2 APRENDIZAGEM COLABORATIVA
2) OS DESENVOLVEDORES DO AMBIENTE:
2.3.2 Lista de Discussão
Listas de discussão são sistemas onde vários endereços de correio eletrônico, de diferentes usuários, são registrados sob um endereço principal. As mensagens enviadas para o endereço principal são automaticamente enviadas aos usuários registrados sob o mesmo. As listas de discussão são centradas em assuntos de interesse de seus integrantes, sendo que algumas possuem administradores, cujo papel é decidir censurar ou não mensagens cujo assunto não pertença ao discutido na lista. Em algumas configurações, mensagens enviadas de endereços registrados na lista não são censuradas e vão diretamente a seus destinatários e mensagens remetidas a partir de endereços não registrados são filtradas pelo administrador.
É uma lista de endereços eletrônicos que usando o e-mail tem a função de distribuir mensagens de um componente do grupo para o grupo todo. A pessoa inscreve- se nesta lista e começa a participar de uma comunicação coletiva, onde todos os que falam são ouvidos por todos, e todos os que ouvem, podem falar. As listas de discussão são criadas baseadas em um tema específico e sobre este tema deve-se discutir. Quando uma pessoa utiliza a lista para falar de temas não pertinentes ao proposto sua mensagem é enquadrada na categoria off-topic e então pode ser advertida pelo grupo ou moderador. O moderador é uma pessoa que se preocupa em manter o bom senso e o equilíbrio nos debates.
Uma lista pode ter um único moderador ou um conjunto destes. Pode-se inscrever em uma lista de discussão se esta estiver aberta ao público geral ou a partir de um perfil específico requisitado ou de alguma indicação de quem dela já participe. Sobre o recebimento das mensagens enviadas à lista, este pode ocorrer no momento do envio ou ser determinado que as mensagens sejam agrupadas durante um período de tempo e sejam deliberadas para a caixa de correio numa freqüência de tempo programada, chamando-se digest. Então, pode-se inscrever para receber normalmente os
e-mails (um a um) ou em digest (em conjunto). O digest ao mesmo tempo em que
organiza o tempo do leitor/assinante de acordo com sua vontade o restringe de responder mensagens da lista mais freqüentemente, pois só poderá responder quando do recebimento do digest. As listas de discussão foram as primeiras tecnologias responsáveis pela dinamização social do ciberespaço. Além disso, as discussões da lista
podem estar disponíveis on-line para que qualquer pessoa possa acessar. Na colaboração as listas de discussão podem ser empregadas para:
Partilhar material digital (textos e imagens principalmente) para a
Partilhar informações e URLs de websites;
Dinamizar a compreensão do processo de produção de
Divulgação de eventos;
Explicitar várias opiniões sobre um mesmo assunto, apontando a
Permitir que pessoas com menor conhecimento sobre determinado assunto estejam em contato com outras mais entendidas, permitindo a disseminação do conhecimento;
Permitir que as pessoas mostrem sua produção a outros para que tenham acesso e deixem suas opiniões (normalmente um produto textual ou visual), se a produção for referente a arquivos de som ou material audiovisual o ideal é que sejam publicados na web e que pela lista seja divulgado o endereço do site na web
Fomentar amizades entre desconhecidos que tenham interesses afins;
Estimular a formação de grupos para a produção colaborativa. 2.3.3 Newsgroup
O Newsgroup é outra ferramenta importante da Internet porque ela permite a difusão de informações entre usuários de uma comunidade ou grupo de interesse (protocolo NNTP – Network News Transfer Protocol). Esta ferramenta realiza esta tarefa através do processo similar ao que ficou conhecido como eletronic bulletinboard
(da Usenet3), onde as informações (artigos, mensagens etc.) são postadas (posted) por usuários autorizados e, então, difundida (broadcast) para o grupo de assinantes. Neste ambiente as mensagens são trocadas através de e-mail. A formação de um grupo acontece entre usuários com interesse comuns, por assunto, organizados em uma estrutura hierárquica. Existem milhares de grupos de interesse e novos grupos são constantemente criados ou eliminados.
Grupos de discussão, Grupos de Notícias ou Newsgroups, são espécies de fóruns. As comunidades do Orkut também seguem um molde parecido com os
newsgroups, porém com muitas limitações. São incomparavelmente inferiores aos newsgroups.
