.

Para a s´ıntese do ligante N-NNS foi utilizada a metodologia descrita por Lazarova et al. (Figura 3.11), que se baseia na abertura do anel do sulfeto de etileno em solvente apolar.69 A reac¸˜ao foi realizada em linha de v´acuo e argˆonio com benzeno seco, visando evitar a polimerizac¸˜ao do sulfeto de etileno, favorecida na presenc¸a de atmosfera oxidante e solvente polar.101 Deste modo, a reac¸˜ao foi realizada com todos os devidos cuidados e o produto foi obtido na forma de um ´oleo amarelado de odor caracter´ıstico. A caracterizac¸˜ao foi feita utilizando as t´ecnicas de RMN de 1H e de13C, Figuras 3.12 e 3.13, sendo os dados obtidos coerentes com a literatura.2, 69 Os sinais obtidos nos espectros de RMN de1H e de 13C apresentam o mesmo padr˜ao observado para o intermedi´ario N-NN, por´em com o acr´escimo de picos na regi˜ao alqu´ılica oriundos do grupo etanotiol. Devido `a alta mobilidade deste grupo, um padr˜ao de multipleto foi observado no espectro de 1H, levando `a condensac¸˜ao de ambos os sinais do grupo etil em 2,78 ppm. Por´em, no espectro de carbono, os sinais do grupo etanoltiol sa´ıram separados e permitiram uma avaliac¸˜ao e atribuic¸˜ao mais clara.

Figura 3.11: Diagrama da etapa reacional para a s´ıntese do N,N-di(2-picolil)aminoetanoltiol (N-NNS) a partir da adic¸˜ao da di(2-picolil)amina ao sulfeto de etileno.

Figura 3.12: Espectro de RMN de 1H do ligante N,N-di(2-picolil)aminoetanotiol (N-NNS) em CD

3CN. O sinal do solvente foi ajustado para 1,94 ppm.

20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 ppm 37.35 54.11 55.26 60.83 118.25 122.97 123.90 137.28 149.73

Figura 3.13: Espectro de RMN de13C do ligante N,N-di(2-picolil)aminoetanotiol (N-NNS) em CD3CN, onde pode-se observar a presenc¸a dos 8 sinais do produto. O sinal do solvente foi ajustado em 118,2 ppm. A presenc¸a do CH2Cl2foi observada em 55,26 ppm.

3.1.3 Ligante N-NNOEt

O ligante N-NNOEt foi sintetizado adaptando-se a metodologia utilizada para o ligante N-NNN: aminac¸˜ao redutiva em meio ´acido com cianoborohidreto de s´odio (NaBH3(CN)), descrito por Liu et al., Figura 3.14. O intermedi´ario N-NO foi sin- tetizado e ap´os uma purificac¸˜ao preliminar, este foi utilizado na produc¸˜ao do ligante N-NNOEt. O produto foi obtido como um ´oleo castanho que foi caracterizado uti- lizando RMN de 1H e de 13C. Os espectros obtidos mostram a presenc¸a do ligante de interesse como componente majorit´ario em soluc¸˜ao e impurezas em pequenas quantidades. V´arias tentativas de purificac¸˜ao foram realizadas (extrac¸˜oes e colu- nas), por´em estas se mostraram pouco eficientes na purificac¸˜ao. Assim, decidiu-se sintetizar o complexo de zinco e purificar este, devido `a grande diferenc¸a de com- portamento qu´ımico entre o complexo, o ligante livre e as impurezas associadas. Os resultados obtidos para caracterizac¸˜ao estrutural s˜ao coerentes com os esperados pela literatura.1, 107

Figura 3.14: Diagrama com as etapas reacionais para a s´ıntese da N,N-bis(2-picolil)glicinato de etila (N- NNOEt) a partir da aminac¸˜ao redutiva em meio ´acido com NaBH3(CN).

