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O LIMITE DO PODER INSTRUTÓRIO DO JUIZ

2. ATIVISMO JUDICIAL

2.4. O LIMITE DO PODER INSTRUTÓRIO DO JUIZ

Na relação processual o Estado deu aos juízes extensos e variados, entre eles o poder de verificar o funcionamento da parte interna e externa do processo. A parte interna cuida da operacionalização da lei e a parte externa a pacificação social. Ao criar o magistrado a legislação forneceu meios de equilíbrio ao autor e ao réu. Na atualidade as partes deixaram de ser ‘donos da causa’ para se tornar partícipes do processo, na qual o juiz é a figura principal que irá comandar o processo.

Um dos poderes designados ao magistrado foi o de determinar a produção de provas quando for necessário para ter o conhecimento da verdade e a realização da justiça

Com essa designação do poder ao juiz o processo civil ganhou grande impulso permitindo uma aproximação do juiz às partes, com a finalidade de tutelar melhor os bens de direito material, bens que são referentes aos direitos ocorridos na vida fática. Para ter conhecimento desses fatos, somente por provas, requisitadas pelas partes ou pelo juiz, conforme art. 370 NCPC, pode o juiz requisitar provas desde que seja dentro de sua circunscrição de sua função.

O limite do magistrado é o ponto máximo o qual é proibido ultrapassar. Sendo assim utilizou-se o princípio do devido processo legal para limitar o magistrado. Esse princípio

engloba vários direitos individuais, entre eles, o direito ao contraditório e à ampla defesa, o direito aos meios de provas em direito admitidos e o direito à isonomia.·.

O Princípio Dispositivo é o princípio de maior destaque no quesito de limite da atividade probatória do juiz. O Princípio Dispositivo é elencado no Art. 2º do Novo Código de Processo Civil:

Art. 2º - O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei

.

Vale lembra que o magistrado somente pode requisitar provas relacionadas ao processo, pois a sentença elaborada e fundamentada por ele verifica o pedido e à causa de pedir com base nas provas, como explica José Roberto dos Santos Bedaque (2001. p.94):

Os sujeitos parciais do processo podem estabelecer limites quanto aos fatos a serem examinados pelo juiz, não em relação aos meios de prova que ele entender necessários à formação de seu convencimento. E não se trata de atividade meramente supletiva. Deve o juiz atuar de forma dinâmica, visando a trazer para os autos retrato fiel da realidade jurídico-material. A atividade instrutória do juiz, portanto, está diretamente vinculada aos limites da demanda, que, ao menos em princípio, não podem ser ampliados de ofício (CPC, arts, 128 e 460). Nessa medida, à luz dos fatos deduzidos pelas partes, deve ele desenvolver toda atividade possível para atingir os escopos do processo.

Com a ampliação do poder do juiz a doutrina começou a limitar esses poderes, com o intuito de que o processo não se torna uma desordem, visando à segurança jurídica dos litigantes.

Inicialmente, o principio dispositivo causava grandes problemas aos poderes do juiz, já que a função do magistrado ficava comprometida com a disponibilidade das partes quanto ao objeto da lide. Entretanto, na atualidade o principio dispositivo não dificulta mais os poderes instrutórios do juiz, pois cabe ao juiz a direção e o controle do processo.

Já o princípio da isonomia ou princípio da igualdade tem o limite do magistrado demonstrado no momento que a conduta do juiz visa manter a igualdade das partes no processo, sem favorecer nenhuma delas.

Quando o magistrado se mostrar parcial, sua decisão pode ser vedada constitucionalmente. Cabe destacar o limite elencado no artigo 371 do Novo Código de Processo Civil: “O juiz apreciará a prova constante nos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento”.

Semelhante é a leitura de José Roberto Bedaque (2001, p. 154-155), que entende o seguinte:

Em princípio, pode-se dizer que os elementos objetivos da demanda constituem a primeira limitação. À luz do princípio da correlação ou adstrição, a sentença deve ater-se ao pedido e à causa de pedir (CPC, arts. 128 e 460). Se assim é, não pode o juiz buscar provas relativas a fatos não submetidos ao contraditório.

