0 DESPERTAR DO TERCEIRO MUNDO
B r a s i l : Agente de poder
Diss er taç ão submetida à Un ive rsidade Federal de Santa C at ari na para obtenção do grau de Mestre em Ciên ci as Humanas E s p e c i a l i d a d e D i r e i t o .
N i l s o n Borges Filho Março de 1981
Essa d is s e r t a ç ã o foi ju l g a d a adequada para a obtenção do t í t u l o de Mestre em C i ê n c i a s Humanas - E s p e c i a l i d a d e D i r e i t o e^ aprovada em sua forma f i n a l pelo Programa de Pos- Graduação .
Pr ofe s s or A l c i d e s Abreu - Orientador
~r
Pr ofe ss or Paulo He nrique B l as i - Coordenador
Apr esen ta da p erante a banca examinadora com p osta dos P r o f e s s o r e s :
Para N i l s o n e O s c a r i n a , meus pais Para Raph aë l, meu f i l h o .
UMA FOR>ÍA DE. REPARTIR
Este estudo ê uma mon ografi a, elaborada através de uma abordagem s i s t ê m i c a , p ara obtenção do t í t u lo de Mestre em Ciências Humanas p el a U n iv e r s id a d e Federal de Santa C a t a r i n a , sob a denomi^ nação ” 0 DESPERTAR DO TERCEIRO MUNDO - B r a s i l : agente de p o d e r " .
Op tei pe lo tema antes de i n g r e s s a r no Curso de Pos- Gra duação em D i r e i t o do Est ad o, durante um dia lo go com o Pr ofe ss or A l c i d e s Abr eu, op ortunidade em que de ba ti a i d é i a e a v i a b i l i d a d e da p e s q u i s a . A p a r t i r daí tomei a i n i c i a t i v a de d i s c u t i r sobre o assunto com d i v e r s a s p e s so a s, desde cole gas de cur so, p r o f e s s o r e s , p o l í t i c o s , a n a l i s t a s , e, até, t éc nic os em e ne rg ia n u c l e a r . ■
Do P r o f . Ab reu, além da or ien ta çã o acadêmica, recebi ápoio e compreensão nas div er s as vezes que fui em busca do seu conhec^ m e n t o .
No de co rr e r da elaboração da minha pr oposta, contei com a ajuda de todos os p rof e s sor e s do curso , que não mediram e sfor ços para o seu aperfeiçoamento m e t o d o l o g i c o , aos quais sou e terna mente gra to .
Aos colega s de Mestrado e aos func i o ná ri o s do Curso cabe uma grande p a r c e l a de colaboração e aqui rendo minhas homenagens.
RESUMO ABSTRACT INTRODUÇÃO 1 . BLOCOS DE PODER 1 . 1 . 0 Espect ro da T e r c e i r a Guerra 1 . 2 . B ip o la r id a d e 1 . 3 . Guerra Fria 2. 0 TERCEIRO MUNDO 2 . 1 . Teatro de Operações 2 . 2 . Uma Nova Frente
2 . 3 . 0 Grito Te rc e i r o Mundista'
3. A GEOPOLÍTICA E A REALIDADE NACIONAL
3 . 1 . Conceitos Básicos sobre Geopo lít i c a 3 . 2 . A Posição e o Espaço B r a s i l e i r o 3 . 3 . 0 B r a s il G e o is t õ r ic o
3 . 4 . Prese nça E s t r a t é g i c a
3 . 5 . 0 B ra s i l e os Dois Blocos
4 . A SEXTA GRANDEZA
4 . 1 . Novos Atores em Cena 4 . 2 . Bases de Poder
5, NO i m i M X>E UMA. NOyA ERA
5 . 1 . 0 Acordo Nuclear 5 . 2 . C r í t ic a s ao Programa 5 . 3 . As Pressões Ex ternas 5 . 4 . Angra " v e r s u s " Atucha 5 . 5 . Na Idade do Poder Atômico
6. 0 BRASIL E 0 MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO
6 . 1 . 0 Esboço do Futuro 6 . 2 . A Punição do Sul 6 . 3 . A Projeção Mundial
6 . 4 . 0 Poder de Deci são do Br a s i l
CONCLUSÕES
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS BIB LIOGRAFIA COMPLEMENTAR
RESUMO
Ap5s um longo d i a l o g o , Estad os Unidos e União S o v i é t i c a voltam a confrontar-se , lembrando o auge da guerra f r i a . Com a c r ^ se do p e t r o l e o , o Or ie nt e T<lédio tornou-se o novo palco de operações do c o n f l i t o i d e o l o g ic o e ntre norte-americanos e s o v i é t i c o s , que , seguramente, devera alast rar-se pa ra outros países de i n t e r e s s e s v i t a i s para as s up e r - p o t ê n c ia s .
S egura nça , poder e p r e s t í g i o , são, por ordem, os fa to re s que j u s t i f i c a m a atual p o l í t i c a e x t er na dos dois paí ses p o i o s , que se c a r a c t e r i z a pelo emprego de forças m i l i t a r e s fora de suas e s f e ras de i n f l u ê n c i a .
Es sa cor r i da de s o v i é t i c o s e norte-americanos, por uma abertura de fr e n te no O r i e n t e M édi o, tem despertado o mundo para o es pec tro de uma t e r c e i r a gue rra mundial com a a tu a li za çã o de armas n u c l e a r e s . Mas todos concordam que nenhum dos sistemas sobreviveria a ura c o n f l i t o atômico.
Nes te estudo procura-se demonstrar como situa-se no atual e s ta g i o das relações ex te r na s, a ordem p o l í t i c a i n t e r n a c i o n a l . Par tiu-se, no tempo, do f i n a l da ult ima grande g ue rra , quando o mundo passo u a v i v e r sob iim outro e nfo q ue : a b i p o l a r i d a d e , conse quência do c o n f l i t o i d e o l o g i c o e ntre Estados Unidos e União S o v i é t i c a ; a guerra f r i a , e s t r a t é g i a adotada pe los dois países face o equilíbrio do t er ro r n uc le ar em um confront o d i r e t o ; e a g e o p o l í t i c a , funda mento teõ ri c o do int erve n ci on ism o norte-americano e da prese nça so v i é t i c a em países que ocupem uma p osição e s t r a t é g i c a dentro da geo g r a f i a p l a n e t á r i a .
Em s e g u i d a , propõe-se uma a l t e r n a t i v a para os p aís e s do T e r c e ir o Mundo, ãs voltas com o impe rialismo das grandes p o t ê n c i a s , onde o conhecimento f i n a l da t e c n o l o g i a nuclear s e r i a o instrumen to i de al p ara aumentar a ca p acidade i n t e r n a dessas nações em rea g i r ãs ameaças que visam transformâ-los em palco de operações nos c o n f l i t o s de i d e o l o g ia entre Leste e Oest e e para que uma mensagem
1 1 M _
t e r c e i r o mundista ganhe v i a b i l i d a d e de implementaçao no reordena mento do pr ocesso p o l í t i c o - i n t e r n a c i o n a l .
E, por ü lt im o , apresenta-se o B ra s i l como país viãve l e po tên ci a emergente q ue, dada a sua função e s t r a t é g i c a no A t l â n t i c o
Sul e o domínio pleno das t e c n o l o g ia s f i n a i s , terâ,num futuro bem proximo, cap acidade para se d e st ac a r e nt re a,S nações que deterão o poder de decisão, no sistema p l a n e t á r i o .
ABSTRACT
A f t e r a long dialogu e the U n i t e d S ta te s and the Sovie t Union c onfront once more, remembering the climax o f the co ld war. With the petroleimi c r i s i s the M i d d l e Eas t has become the new ope r at io n f i e l d in the i d e o l o g i c a l c o n f l i c t between Americans and So v i e t s , which w i l l c e r t a i n l y sp re ad to the other cou ntrie s i n which these two s uper powers have v i t a l i n t e r e s t s .
S e c u r i t y , power and p r e s t i g e ar e , r e s p e c t i v e l y , the fac tors that j u s t i f y the current ex te r n a l p o l i t i c s o f these two pole c o u n t r ie s , which i s c h a r a c t e r i z e d by the employment o f m i l i t a r y forces out of t h e i r spheres of i n f l u e n c e .
That race of Americans and Soviet s for the tak i ng of po s i t i o n s has s truck the world w i t h the ghost of a Third World War, with the use of n u c le a r weapons. But everybody agrees that neither o f those two systems would su rvive an atomic c o n f l i c t .
T hi s paper t r i e s to show the s i t u a t i o n of the i n t e rn at i o nal p o l i t i c s order i n the p r e se nt st a ge of the e x te r na l r e l a t i o n s . The departure p o in t was the end of the la st b ig world war, when the world fa c ed a new s i t u a t i o n : the b i p o l a r i t y , a consequence of the id e o l o g i c a l c o n f l i c t between the Un ite d States and the Sovi et Union; the co ld war , a s trate gy adopted by the two c o u n t r i e s , due to the balance of the nu clear t e r r or i n a d i r e c t c o n fr o nt at io n ; and the g e o p o l i t i c s , the t h e o r e t i c a l basi s of the American in t e r vencionism and o f the Sov ie t pre se nce i n countries that occupy a s t r a t e g i c p o s i t i o n w i t h i n the p l a n e t a r y geography.