Figura 3.15: Espectro de RMN de1H do ligante N,N-bis(2-picolil)glicinato de etila (N-NNOEt) em CD3CN. O sinal do solvente foi ajustado para 1,94 ppm.

Figura 3.16: Espectro de RMN de13C do ligante N,N-bis(2-picolil)glicinato de etila (N-NNOEt) em CD3CN, onde pode-se observar a presenc¸a de 6 sinais do produto. O sinal do solvente foi ajustado em 118,2 ppm.

3.1.4 Complexos [Zn(N-NNN)], [Zn(N-NNS)] e [Zn(N-NNO)]

O complexo de ZnII com o ligante N-NNN, chamado de [Zn(NNN)], foi sinteti- zado utilizando uma metodologia adaptada de Xu et al, mostrada na Figura 3.17.74 Primeiramente a reac¸˜ao foi realizada utilizando [Zn(OAc)2] anidro como sal de par- tida, por´em o produto obtido se mostrou extremamente sol´uvel em solventes polares e de d´ıficil separac¸˜ao.

Tendo em vista um complexo com menor solubilidade para permitir a sua separac¸˜ao e purificac¸˜ao, o sal de partida foi trocado por ZnCl2 e NH4PF6 foi adicionado para favorecer a precipitac¸˜ao do complexo,74 levando ,assim, ao isolamento de um sal amarelo p´alido que foi caracterizado, por RMN de1H e de13C, mostrados nas Figu- ras 3.18 e 3.19. O complexo formado foi caracterizado por difrac¸˜ao de raios X de monocristal, confirmando a estrutura, discutida no pr´oximo cap´ıtulo, e composic¸˜ao como [Zn(C18H18N4)Cl](PF6) · (H2O)3, tamb´em coerente com a an´alise elementar.

Figura 3.17: Reac¸˜ao geral de s´ıntese do complexo de ZnII com o ligante tri(2-picolil)amina levando ao complexo [Zn(N−NNN)Cl](PF6).

A troca do contra-´ıon se mostrou eficiente no efeito de diminuir a solubilidade do sal complexo, devido `a formac¸˜ao de interac¸˜oes intermoleculares que acarretam

a diminuic¸˜ao da energia de rede, estabilizando, assim, o cristal.108 Al´em disso, a presenc¸a de PF–6, um ˆanion volumoso, favorece ainda mais a diminuic¸˜ao da energia de rede pela maior similaridade entre os raios dos ´ıons.109

Figura 3.18: Espectro de RMN de1H do complexo de ZnII com o ligante tri(2-picolil)amina [Zn(N-NNN)] em CD3CN. O sinal do solvente foi ajustado para 1,94 ppm.

O espectro de RMN de 1H do complexo mostrou o deslocamento dos sinais do ligante para maiores valores em ppm. Isso ´e coerente com a inclus˜ao de um ´acido de Lewis que desblinda eletronicamente o ligante. O sinal dos hidrogˆenios do me- tilideno pirid´ınico do ligante foi o mais afetado, apresentando um deslocamento de

+0,78 ppm quando comparado ao ligante livre. J´a os sinais dos grupos 2-piridil fo- ram afetados com menor intensidade, sendo o maior deslocamento observado de + 0,56 ppm para o hidrogˆenio H1, que est´a no carbono vizinho ao nitrogˆenio que se coordena ao ZnII. Nota-se, tamb´em, que as impurezas presentes no ligante N-NNN foram removidas com a complexac¸˜ao, devido `a precipitac¸˜ao diferencial no meio re- acional, facilitando, assim, a purificac¸˜ao do complexo [Zn(N-NNN)] em detrimento ao ligante.

