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A UFPB foi criada em meados do século XX, em 1955, a partir da integração das diversas instituições públicas e privadas56. Desde então, possui uma característica

multicampi57; ou seja, além da existência do campus-sede, localizado na capital, já havia

outros campi espalhados no interior do Estado.

No início do século XXI, com o objetivo de expandir, manter a caracterização peculiar multicampi, bem como promover mais autonomia às unidades envolvidas, dá-se a criação da 56Escolas e Faculdades Isoladas, sendo as públicas incorporadas: Faculdade de Filosofia, Faculdade de

Odontologia, Escola Politécnica (Campina Grande), Escola de Enfermagem; e as privadas agregadas: Faculdade de Direito, Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências Econômicas, Faculdade de Engenharia, Escola de Serviço Social. (RODRIGUES apud BEZERRA, 2006, p. 42)

57A partir de sua federalização, em 1960, essa Instituição desenvolveu uma crescente estrutura multicampi,

distinguindo-se, nesse aspecto, das demais universidades federais do sistema de ensino superior do país que, no geral, são “unicampus”, com atividades concentradas num só espaço urbano. Essa singularidade expressou-se por sua atuação em sete campi implantados em cidades diferentes – João Pessoa, Campina Grande, Areia, Bananeiras, Patos, Sousa e Cajazeiras (UFPB, 2016b, p. 22).

Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), desmembrada da UFPB e composta por mais mais três campi58, por meio da Lei nº 10.419/2002 (UFPB, 2016b, p. 22).

Em meados da primeira década deste século, a estrutura física e acadêmica da UFPB sofreu outras mudanças, ampliando-se ainda mais, especialmente com a adesão à Política de Expansão das IFES, por meio de um Programa para Interiorização das IFES – em 2005, criado como ampliação, por via pública, do acesso à educação superior no interior do Estado. Acrescenta-se, sobretudo, a adesão da UFPB, em 2007, ao REUNI, pelo Decreto nº 6.096/2007, que tinha como objetivo “criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível de graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais” (BRASIL, 2016f, s/d). A partir dessas adesões, não só o número de alunos com acesso à UFPB se multiplicou, como também o número de campi e centros aumentaram.

Em 2006, por meio da Resolução nº 05/2006, foi criado, no interior do Estado, o Campus do Litoral Norte, que envolve os municípios de Mamanguape e Rio Tinto, e, como consequência, por meio da Resolução nº 06/2006, o Centro de Ciências Aplicadas e Educação (CCAE). Outrossim, em 2007, criou-se, no Campus-sede, o Centro de Ciências Médicas (CCM), a partir do desmembramento do curso de Medicina dos demais da área de saúde (Resolução nº 21/2007). Em 2009, por meio da Resolução nº 04/2009, o CTDR e, em 2011, o Centro de Informática (CI), o Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR), o Centro de Biotecnologia (CBiotec) e o CCTA, respectivamente, por meio das Resoluções de nºs 25/2016, 27/2016, 31/2016 e 43/2016 (UFPB, 2016d, p. 12-13).59

Com isso, atualmente a UFPB, além dos treze Centros distribuídos na grande João Pessoa e área metropolitana, possui outros três campi, localizados no interior do Estado – Areia, Bananeiras, Mamanguape e Rio Tinto –, cada um com único Centro, o que compreende um total de dezesseis Centros em quatro campi.

Diante da dimensão dessa estrutura física e acadêmica e do limite de tempo previsto para realização da pesquisa, fizemos um recorte estratégico na delimitação do seu universo, realizando a pesquisa no CCTA, por apresentar discentes com deficiência matriculados em cursos superiores, por ser ambiente (pessoal) de lotação profissional e por ter sido um dos

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Localizados nas cidades de Cajazeiras, Sousa e Patos, respectivamente, tornando-se os Campi II, III e IV, tendo em vista que o Campus I localiza-se na sede – Campina Grande (UFPB, 2016b, p. 22).

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Centros criados, em 2011, no contexto de expansão do acesso à educação superior, por meio da implantação do supracitado REUNI (2008 – 2012).

Saliente-se que a criação do CCTA deu-se a partir do desmembramento do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) – existente desde o ano de 1974, como um dos resultados da Reforma Universitária ocorrida em 1970. De acordo com a justificativa apresentada na proposta pedagógica para a criação do CCTA, tal desmembramento poderia “contribuir para a reorganização institucional e o fortalecimento de uma área estratégica e fundamental para o cumprimento da função social e educativa que tem a Universidade” (UFPB/CCHLA, 2011, p. 12). Vale ressaltar que, nesse Projeto Pedagógico, dentre vários objetivos propostos, em conformidade com um dos fins da UFPB, especificamente no que se refere à promoção de melhoria nas condições de vida do cidadão, enfatizamos dois, tendo em vista possibilitar inserção social plena, autônoma e independente:

c. atender as atuais demandas legais em que indicam a necessidade de todos os cursos desenvolverem ações pedagógicas que contemplem a formação de um profissional sensibilizado e adequadamente preparado para uma prática profissional e pedagógica eficiente, na sua respectiva área de atuação.

i. atender alunos, técnicos e professores com necessidades educacionais especiais dentro dos objetivos propostos pelo centro (UFPB/CCHLA 2011, p. 13-14).

