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5 . 1 . 0 ACORDO NUCLEAR

Atr avés do Decreto 7 6 . 6 9 5 , datado de 10 de dezembro de 1 9 7 5 , foi promulgado pelo Pr e s id e n t e da Re publica o Acordo sobre cooperação no campo dos usos e s p e c í f i c o s da en e r g ia n u c le a r Bra s il - R e p üb lic a Federal da Alemanha.

Antes d i s s o , porem, a ut o ri d a d es b r a s i l e i r a s jã vinham ma ni festando- se sobre o ing re s s o do B r a s i l na era atômi ca.

0 P r e s id e n t e Costa e S i l v a , no ano de 1 9 6 7 , manifestava- se favoravelmente sobre en er g ia nucl e a r como o mais poderoso re curso a ser c olocado ao alcance dos países em d ese nv olv im en to, pa ra r e d u z i r a d i s t â n c i a que os se para das nações i n d u s t r i a l i z a d a s .

A i n d a , no mesmo ano, o M in i s t r o das Relações Ext er i o re s do B r a s i l , S enador Magalhães P in to , afirmava e n fa tic am e n te que : "E itam oi pen.-!, uadÃ.do6 de. que. òõ aoniegLu.Aímo6 A.eduz-ÍA a d is t â n c i a que nos sepana das nações I n d u s t r i a l i z a d a s se nos engajarm os.' num programa I n t e n s i v o de aplicaçã o da c le n c la e da t e c n o t o g l a do qual a energ ia n u cle ar e peça-chave. Para s a l i e n t a r a {firmeza de nossa I n t e n ç ã o , d e s i g n e i o Embaixador S é rg io C orreia da Costa para que em Genebra, no Comitê de Desarmamento das Nações U n id a s , d e c la r a que

0

B r a s i l não a c e i t a r á compromisso em m atéria de não proll{^era ção nucle ar, que Im p liq u e nossa co ndenação a uma nova {^orma de de pendência. Não nos deteremos, co n tu d o ,n a simples preservação do d ir e i t o de e x p lo r a r l i v r e m e n t e , para ^Ins p a c í f i c o s , todas as po_ t e n c l a l l d a d e s do átomo". (8 3)

Observa-se, po rta n t o , que muito antes da data da a s s i n a ­ tura do Acor do, o governo b r a s i l e i r o desencadeou uma b a t al ha p o l i t i c a pelo d i r e i t o de in gre ss o no campo da exploração da tecnolo g i a nuc le ar que, segundo o Embaixador Sérgio Cor re ia da Cos ta, o B r a s i l para vencer o s ubdesenvolvimento tem, de f a t o , de tentar o s a l t o t e c n o l o gi co .

Mas, em 1 9 7 4 , o I I Plano N acional de D esenvolvimento I I PND, a dv er tia ao País para o Programa N uclear B r a s i l e i r o , que, segundo o governo, a s s e g u r a r ia a promoção do desenvolvimento eco^ nômico, so c ia l e p o l í t i c o do B r a s i l , pois para a t i n g i r o bem estar g e r a l . ê impr esci n d ív el dis po r de adequadas fontes e n e r g é t i c a s , dentre as quais s ob re s sa i a en e r g ia nu c l e a r .

Pontos bás icos do Acordo:

(1) compra de re atore s para as usinas Angra 2 e A n g r a 3. I n i c i a l m e n t e 301 do equipamento serão fo r n e c ^ dos p ela i n d u s t r i a n a c i o n a l ; em 1 9 9 0 , quando se i n s t a l a r o ultimo dos reatores 701 deverão ser n a c i o n a i s ;

(2) compra de combustível para abaste cimento dos rea tores ate 1979 - quando devera i n i c i a r - s e a pro dução n a c i o n a l . Por enquanto o B r a s i l depende , par a a compra de urânio n a t u r a l , dos Estados Un^ dos, da A u s t r á l i a e da A f r i c a do S u l ;

(3) fina nc iam e nt o dos re atores por um c on so rci o ban cã ri o alemão;

(4) i n s t a l a ç ã o no B r a s i l , com a s s i s t ê n c i a t e cno lo g ^ ca alemã, de uma us in a de reprocessamento de plu t ô n i o ;

(5) i n s t a l a ç ã o no B r a s i l , com a s s i s t ê n c i a alemã, de uma u s i n a de enriquecime nto de u r â n i o , pelo pro cesso de j a to c e n t r í fu g o .