A f t e r t h a t , an a l t e r n a t i v e is proposed to the cou ntrie s of the T hi rd World which are in vo lve d in the imp e rialism of the b ig po te nc ie s , where the f i n a l knowledge of the n uc le ar techono- logy would be the i d e a l means to i n c r e a s e the i n t e r n a l capac i t y o f these n a t i o n s , so that they coul d react to the threatens that aim tomakethem become the f i e l d o f the op erations re ga rdi ng the ideo l o g i c a l c o n f l i c t s between the West and the E a s t , and so that a T h i r d World message becomes p r a c t i b l e i n the re cor de r i n g o f the i n t e r n a t i o n a l p o l i t i c s p rocess.
And f i n a l l y B ra s il is p r e se nt e d here as a practible country and an emergent power th at , due to i t s s t r a t e g i c f un ct ion i n the
INTRODUÇÃO
Como re su lt a do de um compromisso assumido v o l u n t a r ia m e n te com o Curs
'0
de Põs-Graduação em D i r e i t o do Estado da U n i v e r s ^ dade Fede ral de Santa C a t a r i n a , que tem, "p o r mXiAao, p r e p a r a r ,em
alio nZveZ, form atado re6~ de p o tZ tZ ca , e s t r a t e g Z ò t a ò , tomadoreò de d e e l& a o , I n o v a d o r e s , t e Õ r le o i da t r a n ò l ç a o , ham anlitaò do de 6 envo lvim ento, oi p rÓ p rlo i mo ni, trato reò do fu t u r o " (1) , formula- se o texto a s e g u i r , a n í ve l c i e n t í f i c o , abrangendo si tuações con eretas da ordem p o l í t i c a in t e r n a c i o n a l e da condição b r a s i l e i r a para po tê nc ia m un d ia l, propondo-se uma mensagem e ndereçada para ofuturo , com bas es nos fatos con sid er ados ao longo do estudo.
Desenvolve-se o tema, levando-se em consi de raç ão as atuais condições de p o l í t i c a i n t e r n a c i o n a l na busca p e l o poder, através de uma a n a l i s e h i s t ó r i c a , tomando-se como r e f e r e n c i a l , o término da segunda grande g u er r a , quando do surgimento de duas novas’ po tências no c enário m un dial, com i d e o l o g i a s a n t a g ô n i c a s , forçando a divisã o do p l a n e t a em d ois põ l os .
A h i p ó t e s e nuc le ar é que como Estados Unidos e União So v i é t i c a , l í d e r e s do sistema b i p o l a r , não têm i n t e r e s s e s em um con fronto d i r e t o , fa ce ao terror atômico, u t i liz am -s e dos pa íse s do Terceiro Mundo que ocupem uma posição e s t r a t é g i c a dentro da geo g r a f i a p l a n e t á r i a , como teatro de op e raç õ es , para exercitarem suas p o l í t i c a s e x p a n s i o n i s t a s .
Desta forma, pretendeu-se e la borar o texto o mais pr õx ^ mo po ssí vel dessa r e a l i d a d e , de forma o b j e t i v a e c i e n t í f i c a , bu_s
cando obse rvar o tom da ve rdade , que deve ser o ünico a r e s p a l d a r as observações do c i e n t i s t a p o l í t i c o . Mas e s sa r e a l i d a d e mutável, complexa e din âmica, é a d i f i c u l d a d e com que sempre se defronta aquele que d e se j a es tu d ar a p o l í t i c a i n t e r n a c i o n a l , através de um exame minucios o das r elações i n t e r n a c i o n a i s . "E òe não i,e pode dtz Haòdtmento e S t t v a - a ò p lr a r ao r t g o r c-íentZftco no conhecZ mento p o l Z t Z c o , pode-ie, ao meno&, co n seg a tr Znòtrumentoò úteZò para a compreensão dos fen ô m en o s". (2)
Poder Mu nd ia l, Sistemas B i p o l a r e s , T erc ei r o Mundo e Bra s i l Potência Emergente, são assuntos que sofre ram as mai s diver sas aná lis es de es tudiosos de todos os m a t i z e s , sendo que alguns
desses trabalhx)§ chegayaJij ^ chanjax a atenção da i n t e l e c t u a l i d a d e i n t e r n a c i o n a l , não SÓ pelo% s.eu$ fundajpentoç t e o r i c p s , jijas tam bem pelas, :i
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ens^agens' endereçadas e que se concretizarajn no f u t u r o . Muitos- desses- estudiosos- serão cit ad os no de correr de st a tese sem que is s o im p l i q u e , ê c l a r o , na t r a n s f e r ê n c i a de r e s p o n s a b i l i dade acerca de tudo que se encont ra aqui c o n t id o . Por outro la do , a medida que se i a lendo t a i s e st u dos , notava-se uma não corre_s po ndência en tre "guerra f r i a " e " c o n f l i t o s l o c a l i z a d o s " no T e r c e ^ ro Mundo, b i p o l a r i d a d e e ex pansionismo, int e r v e n ci on is m o e geopo l í t i c a , e s t r a t é g i a e conhecimento atômico, et c .A f a l t a de dados d is p o n ív e i s com e sse tipo de abordagem, a ausência de uma l i t e r a t u r a latino-americana, i n c l u s i v e com uma epistemo logia p r o p r i a , podem ser considerados como fa tor es l i m i t a tivos para a elabor ação dest a monografia. I s t o , se se d e i x a s s e de f a l a r do at ua l jogo pelo poder mund ial, uma r e a l i d a d e tão mutável, que se m o d i f i c a a cada d ia . P o i s , iima visão r e a l i s t a do quadro pi a netâr io mostra a e x i s t ê n c i a de duas s o c i e d a d e s , ide olog i ca men te antagô nicas e p o l it ic a m e n t e r i v a i s , que querem afirmar-se u t i l i - zando-se do se u p oder m i l i t a r , como forma de impor seu i n t e r e s s e a outras nações , uma vez que o t error nucl e ar torna i n v i á v e l um confronto d i r e t o entre as duas potências que buscam, ansiosamente , alt e r ar as peças do dominó g e o p o l í t i c o .
A r e a l i d a d e de uma c a tá st ro fe atômica, na hi p ó t e s e de um c o n f l i t o d ir e t o en t re Estados Unidos e União S o v i é t i c a , t ran ^ formou os p a ís es do Te r ce ir o Mundo, de g e o g r a f i a e s t r a t é g i c a , em teatro de o p e raçõe s. Raymond Aron, em sua passagem pelo B r a s i l , dis se que "a. am&aça n u c le a r e um fato r e a l , maò não e o dado mal-6 Importante nas relaçõ es I n t e r n a c i o n a i s . " (3) Correto, se o ra c i oc í nio for a quele de que ninguém pode t r a b a lh a r sempre com a h^ pótese do e x t e r m ín io , assim como ninguém pode v i v e r sempre com a i d ê i a da morte. Mas con stitu iu-se uma observação r e c u s ã v e l , quan do os fato s e os acontecimentos têm nos levado a c o n c l u i r ^que o e q u i l í b r i o atômico r ecrudesceu a " g ue r ra f r i a " e que as grandes po tências vêm ine scrup ulosame nte ocupando e s pa ço s, i n c l u s i v e com emprego de forças inilitar es cojijo niam último lance de sobre v i vên c i a , gerando c o n f l i t o s l o c a l i z a d o s no T e rc ei r o Mundo e implantan do regimes e s p ú r i o s .
OTAN e atual S e c r e t a r i o de Estado do Pr e s ide nt e Reagan, r e f e r i u - se "a. yiQyas pçÁ,6.Zy,e.l'S XncuAS.ç z-ò, t.rt) ^fieçLò dç T z/iczlAç j^undo, a ò í r m ^^nòyp.i:/ia,dcLS: e a.pç’l :a d m p t la Unlao Spv<L.ítlc.a du rante. q& anpit Sã, olo tempo que ó u b lt n h a v a a necess-idade de umcL ltdeAanç.a pos:-V<cetna para e n f r e n t a r eò&e tZpo de a m e a ç a ". (4)
SoB outros^ a s p e c t o s , o int e rv enc i on ism o gerou um agente de poder que pa s s ou d e spe rc e b ido pelas duas p o t ê n c i a s , p o i s a s si£ temáticas g u er r a s l o c a i s fi ze r a m com que esses p a í s e s se lançassem numa g r a d a t i v a e s c a l a d a ao conhecimento f i n a l da t e c n o l o g i a atô mica. E is s o torna ba sta n t e cla ro que atê pequenos pa ís es podem agora f a z e r f r e n t e a uma p o t ê n c i a , quando se nti re m sua so b e ra n i a ameaçada.