Tanto os fóruns da Web como as comunidades do Orkut, são acessadas pelo navegador (e.g. Firefox, Internet Explorer, Netscape etc.), através de um endereço de uma página. Entretanto, para acessar os newsgroups é preciso o leitor, chamado
newsreader (Leitor de Notícias). Um popular leitor de newsgroup é o Outlook Express,
esse mesmo que vem com o Internet Explorer e é usado para acessar e-mails, pois além de ser cliente de e-mail ele tem capacidade de acessar servidores de newsgroups, mas com algumas limitações.
Em alguns casos, também é possível acessar os mesmos grupos de discussão via navegador, mas isso se o administrador do servidor disponibilizar esse recurso. Porém, acessando via navegador deixa-se de usar o serviço newsgroup de fato, passando a utilizar um simples fórum da Internet.
3Usenet (do inglês Unix User Network) é um meio de comunicação onde usuários postam mensagens de texto (chamadas de "artigos") em fóruns que são agrupados por assunto (chamados de newsgroups). Ao contrário das mensagens de e-mail, que são transmitidas quase que diretamente do remetente para o destinatário, os artigos postados nos newsgroups são retransmitidos através de uma extensa rede de servidores interligados. O surgimento da rede data de 1979 e a maioria dos computadores participantes naquela época se comunicava através de conexões discadas por um protocolo chamado de UUCP, mas com a popularização da Internet nas décadas de 80 e 90 o sistema passou a funcionar quase que completamente baseado no protocolo NNTP da família de protocolos TCP/IP. O programa chamado INN é hoje o servidor mais utilizado para conectar as máquinas que fazem parte da rede Usenet.
Basicamente, um newsgroup funciona assim:
1) Alguém envia uma mensagem para o grupo e a posta;
2) Essa mensagem fica armazenada no servidor do news e qualquer pessoa que acessar o servidor e o grupo, onde essa mensagem foi postada, poderá visualizá-la, respondê-la, acrescentar algo, discordar, concordar etc. A resposta também fica armazenada no servidor e, assim como a mensagem original, outras pessoas poderão responder. Cada servidor possui diversos grupos dentro dele, divididos por tema.
Atualmente, a maior rede brasileira de Newsgroups é a U-BR (http://u-br.tk ). A U-BR foi criada após o UOL ter passado a não disponibilizar mais acesso via NNTP (via Gravity4, Outlook Express, Agent etc.) para não-assinantes. De certa forma, isso foi bom, pois acabou obrigando os usuários a buscar uma alternativa.
A grande vantagem da U-BR, é que ela não possui um servidor central, ou seja, se um dos servidores dela ficar fora do ar ela pode ser acessada usando um outro servidor. Para acessar o news, é preciso usar um programa cliente, o newsreader. Um dos mais populares é o Outlook Express, da Microsoft, mas não é o melhor. O mais recomendado é o Gravity, da Micro Planet. Para usuários do Linux o mais recomendado é o Pan Newsreader (também disponível para Windows).
Os Newsgroups podem ser empregados na colaboração para:
que
pessoas mostrem sua produção a outros para que tenham acesso e deixem suas opiniões (normalmente um produto textual ou visual), se a produção for referente a arquivos de som ou material audiovisual o ideal é que sejam publicados na web e que seja divulgado via Newsgroup o endereço do site na web;
4 O Gravity é um newsreader (leitor de newsgroup), assim como o Outlook Express, o Agent e outros, porém não é cliente de e-mail. Cliente de e-mail é um programa de computador que permite enviar, receber e pers onalizar mensagens de e-mail.
Explicitar várias opiniões sobre um mesmo assunto, apontando a opinião da maioria;
Permitir que pessoas com menor conhecimento sobre determinado assunto estejam em contato com outras mais entendidas,
Envio ou coleta de material digital (textos e imagens principalmente) para a fonte comum.
23.4 Chat
Por ora, a ferramenta mais presente nos ambientes colaborativos é o Chat. Frente a sua popularidade, não se faz necessário justificar sua importância, mas apenas resgatar de modo breve as diferentes características presentes, ou por assim denominada, a evolução e adequação desta ferramenta à finalidade de apoiar a aprendizagem colaborativa. Com a finalidade de troca de mensagens, o Chat permite tanto o envio de mensagem a todos os participantes, como a um participante em específico. Esta mensagem ainda pode ser vista por todos ou apenas por quem a recebe, para manter um diálogo reservado.