Os sinais de RMN de 13C do complexo tamb´em foram deslocados para campo baixo quando comparado com o ligante livre. Por´em, devido `a maior proximidade com os ´atomos de nitrogˆenio que est˜ao diretamente coordenados, ´e observado a blin- dagem de alguns dos sinais, como o dos carbonos do metilideno pirid´ınico que sofre um deslocamento de -2.9 ppm. Os resultados obtidos s˜ao coerente com os obtidos para an´alogos da literatura.74

A an´alise de ESI-(+)-MS do complexos de ZnII, Figura 3.20, mostrou a presenc¸a do complexo com estequiometria 1:1:1 entre o ´ıon zinco, o ligante N-NNN e um ´ıon cloreto ou formiato, proveniente da fase m´ovel da infus˜ao, confirmando a proporc¸˜ao esperada entre o ligante N-NNN e o ´ıon met´alico.

Figura 3.19: Espectro de RMN de13C do complexo de ZnII com o ligante tri(2-picolil)amina [Zn(N-NNN)] em CD3CN. O sinal do solvente foi ajustado em 118,2 ppm.

[Zn(N−NNN)(HCO2)]+

[Zn(N−NNN)Cl)]+

Figura 3.20: Espectro de massas (ESI-(+)-MS) do complexo de ZnII com o ligante tri(2-picolil)amina [Zn(N- NNN)] em H2O/MeOH, com 1% de ´acido f´ormico. A voltagem de cone aplicada foi de 25V.

Como o complexo de ZnII com o ligante N-NNS, chamado de [Zn(N-NNS)], j´a ´e descrito na literatura, foi utilizada a metodologia de Kurosaki et al, mostrado na Figura 3.21.2 O complexo foi obtido como descrito na literatura. Sua caracterizac¸˜ao foi realizada por an´alises de RMN de 1H e de 13C, Figuras 3.22 e 3.23, respectiva- mente. Devido `a menor solubilidade do complexo, o RMN de 1H foi realizado em D2O enquanto o espectro de 13C foi obtido em DMSO−d6. O monocristal do com- plexo [Zn(N-NNS)] foi obtido e sua estrutura ser´a analisada no pr´oximo cap´ıtulo. A an´alise elementar confirmou a composic¸˜ao [Zn(C14H16N3S1)Cl] para o complexo.

Figura 3.21: Reac¸˜ao geral de s´ıntese do complexo de ZnII com o ligante N,N-di(2-picolil)aminoetanoltiol [Zn(N-NNS)] em meio b´asico.

O espectro de RMN de 1H do [Zn(N-NNS)] revelou o desdobramento dos sinais atribu´ıdos aos hidrogˆenios do metilideno pirid´ınico das porc¸˜oes 2-piridil e o des- locamento de +0,4 ppm destes. Esse tipo de desdobramento ´e atribu´ıdo ao efeito conformacional sobre o ambiente qu´ımico desses hidrogˆenios,2 enquanto o desloca- mento para campo baixo segue a l´ogica supracitada para o complexo [Zn(N-NNN)]. O deslocamento dos sinais dos hidrogˆenios do metilideno pirid´ınico dos grupos 2- piridil ´e 51% do observado para o complexo [Zn(N-NNN)]. Esse menor desloca- mento pode ser atribu´ıdo `a menor carga total do sistema, [Zn-N-NNN]+versus [Zn- N-NNS]0, e tamb´em `a presenc¸a do tiolato, que ´e uma base mais forte do que as

aminas arom´aticas.2

Figura 3.22: Espectro de RMN de 1H do complexo de ZnII com o ligante N,N-di(2-picolil)aminoetanotiol [Zn(N-NNS)] em D2O. O sinal do solvente foi ajustado para 4,79 ppm.

Devido `a menor solubilidade do complexo, os sinais obtidos no espectro de 13C foram pouco intensos, por´em, a atribuic¸˜ao foi realizada. Os sinais dos carbonos alqu´ılicos do ligante n˜ao foram observados por estarem na mesma regi˜ao dos do solvente utilizado e sua baixa intensidade.