Contudo, face a onda de conservadorismo que o mundo está vivendo, e s t r a t e g i s t a s dos pa í se s que compõem a OTAN receberam , com simpat ia, a n o t í c i a de que os Estados Unidos estão em pre par a t iv o s , para se n e c e s s á r i o f o r , i n t e r v i r em áreas do T e r c e i r o Mun do, que ameacem os i n t e r e s s e s o c i d e n t a i s . Já do lado sovieti-cio' com a invasão do A f e g a n i s t ã o e agora no auge da c r i s e da P o l ô n i a , quando sabe-se que tropas de União S o v i é t i c a estão em manobras na f r o n t e i r a da Alemanha O r i e n t a l e preste s a i n t e r v i r , prevê- se novas i n v e s t i d a s , com a ajud a de Cuba de Castro, no s e n t i d o de ex p ior ar as o p ort un i da de s su rg idas nos pa íses p e r i f é r i c o s onde d£ terminados l í d e r e s mantêm um certo f a s c í n i o pelo regime s o c i a l i s ta.
D e s t a r t e , os países p e r i f é r i c o s que não detêm h o j e ne nhum poder de ba r ganha p ara e n f r e n t a r as grandes p o tê nc i a s i n t e r v e n c i o n i s t a s , têm v i s t o no desenvolvimento da t e c n o l o g i a atômica esse agente de p o d er . A e x p e c t a t i v a de que um país terceiro- mun d is t a , que da t e c n o l o g i a do ãtomo venha a c o n st ru ir o se u a r t e f a to nu c le a r , v a i f a z e r com que as grandes potências pensem duas vezes antes de tomar qu alqu er medida i n t e r v e n c i o n i s t a , como ocor
reu recentemente no A f e g a n i s t ã o . ^
Mas, como os dois grandes demonstram d is p o si ç ã o de i n t e r v i r nas áreas de seus in t e r e s s e s e s t r a t é g i c o s , tudo l e v a a crer que depois do O r i e n t e Médio , o A t l â n t i c o Sul será e l e i t o como área p r i o r i t á r i a para o e q u i l í b r i o de f o r ç a s . • ^
Não se t r a t a sõ de r e t ó r i c a . E s t r a t e g i s t a s li ga d os ao go verno americano têm de cl ar a do , te x tualme nte, que, em outras palavras.
pretendejT) trans,fçr;i)ar e ste ladç do hejnisferio sul ejn peça da " gue r ra f r i a ” .
H a xo ld Brown, S e c r e t a r i o de D e fe sa do P r e s i d e n t e C a r t e r , f a l o u recentemente "d a maesitldade. de L. . . I fortaZeae.A. o potjenclaZ ameAÁicanç, tendo em v i s t a a d isposiçã o do E x e r c ito Vermelho, de a fir m a r s e u poder m i l i t a r e p o l í t i c o fora das f r o n t e l r a s da União S o v i é t i c a " . (5)
N i c a r á g u a , El S a l v a d o r , e nfim, o C a r i b e , comprovam que as peças jã es tão sendo movime ntadas, i s t o é , a e s c a l a d a em di re ção ao h e m i s f é r i o sul teve seu i n í c i o nos pa íse s da América Cen t r a i .
0 B r a s i l , que ocupa uma p r i v i l e g i a d a função e s t r a t é g i c a no A t l â n t i c o S u l , deve preparar-se para p o s s í v e i s i nte nçõ e s de fa zer dele zona de e q u i l í b r i o no p la no mundial. A n e c e s s i d a d e de au mentar a sua importân cia p o l í t i c a , a ní ve l i n t e r n a c i o n a l , fez com que o governo b r a s i l e i r o desse os primeiros passos p a ra o i n g r e ^ so no redu z ido Clube Atômico. A A r g e n t in a , ao nosso l a d o , partilha de mesma op in ião e tem i d é i a s se melhante s, po is o seu programa nu c l e a r estã em p r oce sso mais a diantad o do que o b r a s i l e i r o . 0 in gresso do B r a s i l na er a atômica é capaz de gerar uma auto- afirma ção diante de pr essões p o l í t i c a s que possam s u r g i r de outros pa í ses mais p o t e n t e s .
A ssim, deve o B r a s i l se a f a s t a r de qu a lq ue r estratégia que o coloque como zona de e q u i l í b r i o de poder através de um a li n h a - mento com \ama das a t u a i s li d e ran ça s no plano m u nd ia l, mas ao con trã ri o d i s s o , deve i n v e s t i r nas suas p o t e n c i a l i d a d e s e assumir uma posição de i n d e p e n d ê n c i a p o l í t i c a perante os dois b l o c o s , emergin do, na c ondição de ca ndida to a p o t ê n c i a , como um dos reordenado res da ordem i n t e r n a c i o n a l .
Fin al men te, cumpre-se a l e r t a r que muito embora o presen te trabalho se ex p r es s e como a ultima fase para a obtenção do tí t u lo ^ de Mest re, a ss in al a- se , t o d a v ia , que não se esgotaram ãs ano tações sobre a p rop os t a que se coloca em debate. Estâ-se aberto ã i nclusão de novos i n g r e d i e n t e s .
No e n t a nt o , tomando emprestada uma expressão do Prof . Abr eu, repassa-se; "É o JuZzo que faço, do posto dé observação em que me s i t u o " . C6)
, 1 . 1 . 0 ESPECTRO DA TERCEIRA GUERRA
A t e r c e i r a gue rra mundial e s t a r i a para ser de se ncade ada . Es ta , parece s er, a op inião da grande m a i o r i a dos a n a l i s t a s da po l í t i c a i n t e r n a c i o n a l . Coloca-se, como fatos i n i c i a d o r e s do c o n f l ^ to, a invasão dos e s tu d an te s i r an ia no s à Embaixada Americana em Teerã, como c on s eq uên cia da revolução muçulmana no O r i e n t e Mêdio , e a intervenção S o v i é t i c a no A f e g a n i s t ã o , alem de uma po s s í v e l r e^ posta americana ã en trada de tropas s o v i é t i c a s no t e r r i t o r i o Polo n ê s , para acálmar algumas l i d e r a n ç a s o p e r á r i a s . Tai s in d i c a d o r e s , no entender desses a n a l i s t a s , seriam as p r i n c i p a i s peças para o anúncio de uma c a t á s t r o f e mund ial: a guerra atômica entre as duas maiores po tênc ias do p l a n e t a .
Por outro lado alguns a n a l i s t a s e i n t e l e c t u a i s g u e r r e i r o s ( warrior i n t e l e c t u a i s ) não crêem num novo c o n f l i t o m un d ia l.
Gaston Bouthoul e René Ca r re r e , polemologos f r an ce se s ■ constatam "que. a e x i s t ê n c i a da afima n u cle ar e o e q u i l í b r i o do t e r ror nuclear já tem conseguido I n f l u i r so b re as funções das guer r a s , num s e n t i d o , de certo modo p o sit iv o : duas das funções da guer r a , a função l ú d i c a e e s p e c u l a t i v a , se acham bloqueadas. Porque a guerra e uma a t i v i d a d e que s e d esen ro la no tempo, tem ela a nece^ s ld a d e de um certo tempo para preencher suas funções. O ra, a guer ra nuclear pode, em algumas horas, em alguns dias ca u sa r aos E s t a dos b elig er an tes d e s t r u l ç õ es mecânicas maciças e mortais em que a r a p i d e z , a a m plitude e a e f i c á c i a esvaziam duas das funções das guerras c l á s s i c a s . Não há mais l u g a r , nem esperança para esta a t l vldade g u e r r e ir a humana, que era um dos jogos sangrentos nos quais se precipita va m , nÕs j á o vlmos, homens e c o le t iv id a d e s t r a n s b o r - dantes de entusiasmo e de v i t a l i d a d e . A função l ú d i c a está bloquea da. A guerra era tambern a especulação e a esperança de uma vltÕrla, e de um ganho s u p e r i o r aos risco s e ãs perdas p r e v i s í v e i s . ( . . . ) A guerra era Ig u a lm e n t e e s p e c u la ç ã o , segundo a qual qua lquer um dos b elig er an tes não s e r i a tão e n f r a q u e c i d o , a ponto de f i c a r ã mercê completa de uma t e r c e i r a p o tência I n t e r v e n ie n t e ou de uma re volta I n t e r i o r . Atualm ente, depois das mudanças nucleares m aciças, mesmo a hlperpotêncla menos d estru íd a não está certa de que não fic a rá ã mercê, s e j a de uma outra p o tê n cia , mediana ou peque
na, mantida ã pa^te. da nuc.lt(\fL, A z j a dz im ca^çs tnteJvLçn!! (7) Jâ Pie y r e Gallor^., a utçr da phya " A E s t r a t é g i a na Era Nu c l e a r " díz q ue ; " C. . . I 0 de ^ue/^^a e ambZgao. 5 e 4'e t n a t a da lu t a aAwada, fít X a cojtj jí)qJ:.ç& c-íasst^aoó', a aft^imação e ffiaca Se é u.(?) c o n f l i t o naclzayi dntfio. oü: EAtadoA Unidos e a União S o v l z t i c a , a aflAmação ultfiapassa a A za lld a d e ., 0 pe^^go e o mzsmo quo. em BíAllm em 1Í49 ou em CuBa em 1.961. Hoje. os A efíns da embaixada ame.fu.cana em Te.e.fiã ou a maficha pafia o Golfo de Omã das fofiças so^ v let lcas não j u s t i f i c a m a dzstfiuÃ.ção mútua das duas grandes poten cias pofL causa de. uma bn.lncade.lfia nucle.afi. Muitos te.me.m a suce.^ são de. Leonid Bfiejnev. Mas quando Joseph S t a l l n mofiAeu, também se teve medo do futufio da p a z . E fofiam seuS sucessofies que contfLÍbuZ fiam pafia a d e t e n t e " , (g)
Segundo a h i s t é r i a contemporânea, a ameaça de um confron to nucle ar começou em Potsdam, em 1 9 4 5 , quando o P r e s i d e n t e Truman deu a e ntender a S t a l i n sobre o suce sso dos te stes da bomba atôm^ ca americana. A reação do p re mier s o v i é t i c o foi de calma, mas in£ t r u i u seus c i e n t i s t a s p ara que acele rassem ao máximo a criação de uma arma de i g u a l poder .
