CUESTIÓN DE MÉTODO DE SANTIAGO GAMBOA
3.1 LINGUAGEM DA PELE, CAMINHO QUE LEVA À VERDADE
A relação entre Silanpa e a jovem prostituta confirma uma figura tragicômica, composta por diversos símbolos culturais que solidificam com a narração a degradação e o sem sentido de uma cidade profanada por novos emblemas culturais e por novas maneiras de percorrer e viver essa cidade; motivo pelo qual o casal procura refúgios que os apartem do vazio e os leve à verdade e à resolução do crime, pois o desamparo lhes roubou a identidade e o sentimento de segurança, já que a narração deixa claro que Bogotá é um espaço devorador em todos os sentidos da palavra:
En Colombia, esas luchas por el poder derivadas de la transformación de la ciudad unitaria detallada en la ciudad inestable fragmentada, en la novela urbana colombiana se traducirán en el cambio de unas luchas por el poder entre liberales y conservadores –de las que cuenta la obra de Vallejo-, o entre políticos tradicionales y guerrilla utópica –a las que se refiere Antonio Caballero-, a unas luchas por el poder inscritas en el complejo marco del narcotráfico, la explosión demográfica, la migración campo-ciudad, el desplazamiento, etcétera, presentes en escritores como Jorge Franco, Mario Mendoza, Alonso Sánchez Baute y Efraín Medina Reyes, entre otros152.
(VALENCIA, 2009: 91-92)
Em consequência, lê-se uma sociedade em que diferentes personagens convivem, rua a rua, dentro das mesmas fronteiras urbanas, onde o autor consegue pintar uma Bogotá que visibiliza diferentes espaços ocultos, ao mesmo tempo em que dá voz e forma a personagens de origem social e cultural diversa e no espaço da cidade podem ser encontradas outras cidades ou círculos infernais, que estão representadas por ladrões, assassinos, trabalhadores humildes, gente com malformações, bailarinas, prostitutas, vendedores de drogas e habitantes de rua, que se movem entre as zonas pobres e deprimentes do centro e do sul da cidade. Portanto, pode-se afirmar que as personagens são um grupo de seres nômades, que não possuem lar e que percorrem o território citadino sem um rumo fixo, no meio do anonimato e do ruído ensurdecedor da ordem de uma época que se imagina em perfeita ordem, mas que, na realidade, está cordão elétrico atraía o voo de bichos e de moscas. Seguiu bebendo e deu-se conta de que Quica já estava sobre ele, se movendo com força. Via-a como por trás de um vidro.
152 Na Colômbia, essas lutas pelo poder derivadas da transformação da cidade unitária detalhada na cidade instável fragmentada, no romance urbano colombiano se traduzirão na mudança de lutas pelo poder entre liberais e conservadores – sobre as quais conta a obra de Vallejo -, ou entre políticos tradicionais e guerrilha utópica - às quais se refere Antonio Caballero -, a lutas pelo poder inscritas no complexo marco do narcotráfico, da explosão demográfica, da migração campo-cidade, do deslocamento, etc., presentes em escritores como Jorge Franco, Mario Mendoza, Alonso Sánchez Baute y Efraín Medina Reyes, entre outros.
sumida no meio do ritualismo profano, da desordem, da sensualidade, da morte e do consumismo: “En la barra siguió tomando rones, uno tras otro. Pasadas las tres de la mañana recostó la cabeza sobre el mostrador y así se quedó. No se dio cuenta de nada, no oyó los reclamos del propietario ni sintió las garras del portero levantándolo en vilo, sacándolo al frio de la calle y depositándolo en el andén”153 (GAMBOA, 1997: 79).