Sendo assim João Batista Lopes (2000, p.70) faz uma citação com referência às novas provas requisitadas pelo magistrado:

Cabe advertir, por último, que as iniciativas probatórias do juiz devem limitar-se aos fatos controvertidos do processo, não lhe sendo lícito alterar a causa petendi, introduzindo fatos ou fundamentos novos.

Acrescente-se, ainda, as palavras de Leonardo Grecco (2008,p. 164):

A definição de limites entre os poderes do juiz e a autonomia das partes está diretamente vinculada a três fatores: a) à disponibilidade do próprio direito material posto em juízo; b) ao respeito ao equilíbrio entre às partes e à paridade de armas, para que uma delas, em razão dos atos de disposição seus ou de seu adversário, não se beneficie de sua particular posição de vantagem em relação à outra quanto ao direito de acesso aos meios de ação e de defesa; e c) à preservação da observância dos princípios e garantias fundamentais do processo no Estado Democrático de Direito.

Como vemos o poder instrutório do juiz é interpretado de diversas maneiras, as quais devem, na máxima medida, garantir ao julgador a sua condição de sujeito ativo na produção de provas pela razão mais que evidente de que sobre si recai o dever da resolução do conflito apresentado.

Sobre o tema, leciona Reichelt (2009, p. 331):

Desta forma, no momento em que o juiz, ex officio, dispõe sobre o emprego de determinado meio de prova, a validade de sua atuação deve ser sempre valorada à luz da presença de outros objetivos que extrapolam o mero interesse de um dos litigantes, em uma análise que, não raro, transcende a dimensão das normas

diretamente relacionadas à instrução processual. Trata-se de saber se a sua atuação é comprometida com a realização de outros escopos de ordem pública, como a necessidade de dar efetividade à tutela de interesses indisponíveis que estejam em jogo no debate dos autos, ou de reduzir desigualdades econômicas e sociais capazes de limitar a participação democrática das partes na construção conjunta do provimento jurisdicional, ou, ainda, de evitar que o processo seja utilizado para a obtenção de resultados não-albergados pelo ordenamento jurídico.

Sendo assim, os poderes instrutórios do juiz têm limites, pois estão insertos no próprio ordenamento jurídico, tendo destaque ao limite da motivação as decisões que está ligado através do princípio do livre convencimento motivado, expresso no art. 371 do NCPC. Sendo assim, o juiz decide de modo racional de acordo com as provas nos autos, não permitindo julgar segundo suas emoções.

Por meio da sentença fundamentada juridicamente, o magistrado traz para a sociedade os motivos que levaram ao seu convencimento.

CONCLUSÃO

No presente estudo objetivou-se destacar a importância do juiz no processo de conhecimento, bem como sua função mais ativa e participante.

Ao magistrado cabe desempenhar sua função como representante do Estado. Cabe a ele analisar as provas legais e legítimas produzidas pelas partes, caso sejam insuficientes essas provas, o magistrado tem o poder de designar nova produção de provas.

Antes de a Constituição Brasileira entrar em vigência, o Poder Judiciário não detinha total autonomia, sendo que as decisões eram favoráveis para os que detinham riqueza e poder.

A função do juiz era tão somente de analisar o caso e com as provas apresentadas pelas partes, sentenciar, mesmo sem uma fundamentação jurídica consistente. Com a exclusão do Estado Constituinte, passou o Estado Democrático comandar as leis, dando ao Poder Judiciário total autonomia de intervir na solução dos litígios.

Com o poder em mãos, o Judiciário designou a figura do juiz, o poder de intervenção, dando a ele a independência, autoridade e responsabilidade para resolver os litígios, em troca o magistrado tinha que ter comprometimento e dignidade com sua função.

Sendo assim, veio à tona um modelo processual civil, onde permite que o magistrado além de fiscalizar os atos processuais deve ser esforçar na busca por provas, na intenção de chegar mais próximo da verdade real.

As provas determinadas pelo juiz, não tem objetivo de beneficiar nenhuma das partes, caso essa produção de provas seja designada intencionalmente para prejudicar autor ou réu, o magistrado está ferindo o princípio da imparcialidade.

Por fim conclui-se que o juiz que deixa de buscar a verdade real, fere princípios e garantias fundamentais, sendo que o objetivo principal do Estado Democrático de Direito é garantir que todos os litígios sejam julgados de forma correta.

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