O usuário utiliza esta ferramenta com o objetivo de comunicação com outros usuários. O bate-papo oferece comunicação síncrona entre os mesmos. É possível a organização de salas de discussão, separadas por assuntos ou grupos de pessoas. Em uma sala de discussão, é possível a visualização de quais integrantes da equipe estão participando da conversação. Um recurso adicional é a possibilidade de armazenamento do texto produzido pela equipe.
O IRC - Internet Relay Chat, ou apenas Chat, é o serviço para a comunicação síncrona que permite aos usuários a implementação de sistemas de conversação do tipo bate-papo ou de conferência (meeting), que permitem o debate em tempo real, na modalidade texto (escrito). Ao mesmo tempo em que a mensagem está sendo escrita, de um lado da rede, ela pode ser lida e, em seguida, respondida pelo usuário do outro lado. Nesta mesma linha surgiram produtos de software que com o auxílio de câmaras portáteis também possibilitam bate-papo entre pessoas, com transmissão de imagens,
através da Internet/Web. Alguns destes sistemas permitem a conferência entre várias pessoas, através de estações refletoras de imagens e sons.
Uma característica importante é o fato de permitir ou não a visualização do texto enquanto ele é digitado ou apenas após a finalização (neste caso, geralmente após digitar o texto, deve-se clicar em um botão do tipo enviar). A situação em que é permitida a visualização do texto em tempo de digitação parece ser a priori mais adequada, pois não gera um tempo ocioso para o restante do grupo, que estaria esperando a mensagem. Porém na outra situação, o estudante tem a possibilidade de revisar o texto antes de enviar.
Várias características adicionais têm sido implementadas como funcionalidade às ferramentas de chats tradicionais. Há, por exemplo, chats que permitem anexar arquivos de imagens em formatos gif, jpg, tif, entre outros tipos às mensagens, o que pode facilitar a explicação de algum tópico que está em discussão (KUMAR, 1996). Uma outra característica importante é registrar o histórico de uma sessão de chat. Nesta opção, um usuário que se conectou no ambiente mais tarde, pode verificar todas as mensagens trocadas enquanto ele estava ausente. Pode também salvar a sessão de chat em disquete. Estas funcionalidades foram implementadas no trabalho de Cohen (2000).
Recentemente, tem-se desenvolvido muitas pesquisas relacionadas ao papel da ferramenta de chat dentro de ambientes colaborativos. Algumas visam investigar quais características inerentes às ferramentas de chat propiciam formas de interação mais efetivas. Outras envolvem estudos sobre as formas de representação dos arquivos de log das conversações, com o intuito de facilitar a sua análise posterior. E outras, ainda, utilizam-se da ferramenta de chat para ajudar a desenvolver nos estudantes as habilidades inerentes ao debate.
Há, também, a utilização dos recursos de sentence openers (JOHNSON e JOHNSON, 1991). O termo sentence openers significa abridores de sentenças que podem, além de auxiliar a composição/ formação de frases, ajudar a prover uma análise sobre os diferentes tipos de contribuições feitas pelos estudantes durante o uso do chat. Os sentence openers são inícios de frases do tipo Eu concordo porque... ou Eu não concordo ... ou ainda Eu acho que.... Uma lista pré-definida de sentence openers pode
ser agrupada em tipos como declarações/afirmações, verificações/questionamentos, provocações/desafios, oposições e conclusões. O trabalho de Kuminek e Pilkington (2001) com a criação da ferramenta de chat Chatterbox, utilizou sentence openers não somente como uma forma de identificar as contribuições individuais dos estudantes e monitorar os níveis de sua participação, mas também como um recurso para ajudar a desenvolver a habilidade de debate por parte dos estudantes.
As salas de reuniões eletrônicas são sistemas que oferecem ambientes especiais com grande suporte de hardware e software, para apoiar reuniões face-a-face (BORGES et alii, 1995). Em geral, estes sistemas incluem assistência à preparação da pauta da reunião, à geração de idéias, à organização das idéias propostas e à tomada de decisão, envolvendo várias estações interligadas em rede, o uso de telões computadorizados e equipamentos de áudio e vídeo.