0 programa prevê a absorção da te cn ol o gi a de enriqueci^ mento de urân io , e da t e c n o l o g i a de r e at o r es , r e a l i z a n d o - s e , igua]^ mente, esfo r ço para e f e i t o de p r o g re s s iv a in s t a l a ç ã o da produção de reatores no Pa ís . Alem d i s s o , inc lui-se desenvolvime nto da tec n o l o g i a de combustíveis n u c l e a r e s , usinas de concentração de mine rio s de ur ân i o, prospecção de minérios nucleare s e i n d u s t r i a s de a r e ia s p es ada s.

Muito embora outros países tenham sido c o n su l t a do s, a Alemanha, porem, dispôs-se a neg ociar um acordo com o b j e t i v i d a d e e p r of un di d ad e , visan do ã ação conjunta dos doi s pa rc e i r os para a implantação do B ra s i l do c i c l o completo da te cn ol o gi a n u c l e a r . To do o proc esso s e r i a p rogre ssivamente n a c i o n a l i z a d o e todo o mate r i a l s e r i a futuramente fa br ic ad o no B r a s i l . Ao con trário da Fran

ça, país também c o n s u l t a d o , que se mostrou in t e r e s sad o em negociar, mas em bases pouco o b j e t i v a s .

5 . 2 . CRITICAS AO PROGRAMA

Somente a p a r t i r de 1 9 7 7 , sob os embalos da chamada aber t ura, ê que c i e n t i s t a s , p o l í t i c o s e imprensa começaram a reclamar ã instauraç ão de um amplo debate, sobre o Acordo Br a s il - Alemanha. 0 Pa lá cio do P l a n a l t o e o Itamarati r e s is t ir a m e conse^ guiram ev it ar no meio p o l í t i c o qualquer di s cussã o em torno do a^ sunto. Poucos são os segmentos da soci edade b r a s i l e i r a que têm a.1 guma informação sobre a t emática da e n è r g i a . nu cle ar.

0 Senado F eder al esboçou uma t e n t a t iv a de analisar o Aco£ do, in sta la ndo uma Comissão Parlamentar de I n q u é r i t o , que de pra tico s5 r e s u l t o u em i r r i t a ç õ e s dos membros da Comissão e dos -prin c i p a i s depoentes.

Os c r í t i c o s argumentam, de i n í c i o , que está demonstrado que o B r a s il embarcou numa a ventura cara demais, além de que não e x ist e qualquer g a r a n t i a que o país a t i n g i r á , re almente , a inde^ pendência t e c n o l õ g i c a em matéria nu c le a r .

0 r ecente a c i d e n t e nucl ea r de "T hr ee Mi le I s l a n d " , nos tados Unidos , colocou o programa nucl ea r b r a s i l e i r o novamente em choque com a opinião p ú b l i c a com re sp e it o ã segurança f í s i c a das usinas de Angra.

Os c r í t ic o s voltam ao contra-ataque argumentando que, ã pr ime ira v i s t a , a c e r t e z a que se tem é de que o Acordo firmado en tre B r a s il e Alemanha s erá um e x cel ent e negocio para esse últim o , c uj a i n d ú s t r i a n u cl e ar depende de exportação para sobre v iver e suas us ina s ne ce s si ta m da importação de urânio para f u n c i o n a r , mas que o governo b r a s i l e i r o movido em larga medida pe la busca do re conhecimento i n t e r n a c i o n a l ãs a sp ira çõe s de País p o tê nc i a , agarrou- se na de fesa do Acordo como se dele dependesse o futuro da nação b r a s i l e i r a .

Outras c r í t i c a s são f e i t a s ao Acordo: o segredo com que foram e labo radas as cl a u su la s e a pr õp r ia a s s i n a t u r a ; a sua in v i a b i l i d a d e econômica, em face da a plicação de centenas de milhões

