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LUGAR DO SERVIÇO

No documento Tipologia Bíblica (páginas 197-199)

D

e modo geral, não podemos esperar que os tipos ofereçam

um retrato de todos os aspectos de seu antítipo, porque não passavam de “sombra das coisas boas vindouras”. Entretanto, o assunto diante de nós é tão pleno de conteúdo que, ao comparar as figuras, parece que temos uma ilustração quase completa da posição do crente. Isso se nota claramente quando estudamos o lugar de serviço dos levitas, pois vemos os sacerdotes e levitas no deserto, na terra e no santuário, e desse modo vemos o aspecto tríplice do lugar para onde fomos chamados para servir e adorar. N ão se trata de alguns no deserto, alguns na terra e alguns no santuário, mas de cada crente reconhecer sua posição em cada um desses lugares ao mesmo tempo.

Talvez seja verdade que os quarenta anos de peregrinação no deserto não era o propósito de Deus para Israel. N ão são mencio­ nados em Hebreus 11 nos registros da fé, porque não foi “pela fé” que peregrinaram, mas por causa da incredulidade. Lemos, todavia, que “todas essas coisas”, inclusive suas falhas constantes, “lhe aconteceram como exemplos” ou tipos. Se tivessem tido fé plena, a ponto de levarem poucos dias entre a travessia do mar Vermelho e o Jordão, teríamos ficado sem o belo quadro de Núm eros 4, o testemunho no deserto, à medida que cada família da tribo de Levi levava seu próprio pedaço do tabernáculo de lugar a lugar. Nós também estamos no deserto e fomos chamados para viajar através dele “como estrangeiros e peregrinos”, não para nos acomodar a ele como se fosse nosso lar, mas para seguir adiante, guiados pela coluna de nuvem e de fogo e, como expressa outra figura de linguagem, sair do deserto apoiados em nosso Amado. Conquanto

estejamos no deserto por experiência, de outro modo já estamos na terra prometida, e a tipificação dos levitas não nos trai nesse aspecto. Depois de passado o Jordão, vemo-los ainda carregando a arca e, fora dos muros de Jericó, os sacerdotes vão na frente de hoste vitoriosa até que, tendo dado várias voltas em torno da cidade, os muros de Jericó vêm abaixo. Muitos hinos que cantamos falam do Jordão como a morte e de Canaã como o céu. Porém, como freqüentemente se demonstra, a morte prefigurada pelo Jordão é a nossa morte com Cristo, e Canaã é a vida ressurreta em Cristo, as regiões celestiais mencionadas em Efésios, que diz que “a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais nas regiões celestiais” (Ef 6.12). Como sacerdotes e levitas, há serviço para nós na terra prometida tanto quanto no deserto.

Em seguida, há um terceiro lugar para onde somos chamados. N esse aspecto, nosso tipo falha, a menos que considerado por oposição. O s sacerdotes tinham de fato o privilégio de entrar no lugar santo, mas não no lugar santíssimo. Neste, só entrava o sumo sacerdote, sozinho, e só uma vez por ano. Agora, porém, o véu foi rasgado, e podemos ter “plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo” (Hb 10.19,20). Portanto, embora andemos pelo deserto como peregrinos e vença­ mos os inimigos na terra prometida, nosso coração deve estar cons­ tantemente diante do trono da graça com súplica e adoração.

O mesmo quadro multifacetado se vê na habitação dos levitas. N o deserto, acampavam “em torno do tabernáculo” e nos anos posteriores, na maioria das vezes, seu tempo era dividido entre a própria casa e o alojamento “em torno da casa de D eus”. A s 48 cidades doadas aos levitas pelas doze tribos eram espalhadas por todas as partes do país, e eles, a fim de servirem nos seus turnos, deviam alojar-se temporariamente em Jerusalém , enquanto os líderes da tribos moravam ali o tempo todo.

Tomaram-se providências, no entanto, para o levita que amasse tanto a casa de Deus que não se satisfizesse com o breve período de serviço a ele designado. Este teria licença de deixar para trás o seu lar distante e vir habitar em Jerusalém, ministrando e se alimentando com aqueles que serviam por turnos. Lemos em Deuteronômio

18.6-8: “Se um levita que estiver morando em qualquer cidade de Israel desejar ir ao local escolhido pelo Senhor, poderá ministrar em nome do Senhor, o seu Deus, à semelhança de todos os outros levitas que ali servem na presença do Senhor. Ele receberá uma porção de alimento igual à dos outros levitas; além disso, ficará com o que receber com a venda dos bens da sua família”.

Olhando a lista das cidades pertencentes aos levitas e estudando o significado desses nomes, encontramos muitas associações de idéias com verdades do Novo Testamento. Elas prefiguram maravi- lhosamente os vários aspectos do lugar onde habita o crente. Isso ocorre especialmente no caso das seis cidades de refúgio, segundo os significados geralmente aceitos dos seus nomes. Temos Quedes — “santo”, que nos fala de Cristo, o “Santo”; Siquém — “ombro”, ombro de Cristo, nossa força; Hebrom— “comunhão”, com Aquele que nos convida à comunhão com ele; Bezer — “fortaleza” ou “ rocha”, referente ao Senhor, que é nossa Rocha e nossa Fortaleza; “Ramote” — “exaltação”, referente a Cristo, que Deus exaltou com sua mão direita para ser Príncipe e Salvador; e, finalmente, Golã — “alegria”, que nos diz que, permanecendo em nossa cidade de refúgio, a alegria de Cristo permanecerá conosco e será completa. “N a tua presença há plenitude de alegria.”

Entretanto, os sacerdotes e levitas devem deixar seu lar, quer nas cidades de refúgio, quer em outra cidade, a fim de cumprir o seu turno no serviço do santuário. Nesse aspecto, o nosso tipo falha, pois somente permanecendo em Cristo podemos fazer alguma coisa. Separados dele, tanto o nosso serviço quanto o nosso culto serão infrutíferos.

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