4 DESIGN DA INFORMAÇÃO
4.1 Linguagem visual e gráfica
Twyman (1985) classifica dois diferentes tipos de linguagem, sendo uma com abordagem linguística, que compreende a linguagem falada e a escrita e outra estudada por designers gráficos (ou de informação), a linguagem visual. (Figura 22).
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Figura 22 - As diferentes abordagens de linguagem realizadas por linguistas e designers gráficos.
Fonte: elaboração do autor, baseado em Twyman (1985).
Twyman (1985) adentra mais profundamente na conceituação de linguagem visual, distinguindo-a em dois tipos: a linguagem gráfica e a não gráfica. A linguagem visual não gráfica é caracterizada por gestos ou expressões faciais enquanto a linguagem gráfica é caracterizada por marcas produzidas por máquinas ou por desenhos feito à mão. Sua principal função é a transmissão de ideias e informações através de palavras escritas, imagens e formas e permite a transmissão de conteúdo com uma eficiência muito superior à linguagem verbal. Entre suas vantagens está a facilidade de representação, que permite comunicar ideias grandes e complexas, como o caminho vertical a ser percorrido em uma montanha.
Twyman também sugere que se leve em consideração oito fatores variáveis ao utilizar a linguagem gráfica:
A. Objetivo: se a intensão é transmitir informações ou persuadir;
B. Conteúdo da informação: a essência da informação ou outra mensagem a ser transmitida;
C. Configuração: diferentes formas de organizar os elementos gráficos espacialmente;
D. Modo: se será utilizada a linguagem verbal, pictórica, esquemática ou a junção de dois ou mais deles;
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E. Meios de produção: as imagens serão feitas à mão ou por máquinas / computadores?
F. Recursos: em termos de habilidades disponíveis, instalações, verba e tempo;
G. Usuários: levar em conta fatores como idade, habilidades, treinamento, interesses e experiências anteriores;
H. Circunstâncias de uso: o usuário estará visualizando bem confortável em uma biblioteca, por exemplo, ou sob circunstâncias estressantes, como em um veículo em movimento?
Horn (1998) afirma que através da linguagem gráfica pode-se apresentar coisas que seriam difíceis ou até mesmo impossíveis de serem expressadas através da linguagem verbal ou escrita. Twyman (1985) ainda divide a linguagem gráfica em três subgrupos, de acordo com a Figura 23.
Figura 23 - Subgrupos que compõem a linguagem gráfica visual.
Fonte: elaborado pelo autor com base no esquema de Twyman (1985, p.246).
A. Linguagem verbal: são as representações de linguagem falada, a palavra escrita, sinais de pontuação e caracteres especiais;
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B. Linguagem pictórica: consiste nas representações gráficas não verbais, como fotografias, ilustrações, símbolos ou desenhos;
C. Linguagem esquemática: a linguagem esquemática geralmente é um componente que combina a verbal e a pictórica e é esquemática. Tabelas, mapas ou diagramas são considerados
representações esquemáticas (TWYMAN 1985).
Twyman (1979) propõe uma divisão dos elementos da linguagem gráfica em duas categorias de acordo com a relação que os usuários têm com a linguagem visual. O autor utiliza uma tabela em que as colunas representam as variáveis relativas ao modo de configuração e as linhas representam os modos de simbolização (Tabela 1). Enquanto as colunas apresentam a estratégia de organização gráfica a ser utilizada (“Linear puro”, “Linear interrompido”, “Lista”, “Linear ramificado”, “Matriz”, “Não-linear dirigido” e “Não- linear aberto”), as linhas expõem a forma como os elementos são simbolizados (“Verbal”, “Pictórico/verbal”, “Pictórico” e “Esquemático”).
Tabela 1 - Matriz de Twyman.
Fonte: elaboração do autor, baseado no original “A Schema for the Study of Graphic Language” de Twyman (2002, p.120).
Na figura 24 é apresentado um esquema breve da visualização das células, onde os círculos apontam o início e o fim de uma sequência linear enquanto que barras oblíquas e paralelas (//) representam a interrupção da leitura. Os caracteres “abc” retratam o modo de simbolização verbal e o pictograma de uma pessoa representa o modo pictórico.
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Figura 24 - Exemplos de análise sintática de linguagem gráfica.
Fonte: modelos de análise sintática de linguagem gráfica aplicados a interfaces de smartphones (2014, p. 5)
A representação gráfica de um croqui de escalada é, substancialmente, uma representação esquemática, que combina elementos pictóricos e verbais e, segundo a matriz de Twyman, se encaixaria na célula de número 28 da Tabela 1, de um sistema não linear aberto com representação esquemática, apesar de possuir início, meio e fim. O autor assume que não há uma limitação na categorização das informações apresentadas e que pode haver uma flexibilidade entre os limites da tabela (Twyman, 1979), o que permite que se possa pensar o croqui de escalada como uma representação esquemática não linear e dirigida (célula 27 da Tabela 1), pois encaminha o leitor a uma leitura linear, que inicia na base da via e a conclui no cume (ou última parada).
O croqui é um artefato que se utiliza da linguagem esquemática, combinando elementos verbais e pictóricos para representar o caminho e as particularidades da atividade de escalada. A linguagem esquemática é amplamente utilizada por utilizar símbolos cujo objetivo é terem reconhecimento universal e de fácil assimilação combinados com elementos da linguagem verbal que complementem o sentido da
mensagem a ser transmitida. Detalhes desnecessários são omitidos e traços simbólicos e simplificados são utilizados, permitindo a compreensão por usuários familiarizados com os elementos icônicos e diagramas utilizados, tornando visível realidades invisíveis (COSTA,
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2003). A linguagem esquemática é amplamente utilizada na composição de tabelas, diagramas, infográficos, mapas e croquis.
Os mapas e os croquis de escalada representam o arranjo físico de uma superfície geográfica real e descrevem aspectos do ambiente em uma escala menor que a real, dando suporte à realização de uma tarefa como o deslocamento para algum lugar através da percepção da localização e visualização de uma rota que permita explorar um
ambiente desconhecido.