E, especialmente, porque esses dois objetivos relacionam-se, diretamente, com um dos fins desta pesquisa, no que diz respeito à análise das estratégias de permanência das pessoas com deficiência em cursos do CCTA, em que a viabilização do objetivo “c” dependerá da viabilização do objetivo “i”. Não bastando, tão somente, políticas institucionais promovidas pelo CIA para a permanência com sucesso dos discentes com deficiência que necessitam de estratégias especializadas, tendo em vista que se faz necessário unidade e cooperação entre as políticas do CIA e “as ações pedagógicas” viabilizadas pelos profissionais do CCTA.

Em 2011, por ocasião do desmembramento do CCHLA, o CCTA surgiu já com 5 departamentos, 8 coordenações de cursos de graduação, 2 coordenações de cursos sequenciais e 3 coordenações de cursos de pós-graduação (UFPB/CCHLA, 2011, p. 22-23). Atualmente, com aproximadamente 13.000m2, divididos em edificações que abrigam salas de aula, ambientes para docentes, laboratórios, galeria de artes, coordenações de programas de pós- graduação, sala de concertos, cinema, estúdios de tv e de rádio e bloco administrativo com

Direção, Assessorias, SIAG, Sala de Reuniões e Coordenações de Cursos de Graduação e Sequencial. Há também a Pinacoteca, vinculada ao Departamento de Artes Visuais e instalada no prédio da Biblioteca Central (BC).

Após cinco anos de existência, conta com 7 departamentos, 12 cursos de graduação, 2 cursos sequenciais e 5 programas de pós-graduação; 185 docentes ativos, 76 servidores técnico-administrativos60 e 1774 discentes ativos.

Tabela 1 – Comparativo dos dados CCTA anos de 2011 – 2016

ANO DISCENTES

SERVIDORES SETORES/CURSOS

Docentes Técnico

administrativoDepartamentos Graduação Sequencial

Programas de Pós-graduação 2011 1796 132 45 5 8 2 3 2016 1774 185 76 7 12 2 5 Variação »»»»»»» -22 53 31 2 4 0 2

Fonte: Elaboração da autora, 2016, com base nas informações de 2011 apresentadas no Projeto Pedagógico para desmembramento e criação do CCTA, bem como pelas informações de agosto e setembro de 2016

do Sistema Integrado de Gestão de Planejamento e de Recursos Humanos, Demonstrativo do Pessoal Lotado no CCTA.

Entretanto, em meados do semestre 2016.1, dos 1.774 discentes com matrícula ativa 12 (0,67%) apresentavam diagnóstico de deficiência ou alguma necessidade educacional especial. Destes últimos, 50% (6) tinham diagnóstico de deficiência física, 33% (4) deficiência visual total, 8% (1) deficiência visual parcial e 8% (1) Transtorno de Déficit de Atenção com Altas Habilidades (TDAH), conforme representado em percentual no Gráfico 5.

60Os números de servidores docentes e técnico-administrativos foram coletados a partir do Sistema Integrado de

Gestão de Planejamento e de Recursos Humanos, Demonstrativo do Pessoal Lotado no CCTA, dia 18 de ago de 2016, https://sigrh.ufpb.br/sigrh/relatorios/form_relatorio_servidores_lotados.jsf, respectivamente, às 12:34 e 12:38. O número de discentes foram coletados a partir do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmi- cas (SIGAA), dia 12 set. 2016, com auxílio da assessora técnica do Sistema de Atendimento ao Graduando (SIAG) do CCTA.

Fonte: Elaboração da autora, 2016, a partir de dados coletados no CIA e confirmados na SIAG/CCTA.

Vale registrar que as informações sobre os discentes com deficiência e com necessidade de atenção especializada foram fornecidos pelo CIA, porém só após a aprovação do projeto de pesquisa no Comitê de Ética da UFPB. As informações diziam respeito a diagnóstico, curso, número de matrícula, recebimento ou não, pelo discente, de auxílio de apoiador e contato eletrônico da maioria. Apesar de esforços do CIA em repassar as informações atualizadas, o número e dados de alguns alunos não correspondiam à realidade, no que diz respeito à matrícula ativa. Como o nosso objetivo era realizar contato prévio com os discentes com deficiências – antes da entrevista – e aplicar os instrumentos apenas com aqueles regularmente matriculados, dirigimo-nos à SIAG para confirmar se a matrícula estava ativa ou não. Para nossa surpresa, dos 20 alunos inicialmente informados pelo CIA, apenas 12 estavam com matrículas ativas. Quanto aos demais, 04 haviam concluído os seus respectivos cursos com sucesso, 03 estavam como matrículas canceladas e 01 sem cadastro61.

Conforme veremos posteriormente, do total de 12 discentes, apenas 6 (50%) participaram das entrevistas, em virtude de não termos conseguido localizar nem contatar todos, por meio dos contatos informados pelo CIA e pela SIAG, durante o período para execução da pesquisa de campo.

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Ao que tudo indica, teria ingresso no primeiro período do semestre 2016.2. Física 50,00% Visual - Parcial 8,33% Visual -Total 33,33% TDAH 8,33%

Gráfico 5 - Matrícula de discentes com deficiências ou necessidade educacional no CCTA