CUESTIÓN DE MÉTODO DE SANTIAGO GAMBOA
3.2. ROSTOS QUE SE FUNDEM NO CORPO DO DESERTO CITADINO
Sendo assim, a configuração erótica e infernal de Bogotá dá-se em diferentes espaços e ocasiões. Eros e Thanatos se relacionam nos seguintes espaços: 1) Lago do Sisga 2) Prostíbulo 3) Bar-Umbral 4) Cemitério 5) Motel 6) Hospital psiquiátrico 7) Necrotério 8) Cadeia.
O Lago do Sisga, espaço infernal-erótico com o qual se inicia a obra de Gamboa, aparece recoberto embaixo de uma capa sacrílega em que coabitam relações de transgressão, morte, ritualismo sagrado, quebra de normas, medo, horror, paixão e pulsão. A finalidade é deixar evidente a rejeição que se tem às normas sociais e ao proibido. Por este motivo que este é o espaço escolhido pelo autor para deixar o corpo sagrado do empalado como uma estratégia eficaz para pôr em funcionamento as relações entre o profano e o sagrado: “A sociedade humana não é somente o mundo do trabalho. Simultaneamente — ou sucessivamente — ela é composta pelo mundo profano e pelo mundo sagrado, que são as suas duas formas complementares. O mundo profano é o dos interditos. O mundo sagrado abre-se a transgressões limitadas. É o mundo da festa, dos soberanos e dos deuses. ” (BATAILLE 1988: 45). Assim, o elemento sagrado é o elemento que projeta no espaço um tom infernal, pois é o que gera horror, desespero e medo frente a um fato que cruza o limite e o sentimento de devoção e no qual os homens aparecem submetidos e condenados a dois impulsos: terror que
231 -Vladimir cantou, chefe. Disse-me que Esquilache e Tiflis tinham decidido organizar o enterro de Perea Antúnez para evitar brincadeiras com o verdadeiro cadáver. Mas como não tinham corpo, tiveram que sair para procurar alguém de estatura parecida. Segundo confessou-me, foram os homens de Tiflis os que deram com meu irmão. (...) - O que está claro é que foi Esquilache o que fincou ao gordinho no pau e Barragán o que o empalideceu a Esquilache.
leva à rejeição e a desaprovação do crime; atração erótica que leva à fascinação e interesse pelo por que, quem e como aconteceu o assassinato. Portanto, o erotismo e a infernalidade deste espaço respondem ao movimento contraditório da proibição que recusa a transgressão e a fascinação que leva à personagem principal à busca incansável dos culpados e à exploração de sua interioridade, como uma reação confusa da crise de si mesmo com o espaço próprio, do crime e dos outros. Então, é no meio destas relações opostas que o tabu se opõe ao caráter infernal. No entanto, o infernal é o que gera a fascinação para o proibido, o caótico e o questionável pela lei, de modo que, o infernal do Lago do Sisga se instaura como a proibição transfigurada, pois ao ser um empalado a figura do crime, uma figura mitológica e sagrada é composta. Esse fato se opõe aos crimes comuns impulsionados pelo sentido industrial e da produção. Dentro disso, o profano se une ao caráter erótico que se relaciona diretamente com o infernal como um meio de celebrar a vida dentro da morte. O conjunto de proibições judiciais e morais passam a ocupar um segundo plano e abrem campo às relações com a morte, a depravação, o sadismo, o sexo e os excessos.