Conta G a l b r a it h que a p a r t i r desse d i á lo g o, "c a d a um dos lados passou a cfilafi afimas que toAnafiam obsoletas as que estavam em uso ou e n c o m e n d a s ". (9)
Não r e s t a a menor sombra de dúvida que a p a r t i r da ü l t ^ ma grande g ue r r a , o mundo pa ssou a conhecer um outro enfoque nas rel.aç5es i n t e r n a c i o n a i s , a b i p o l a r i d a d e entre Estados Unidos e União S o v i é t i c a .
Mas ao cont rário do que muita gente pensa, as relaçõe s b i l a t e r a i s entre as duas p otênc ia s se vêem ameaçadas por uma ou tra re ali dad e do que aquela de um confronto dire t o e ntre Estad os Unidos e União S o v i é t i c a . Os c o n f l i t o s que têm gerado a d if e r e n ç a entre as duas potênc ia s mantêm em comum alguns a s p e c t os . 0 palco esc olhido é sempre um p aís do T e r c e i r o Mundo. Assim foi Cuba e Vietnã e agora é o Or ie nt e M édio. 0 fundamento é as duas ide ol o gia s p o l í t i c o - s o c i a i s que se enfrentam na i nte rpr et açã o dos pro blemas i n t e r n a c i o n a i s e buscairi um domínio sobre os dois põlos do mundo.
Não se tem n o t í c i a , por exemplo, de que os Estados Uni^ dos tenham f e i t o alguma guerra em seu t e r r i t o r i o , até mesmo a sua
p a r t ic i p a ç ã o na Segunda Guerra Mu ndi al fo i seJDpxe e;^ t e r r i t õ r i o e s t r a n g e i r o . 0 poyo norte-americano ai n da não s e n t i u na p r ó p r i a carne as con s equ encias d e y a st a d o ra s de um c o n f l i t o mundial que ou tro s paí ses tiyeram que conyi.yer por ujij certo pe r ío do .
A União S o v i é t i c a que j ã foi in v a d id a por di v e r s a s vez e s s e j a por Napoleao s e ja por H l t l e r , que não acre ditaram na for ça do General In ve rno, não se a r r i s c a r i a a uma nova g ue rr a , em sua p r õ p r ia c a sa, depois de uma revolução que a transformou ,de uma mo na r q u ia decadente, na segun da maior po tê nc ia do mundo.
0 quadro que se a p r e s e n t a no atual jogo pe la co n qu is t a do poder, da a en te nder a i d é i a muito remota de uma guerra atômi^ ca cujo ünico r i sc o c o n s i s t e n t e é um erro de apreciação de uma das p o tê nc ias sobre a determinação e capacidade de outr o. Estados Un^ dos e União S o v i é t i c a acumularam uma capaci dade de de st rui çã o glo b a l , de tal ordem, que d i f i c i l m e n t e e la serã u t i l i z á v e l com obje^ tivos p o l í t i c o s .
Hans Morgenthau., do " T h e New R e p u b l i c " , em ar t i g o p u b l ^ cado p elo " 0 Estado de São P a u l o " , e ntende que: "t a n t o oò Eétados Untdoò como a Untão S o v t c t t c a tem koje condLLç.õeò de afiraian. aò òuaò reòpecttvaò c t v tttzaçõ eò dtven.òai> v ezeò. 0 aumento do poderio
de qualquer um deéòei p a Z ò e ò , vtòando a u lt ra p a ò ò a r e-i-óe nZvel já 6em precedentes de d estrutçáo , náo redunda em lucro algum, s e j a na esfera m t lt t a r ou p o l Z t t c a " . ÍIO)
Segundo alguns co me nt a ri sta s, essa confrontaçã o entre as grandes po tências tem uma semelhança mais do que casual com o cha mado "jogo da g a l i n h a " .
0 "j og o da g a l i n h a " (d is p u t a d o certa época por grupo de adolecentes da Costa O c id e n t a l dos Estados Unidos) i n i c i a - s e quan do dois adver sãrios d ir i g i a m seus automõvei s, numa es tr ad a de ser ta, em ,al ta v e l o c i d a d e , um em d ireçã o ao outro. 0 pri me iro conten dor a desvi ar do meio da e s t r a d a , era re ce bido como " g a l i n h a " e era posto em desgraça p elo s demais do grupo. Aque le que s e , r e c u s a va a desviar era tido como h e r õ i . Para Karl Deutsch o "jogo da ga l i n h a " se resume no s e g u i n t e : " c a d a um do£ do-is contendores tem uma escolha entre duas e s t r a t e g t a s ; e le pode cooperar com o outro co ntendpr desvtando para ev-itar uma coltsáo [mas ao rt&co de c a ir em desgraça, se d e s v ia r antes do a d v e r s á r i o ] , ou entáo pode deser t a r do I n t e r e s s e comam de s o b r e v i v ê n c i a e d l r l g l r sempre em fren
te,-- que.A pafia a. jn^çn-te., ée. ç (^dy e-fisaniç {^Ize-h. o mtòmç, qu.e.h. pdfia ç tAÁ-unfQ, 4e Ç (idye,n,s^,Âri:ç ce.de.A” , L, . .
I
"Nç jnçde.lç abétficitç daó t t u a ç a ç üã. qiiçitKo n,ti^u.tt(xdç)& pçs:&'Z:veJjS’’^ ? eJlAo, ambos çs con
t e n d o m s podew coopenan. LCC[, desv-^ando ao meJ>mo te.mpo, de. modo que. nenhum ve nh a a caXA em d e S Q A a ç a . Ou ambos podem d e s e A t a A i W ] ao dtAlQÁlAem dÁlAetanente paA a ama c o l t s a o f A o n t a l que muZto p A o v a v e l mente os m ataA a ou a l e J l ja A a . Ou o c o n t e n d o A A co o peA aA d e s v i a n d o
enquanto B d t A t g e sempAe em f A e n t e iC V ] ; então A cat em d e s g A a ç a e B é admtAado p e l o g A u p o . Ou, f i n a l m e n t e , A pod e d e s e A t a A e d l A l g l A sempAe em f A e n t e , en q u an t o B c o o pe A a d e s v i a n d o (CP) ; então A ê admlAado e B d e s p A e z a d o " . ( 11)
Um exame cuidadoso do j o g o , constata-se que tanto Estados Unidos como União S o v i é t i c a , muito remotamente " d e s e r t a r ã o ” ( D D ) , pois uma c o l i s ã o fr ont a l en t re ambos os matara i na pe la ve l me nt e , mas ao c o n t r á r i o , estarão sempre em pl ena cooperação ( C C ) , de mo do que não venham a c a i r em d e sg ra ça .
A f a s t a d a , por ora, a h i p ó t e s e de um c o n f l i t o atômico, os a n a l i s t a s não descartam, e n t r e t a n t o , um confronto mundial median te o emprego de armamentos co n v e n c i o n a i s , a chamada guerra c l á s s ^ ca. Mas pa ra Delgado de Carva lho " a gu e A A a c l á s s i c a em g A a n d e es c a l a ê s u b s t i t u í d a , na a t u a l i d a d e , p e l a a t i v i d a d e f e b A l l de um peApétuo AeaAmamento que s o m e n t e as duas gA an des p o t ê n c i a s do pAe s e n t e podem l e v a A a e f e i t o " . (12)
Mas is so so o c o r r e r i a , por exemplo, se as forças sovi e t i c a s c ontinuassem em direção ao Golfo Pé rsi co p o i s , ne sse caso , os Estados Unidos t entariam p ro te ge r aq ue la área v i t a l , i n c l u s i v e com fo rça m i l i t a r .
O c or re , e n t r e t a n t o , que as armas nuclea re s colocam a po£ s i b i l i d a d e de um aniq uilament o mutuo das duas p o t ê n c i a s , risco que nenhuma -delas g o s t a r i a de cor re r. Mesmo que de i n í c i o o c o n f l i t o se d esse por emprego de armamento c o n v e n c io n a l, ã medida que uma das p otências fo s s e perdendo espaço e poder el a não h e s i t a r i a em u t i l i z a r armas n u c l e a r e s , mesmo que fossem somente as tá tic as
I s so f a z , p o r ta n to , com que as nações po ssu ido ras dã máxima força m i l i t a r esforcem-se em não empregá-la.
