3. Canais de Distribuição e Economia de Custos de Transação: Ferramentas de Gestão para
3.1. Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos
Quando se trata de produção, seja ela agropecuária ou industrial, cada elo da cadeia produtiva é importante. Tem-se uma visão sistêmica da produção, assim, cada falha deve ser considerada e impacta fortemente nos demais elos. O que interliga cada elo das cadeias produtivas é a logística, é ela que faz com que os serviços sejam disponibilizados e os produtos sejam distribuídos até o consumidor final. Novaes (2001, p. 36) define logística como o processo de planejar, implementar e controlar, de maneira eficiente e eficaz, o fluxo e a armazenagem de bens, serviços e informação relacionada, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de adequar às necessidades dos clientes.
Para Naves (S/D), a logística conecta todos os agentes econômicos e ambientes institucional e organizacional da cadeia produtiva. “Ela é o elo que transporta e disponibiliza os insumos, os equipamentos, a tecnologia, os recursos humanos, a produção e concretiza a comercialização dos bens produzidos. Ela materializa os valores de tempo, espaço e qualidade ao bem produzido (NAVES, S/D, p.1)”.
De acordo com Campeão, Ferreira e Teixeira (2009), a logística não compreende somente o transporte de mercadorias, representa, também, toda a movimentação de bens e serviços da sua origem até o consumidor. O transporte gera o fluxo físico dos bens pelos canais de distribuição, assim pode-se utilizar diferentes tipos de modais de transporte para chegar ao armazenamento ou consumo final.
Na compreensão geográfica, Castillo (2007, p.37) define logística como:
“conjunto de competências infraestruturais (transportes, armazéns, terminais intermodais, portos secos, centros de distribuição, etc.), institucionais (normas, contratos de concessão, parcerias público privadas, agências reguladoras setoriais, tributação, etc.) e estratégicas (conhecimento especializado detido por prestadores de serviços ou operadores logísticos) que, reunidas num subespaço, podem conferir fluidez e competitividade aos agentes econômicos e aos circuitos espaciais produtivos”.
No Brasil, um dos fatores mais importantes para o setor produtivo, é o fator logístico. A falta de infraestrutura logística faz com que a competitividade dos produtos brasileiros fique abaixo dos demais países produtores. Novaes et al. (2010) observam que a logística e a infraestrutura são apontadas pelas principais empresas do agronegócio pelo encarecimento dos produtos brasileiros frente aos demais produtos no mercado mundial. Estes agentes associam o problema ao governo, que por muitos anos não fez investimentos consideráveis neste setor. Cotrim e Machado (2011), analisando um caso sobre a distribuição de produtos perecíveis em Goiânia – GO, afirmam que as empresas do agronegócio brasileiro passam por problemas relacionados tanto com a logística de suprimentos (cadeia de suprimento) quanto com a de distribuição (canais de distribuição), e que em algumas regiões do país a infraestrutura é mais precária que em outras. Castillo (2007), por sua vez, destaca que no caso do Centro-Oeste, além dos investimentos estatais, é necessário que o setor privado também se mobilize, já que são eles os que mais utilizam os modais de transporte disponíveis nesta área.
Naves (2007) relembra que a logística brasileira é ineficiente, principalmente a parte relacionada aos produtos de origem agropecuária, isso devido às especificidades, como perecibilidade; sazonalidade; capacidade e infraestrutura de armazenagem deficientes; distância da produção até os consumidores ou portos; utilização do modal rodoviário, que tem custos altos comparados aos ferroviário e hidroviário; estradas em péssimas condições de
asfalto e até mesmo sem asfalto; quantidade insuficiente de caminhões nas épocas de safra, etc. Todos esses itens citados são traduzidos em altos custos logísticos, trazendo perda de vantagem competitiva aos produtos brasileiros.
Os produtos derivados do extrativismo não madeireiro ainda são mais sensíveis à ineficiência logística brasileira. As grandes empresas e produtores de commodities sofrem grandes entraves e problemas relacionados à logística, o problema é maior quando se trata de produtos do extrativismo, que já são retirados em áreas de difícil acesso, geralmente, por pessoas que não têm conhecimento de mercado. Os agroextrativistas participam de mercados que possuem regras estabelecidas, e eles devem garantir a regularidade da oferta e a qualidade dos produtos, porém “para se garantir um fornecimento constante de produtos com um padrão de qualidade exigido pelo mercado, é necessária uma boa estrutura de transporte, armazenamento e de beneficiamento, além da disponibilidade de capital, conhecimento e tecnologia (DINIZ, 2008, p.47)”.
Devido aos grandes problemas encontrados na comercialização e distribuição dos produtos derivados do extrativismo, tem-se na logística integrada uma forte aliada para essa função. Quando se tem um fluxo de informações rápidas e coerentes, confiança entre os participantes da cadeia produtiva e coesão entre os mesmos, é muito mais fácil se ter produtos de qualidade e clientes satisfeitos no mercado (DINIZ; FIGUEIREDO, 2007). No caso dos produtos derivados do extrativismo, os canais de distribuição utilizados colaboram ou não para a logística integrada, já que são produtos coletados e beneficiados longe dos polos consumidores, necessitando de transporte e armazenamento adequado, bem como um fluxo de informações delimitando quantidade, qualidade e satisfação do cliente a montante da cadeia.
Com a integração dos processos logísticos, chegamos a um termo mais adequado, que considera fortemente o papel das informações entre os participantes da cadeia com início no cliente final, desencadeando todos os processos até chegar ao produtor primário, formando assim a Gestão da Cadeia de Suprimentos. Slack, Chambers e Johnston (2008) afirmam que:
“A gestão da cadeia de suprimentos é a gestão da interconexão das empresas que se relacionam por meio de ligações à montante e à jusante entre os diferentes processos, que produzem valor na forma de produtos e serviços para o consumidor
final. É uma abordagem holística de gestão através das fronteiras das empresas (p.415)”.
A Gestão da Cadeia de Suprimentos pode desempenhar um importante papel no auxílio do desenvolvimento de comunidades locais. Diniz e Fabbe-Costes (2007) afirmam que além do desenvolvimento local, outras questões ambientais também podem ser influenciadas, como soluções de transporte mais eficientes e sustentáveis, com uma infraestrutura que contribua com a conservação do meio ambiente. Porém, a solução não está somente na Gestão da Cadeia de Suprimentos, os participantes da cadeia, agroextrativistas, cooperativas, organizações internacionais, entre outras, devem alinhar seus esforços não somente direcionados para a parte técnica e comercial, é preciso ter uma visão global das influências de todos os agentes e da sua importância em toda a cadeia.