É claro que o cadáver do empalado amplia a visão infernal de Bogotá e alimenta os signos de decadência, depravação e desmoralização social, multiplicando assim os efeitos da violência, que, neste caso, estão carregados de sadismo, repulsa e uma crueldade extremamente calculada: “Está roto por todas partes. Tiene fractura de columna, el estómago reventado, agua en los pulmones y la garganta pegada”154 (GAMBOA, 1997:19). De fato, a imagem grotesca do crime gera entre as personagens a necessidade de escapar desse espaço infernal e procurar o paraíso da “civilização”
europeia:
Le preocupaba la historia del empalado. Era horrible que esas cosas pasaran tan cerca de la gente civilizada. Por eso mordisqueaba con ansia la idea de irse a vivir a Londres. Soñaba con las camisas de Harrods y el mercadito de Camden Town. O parís: las tiendas de la Rue Saint-Honoré, las boutiques de los Campos Elíseos y las mil y un atiendas del barrio de la ópera. Eso sí era vida, no esa cosa insulsa y desabrida que tenía que vivir a diario en Bogotá, con esas molestias y suciedades tan desagradables de ver por todos lados.
Ayer, sin ir más lejos, le habían contado en el club que un tullido que lavaba vidrios en un semáforo le había metido por la ventana del carro a la esposa de Cansino Prada. Le puso delante de la nariz un bollo de caca y le gritó: “Si no quiere comer mierda, señora, sáqueme por el lado un billetico de diez mil pesos”. Casi le da un infarto, le dijeron, y él entendía. Qué asco.155
(GAMBOA, 1997: 42)
153 Na barra seguiu tomando runs, um depois de outro. Passadas as três da manhã recostou a cabeça sobre o balcão e assim ficou. Não se deu conta de nada, não ouviu as reclamações do proprietário nem sentiu as garras do porteiro levantando-o fortemente, sacando-o ao frio da rua e depositando-o na plataforma.
154 Está quebrado por todas as partes. Há fraturas na coluna, o estômago está arrebentado, água nos pulmões e a garganta colada.
155 Procurava-lhe a história do empalado. Era horrível que essas coisas se passassem tão perto de gente civilizada. Por isso mordia com ânsia a ideia de ir viver em Londres. Sonhava com as camisas de Harrods e o mercadinho de Camden Town. Ou Paris: as lojas da Rue Saint-Honoré, as boutiques dos Campos Elíseos e as mil e uma tendas do bairro da ópera. Isso sim era vida, não essa coisa insossa e desabrida que tinha que viver diariamente em Bogotá, com essas moléstias e sujeiras tão desagradáveis por todos os lados. Ontem, sem ir mais longe, tinham-lhe contado no clube que um aleijado que lavava vidros em um semáforo tinha enfiado a mão pela janela do carro perto da esposa de Cansino Prada. Colocou na frente do nariz um pedaço de coco e gritou: “Se não quer comer merda, senhora, jogue pelo lado uma notinha de dez mil pesos”. Quase deu-lhe um infarto, disseram-lhe, e ele entendia. Que nojo.
Sem dúvida, a beleza da cidade vincula-se diretamente com a degradação, o caos, o erotismo, a repulsa e a paródia, como um conjunto de dimensões que se inclinam para um único sentido: o inferno e a morte, pois a narração deixa claro que a excessiva violência procura articular lembranças de resistência, desejo, gozo, fuga e catarses. Isso acontece com as figuras corporais, tanto da cidade, como das personagens, onde a vítima encarna uma figura sádica, que procura defender o direito ao diferente, ao natural e ao doente, onde o erotismo e sua relação direta com a morte seja despenalizada, isto é, na cidade deve ser incorporado o jogo desinibido do desejo e do gozo: “-Todos empelotos. Unos treinta. Hombres y mujeres. Todos empelotos, charlando, y riéndose (…)156” (GAMBOA, 1997: 67). Então o autor se vale da figura da Seita Naturista, pois pretende envolver o diferente e a naturalidade do corpo como uma metáfora do desigual de uma cidade que se mostra sem máscaras, sem maquiagem e sem roupas:
Buscaron un rato hasta que Silanpa, de lejos, reconoció la muralla de pinos.
Quica se rió al ver el letrero de El Paraíso Terrenal.
-Aquí hay que hablar poco, Quica, y sólo entre nosotros. Luego le explico.
Un hombre de aspecto frío les abrió la puerta. Silanpa le alcanzó el sobre con la invitación y él los miró de arriba abajo.
-Vengan a la oficina.
Fueron.
-¿Puedo saber por qué quieren entrar al club?