Zbigni.ew B r z e z i n s k i a n a l i s a o problema e a p ro ve i t a para responder a H a r c u s e , a pr op osito da indagação de que a ameaça de uma c a tá st ro f e atômica não s e r v i r á para pr oteger as forças que per
petuam esae p e r i g o , fornecendo a se g u in te e x p l i c a ç ã o ; "dzòdo. ç
apaAecXmzntç da-à: nac-ízarza^ aA Azlaç^pe ínt/ie. aA AupeApotEn
claA tzm A:ldo ^ o v z r n a d a A p o r am c S d lg o A a d l m z n t a r de AZAt/ilçao , fç/Ljado p e l a e x p e n M ê n c l a e p e lo en.ro no e a r s o de confn.ontaç.õeí> qae vão deAde a C o r é i a , Eerll:m e C a b a . t p r o v á v e l q a e , na f a l t a deòtoA a rm aA , a g u e r r a j ã tJ:ve&Ae ha multo I r r o m p i d o e n t r e o a EAtadoA Uni
doA e a União S o v i é t i c a . S e u p o d e r d e A t r a t l v o t e v e aAAlm um e f e l to bÚAlco na e xte n A ã o em que a f o r ç a tem A ld o a p l i c a d a naA reíaç.õeA e n t r e o a E A t a d o A , o b r i g a n d o a um g r a u de p r u d ê n c i a Aem p r e c e d e n -
teA no comportamento doA EAtadoA malA f o r t e A . V e n t r o do f r ã g l l a r cabouço em que o c o r r e a t r a n A f o r m a ç ã o c o n te m p o r â n e a de noAAa r e a l i d a d e , aA armaA n u c l e a r e A c r i a r a m aAAlm um a Ia tema I n t e i r a m e n t e
novo de dlA A u a çã o d a . c o n f i a n ç a do p o d e r e A m a g a d o r ". (13)
0 fa to ê q ue , o dese nvolvimento das armas nuc le ar es (bom ba atômica) e a formação de dois blocos de for ça ( b i p o l a r i d a d e )
foram fa to res i n i b i d o r e s pa ra o i n í c i o de um c o n f l i t o diret o e uma guerra formal e ntre as duas p o tê nc ia s do p l a n e t a . Em s u b s t i t u i ç ã o a i s s o . Estados Unidos e União S o v i é t i c a , líder e s do atual s i s t e ma b i p o l a r , u t iliz am -s e da guerra f r i a como um confronto direto com a us ên ci a do esta do de g ue r r a , ele ge nd o como te at ro de op e r a ções, o chamado T e r c ei r o Mundo. 0 e studo "CÕNTLJCT IW THE TWENTJETH CENTURA" ( 1 4 ) ,de D av id Wood, ele nc o u o i t e n t a c o n f l i t o s ocorri dos de 1945 a 1 9 6 7 , com exceção de o i t o , todos os restantes envolveram dos dois lados p a íse s terceir o- mun di sta s.
1 . 2 . BIPOLARIDADE
‘ A b i p o l a r i d a d e , como d iv is ã o do poder p o l í t i c o , é um dos sistemas mais antigos das relaçõ es i n t e r n a c i o n a i s , remontando de_s de os tempos de Es par ta x Atenas e Roma x Cartago.
Na época, a t Ôni ca era uma preocupação com a segurança , através do aumento do poder mediant e a l i a n ç a com outros povos. Fa zendo uma breve a n a l i s e da h i s t o r i a , depreende-se que essas a li a n ças não eram permanentes (duravam pouco tempo) e l e a i s (vez por outra um a li ad o tornava-se inimigo m o r t a l ) . Esse ti po de a l i a n ç a es tev e no auge, du ra nt e, p r i n c i p a l m e n t e , o século X V I I I . Exemplo
t íp ic o e que se encontra em todos os jnanua,is de re lações i n t e r n a c i o n a i s ;foi a a.li.ança austro-bri^tâni.ca contra a Fianç a e a Prussia em 1 740 , que , depois- de alguns- anos, transformou-se era anglo-pru^ s ia n a contra a França e a Á u s t r i a .
Mas f o i a p a r t i r da I I Guerra Mundial que o mundo passou a conhecer o s e nt id o exato de b i p o l a r i d a d e , is to ê, a d iv is ã o do pl an et a por dois t ip o s de soc ie da de s p o l í t i c a s : Europa O r i e n t a l e Potências O c i d e n t a i s . Leste e O e s t e , cada qual cóm a sua ideologia, sustentam os d o i s blocos de poder que se enfrentam na i n t e r p r e t a ção dos problemas pl a n e t á r io s e ficara m conhecidos como os dois polos do mundo em es tado de r e c o n s t i t u i ç ã o .
0 s i ste ma b ip o la r se c a r a c t e r i z a pe la e x i s t ê n c i a de dois centros de p o d e r , que estão em posição s u p e ri o r sobre os demais países e qu e, com in t ere s s es, e posi çõ e s opostos, p o l a r i z a m cada um dele s, as forças e os in t e r e s s e s de grupos de nações cujos ob je t i vo s e p rop o sit os mais se a justa m ao da nação l í d e r e, para Na£ cimento e S i l v a , " i ã o comuns a e l e s ou tofinado comuns pe.lo cont-ín g ín clam ín to h-i.s tõfilco a znlfizntafi ou pon. um c o n d ic io n a m e n t o geo_ g r á f i c o ou g e o p o l Z t l c o , c i r c u n s t â n c i a s q u e , a f i n a l , a i n d a pAedoml nam s o b A e p o s s Z v e l s d l v e A g e n c l a s , geA ando uma s i t u a ç ã o de domina ção e a g l u t i n a ç ã o ". (15 )
Segundo Jacques P i r e n n e , "o s d o is p õ lo s e s s e n c i a i s ao Ae do A dos q u a is se Aecons t i t u l a o novo eq u l l Z b A l o m u n d i a l são de um l a d o os E stado s U n i d o s , que AepAes entam a c i v i l i z a ç ã o maAZtlma e l l b e A a l e que a flA m a a s u a p A lm a z l a s o b A e todos os maAes do mundo; do o u tA o , a União S o v i é t i c a , de c i v i l i z a ç ã o c o n t i n e n t a l é a u t o A l t a A l a , s e n h o A a de v a s t a p l a n Z c l e e u A a s l ã t l c a que s e e s t e n d e do El ba ao Oceano P a c Z f l c o ". (16)
Muito embora Estados Unidos e União S o v i é t i c a somente p a ^ sassem a' admirar o mundo a p a r t i r do f i n a l da ultima grande guerra, acontece que muito antes tais l i d e r a n ç a s jâ eram. es p er a d as . Não eram em pequeno número, aqueles que afirmavam que dois impérios na sceriam, dé um lado a Rússia e de outro a América, cujo destino serã dominar o mundo.
Me lc h io r Grimm, em 179.0, af irm a va : " V o l s Im p e A lo s d l v l d l Aão e n tA e s l . . . t o d a s as v a n t a g e n s de c i v i l i z a ç ã o , da f o A ç a , do
t a l e n t o , das l e t A a s , das a A t e s , das aAmas, e da I n d u s t A l a : a Rus s l a , do la d o do O A l e n t e , e a km éA lca que s e to A n o u l l v A e em nossos
cLiaò, p e lo l a d ç dç Oc-i.de.nte, e nçA., povoA dç c e n t r o , A^^Q-moA mui to d e ^ r a d a d ç A , p)uitç çLyllta.dçA, p a r a que A<^ltiajpçA o que fomoA, no paA-Aado, a nao A'-er p o r uma v a ^ a e e A t u p l d a t r a d i ç ã o ". (_17)
Da forma que se supunha o ap arecimento de dois novos im p ê r i o s , p e r c e b i a - s e , também, que t anto um quanto o outro tentariam
dominar o velho mundo e renova-lo.
De outra p a r t e , em 1 8 3 5 , A l e x i s de T o c q u e v i l l e jâ a c re d ^ t ava na e x i s t ê n c i a de duas novas p o t ê n c i a s : "H ã na a t u a l i d a d e duoA gran deA naçõeA no mundo, que p a r t i r a m de pontoA d l f e r e n t e A , maA que parecem t e n d e r p a r a o meAmo fim . Re f i r o -me aoA ruAAOA e aoA no r t e - a m e r ic a n o A . ( . . . ) SeuA pontoA de p a r t i d a Aão d l f e r e n t e A e
AeuA caminho A não Aão oa meAmo a; e n t r e t a n t o , cad a uma delaA p a r e
ce d e A t l n a d a , p e l a v o n ta d e do c e u , a g o v e r n a r oa d e A tln o A do mun do" ( I S ) .
Mas jâ na Con fe r ên ci a de YALTA, r e a l i z a d a de 4 a 11 de fe v e r e i r o de 1 9 4 5 , com a i m p o s s i b i l i d a d e da I n g l a t e r r a manter seu império e seu poder de i n f l u ê n c i a nas decisõ es m un d i a is , fi-cava ac ertada a d iv i s ã o do mundo em dois pólos de pode r através de uma l i n h a de p o l í t i c a e x t e r i o r fortemente e x p a n s i o n i s t a por p a rt e dos Estados Unidos e da União S o v i é t i c a .