de 'dólares num programa n u c l e a r , quando acima de 4 0 milhões de p e ^ soas no B r a s i l vivem em pobre za a b s o l u t a ; a despreocupação com o l i x o atômico, elemento altamente rad ia t iv o (os Estados Lhidos g a ^ tam por ano 3 b il h õe s de dólare s com despesas de armazenamento) ; a i n v i a b i l i d a d e t é c n i c a da en e r g ia n uc le ar (dados o f i c i a i s dos E£ tados Unidos anotam que os seus 65 re atore s só produzem 2 , 9 1 de e n e r g i a ) ; a i n e x i s t ê n c i a de um deba te p ub li co sobre a de ci são to mada pelo governo b r a s i l e i r o em e nt rar na era atômica; a f a l t a de segurança das u s in a s n ucle a re s (a Comissão de En e rg i a Atômica dos Estados Unidos f a z , hâ tempos, a se gu in te e s ti m a ti v a sobre os danos provocados p e l a l i be ra ç ão num ac id e n te de 501 de ma te r ia l r a d i a t i v o de uma us i n a nuc le ar de 500 NW: 3 . 4 0 0 mortos, 4 3 0 . 0 0 0 f e r i d o s , evacuação de uma ãrea de 2 . 0 0 0 km^, sem contar as seque Ias de ordem g e n e t ic a e c a n c e r í g e n a ) ; o an alfabe tismo t e c nol ó gi co da mão de obra empregada em A n gr a , que se ocorrer um vazamento em uma das nossas u s ina s como aconte ce u recentemente nos Estados Uni d os , onde se empenharam técnicos da mais a l t a ca t e g o r ia comum' cu£ to aproximado de 40 milhões de d ó l a r e s , o B r a s i l não t e r i a cond^ ções técnicas e econômicas de sup ortar um acide nt e em uma de suas u s i n a s .

0 governo b r a s i l e i r o tem re f uta do as c r í t i c a s que são f e i t a s ao programa n u c l e a r , p r in ci p a lm e n te sobre o s i g i l o que en vo lve u a negociação do Acordo. Segundo fontes do P l a n a l t o , as ne gociações não poderiam ser d is c u t i d a s e de bat id as amplamente, ten do em v i s t a e vi t ar pressões p r e v i s t a s parti cul arm en te por parte dos Estados Unidos.

No que se r e f e r e a i n v i a b i l i d a d e econômica do Acor do, o governo b r a s i l e i r o tem-se manife sta do que, muito embora o B r a s i l a i n d a disponha de enorme p o t e n c i a l h i d r e l é t r i c o , as suas n e c e s s ^ dades energéticas são enormes, e que a melhor solução não s e r i a e s pe rar pelo esgotamento dessa fon te , mas complementâ-la com a e ne r g i a termo -nuclear.

Outro ponto que as a uto rid ad e s governamentais têm e n f a t ^ zad o, sobremaneira, é o da u t i l i z a ç ã o do ãtomo para fins p a c í f ^

C O S . A j u s t i f i c a t i v a para es sa afirmação é de que ao País falta m

rec urso s para o próprio des envolvimento, para atender ãs imensas n e c e s s i d a d e s de uma população pobre e numerosa, além do que o Bra s i l não desej a e não tem o menor i n t e r e s s e em po ssu ir a r t e f a t o s

nuc leares para f i n s m i l i t a r e s .

Fin al men te, o governo tem se e sforçado em j u s t i f i c a r a não aceitação da p r op osta no rt e-americana que a s s e g u r a r i a ao Bra s i l o enriquecimento do urânio e o reprocessamento do combustí vel através operações com or g an izaç õe s i n t e r n a c i o n a i s .

A de ci sã o de não se tornar dependente do e x t e r i o r , no que se refere ã e n e r g i a n u c l e a r , como em outros tempos aconteceu com o carvão e agora com o p e t r o l e o , o B r a s i l optou em ter a sua pro p r i a usina de reproces sament o.

5 . 3 . AS PRESSÕES EXTERNAS

Com a a s s i n a t u r a do Acordo N uclear B r a s il - A le m a n h a , os do is países s i g n a t á r i o s começaram a s of r e r os mais di v e rs os tipo s de pressão, não sõ atr avés de pronunciamentos das mais a l t a s l i d e ranças do p l a n e t a , mas também por estocadas da imprensa i n t e rn a - c i o n a l .

Ja nos p r imeiros meses do ano de 1 975 , a que stão t r a n s p ^ rou e provocou v i o l e n t a r eaçã o, tanto dos Estados Unidos como da União S o v i é t i c a .