Portanto, o tempo normal dos seres humanos, dentro do romance e o tempo mítico que se constrói ao redor do empalado assume a literalidade da transgressão como fundamento explícito do proibido pela religião e que faz menção especificamente à imagem do inferno como um espaço de castigo e reclusão dos transgressores e pecadores. Neste caso, o caráter infernal do espaço é o ponto culminante do que se impôs como malvado desde o ponto de vista religioso. Os homens devem recusar a morte e o castigo como um ponto de ruptura com o que deve ser bem visto pelos olhos de Deus e pelo que deve ser evitado, como uma profundidade da natureza do humano e de sua capacidade de submergir-se dentro de outras relações, que vão para além do corpo das normas sociais e que se acercam ao caráter ancestral do assassinato como um ritual e um fato simbólico que leva a repensar a contemporaneidade e o estabelecido pelo governo dos próprios homens. Consequentemente, o pavor ao confinamento e a observar o corpo do cadáver é introduzido e mantido pelos sentimentos de medo introduzidos pelos discursos religiosos e que só são superados através do corpo do detetive, como uma ferramenta para deixar de lado o horror e conseguir a aniquilação e a superação dos medos. Isto é, realizar a transgressão e poder ver o Lago como uma instauração do ritual sagrado que designa e indica a culminação de um sacrifício que abre novos campos de exploração com o espaço da cidade e com o próprio corpo:
“Regresó a Bogotá fumando un cigarrillo tras otro, hipnotizado por la imagen del cadáver, las orbitas reventadas de sus ojos, la mueca en la cara. Sintió horror al decirse que eso fue alguna vez un hombre como él, una persona a la que otros escuchaban, daban la mano y tal vez amaban. La última calada del cigarrillo le llenó la boca de un sabor agrio y bajó la ventana para escupir. Era malo estar tan cerca de los muertos”232 (GAMBOA, 1997: 13). Por isso fica claro que a transgressão permite ir para além da concepção da lei quebrantada e instaura num espaço erótico e infernal, ao passo que as regras estão mediadas e atravessadas por imagens rituais e sagradas nas quais o proibido aparece mais unido ao erotismo do que às imagens de morte e de condenação infernal.
Não obstante, é preciso levar em conta que sem o infernal o erotismo não pode ser visto e analisado em toda a amplitude de seu conceito e vice-versa, pois sem a infernalidade como sinônimo de morte é quase impossível perceber o conjunto das imagens religiosas e sagradas, pois no espaço narrado pode ser observada a ausência de um Deus que ajude e salva as almas dos condenados. Assim, a imagem do empalado dentro deste espaço infernal e erótico não responde a um desejo oposto ao horror, pelo contrário, o corpo inerte e decomposto do morto remete a conceitos sexuais que saltam entre a repulsão e a atração, a proibição e sua elevação última. Neste sentido, Freud (1920-1922) propõe o proibido como uma necessidade primitiva de criar uma barreira que proteja no sujeito os excessos do desejo relacionados com a debilidade e com o contato com cadáveres, isto é, demarca o morto num manto de tabu no qual o desejo está unido aos outros e não ao desejo de si mesmo de se relacionar com este.
Em contraste, várias personagens veem este espaço e a figura do morto como um espaço ritual no qual o sacrifício opera como uma volta à base mais ancestral do ser e conseguir desenvolver-se dentro dos espaços de morte e infernalidade. Ou seja, as personagens realizam uma comunhão no meio do sacrifício do corpo do outro, afastando dos preceitos que exigem o afastamento da morte e do corpo sem vida como um ente proibido e se aproximam do desejo erótico na medida em que o corpo do empalado se vê como um objeto almejado de catarses. Portanto, é um objeto de desejo, é criador de desejo; um desejo de se relacionar com outros corpos e, desta maneira,
232 Regressou a Bogotá fumando um cigarro depois de outro, hipnotizado pela imagem do cadáver, orbitando ao redorde seus olhos, com uma careta na cara. Sentiu horror ao dizer que alguma vez o homem tenha sido como ele, uma pessoa à quem os outros escutavam, davam a mão e talvez amavam. A última calada do cigarro encheu-lhe a boca com um sabor de agrião e abaixou a janela para cuspir. Era ruim estar tão perto dos mortos.
reafirmar a vida sobre a morte ou um desejo de matar e, com isto, desterritorializar a ideia que se tem sobre as leis e sobre os preceitos de controle que se exercem na contemporaneidade. Apesar disto, as ideias de morte e assassinato só assumem o caráter de simples ideias que passam e se convertem em ideias de vida que procuram reafirmar a sensualidade dentro de um espaço de caos, temor e morte.