Pois bem, em YALTA se e nc o nt ra , concretamente, os l i n e a mentos de um mundo b i p o l a r , ao mesmo tempo em que se e sboçava co mo fórmula pr e ponderan te o realismo p o l í t i c o , a " r e a l p o l i t i k ” .
1 . 3 . GUERRA FRIA
Com o mundo d iv i d i d o em dois pólos de poder e li de rados por duas p otên cias ideologicame nte a n t a g ô n i c a s , nada mais na tu ra l que surjam d iv erg ên cia s de i d é i a s e i n t e r e s s e s .
O c o r r e , e n t r e t a n t o , que e ssa d iv e r g ê n c i a e ntre Estados Unidos e União S o v i é t i c a s u r g iu por v o l t a de 1 9 1 7 , com a derruba da do governo t z a r i s t a pelos comunistas. A p a r t i r d aí , líderes dos dois lados manifeatavam-se sobre o antagonismo russo-americano , deixando claramente que seus i n t e r e s s e s estavam d ir i g i d o s além fron t e i r a s , mais p recisamen te no Velho Mundo.
"Ou a A.e.vo-lução allòscl dei encadeará um movimento fievotu clonárlç na EuAçpa, çu aA pçtênclç,Á, euÂ.çpélaò eòmaganÂQ a revolu ç-áç Auir^ó-a" ( 1 9 } , d ec la r a va pelo lado dos russos o Senhor T r o t s k i , Comissário do Povo para Relações E x t e r i o r e s .
Contaji) os comentaristas que não s ur g i u c o n f l i t o na êpoca p ela posição que os- dois p a íse s vieram a adotar: os americanos se fecharam no i s o l a c i o n is m o e a RÜssia, que e n f r e n t av a lutas i n t e r na s, ac eito u a D ou tri na Monroe, pois ac re d it a va que o p e r i go cap^ t a l i s t a fos se a Grã-Bretanha.
A s s i n a l a - s e , t o d a v ia , que os c o n f l i t o s que surgiram en t re leste e oeste a p a r t i r de 1917 não foram somente de ordem ideo l o g i c a , mas deveram-se, também, a fa tores g e o g r á f i c o s , h i s t ó r i c o s ou c u l t u r a i s . Mas, não rest a a menor sombra de d u v i d a , que a p o l i t i c a adotada p e l a União S o v i é t i c a , i n f i l t r a n d o a d o u t r i n a comuni_s t a na Europa O r i e n t a l , tenha ace le ra do o advento da guerra f r i a , apõs a Segunda Grande Guerra, quando as d if e r e n ç a s entre os dois países tomaram-s e mais s é r i a s .
Para John S t o e s s i n g e r " { . . . ) a expanião ó o v l é t l c a não p£ de ò er e x p l ic a d a em termo-6 de a n ã llie ò baseadas num éÕ fa t o r . Suas r a iz e s devem s e r procuradas numa slndrome de fo r ç a s , entre as qaalj> s e Incluem co n sid er açõ es I d e o l ó g i c a s e econôm icas, bem como fato_ res de c o n tin u id a d e h i s t ó r i c a e g e o g r á f i c a " . (20)
Do lado norte-amer icano, além de seus p o l í t i c o s contrapo rem-se ã i d e o l o g i a comunista fora de sua base f í s i c a - "não pode mos reconhecer um governo que. está determinado e consagrado a cons p i r a r contra nossas I n s t i t u i ç õ e s , nem manter relaçõ es oficiais com e l e , nem r e c e b e r amistosamente seus r e p r e s e n t a n t e s " (2 1 ) - é cer to que a expansão dos Estados Unidos deve se r c o n s i d e r a d a , também, como uma síndrome.
Apes ar de que os s ov ié t ic os adotassem uma posição cons^ derada " d u r a ” p elo s norte-americanos, a pr opó si to da i n f i l t r a ç ã o da doutrina c omunista - "a revolução so c l a l l s t a deve e c l o d i r na Europa, ela ê I m i n e n t e , I n e v i t á v e l " (22) - a re spo sta americana não é o único fa to r a e x p l i c a r o c o n f l i t o entre os dois povos p o is do lado dos Est ados Unidos devem se r incl uí dos outros ingre d i e n t e s , como o alargamento da concepção do i n t e r e s s e nacional ame r i c a n o , mudança de metas e s t r a t é g ic a s e con si de raçõe s de ordem eco nômica.
Coin a d efl agr aç ão da Segunda Guerra M u n d i a l , em 1 9 3 9 , e conseqüente " g r an d e p^lia^nça", uiça vez que a ascensão do naci onal- sociali'so^o i r i a reaproxiiiiar a União S o y i é t i c a e as democracias o c ^ d e n t a is , acreditav a-se que os norte-americanos e os soviéticos vo]^ tassem a co nyi y e r na maior ha rmonia. Pensava-se que o encontro dos dois ex é rc it o s lutando numa mesma frente le variam as duas nações ã solução de seus problemas, p o is pressupunha-se que a c o a l i z a ç ã o se manteria dep ois do término da guerra e os motivos que os mant^ veram af as tados até então, haveria m de desaparecer jun to aos e ^ combros deixados pelo c o n f l i t o .
-Mas, ao co nt ra r io do que se supunha, ã medida que as for ças a l i ad as iam derrotando o i n im ig o , j â eram notadas as dive rgên cias que e x i s t i r i a m en tre os ve n ce dores, apos o fim da grande guer ra.
Claude Delmas dâ a se gu in te exp lic açã o: "Õò Eòtadoò qae zAtejdtn combatendo um tntmtgo comam numa -íuta da qual dependa òua e x iò t ê n c ta , n e la concentram òuaò energtaò e òeuò eòforçoò. .■Eleò têm um objettvo comam: vencer, e qua lquer outra preocupação ê i e candãrta, oa d eliberad a m ente abandonada. Porem, uma vez deòtruZdo
0
I n i m i g o , o f a t o r de coeião que e l e rep res en ta v a d e s a p a r e c e , I I berando as forças de d is s o c i a ç ã o . Estas reaparecem com ama força redo brada, pois a prÕprla v lt Õ r la c r i a problemas qae se tornam cau sas de d es a c o r d o . Na medida em que t r a t e de r e c o lh e r os frutos de^ sa v i t ó r i a , os Estados que a g u e r r a tornou s o l i d á r i o s tornam- se r i v a i s , atê mesmo a d v e r s ã r i o s " . (23)E £oi justamente o que aconteceu entre norte- americanos e s o v i é t i c o s , sendo que no momento em que a c on fe rê n ci a de YALTA era enc errada, S t a l i n confirmava a l e i geral da d i s s oc ia ç ão das a l i a n ç a s : "Não e d l f Z c l l permanecer unidos em tempo de g u e rr a , pois e x ist e um o b je t iv o s o l l d ã r l o , d e s t r u i r o I n i m i g o , e que e claro para todo s. A t a r e f a d l f Z c l l vlrã apôs a g u e r r a , quando I n t e re s se s d if e r e n t e s d iv i d i r ã o os a l i a d o s " . (24)
Realmente, logo apos a confe rê n cia de YALTA a de te r io r a ção das relaç ões americano-soviéticas entrou numa c o n st a nt e. 0 fo co desses c o n f l i t o s era a busca p e l a conquista de e spaços, isto é , 0 confronto para d i v i d i r os restos do que sobrou da g uer ra . E o p r i n c i p a l ponto era o futuro dos p a í s e s da Europa. Os russos pas saram a es t a b e l e c e r regimes dominados por eles mesmos na Europa
O r ie n t a l e os Estados Unidos nao aceitando que o re su lt a do de uma guerra i n i c i a d a p ara ijijpedir a con quista do lado O c i d e n t a l do Ve lho Mundo p e la Alejnanha f o s s e q dojnínio da Uniao S o v i é t i c a .
S'egundo Robert G. Wesson, " [ . . , 1 0 regime, s o v i é t i c o , que t in h a s i l e n c i a d o sua I d e o l o g i a m a rx ista durante a g u e rr a p e l a so_ b re v lv é n c la , cçmeçou a reaflrm ã- la como um melo de c o n t r o l a r os seus domZnlos, e t a l v e z de expandi-los a in d a m ais. Ambas as partes salram da guerra num estado de ânimo I r a s c í v e l e p e r e n t Ó r l o , e
os Estados Unldos tinham I d é i a s vagas de que a v l t Õ r l a d e v ia s e r t r a d u z i d a para o t r i u n f o g e r a l dos I d e a i s americanos de l i b e r d a d e p o lZ t lc a e e c o n ô m i c a ". (25)
Co nsidera-se, p o r t a n t o , como i n í c i o da " g u e r ra f r i a " o término da Segunda Guerra M u n d ia l, sendo que a expressão " guerra f r i a " foi empregada somente em 1947 por Bernard Baruch, durante um debate sobre a a ju d a a s er conced ida ã Grécia e ã T ur q u i a , no qua dro da do utrina Truman, que outorgava aos Estados Unidos o direi^ to de in t e rv ir e m , em qualq ue r parte do mundo, onde a l i b e r d a d e e£ ti v e ss e ameaçada.