De forma similar ao observado para o complexo [Zn(N-NNN)], os sinais de car- bono no complexo [Zn(N-NNS)] apresentaram deslocamentos variados, devido `a

maior proximidade aos ´atomos que est˜ao diretamente coordenados ao metal. O sinal dos carbonos do metilideno pirid´ınico dos grupos 2-piridil sofreram um desloca- mento de -5,4 ppm, sendo essa blindagem muito maior do que a observada para o complexo [Zn(N-NNN)]. Novamente, a menor carga total do complexo e a presenc¸a de um grupo mais doador s˜ao apontados como a causa para essa observac¸˜ao.

Figura 3.23: Espectro de RMN de13C do complexo de ZnII com o ligante N,N-di(2-picolil)aminoetanotiol [Zn(N-NNS)] em DMSO−d6. O sinal do solvente foi ajustado para 39,52 ppm.

A an´alise do espectro obtido por ESI-(+)-MS do complexos de ZnII com o ligante N-NNS, Figura 3.24, mostrou a presenc¸a do complexo com estequiometria 1:1 entre

o ´ıon zinco e o ligante N-NNS, confirmando a proporc¸˜ao e padr˜ao isot´opico espera- dos, al´em da possibilidade de coordenac¸˜ao do ZnII com o solvente (MeOH), eviden- ciando a presenc¸a de um s´ıtio de coordenac¸˜ao vago na esp´ecie [Zn(N−NNS)]+.

[Zn(N−NNS)]+

[Zn(N−NNS)(MeOH)]+

Figura 3.24: Espectro de massas (ESI-(+)-MS) do complexo de ZnII com o ligante N,N-di(2- picolil)aminoetanotiol [Zn(N-NNS)] em H2O/MeOH, com 1% de ´acido f´ormico. A voltagem de cone aplicada foi de 25V.

Para a s´ıntese do complexo [Zn(N-NNO)] se faz necess´aria a hidr´olise do ´ester et´ılico, usado como grupo de protec¸˜ao. Duas rotas s˜ao poss´ıveis para isso, sendo uma direta, na qual o ligante N-NNOEt ´e hidrolisado para N-NNO previamente, e depois o complexo [Zn(N-NNO)] ´e formado. E uma outra via indireta, na qual primeira- mente o complexo com o ligante protegido [Zn(N-NNOEt)] ´e sintetizado, separado e posteriormente hidrolisado, levando ao [Zn(N-NNO)].1, 107 Visando `a facilidade de purificac¸˜ao dos complexos de ZnII frente `a purificac¸˜ao de aminas livres (ligantes), a metodologia indireta (Figura 3.25) foi escolhida e, posteriormente, realizada com sucesso. Primeiramente, o complexo [Zn(N-NNOEt)] foi sintetizado utilizando a metodologia descrita na literatura e este foi caracterizado utilizando RMN de 1H e de 13C, mostrados nas Figuras 3.26 e 3.27.1

Figura 3.25: Esquema reacional de s´ıntese do complexo de ZnIIcom o ligante N,N-bis(2-picolil)glicina pelo m´etodo indireto, envolvendo a s´ıntese do complexo com o ligante N,N-bis(2-picolil)glicinato de etila e, poste- riormente, a hidr´olise do ´ester et´ılico para a obtenc¸˜ao do produto de interesse.

Figura 3.26: Espectro de RMN de1H do complexo de ZnII com o ligante N,N-bis(2-picolil)glicinato de etila [Zn(N-NNOEt)] em D2O. O sinal do solvente foi ajustado para 4,79 ppm.

Figura 3.27: Espectro de RMN de13C do complexo de ZnII com o ligante N,N-bis(2-picolil)glicinato de etila [Zn(N-NNOEt)] em D2O.

O complexo [Zn(N-NNOEt)] obtido foi ent˜ao hidrolisado, resultando assim no complexo [Zn(N-NNO)] como obtido por Abufarag et al. Este foi caracterizado, e os espectros de RMN de 1H e ESI-(+)-MS est˜ao mostrados nas Figuras 3.28 e 3.29,

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