Mais especificamente, a infernalidade se transforma em erotismo e este último em violência, sacrifício e soberania, onde a vítima adquire um sentido de divino: um deus divino que, igual a Jesus, se encontra fincado a uma madeira que simboliza os pecados, as perversões e os desejos mais baixos dos homens. Além disso, este deus do Lago do Sisga também livra dos pecados quem o rodeia, lhes dando paz e os libertando do eterno sofrimento no inferno bogotano, pois seu caráter de sagrado dota-o da possibilidade de ver a humanidade desde sua face mais animal, criando assim uma imagem espacial na qual a ausência da lei salva, perdoa e reconforta. Mais ainda, através da infernalidade instaurada no espaço se realiza uma fusão com a violência, pois toda a violência se centra e se encarna nele: ele mesmo -o empalado- é seu verdugo, sua arma homicida, sua vítima, sua salvação e a dos outros, pois só através de seu corpo que todas as personagens escapam de sua vida tradicional, maniqueísta e chata e submergem em um delírio afastado das leis que controlam seus corpos e que os capturam numa consciência ingênua que chama à infração, à transgressão e à morte como único caminho para fugir da ordem legal do estado:
A vítima morre, então os assistentes participam de um elemento que revela sua morte. Esse elemento é o que se pode chamar, com os historiadores das religiões, de sagrado. O sagrado é justamente a continuidade do ser revelada aos que fixam sua atenção, num rito solene, sobre a morte de um ser descontínuo. Há, por causa da morte violenta, ruptura da descontinuidade de um ser: o que subsiste e o que, no silêncio que cai, sentem espíritos ansiosos é a continuidade do ser a que a vítima é entregue. Só uma morte espetacular, operada em condições que determinam a gravidade e a coletividade da religião, é suscetível de revelar o que habitualmente escapa à atenção. Não poderíamos, aliás, imaginar o que aparece no mais secreto do ser dos assistentes, se não pudéssemos nos referir às experiências religiosas que fizemos pessoalmente, mesmo que sejam as de nossa infância. Tudo nos leva a crer que essencialmente o sagrado dos sacrifícios primitivos é o análogo ao divino das religiões atuais. (BATAILLE 1988: 61).
Aqui, o corpo do empalado como transgressor da lei dos homens desenvolve uma continuidade divina que cria novos modos de relação e novos espaços nas relações.
Estes espaços, ao mesmo tempo em que buscam a ordem, estão estruturados no meio da descontinuidade, da proibição, do excesso de infernalidade e da reprodução sexual e erótica. Os habitantes de Bogotá deixam de lado as reservas morais e começam a
realizar movimentos transgressores que escapam das proibições e que procuram novos caminhos para resistir, para transformar em fuga e para construir corpos sem órgãos capazes de se mover entre sua sociedade sem ser afetados e sem ser encerrados dentro das máquinas de controle e de poder. Assim, a importância do lago em sua infernalidade e seu erotismo recai no caráter divino e sagrado que dá à cidade e a seu corpo. Ele é perturbado pela transgressão, não deixa de animar a seus habitantes a se relacionar com seu próprio corpo e com o dos espaços, pois sem esta figura transgressora não teria sido possível recriar outras situações de cidade, fato que limitaria enormemente o desenvolvimento do gênero noir no país e de seu movimento quanto à concepção da violência, do sagrado e do erótico como ramificação da morte e do animal. Isto é, a figura do deus sem vida do empalado dentro do espaço erótico e infernal do lago constitui a abertura na mentalidade de uma época, permitindo ler estas relações desde um plano que vai para além das meras concepções espaciais e estruturais dos relatos.
Este espaço, ao gerar erotismo e pulsões sexuais dentro das personagens, criam relações extremadamente sexuais, só que seu caráter lúgubre, clandestino e decadente o encasulam dentro do infernal. Não obstante, é o espaço em que várias das personagens vão reconciliando-se com a vida, com os outros e com seu próprio corpo. Este espaço é o prostíbulo, segundo espaço configurado como erótico e infernal dentro da corporeidade bogotana. Então, a vida e as relações noturnas recriam-se através de novas indumentárias, novos trajes, máscaras e maneiras de se relacionar com o disfarce e o carnaval. Assim, os prostíbulos podem ser observados como lugares inquietantes, escuros, desconhecidos e misteriosos, pois só se pode penetrar sua espacialidade através da indagação, do relacionamento de cada uma das personagens com os outros corpos desconhecidos e com sua própria sexualidade, mediada pela embriaguês, a droga, a marginalidade e o desborde dos sentidos: “Siguió la instrucción y, al pasar, miró por la ventana hacia la calle. No había un alma. Las hojas de los urapanes yacían sobre el asfalto mojado. El salón en cambio estaba repleto: mesas de a cuatro llenas de cartas y billetes, dominó, dados, pirinola, parqués. Una verdadera timba. Las mujeres iban y venían levantándose la falda, dejándose tocar por los clientes a cambio de cerveza o billetes de mil”233 (GAMBOA, 1997: 46). Aqui, é preciso levar em conta que a figura
233 Seguiu a instrução e, ao passar, olhou pela janela para a rua. Não tinha uma alma. As folhas das arvores jaziam sobre o asfalto molhado. O salão em mudança estava repleto: mesas de quatro cheias de cartas e notas, dominó, dados, e jogos de mesa. Uma verdadeira safadeza. As mulheres iam e vinham levantando suas saias, deixando-se tocar pelos clientes a cada mudança de cerveja ou nota de mil.