-estamos hartos de la ciudad, de la hipocresía, de las apariencias… Queremos un verdadero descanso y por eso decidimos acogernos a la filosofía naturista.
-Bien, bien. Entren a las salas, los vestieres son por allá. Quica abrió los ojos.
Tenía que empelotarse y entrar a varios salones en los que hombres y mujeres, también empelotos, charlaban y leían el periódico. Le dio risa.
- Vamos a la sala de vapor.
Primero tosió, pero al rato, al sentir que los poros se le abrían y que los nervios se deshacían con el calor, comenzó a gustarle.
-Es rico, los azulejos son lindos.
La sauna fue más difícil: un salón a media luz con bancas de madera y un calor que le irritaba la piel. Fuerte olor a eucalipto. A los pocos minutos estaba bañada en sudor.
-Ahora una ducha de agua helada.
Silanpa observaba: barrigas flácidas, espaldas velludas, mujeres de tetas enormes cayendo en pliegues sobre vientres deformados por la edad, de vez en cuando algún cuerpo joven… 157(GAMBOA, 1997: 101-102)
156- Todos nus. Uns trinta. Homens e mulheres. Todos nus, falando e rindo (...)
157 Procuraram um momento até que Silanpa, de longe, reconheceu a muralha de pinos. Quica riu ao ver o letreiro do Paraíso Terrenal.
-Aqui é preciso falar pouco, Quica, e só entre nós. Depois explico-lhe.
Um homem de aspecto frio abriu-lhes a porta. Silanpa entendeu o convite e ele os olhou de acima abaixo.
Venham ao escritório.
Mais especificamente, a única aliança que permanece intacta na história, é a aliança entre a crueldade e o contrato sexual:
La mujer llegó primero. Fui al baño, hizo pipi y luego se levantó la falda frente al espejo para verse: se miró las caderas, dio la vuelta mordiéndose los labios para parecer más sexi al tiempo que se daba golpecitos en las nalgas.
Luego se estiró para arriba los calzones. Todo iba bien. Entonces se desnudó dejando ver buenas piernas y unos pechos caídos. El hombre llegó después y, sin pérdida de tiempo, se metió en la cama en la que ella lo esperaba empelota. Comenzaron a tocarse y, cuando ya estaban dando gritos, Silanpa entró disparando su Nikkormat. (…) Silanpa la miró a los ojos: tenía las sombras desparramadas por las mejillas, el pelo agarrado en una coleta y, en el brazo, una pulsera de plata. Le pareció atractiva al verla, cubriéndose el cuerpo desnudo y sudoroso con la sábana. Su expresión era de súplica.158
(GAMBOA, 1997: 96)
Esta citação vincula o homem intelectual com o erotismo, a promiscuidade e a violência, onde a obsessão sexual incapacita os sujeitos a experimentarem uma relação afetuosa honesta e recíproca:
Llegó a la puerta y salió, caminó hasta el ascensor, y todavía la mano de Mónica, que tantas veces lo había acariciado, no llegaba a su hombro. Abrió
Foram.
-Posso saber por que querem entrar ao clube?
-Estamos de saco cheio da cidade, da hipocrisia, das aparências... Queremos um verdadeiro descanso e por isso decidimos acolher a filosofia naturista.
-Bem, bem. Entrem nas salas, os banheiros são por ali. Quica abriu os olhos. Tinha que tirar as roupas e entrar em vários salões em que homens e mulheres, também nus, falavam e liam o jornal. Deu risada.
-Vamos à sala de vapor.
Primeiro tossiu, mas pouco depois, ao sentir que os poros lhe abriam e que os nervos se desfaziam com o calor, começou a gostar.
-É gostoso, os azulejos são lindos.
A sauna foi mais difícil: um salão de meia luz com bancos de madeira e um calor que lhe irritava a pele.
Forte cheiro de eucalipto. Em poucos minutos estava banhada em suor.
-Agora uma ducha de água gelada.