0 P r e s i d e n t e Ca r ter , por d iv e rs as v e z e s , ocupou as p r ^ meiras paginas dos j o r n a i s b r a s i l e i r o s re ferindo-se ao Acordo em termos - " t e n t a r e i ob te r, por via dipl omá ti ca , a revogação do con t rat o de venda de c e n t r a i s nucle ar e s que a Alemanha O c i d e n t a l a£ s ino u com o B r a s i l " , adiantand o a i n d a " que dispõe de informações que lhe permitem pr ev er o êx it o da i n i c i a t i v a " - de a r b i t r o do mundo e de i n s t â n c i a r e v is o r a da A gê nc i a I n te r n a c i o n a l de En e r g i a Atômica.

0 Senador Paulo Bross ard , em d isc ur so p r o f e r i d o na Se£ são de 2 de dezembro de 1 976 do Senado Fe d e r a l, i n d a g a v a :

"0 PAe.slde.nte dos Estados Untdos pode, l e g it im a m e n ­ t e , p r e t e n d e r a revogação de am aeordo celebrado en t r e duas nações, segundo as regras do D i r e i t o I n t e r n a c i o n a l " ?

a cabado , zòtafL-iam pAopznóai a a c é lt a A e i ó a I n t í A fe A Í n c la de. uma nação zòtAanha ao ajuite. e òob pAzòi>oe.i> vottaA atAa& na-ò n e g o c l a ç õ

0.6

AegulaAmen te aoncluZdaò e co ni ubitanctadaó em um p a c to , de modo a que e le vteòée a òeA c a n c e l a d o " ?

A imprensa norte-americana, pr in c ip a lm e nt e o New York me s .e o W ashington Po st , desf e chou uma campanha contra o Acordo

firmado entre B r a s i l e Alemanha, não poupando comentários de sfavo râveis ao Acordo.

Não s a t i s f e i t o com a p o l í t i c a b r a s i l e i r a de manter os ter mos do Acordo ate o f i n a l , o governo americano passou a adotar uma l i n h a mais pr agmática ã sua d ip lom ac ia, enviando ao B r a s i l algumas comitivas de f u n c i o n á r i o s para te ntar reneg oci a r o Acordo que o governo b r a s i l e i r o h a v i a a ss in a d o com a Alemanha O c i d e n t a l . 0 Bra s i l começou também a r eceber documentos dos Estados U ni do s, s e ja a " o r a l mes sage" (uma mensagem o r a l , mas de cunho o f i c i a l ) .seja o "non pap er " (um papel sem timbre ou a s s i n a t u r a ) , contendo reca dos da diplomacia norte-americana.

0 Governo dos Estados Unidos continuou, mediante as mais d iversas formas de p r ess ão , combatendo o Acordo, fundamentando-se, sobretudo , na p o l í t i c a que o Senhor Carter e l eg eu como carro che fe para a sua chegada à Casa Branca: o r es pe it o pelos d i r e i t o s hu manos; propondo, i n c l u s i v e , o congelamento do Acordo N u c l e a r com a Alemanha, até que novas técnicas fossem de sc o be r ta s .

Durante esse período foram u t i l i z a d o s di v e rsos mecani ^ mos de pressão contr a o B r a s i l , tendo os Estados Unidos anunciado a divulgação o f i c i a l de um r e l a t o r i o sobre os d i r e i t o s humanos no P a í s .

Curiosa essa posição humanista nos Estados U n i d o s, p ri n cipalmente quando se sabe n o to ri a e publicamente a sua i n f l u ê n c i a em outros pa íse s em sen tid o diametralmente oposto ao anunciado.

Não são poucos os re la t os que chegam ao conhecimento da opinião p ú b l i c a , acerca do d e s r es p e i to aos d i r e i t o s humanos naque le país no que se r e f e r e ãs mino rias r a c i a i s , e, também, sobre a atuação da CIA nos pa íse s do T e rc e i r o Mundo, u t il iz a n d o - s e de ob j e t i v o s os mais baix os pelos processos mais torpe s.

que uma prestação para os governant es norte-americanos e homens de nego c io, que perderam um e x c el e n t e mercado com o Acordo firma do entre B r a s í l i a e Bonn. Mas, f i n a l m e n t e , f i c o u conhecida a i n tenção dos Estados Unidos em que rer a revogação do A c o r d o , " quando por v ia s i n d i r e t a s o governo b r a s i l e i r o tomou conhecimento das propostas de in s ta la ç ã o de us inas de reprocessamento de ur âni o en r iqu ec id o em outro p a í s , sob o controle A IEA , e de fornecimento de urânio e nr iq u ecido p elos Estados U n id o s, em prazos longos e c r é d ^

to f a c i l i t a d o .