do prostíbulo aparece afastada da figura cristã de pecado e está detalhada de uma maneira livre em que a religião não media nenhuma das relações estabelecidas dentro deste espaço. Não obstante, o prostíbulo como figura clássica e mítica remete ao sagrado em todos os campos, desde a admiração dos corpos belos, até a simbologia da orgia e sua continuidade dentro da contemporaneidade, pois este é o único mecanismo viável para as personagens de escapar da solidão contemporânea imposta pela modernização das cidades latino-americanas e pelas preocupações pela produção de mercadorias e de seu intercâmbio comercial. Esta continuidade não é algo que possa ser percebido em cada uma das descrições das ações dentro do prostíbulo nem através das relações estabelecidas entre os corpos que coabitam este espaço. Pelo contrário, ela se coloca em evidência através da necessidade de encontrar um lugar próprio no mundo em que o rosto que se possui possa ser reconhecido e possa dar um sentido próprio à existência. Nesse sentido, o corpo dos outros opera como um espelho que aniquila as características individuais e recria uma nova visão sobre o mundo e a multiplicidade.
Esta negação dos aspectos e das características individuais impulsiona ao trabalho conjunto e à construção de um corpo sem órgãos que procura uma exclusão dos limites da realidade e da governamnetalidade. O erotismo opera através da fusão de cada um dos órgãos e da eliminação dos limites da realidade imediata, que leva à excitação sexual general dos sentidos: o ouvido, a vista, o olfato, o tato e o gosto fundem-se e trocam funcionalidades com o objetivo de experimentar com mais paixão e precisão o contato erótico com esses outros órgãos desterritorializados: “Pidieron cervezas y bailaron mezclándose entre las parejas de novios. Tal vez Mónica estuvo ahí con Óscar como antes con él. Tal vez se fueron hace un rato, cansados, y ahora charlaban con la luz apagada. Hablarían de él. Del tiempo que, por su culpa, estuvieron separados. A las cuatro de la mañana Quica dio un bostezo y Silanpa fue a pagar”234 (GAMBOA, 1997: 100).
Apesar das descrições dos corpos formosos das prostitutas cabe ressaltar que o objeto de desejo se diferencia muito do erotismo em si. No entanto, este deve passar pelos corpos formosos com o fim de tornar sensíveis os signos que levarão à instauração da fusão e da deslocação do pessoal e dos limites da racionalidade. Aqui, o objeto do
234 Pediram cervejas e dançaram se misturando entre os casais de noivos. Talvez Mónica estivesse aí com Óscar, como antes com ele. Talvez tivessem ido em algum momento, cansados, e agora falavam com a luz desligada. Falariam dele. Do tempo que, por sua culpa, estiveram separados. Às quatro da manhã Quica deu um bocejo e Silanpa foi pagar.
desejo está encarnado por diferentes mulheres, que através de sua beleza, provocam diferentes reações animais e irracionais dentro dos homens que as rodeiam e as procuram para satisfazer suas necessidades sexuais e eróticas. Isto em palavras de Bataille: “A prostituição propriamente dita não introduz senão a prática da venalidade.
Pelo cuidado que ela dá aos seus adereços, pelo cuidado que tem com sua beleza, que os adereços põem em relevo, uma mulher considera a si mesma como um objeto que ela, constantemente, propõe à atenção dos homens. Igualmente, se ela se desnuda, revela o objeto do desejo de um homem, um objeto distinto, individualmente proposto à apreciação. ” (BATAILLE, 1988: 86).