Silanpa observava: barrigas flácidas, costas peludas, mulheres de tetas enormes caindo sobre ventres deformados pela idade, de vez em quando algum corpo jovem…
158 A mulher chegou primeiro. Foi ao banheiro, fez xixi e depois levantou a saia em frente ao espelho para ver-se: olhou o quadril, deu a volta mordendo-se os lábios para parecer mais sexy ao mesmo tempo em que dava tapinhas na bunda. Depois esticou para acima a calcinha. Tudo ia bem. Então despiu-se deixando à mostra as boas pernas e os peitos caídos. O homem chegou depois e, sem perda de tempo, meteu-se na cama onde ela o esperava nua. Começaram a tocar-se e, quando já estavam dando gritos, Silanpa entrou disparando seu Nirmat. (...)Silanpa olhou-a aos olhos: tinha as sombras esparramadas pelas bochechas, o cabelo preso em uma coleira e, no braço, uma pulseira de prata. Pareceu-lhe atraente ao vê-la, cobrindo o corpo nu e molhado com a savana. Sua expressão era de súplica.
la puerta y entró, y luego le dio al botón del primer piso sintiendo que vida terminaba.
Llegó al portal, salió y, con tristeza, miró hacia su ventana. La luz estaba encendida, pero esa luz ya no significaba amor. Le dolía el cuerpo y en un gesto desesperado se mordió el dedo anular hasta que saboreó su propia sangre. Quería un dolor real, algo que le durmiera ese nervio retorcido que lo empujaba las lágrimas.
Vio, de pronto, su vida con ella, y un llanto incontrolable le subió del estómago hasta llenarle las mejillas de surcos húmedos.
Caminó hasta la avenida suba. Vio las busetas detenidas en mitad de la calle y pensó que ese mundo era un lugar hostil porque era el escenario de desamor, la calle donde había perdido lo único que tenía, lo que más amaba, y sintió ganas de vomitar, de mezclarse con el barro de la calle, de no ser más ese hombre perdido en la noche que lloraba una mujer por la que daría la vida, por la que sería capaz de envilecerse, de aceptarlo todo. Ebrio de sufrimiento paró un taxi y subió, y en un esfuerzo por regresar a la dignidad se dijo en voz alta: “Mi vida es mucho más”, y ahí se vino abajo porque sabía que mentía, que ninguna palabra podría borrarla, y se vio otra vez caer, perderse en un sufrimiento que lo cubría, y supo que si alguna vez había sido feliz fue al precio de una noche como esta en la que la vida terminaba, pues no podía imaginar algo distinto a regresar a ese pequeño apartamento, nada distinto a ponerse de rodillas frente a ella y suplicarle que no lo dejara…pero tenía la seguridad que eso no haría más que hundirlo, llevarlo para siempre a la zona de olvido de la que nadie, o casi nadie, regresa.159 (GAMBOA, estaba produciendo en la lengua por la democratización en curso, agravada en ciertos puntos por la emigración extranjera, complicada en todas partes por la
159 Chegou à porta e saiu, caminhou até o elevador, e a mão de Mónica, que tantas vezes o tinha acariciado, ainda não chegava a seu ombro. Abriu a porta e entrou, e depois apertouao botão do primeiro andar, sentindo que vida terminava. Chegou ao portão, saiu e, com tristeza, olhou para sua janela. A luz estava acesa, mas essa luz já não significava amor. Doía-lhe o corpo e em um gesto desesperado mordeu o dedo anular até que saboreou seu próprio sangue. Queria uma dor real, algo que lhe dormisse esse nervo retorcido que empurrava suas lágrimas.
Viu, de repente, sua vida com ela, e um pranto incontrolável lhe subiu do estômago até lhe encher as bochechas de gotas úmidas.