A guerra f r i a é de d i f í c i l c o n c e i t u a ç ã o , po is e la não é a p a z , mas também não é a guerra na sua forma c l ã s s i c a . Sabe- se que e x i s t e um estado de b e l i g e r â n c i a , mas que, também, de não be l i g e r â n c i a . A guerr a f r i a s e r i a então o h i a to entre esses dois e ^ tado s. Claude Delmas, d e f i n e guerra f r i a "como um antagonismo fun damental de I d é i a s e de I n t e r e s s e s que nâo s e a p l i c a até o estado de b e l ig e r â n c ia c l á s s i c a " . (26)
Convêm r e a fi r m a r que o pressuposto que deu i n í c i o ã guer ra f r i a , é que a União S o v i é t i c a , no p5s-guerra, ameaçava tomar a Europa e submetê-la ao comunismo, sendo que os Estados Unidos , tentando manter o velho siste ma c o l o n i a l , so que agora d i r i g i d o por e l e s , p r e t e n d i a r e c o n s t r u i r as nações da Europa O c i d e n t a l , am p l i a r sua e s f e r a de i n f l u ê n c i a e minimiz ar a i n f l u ê n c i a dos sovi é t ic os que estavam obtendo através de apoio aos movimentos de 1 ^ bertação c o l o n i a i s .
A União S o v i é t i c a dando continui dade ã sua p o l í t i c a in t e r n a c i o n a l i . s t a , e s t a b e l e c e u o cont role sobre sete pa í s es da Euro pa O r i e n t a l : A l b â n i a , B u l g á r i a , P o l õ n i a , Alemanha O r i e n t a l , lugos lã v ia e Romênia. Em f e v e r e i r o de 1948 a Tchecoslovâquia foi acres centada ã lis'ta dos p a í s e s sob o domínio s o v i é t i c o . Antes porém ,
era junho de 1 9 4 7 , era proposto p e lo General M a r s h a l l , um p i a n o de recuperação econômica dos pa í se s da Euro pa, por raeio de auxílio arae r ic an o . Este a u xí li o f o i o f e r e c i d o tambên) a Europa O r i e n t a l e ã União S o y i é t i c a , raas- S t a l i n recusou-se a re ce be r . A i n t o l e r â n c i a de S t a l i n yem demonstrar ao jnundo que as relaçõe s entre os Estados Unidos e a União S o y i é t i c a estayam completamente determinadas Estes entreyeros leyaram alguns a n a l i s t a s a a c r e d i t a r que as pre dições de Saint-Beuye, em 1 8 4 7 , se c on c r e ti za r ia m : " ( . . . ) QualqueA d i a , elej) òe c ho c a A a o , e vzAzmo-ò, e n t ã o , l u t a s das q u a is o passado não nos pode daA q u a l q u e A I d é l a , p e l o menos no que d i z A e s p e l t o ã m a s sa e do choque f Z s l c o ". (27)
A síndrorae de um choque entre as duas noyas potências per manece até os dias a t u a i s , i n c l u s i v e , através da c on v i v ê n c i a com o terror nu c l e a r .
A h o s t i l i d a d e perraanecia e por vo lt a de 1947 ocorriam as c r i s e s da Grécia e da T u r q u i a . A p o s s i b i l i d a d e de uma mudança no domino p l a n e t á r i o , com a perda da Grécia e da Turquia para a União S o v i é t i c a , transforraando parte do Mediterrâ neo e do O r i e n t e Médio era esfera de i n f l u ê n c i a comunista, os Estados Unidos apoiaram esses pa ís es que estavam sofr endo uma in s u r r e i ç ã o comunista e cujos r^e gimes pro-oc identais se ria m s ub s t it u íd o s por outros provavelme nte controlados p e los s o v i é t i c o s .
Para Wesson: " ( . . . ) f o i e s s e o v e A da delA o começo da gu e A Aa f A l a , a q u a l l A l a domlnaA a p o l Z t l c a e x t e A n a a m e A lc a n a poA to_ da uma g e A a ç ã o ". (28)
0 grande p rob le ma , na ép oca, era sabe r se esse " s t a t u s quo " i r i a permanecer por muito tempo e se a "g u e r ra f r i a " não se r ia o subs ti tu to ou o p r e l úd io de uraa nova guerra mundial.
Claro que não. As c r is e s da Grécia e da Turquia não so deram in í c i o ã "gu e r ra f r i a " corao também demonstraram, co n cre ta - mente, e pela pr im ei ra ve z , o que os Estados Unidos e a União So v i é t i c a seriam capazes para ex e rcit a re m suas p o l í t i c a s e xpansio n i s t a s . Desta f e i t a , s u r g i u um i n g r e d i e n t e novo: a " g u e r r a f r i a " foi instalar -s e fora da e s f e r a de i n f l u ê n c i a dos dois pa íse s na Europa, isto é, alcançou o O r ie n t e M édio.
Faz-se oportuno r e s s a l t a r , que duas concepções da ordem i n t er n ac io na l se contrapunham: a concepção " u n i v e r s a l i s t a " , defen dida pelos Estados U n i d o s , segundo a qual todas as nações compar
tilhara um i n t e r e s s e comum em todos ps negoc^os do p l a n e t a , e a concepção de " e s f e y a s de i n f l u e n c i a ” , que o Kxejralin se apegaya preocupado que es'tava com a prot eção de suas fr o n t e i ra s e porque
desej ava aumentar a área de i n f l u ê n c i a em direção ao O e s t e . Es t a ultima concepção en t en d ia que a cada grande po tên ci a s e r á g a r a n t ^ do, por todas as- ou tra s, um reconhecimento de predomínio em regiões de i n t e r e s s e s p a r t i c u l a r e s . Os Estados Unidos acre ditavam que atra vês da sua concepção ” u n i v e r s a l i s t a ” , a segurança na c i on al s e r i a g a r a n t i d a por uma org an iz aç ão com j u r i s d i ç ã o i n t e r n a c i o n a l . Já os s o v ié t i c o s rac iocin av am no s e n t id o de que somente mediante um equi l í b r i o de po der es ê que se p o d e r i a manter e ssa se gurança.
So b re v ive u a concepção de fe nd i d a pelos s o v i é t i c o s . Artu ro S i s t e Gregor io I r i a r t e ex plicam que este conceito ” de e s f e ra s de i n f l u ê n c i a ” permaneceu porque "ao fin a liz a n . a decada de SO , viu-se cZafiamente que a URSS efia muito mais fofite do que se pensa va. Gfiadativamente, os EUA fofiam adotando então uma posição muito mais A e a l i s t a . A nova a nãlis e da p o t Z t i c a intefinacionaZ con duziu ã conclusão de que as duas supen.p o t e n d a s deveniam n.espeitan. mu tuamente suas es ferias de i n f l u e n c i a fie s p e c tiv a s . 0 novo con ceito p o l í t i c o fo i pon. i s s o denominado "ãneas de i n f l u ê n c i a " . (2 9 )
A ” guerra f r i a ” a t i n g i u o seu auge por volta de 1950 , com a t e n t a t i v a dos norte-coreanos de i n v a d i r a p art e me ri dio na l de seu p a í s . Os Es tados Unidos que não tinham visto com bons olhos a passagem da China para o lado dos s o v i é t i c o s , não iriam admit i r agora a t r a n s f e r ê n c i a de mais um p a ís para a área de i n f l u ê n c i a comunista. I s t o , a li ad o ao fato de que os Estados Unidos tinham i n t e r e s s e e s t r a t é g i c o ness a área, levou o governo a r e a g i r ime dia tamente, ordenando que as tropas americanas entrassem em ação. A gu erra da Cor éia alastrou-se até 1 9 5 3 , apõs o que a morte de Stalin p e r m i t i u um abrandamento da posiçã o comunista.
Depreende-s e, p o r t a n t o , que o c o n f l i t o id e ol og ic o entre as duas p o t ê n c i a s , na busca de novos espaços e s t r a t é g i c o s , limita- se ã aplicação da ” guerra f r i a ” , tendo como palco de operações p a ís e s fo ra do eixo do velho mundo abandonados, tendo em v i s t a a consagração da p o l í t i c a de ” áreas de i n f l u ê n c i a ” . A ” guerra f r i a ” que se tinha i n i c i a d o no M ed it e r r â n e o , com uma rápida passagem p£ lo Or ie nt e Me dio , a t i n g i a , agora, o continente a s i á t i c o .
" f o r a do per ímetro de defesa do mundo l i v r e , ” teye seu regime ga rantido p e l a s forças norte-^^merlcanas, tendo enj vi.sta i n t e r e s s e s es tratégicos'.
Os Estados Unidos e a União S o v i é t i c a , que saíram da Se gunda Guerra Mundial envergando p manto das l i d e r a n ç a s , se propu seram ã mis são de or g an iz a r segundo os seus moldes e de dirigir se^ gundo suas concepçõe s, tudo quanto praticame nte p o s s í v e l , o s i s t e ma i n t e r n a c i o n a l . Como p a rte da e s t r a t é g i a de ocupar espaços, os norte-americanos e s o vi ét ic o s construíram uma rede de bases m i l ^ tares em v o l t a do mundo, med iante derrubada de governos e operações m i l i t a r e s .