De maneira que, o prostíbulo encarna um objeto de desejo em si, pois surge como um elemento complementar nos processos transgressores das personagens, organizando a vida diurna e noturna com o objetivo de dividir a vida em dois âmbitos: o âmbito diário do trabalho e das relações sociais e; o âmbito noturno do prazer, do gozo e do desenfreio sexual. Assim, o aspecto infernal deste espaço, apesar de ser mal visto pela maior parte da sociedade, está vinculado diretamente com o sagrado, na medida em que o desejo de violar a proibição desata transgressões que levam os indivíduos a procurar e se aproximar de experiências quase divinas, sensoriais e sacras: “Llegó al San Remo veintisiete minutos después. La mitad del salón estaba lleno. Al fondo, en varias mesas, jóvenes semi-desnudas se acariciaban con clientes borrachos. En la pista dos mujeres bailaban la lambada en bikini haciendo gestos obscenos”235 (GAMBOA, 1997: 124). Ao lado disto é preciso observar que em nenhuma parte do romance as personagens se envergonham em frequentar os prostíbulos e de se relacionar com as prostitutas, pelo contrário, suas histórias com elas são quase triunfos que ratificam a
“hombridade” de cada um deles:
-Pero eso no es nada –le dijo-. Una vez me tocaron dos hembritas de lo más coquetas, montadoras y todo. Llamé a Wilber por el radioteléfono, un colega de la central que es la cagada para las viejas, y le dije que nos encontráramos cerca del aeropuerto. Las hembritas pura descarga, le juro, pero al invitarlas al motel dijeron que había que pagar, que sin billete nada, ¿se imagina el desinfle? Las llevamos de todos modos y al final Wilber les metió un cheque chimbo236 (GAMBOA, 1997: 161).
235 Chegou a San Remo vinte e sete minutos depois. A metade do salão estava cheio. Ao fundo, em várias mesas, jovens seminuas acariciavam-se com clientes bêbados. Na pista duas mulheres dançavam lambada em biquínis, fazendo gestos obscenos.
236 - Mas isso não é nada. -disse-lhe-. Uma vez tocaram-me duas gostozinhas das mais sedutoras, montadoras e tudo. Chamei Wilber pelo celular, um colega da central que é mulherengo, e lhe disse que nos encontrássemos perto do aeroporto. As mulheres eram um fucarão, juro-lhe, mas ao convidá-las ao
Consequentemente, o prostíbulo de Perder es cuestión de método está vinculado com as classes sociais baixas da capital bogotana. Isso está posto em evidência na linguagem usada para expressar sobre as mulheres e para lembrar a negociação do coito, na localização periférica e na ocupação profissional de seus visitantes: motoristas de táxi, operários, caminhoneiros, pedreiros, ladrões, vendedores ambulantes e jornalistas de nota vermelha. Disso pode ser deduzido que graças à relação que as personagens têm com a periferia e com as zonas escuras da cidade, pode ser realizado um afastamento das proibições e da má imagem que a sociedade em geral tem destes lugares caóticos, pecaminosos e infernais, dando desta maneira maior liberdade para entregar aos impulsos animais e aos desejos da carne. Portanto, o prostíbulo é um lugar transgressor que cria novas possibilidades de relação com a linguagem, com os corpos e com a cidade. Ao pôr o profano e o sagrado no mesmo nível, consegue colocar também em
Consequentemente, o prostíbulo de Perder es cuestión de método está vinculado com as classes sociais baixas da capital bogotana. Isso está posto em evidência na linguagem usada para expressar sobre as mulheres e para lembrar a negociação do coito, na localização periférica e na ocupação profissional de seus visitantes: motoristas de táxi, operários, caminhoneiros, pedreiros, ladrões, vendedores ambulantes e jornalistas de nota vermelha. Disso pode ser deduzido que graças à relação que as personagens têm com a periferia e com as zonas escuras da cidade, pode ser realizado um afastamento das proibições e da má imagem que a sociedade em geral tem destes lugares caóticos, pecaminosos e infernais, dando desta maneira maior liberdade para entregar aos impulsos animais e aos desejos da carne. Portanto, o prostíbulo é um lugar transgressor que cria novas possibilidades de relação com a linguagem, com os corpos e com a cidade. Ao pôr o profano e o sagrado no mesmo nível, consegue colocar também em