E stas duas propost as norte -americanas, de i n t e r n a c i o n a l ^ zar a usi na e e nriqu ecimento de urânio i n s t a l a d a no B r a s i l e se rem os Estados Unidos o forne ce dor do combustível, visavam obte r a depe ndênc ia do B r a s i l e colocâ-lo submisso aos c r i t é r i o s do Su£ p l i e r ' s Club - Clube dos F o rne ce dore s, formado pelas p r i n c i p a i s po tências n u c l e a r e s , além do País f i c a r sob o con trole do governo norte-americano.

Cabe, na o p or tu ni d a de , r e s s a l t a r a forma como expressou- se o Presidente da Comissão de En erg ia Atômica do Senado A m e r ic a ­ no, Senador Pa s to r e , sob re o Acordo B r a s i l e i r o - A l e m ã o : " e r a moti. vo de indignação e s e r i a um e scárnio á Doutr in a Monroe, jâ que o B r a s i l po deria tornar-se inde pe nde nt e da i n f l u ê n c i a dos Estados U n i d o s " .

Um outro Senador norte-americano ao r e fe r i r - s e sobre o assunto afirmou "que. oò Estados Untdos não podtam peAmtttA. que. um p a Z s , e.m se.u q u i n t a l , {^tcassí em ao ndÁ.ç.õ es de p r o d u zt r a bomba at^ mtaa, pondo em filsao a s e g u r a n ç a do povo n o rte- a m er ta an o ". CSS)

Mas segundo o j ornal Le Monde "todas as preoaupaçõ es e objeções não são dttas p e la nobre preocupação de e v i t a r que um re glme m i l i t a r a dq u ir a os meios para f a z e r a bomba. Com a a s s i n a t u ­ r a do acordo b r a s ile ir o - a le m ã o , um Im portante mercado escapa das mãos das empresas norte-americanas, cuja l i b e r d a d e de manobra cal amplamente pelas ao ndlçõ es Impostas pelo Congresso norte- amerlca n o " . ;(86)

Das insi nua çõe s de um Senador dos Estados Unidos nada mais coerente do que as indag ações de um Senador B r a s i l e i r o :

gulr-se-ã que se ho je são p a c i f i s t a s os propó sitos b r a s i l e i r o s , amanhã possuidor dos segredos c i e n t í f i c o s e dos Instrum entos apro_ p r la d o s , sem grande e s f o r ç o , e le po deria p a ss a r a d is p o r de armas

nac-lídAzi. SupoÁto t a l pudtòòz aaontecen., eu lÃ.m.itaA-rm-ta a p&A guntaA: 0 B/iaòtl òQ.fila unidade, i o llt â fila no un-ive-uo a pe.Atun.baA. a òua paz e a compAomete.A o ãe.u £oi6e.go? Ademalò, não foAam e.xata mente, oi Eitadoò Unldoé o pfiZmelAo paZi, a poòòulA o a r t e fa t o mal

dZto? E

0

que í maZó. Não foZ o ãnZco paZi, a uòã-lo ate h o j e "?

(S7) • ,

Ora , B r a s i l e Alemanha submeteram o Acordo ã apre ciação da AIEA, or gan iz ação in t e r n a c i o n a l cr iad a para os f i n s ' e s p e c í f ^ cos de con tr o l a r a u t i l i z a ç ã o da e n e r g i a n u c l e a r , que c on si de ro u plenamente s a t i s f a t ó r i a s as cl a us u la s de segurança constante s dos acordos de cooperação nu c le a r e ntre os doi s pa ís es e, por unani m^ d ade, foi aprovado o acordo t r i p a r t i d e de f i s c a l i z a ç ã o .

Mas se e x i s t e realmente essa preocupação de que o Br a s il po ssuindo a t e c n o l o g i a n u c l e a r , c o n s t r u i r i a no futuro o seu arte f a t o , que os Estados Unidos usem do seu p r e s t í g i o e sua i n f l u ê n c i a para for talecer em os organismos i n t e r n a c i o n a i s , un i c a s partes legítimas no controle e f i s c a l i z a ç ã o do uso do ãtomo, para que se tornem mais e f i c a z e s , convertendo-se em mecanismos de peso para o e q u i l í b r i o de forças entre as nações n u c l e a r i z a d a s e instrument o de proteção aos pa íses que não poderão i n g re s s ar no Clube de Lon dres e as v oltas constantemente com o inte rvencionismo das gran des po tê n c ia s .