Caminhou até a avenida clinada. Viu os ônibus parados no meio da rua e pensou que esse mundo era um lugar hostil, porque era o palco de desamor, a rua onde tinha perdido a única coisa que tinha, o que mais amava, e sentiu vontades de vomitar, de misturar-se com o lixo da rua, de não ser mais esse homem perdido na noite que chorava por uma mulher pela qual daria a vida, ao lado de quem seria capaz de envelhecer, de aceitar tudo. Ébrio de sofrimento parou um táxi e subiu, e em um esforço por regressar à dignidade disse a si mesmo em voz alta: “Minha vida é bem mais”, e aí desabou, porque sabia que mentia, que nenhuma palavra poderia apagá-la, e se viu outra vez cair, se perder em um sofrimento que o cobria, e soube que se alguma vez tinha sido feliz foi ao preço de uma noite como esta na qual a vida terminava, pois não podia imaginar algo diferente a não ser regressar a esse pequeno apartamento, nada diferente a se pôr de joelhos em frente a ela e suplicar-lhe que não o deixasse...mas temia a segurança de que isso não faria mais do que afundá-lo, levá-lo para sempre à zona do esquecimento de onde ninguém, ou quase ninguém, regressa.
avasallante influencia francesa y amenazada por la fragmentación en nacionalidades que en 1899 provocaba la alerta de Rufino José Cuervo;
“estamos pues en vísperas de quedar separados, como lo quedaron las hijas del Imperio Romano”. Contra estos peligros la ciudad se institucionalizó.160
(RAMA, 1998:68).
A significação de relações amor-ódio, sexo-morte dentro do romance está ambiguamente unida pelo dinheiro e pelo poder, e mediada pela imagem analógica da cidade como território ideal para o crime e para a depravação, por isso, a imagem que o detetive letrado –figura que ao igual que a visão de Rama, não se abandona na cidade infernal e erótica senão que construí novas relações com o espaço- projeta se aproxima do conceito de Agamben de “máquina antropológica” (AGAMBEN, 2004: 79), pois percebe-se em cada uma das linhas a mediação entre o bestial e o humano, e entre a tentativa de humanizar uma cidade sem alma e uma história social representada pela violência e pelo massacre: “If the anthropological machine was the motor for man’s becoming historical, then the end of philosophy and the completion of the epochal destination of being mean that today the machine is idling.”161 (AGAMBEN, 2004: 80).
As fissuras no discurso de Silanpa abrem feridas em si mesmo, nos que o rodeiam e no mesmo espaço, pois não existe uma mediação entre a cidade “maldita” e a “iluminada-bendita”, pelo contrário, em cada uma das palavras se vislumbra uma cidade globalizada que some na catástrofe, ao mesmo tempo em que procura aproximar-se da visão da antiga cidade letrada como um meio de se purificar e se salvar da condenação infernal:
El Mazda gris salió de los garajes de Consejo de Bogotá y se dirigió hacia los Cerros por la 26, para luego tomar la Circunvalar con dirección al norte. En el interior, Esquilache se disponía a regresar a su casa ojeando un libro de Rafael Pombo que le había comprado a los hijos de Emilio Barragán.
Observó las ilustraciones, leyó emocionado los títulos y las primeras frases de los poemas, hasta que se dejó llevar por la tentación de recitárselos de memoria al chofer y ver qué tan lejos estaba de su infancia162. (GAMBOA, 1997: 176).
160 Sua aparição foi a resposta da cidade letrada à subversão que se estava produzindo na língua pela democratização em curso, agravada em certos pontos pela emigração estrangeira, complicada em todas as partes pela avassalante influência francesa e ameaçada pela fragmentação em nacionalidades que em 1899 provocava o alerta de Rufino José Cuervo; “estamos, pois, em vésperas de ficar separados, como o ficaram as filhas do Império Romano”. Contra estes perigos a cidade se institucionalizou.
161 Se a máquina antropológica foi o motor para o homem tornar-se histórico, então, o fim da filosofia e da realização do destino da época do ser significa que hoje a máquina está em marcha lenta.
162 O Mazda cinza saiu das garagens do Conselho de Bogotá e dirigiu-se para os Cerros pela 26, para depois tomar a circunvalar com direção ao norte. No interior, Esquilache dispunha-se a regressar a sua casa olhando um livro de Rafael Pombo que ele havia comprado aos filhos de Emilio Barragán. Observou as ilustrações, leu emocionado os títulos e as primeiras frases dos poemas, até que se deixou levar pela tentação de recitar de memória ao motorista e ver o quão longe estava de sua infância.
Assim, a participação da cidade como uma personagem ativa no romance,
Assim, a participação da cidade como uma personagem ativa no romance,