Harry Ma gdoff i l u s t r a como uma operação t í p i c a "a d erru bada do gov&Ano Mo-óóadegh no Jrã, nm 1 9 5 3 , qae nac-ionallza a I n dãstfuia petfLotZfzfia. e s t r a n g e i r a . Analogamente, no ano s e g u i n t e , organizaram a derrubada m i l i t a r do regime da Guatemala, que h a v ia n a c io n a liz a d o plantações de bananas a m e r ic a n a s ” . (30) Ambas as operações fi c a ra m por conta do governo dos Estados Un idos. Do tér mino da segunda gu err a, até 1 9 5 9 , as forças armadas americanas toma ram p osições em nada menos de 42 p a í s e s .
Mas, em f i n s da década de 50, a "g u e r ra f r i a " começou a d e c l i n a r , pois os Estados Unidos e a União S o v i é t i c a tinham pro duzido seus a r t e f a t o s de hi d ro gê ni o e a situação tornava-se p e r ^ gosa. Por outro la d o , até o f i n a l da década, ocorreram outras c r ^ s e s , como a do Canal do S uez , em 1 95 6, e, jâ em 1 9 5 9 , era sufoca da uma re b elião no T i b e t e , re gião que se emancipara em 1 9 5 0 . Data dessa época também a invasão da Hungria por forças m i l i ta r e s so v i é t i c a s .
Contudo, jâ em 1960 a " g u e r r a f r i a " era r e s s u s c i t a d a com a c r i s e do U-2, avião americano aba tid o quando ing res sav a no espa ço aéreo s o v i é t i c o . Logo ,em s e g u i d a , em 1 9 6 1 , era e rguido o Muro de Berlim, face a emigração de alemães o r i e n t a i s para a Alemanha O c i d e n t a l , sendo que no i n í c i o daquele ano 1 / 4 da população do la do O r i e n t a l h a v i a se r e fu g i a d o na p arte O c i d e n t a l .
0 recrudescimento das relaçõ es entre União S o v i é t ic a e Estados Unidos voltou a acontecer quando Kruschev tentou ganhar um lance colocando em Cuba mís se is capazes de ameaçar o t e r r i t ó r i o norte-americano. Kennedy reage e manda bl oquear parcialmente a i l h a . 0 fato dos- Estados Unidos serem superi ore s tanto em forças
con ve nc io nais no C a r i b e , coing ejn ar^naniento e s t r a t é g i c o , íez com que os s o v ié t ic o s recuassenj, re ti r a n d o os jnisseis cojç algumas de clarações r í s p i d a s p a ra s a l v a r as a p a r ê n c i a s . E, -mais uma v e z , as duas grandes p o tê nc i a s u t ili za m -s e de outro p a í s , como te atro de operações para serv ire m aos seus in t e r e s s e s e s t r a t é g i c o s .
A Europa foi o campo d e c is iv o de b a t a l h a da " g u e r r a fria',' mas os e f e i t o s p r i n c i p a i s foram se nt id os no T e r c e i r o Mundo, nas mais d if e re n te s ações das grandes p o t ê n c i a s , desde remessa de tro pas para abor t ar um suposto perigo comunista, como ocorre u na Re p u b l ic a Dominicana , em a b r i l de 1 9 6 5 , até o i nt e rv e nc i on i sm o puro e simples no V i e t n ã , dita d o pe la de f e s a da l i b e r d a d e . Apesar de que o Vietnã tenha demonstrado que o i n t e r ve nci on i sm o pode te r um custo m i l i t a r um pouco a lt o (200 bilh õe s de d ó l a r e s ) , além das dl visões profundas na s ocie dade a mericana.
Outra c r i s e que a t i n g i u grandes prop or çõ es, dest a f e i t a no bloco s o v i é t i c o , foi na T h e c o s l o v â q u i a , na chamada " Primavera de P r a g a " . 0 governo Tche co, aparentemente t r a n q ü il o dentro da ãrea de i n f l u ê n c i a comun is ta, pa ssou a adotar posiçõe s l i b e r a i s como suspensão da censura ã imprensa, re stauração dos d i r e i t o s c^ vis e uma r evisão no modelo econômico do P a í s . A União S o v i é t i c a , que não e sta va d is p o st a a reconhecer mais um país comunista ind£ pe ndente, a exemplo da Iu g o s l á v ia e Romênia, na n o i t e de 20 de agosto-de
1968
executa o golpe e tropas do Pacto de V a r s o v i a ocupam a T hec oslo váq uia.T ais f a t o s , levam a co n cl ui r que passou a haver semelhan ça no comportamento e no emprego de métodos das duas p o t i n c i a s , quando p ressen tiam a p o s s i b i l i d a d e de perda de uma nação que con si derassem v i t a l a seus i n t e r es s e s n a c i o n a i s . A inte rve nção pe la fo rç a das armas tornou-se a t ôn ica : V i e t n ã , Hungri a e T h e co s l ov â qui a são alguns exemplos.
Ao c on trário do que alguns ob servadores pensam, a per£ p e c t i v a de um c o n f l i t o atômico não diminui u o estado de "gue r ra f r i a " . Para Raymond A r o n , "A guzMn.a. fnla. òe. <m a no ponto de. con ve.Agê.ncta de. duas sznÁ.e.s kÁ.òtQh.-icas, uma que conduz ao apen.fetçoa mento de bombas tefun o nucleares e engenhos b a l Z s t t c o s , à Aenovação i n c e s s a n t e das aAmas cada vez mais destAutivas e de veZcuZos ponta don.es cada vez mais n.ãpidos; e a outna, que acentua o elemento psi colÕgico dos c o n f l i t o s , em detnimento da v i o l ê n c i a f í s i c a . 0 en
dontro dtsòaò duaò ò/írlíò é fac.llme.nte. p z r c z b t d o : qaantç malò çò tn^Auimnto-ò da fçi/iça ultKapaAAajp eéc.aZa humana, rmnoA eZzò i>ão uttZtzav exò. A-4' e.non.me.& poòS-ib-éJLÁ^dadei da t z c n o to g t a devoZvem a guíAA.a a Aua condição e.si,e.nclal de, confronto entre v o n t a d e s , s e j a porque a ameaça s u b s t i t u i a ação, s e j a porque a Im p o t ê n c ia recZ proca do-i grandes proZbe os c o n f l i t o s d iretos e, da mesma forma , amplia os espaços onde castigam , sem muitos r i s c o s , para a humanl dade, a v i o l ê n c i a c l a n d e s t i n a ou d i s p e r s a " . (31)
A su post a dis te ns ão e nt re o Leste e o O e s t e , a s u b s t i t u ^ ção da " g ue r ra f r i a " pela " c o e x i s t ê n c i a p a c í f i c a " se tra ta apenas de semântica p o l í t i c a , p o is para os s ov i é t i c os a c o e x i s t ê n c i a en tre Estados cuj os sistemas s o c i a i s são d if e re n te s é uma forma de lu t a de c la sse s e ntre o s oci al ism o e o c a p i t a l i s m o . 0 que ocorreu, de c oncreto, foi a s u b s t i t u i ç ã o de velhos slogans e de velhas po lêmicas por a v a li a ç õ e s mais ob j e t iv a s de ca rát er , das intenções e do poder de cada um. Isto e, p assou a haver mais diá logo entre os dois governos.
Comentaristas o c id e n t a is chegam a afirmar que a "gue r ra f r i a " terminou no decorr er dos anos 60, mas a i nvasão da Tche co^ lováquia em 1968 e os recentes e p is õ d i o s do A f e g a n i s t ã o , P o l ô n i a , N ic arágua, Or i e nt e M édi o, A f r i c a Po rt uguesa, dão a enten de r que tudo c ontinua como se nada t i v e s s e a c onte ci do.
B rian C r o z i e r , fundador do I n s t i t u t o para o Estudo dos C o n f l i t o s , adverte que " ( . . . ) uma situação de não-guerra entre a OTAN e
0
Pacto de V ar só v ia, não s i g n i f i c a que a União S o v i é t i c a d e ix e de l e v a r suas forças armadas a Invadirem um pais v iz in h o , sem esquecer as forças s u p l e t iv a s de Cuba e da Alemanha O r i e n t a lna A f r i c a e no O r ie n t e Médio, nem o apoio ã ação dos grupos terro_ r is t a s " . (32)
Mas a melhor ex p l ic a ç ã o dada sobre esse e stado de "g u e r ra f r i a " encontra-se em Karl D eutsch, quando trata em sua obra Anã l i s e das Relações I n t e r n a c i o n a i s , "a teoria dos j o g o s " .
Para Deutsch a " g u e r r a f r i a " pode ser fundamentada p el a noção do "j ogo de soma z e r o " , i s t o é, num"jogo de soma z e r o " , a soma de todos os ganhos e perda de todos os j ogadores iguala-se a zero, de forma que q ualq uer ganho de determinado jogador corre£ ponde sempre a per da de outro ou de outros jogadores ( x a d r e z , p£ quer) .