5 . 4 . ANGRA "VERSUS” ATUCHA

A Arg en t in a também e stá pre stes a e ntrar no fechadí ssi mo Clube Atômico. Desde 1 9 5 0 , com a criação da Comissão N a c io n al de Energia Atômica, a A r g e n t in a empreendeu um plano de u t i l i z a ç ã o da ener gia atômica para f i n s p a c í f i c o s , o b j e t i v a n d o , fundamentalmen te , obter a mãxima autonomia do ex te r io r e log r ar a mais a l t a ca pac itação t e c n o l ó g i c a .

A n a l i s t a s daquele país do Prata têm e n f a t i z a d o , que ind £ pendentemente das grandes d i f i c u l d a d e s e ncontradas, o esforço ar gentino p ermitiu a l c a n ç a r , jã em 1 9 7 5 , uma franca d i a n t e i r a em t£ da a Améri c a -La tin a. Essa d i a n t e i r a i n c l u i o B r a s i l , em p a r t i c u l a r . Segundo o General Juan G ug lZalm ellZ, a A rg en tin a poderá, num

futuro proximo, com p artilhar com oò outros p a l s w o " s t a t u s " de. próximos ao Clube, N u c le a r . (88)

Pe l a voz de ge n er ais arg e nt ino s denotam-se o e sforço e a grande preocupação da Ar g en tin a em i n g r e s s a r rapidame nte no Clube de Londres, p ri nci p a lm en t e quando o B ra s il é um dos p o stu lan te s a p o tê nc i a , mediante o conhecimento f i n a l da t e c n o l o g i a do ãtomo , busc ando, com i s s o , uma pre se nça hegemônica na America do S u l .

Sabe-se que a A rg e n t in a não a d e r iu ao Tratado de Não Pro l i f e r a ç ã o de Armas Nuclear es firmado em novembro de 1968., a s s i n o u mas não r a t i f i c o u o T l a t e l o l c o , de f e v e r e i r o de 1 9 6 7 , que t r a t a sobre a P ros crição de Armas Nucle are s na Amêrica-Latina. No p r ^ meiro, as r az ões apres entadas p e la Arg e nt in a foram as mesmas do B r a s i l , pois a a s s i n a t u r a i m p l i c a r i a em problemas de segurança e l i m i t a r i a a l i b e r d a d e de ação dos pa ís e s s i g n a t á r i o s . Para o gover no b r a s i l e i r o o TNP contin ha clá u su la s d i s c r i c i o n á r i a s . Já o se gundo tra tado , muito embora s e j a l i m i t a t i v o , permite ” ãs partes con tratantes r e a l i z a r explosões de d i s p o s i t i v o s nucle are s para -fins p a c í f i c o s , i n c l u s i v e explos ões que pressupunham art e fa t os s i m i l a res aos empregados em armamento n uc le ar - ou pr es ta r sua colabora ção a terc eir o s para os mesmos f i n s , sempre que não contravenham as disp o si çõ es do p r es e n te a r t i g o e aos demais do t rat ad o , em e£ p e c i a l os art igos 1° e 5 ° ” (§ 1 ° do a r t ig o 18 do Tratado sobre Pro^ c r içã o de Armas Nucleares na A m êr ica -L ati n a).

Faz-se mist er a s s i n a l a r , a i n d a , que este tratado não pre vê nenhuma sanção para as pa rte s contratante s que o violem, assim como, deve-se a l e r t a r , que a sua v i g ê n c i a e stá con dicionada a uma s é r i e de r e q u i s i t o s , em vi r tu d e dos quais os Estados que o tenham firmado, e mesmo r a t i f i c a d o , não estão obrigados ao cumprimento de nenhuma de suas d i s p o s i ç õ e s , enquanto não hajam si do s a t i s f e i t a s d it a s c on diçõe s, salvo se houver de fato uma renú nci a e xpre ssa e v o l u n t á r ia .