As salas eletrônicas têm sido usadas como salas de aula em experimentos que buscam obter uma maior satisfação de alunos e professores e introduzir novas propostas educacionais adequadas à tecnologia disponível. Nas salas eletrônicas, as aulas são ministradas sincronamente, estando alunos e professor distribuídos geograficamente ou não. As conferências permitem que seus participantes troquem informações em tempo real, sendo amplamente utilizadas na Internet, o exemplo mais comum é o chat. Um chat, entretanto, só permite a troca de informações textuais. Sistemas mais avançados que permitem a troca de áudio e vídeo são conhecidos como sistemas de teleconferência (em geral, envolvem transmissão via satélite) e de videoconferência (aquelas apoiadas pelas redes de computadores). Antigamente, estas conferências eram realizadas em salas especiais, com isolamento acústico e iluminação especial. Hoje, com o avanço da tecnologia, isto já não é mais uma preocupação.
Diversos fabricantes oferecem equipamentos que atendem reuniões desde grandes grupos (em salas) até equipamentos individuais (desktop videoconferencing). São ambientes virtuais que possibilitam um diálogo entre duas ou mais pessoas em tempo real. Os chats são baseados principalmente em textos, cores e emoticons (imagens que servem para ilustrar as emoções). Os MUDs (sigla de Multi-user dungeon,
dimension, ou por vezes domain é um RPG5 multijogadores, que normalmente é executado em uma BBS ou em um servidor na internet) são espaços de conversação que possuem um cenário visual, muitas vezes tridimensionais que reservam para as pessoas envolvidas na conversação a roupagem de avatares, e permitem a interação entre esses avatares por textos, toques e aproximações físicas virtuais.
A comunicação sincronizada dos chats e muds tem o mesmo inconveniente que o telefone, os participantes devem estar ao mesmo tempo conectados para que possam se comunicar. Usam a metáfora de ambientes de conversação. Há a necessidade de ambientes de chat ou muds que funcionem de maneira restrita a um grupo de participantes, baseado em permissões. São sistemas que oferecem um sentimento de “presença-real” que pode conduzir a uma forte pressão social para respeito às normas do grupo. Como podem necessitar de permissões, os participantes devem, antes de inscreverem-se para o chat ou mud, firmar que estão conscientes das regras vigentes. Para a colaboração podem ser empregados para:
Tomada de decisão a curto prazo;
Simulações do processo produtivo presencial;
Apoio à pesquisa coletiva em tempo real;
Momentos de descontração;
Negociação “face a face” dos limites de afinidade entre desconhecidos;
Conversas sobre a qualidade da fonte comum;
Estimular a formação de grupos para alguma produção baseada na colaboração.
2.3.5 Conferência
As conferências são sistemas que permitem o registro de perguntas e respostas, similar às listas de discussão, com a diferença de que as mensagens são mantidas em local que os usuários podem acessá-las quando desejarem lê-las. As mensagens são normalmente exibidas em uma estrutura de árvore e alguns fóruns exigem que seus usuários estejam cadastrados, oferecendo em compensação a possibilidade de notificação, via correio eletrônico, de que suas mensagens foram respondidas.
É uma telememória organizada por temas e opiniões num modelo de threads, que significam o conjunto de respostas e mensagens relativas a um determinado assunto em grupo de discussão. É criada a partir de entradas de opiniões, perguntas, temas para discussões e respostas a estes, a partir do uso do email ou formulário. Basicamente estrutura-se em: questão, réplica e tréplica. Um formulário é formado de campos para entrada de dados numa telememória
As conferências podem permitir uma forma mais estruturada de trocar perguntas e respostas, opiniões e argumentos que o correio eletrônico, por manterem a totalidade da discussão aberta on-line no ciberespaço. A força das conferências está na sua estrutura e os pontos fracos são os mesmos que o email e listas de discussão, por exemplo, o anonimato pode conduzir à redução dos sentimentos de responsabilidade e confiança. O número de conferências disponíveis, por exemplo, no Yahoo Groups é muito grande e as pessoas não podem se ver todas entre si. Ao mesmo tempo, as regras elaboradas pelo Yahoo no sentido de formar novas conferências a cada novo tema que se afaste do tema central de dada conferência faz iniciar-se uma nova conferência e não sobrecarrega demasiado uma única conferência. É a relação entre ferramenta e política. As limitações da tecnologia de controlar o processo de comunicação são supridas pela política de uso.