Conclui-se que tanto a A rg e n t in a como o B r a s i l têm re se r vado o d ir e i t o de p r o d u z i r , em casò de n e c e s s i d a d e , a r t e f at o s nu c l e a r e s , exp los ivo s estes que, por ora, não tenham si do tecnicamen­ te d e fi n id o s e c l a s s i f i c a d o s com r e s p e i t o ao seu uso, p a c í f i c o ou m i l i t a r .

A Ar g en tin a tem demonstrado uma preocupação fora do nor mal com a p o s s i b i l i d a d e do B ra s il f a b r i c a r o e x p lo s iv o , dando a

entender que com is s o j u s t i f i c a r i a no futuro a fa bri caç ã o de sua pr óp r ia bomba, mediante a alegação de que se assim o fe z foi por questões de se gurança .

E ssa preocupação arg e n t in a basei a-se sobretudo na redação do artigo II do Acordo firmado e nt re B r a s i l e Alemanha, quando re za que ” as partes cont ratante s se d eclaram p a r t i d á r i a s do p r i nc í pio de não p r o l i f e r a ç ã o de armas n u c l e a r e s " , pois segundo os ana l i s t a s po rten hos, para o Br a s il o d i s p o s i t i v o acima t r a n s c r i t o não representa o compromisso p ara não u t i l i z a r no f u t u r o , a r t e f a t o s n u c l e a r e s , uma vez que se a intenção fo s s e e s s a , o ar t ig o t e r i a uma redação d i f e r e n t e .

As elucubrações arg e nt ina s estã o sendo re forçadas por cau sa de algumas man ifestaçõe s p e s s o a i s no B r a s i l , e porque , segundo i nsinuam, e conhe cida a vocação de alguns i n f l u e n t e s círculos de d ir i g e n t e s b r a s i l e i r o s , para os q u a i s , o a r t e f at o n uc l e ar c on s t^ tui um passo d e c i s i v o para a lcan çar seu o b j e t i v o de tornar-se gran de po tência.

Em decor rên cia dessas i d é i a s p r ê - c o n c l u í d a s , m il i t a r es arg ent ino s declaram que, dados os elementos de j u í z o d i s p o n í v e i s , ê p o s s í v e l afirmar que ex is t e no B r a s i l a firme de ci são de juntar- se ao Clube Atômico, is to é, de f a b r i c a r a bomba sob a j u s t i f i c a ­ t iv a de fazê-la para fi ns p a c í f i c o s , e, a i n d a , que o Acordo Bra sil-Alemanha não desca rta que o B r a s i l desenvolva uma tecnol ogi a p r ó p r i a a p a r t i r dos conhecimentos a d q u i r i d o s , que lhe permita ju_s tamente f a b r i c a r armas nucle are s e outros e xplo si vos n u c l e a r e s .

A A r ge nt ina esta firme na i d ê i a de que o B r a s i l j a deci diu-se pela f ab ricação de e x p lo s iv o , restando dúvida somente acer ca da op or tu ni da de. E face a esses dois fatores propõe o General G u g l i a l m e l l i : "decl-&ão de labK.lea.fi o e x p lo ilv o nacZeafi e opofitunZ dade òão pontoò ckaveò pafia a Afigentlna, po-iò o afitefato nucZeafi do v i z i n h o , òem contfiapafitlda, afetafiã òenòZveZ e decididam ente no-ò-òa i e g u A a n ç a " . (89)

Causa es p ecie a prop osta do citado Ge ne r al , pr incipa lmen t e , por ser ele quem mais se ufane pelo fato da Arg e nt ina e star em vantagem em toda a Amêrica-Latina e ,, p a r t i c u l a r m e n t e , em fran ca d i a n t e i r a sobre o Bras il no c i c l o atômico.

E se só iss o não b a s t a s s e , a posição de vítima em que é co locada a A rg e n t in a leva a crer aos menos informados, que o Bra

s i l ao entrar na era nuc le ar sera uma s e r i a ameaça aquela nação sul-americana, e que somente uma nova a l i a n ç a f a c i l i t a r a e ntend^ mento entre os dois p a í s e s ; "C onveAÿlr com o Bras-íl, no marco de. uma ne.goc-íaçü

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g l o b a l , um acordo de. In fo r m a ç ã o , co n su lt a

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cve.n t u a l cooperação t é c n i c a no campo n u cle ar que., e.ntre outros aspec tos détermine s e.g uranças e fe t iv a s e re.cZpro cas ante. a possZve.1 fa

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