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LUTAS E RESISTÊNCIAS

No documento ROSANGELA SILVA DO VALE (páginas 39-43)

O bairro Mocinha Magalhães desde sua formação é um resultado de experiências sociais que a medida do tempo acaba se constituindo como um conjunto de vizinhanças e companheirismo na luta pelo espaço de trabalho e moradia.

Essas lutas pelo espaço de moradia tornaram-se visível ao observarmos o bairro que crescia sem planejamento, e os moradores que nele viviam acabavam transformando-o na sua visão de bairro, pois o bairro se constitui por grupo de indivíduos que tem interesse comum na moradia, posteriormente terão desejos no que tange a infra-estrutura e por fim cada um na sua individualidade acaba transformando-o no conjunto.

A autora Arlete Moysés nos apresenta a problemática das moradias, para compreendermos como muitos loteamentos, residências ou terrenos, são realizados, - onde os moradores organizam-se, lutam para obter benefícios como asfalto, transporte coletivo, luz, água, escolas creches postos de saúde, etc.

Se o bairro em seu inicio tinha características rurais, era devido os seus moradores projetarem seu modo de vida para o mesmo, se observamos os bairros que surgem atualmente, percebemos como sua característica já surge urbana, como por exemplo: água, luz, as ruas, os lotes de terra, se na década de 70 e inicio de 90, as formações de bairros oriundos de ocupação sem planejamento do estado (Poder) refletiam o rural, atualmente as reproduções são totalmente urbanas.

Algumas coisas permanecem apesar da nova estrutura, no questionário, observei certas permanências, através das entrevistas com questionários, lhes perguntei se faltou alguma coisa no bairro com essas mudanças, e 66,6% reclamaram da iluminação, ora por vir cara demais, ora por certos lugares ficarem mais perigoso devido à falta de iluminação no local. 6,4% disseram que faltaram incentivo aos Jovens, 10% reclamaram do Posto de saúde que muitas vezes falta medicamento, ou enfermeiros. No entanto, 75% dos moradores reclamaram da falta de um posto policial, e 10%disseram que tudo estava bom.

Diante disso, percebemos que mesmo com uma mudança que previa grandes melhoras no bairro, os moradores ainda sentem que não cumpriram o planejado, pois deixaram sem manutenção, como limpeza das ruas e consertar algumas ruas que estão com buracos, quadras que estão abandonadas, demora na coleta do lixo, algumas ruas sem iluminação, posto de saúde com deficiência.

bairro modelo, creio que esse nome não deu certo devido às várias paralisações que atrasou as obras, mas sendo ou não um bairro modelo, certas coisas acabam permanecendo, ou mesmo se repetindo como essas reclamações de abandono nas manutenções, o bairro sempre viverá em constante mudanças, independente de serem assistido ou não pelo município. O bairro sempre precisará da atuação do responsável pelos consumos básicos.

Os moradores lutaram para se construir a escola Ilka Maria de Lima, pelo Centro comunitário, pelo asfaltamento, e nessa luta ouviram muitas promessas como do Prefeito Mauri Sergio, conforme apresentei no primeiro capitulo, prometendo asfaltar a rua principal, Travessa Tucumã, ou as várias retomadas das obras que estavam paralisadas.

Essas paralisações incomodaram os moradores, que eram os principais prejudicados com as obras inacabadas.

Fonte Jornal a Gazeta

Esta foto foi tirada do Jornal A gazeta do dia 18 de maio de 2006, onde os moradores protestavam contra essas paralisações das obras em frente ao Tribunal de contas da União (TCU), eles estavam com 1,7 assinaturas e com cartazes que diziam: “chega de confusão, queremos a conclusão do projeto”, e “Queremos Paz”. E o Jornal página 20 desta mesma data explica os motivos:

As obras foram suspensas pelo TCU a pedido do ministério Público Federal por causa de denúncias de má aplicação de recursos que teriam sido realizadas na administração passada. A atual administração renegociou as pendências para liberar o financiamento com as obras sendo realizadas por outra empresa que ganhou a

nova licitação, da qual não há denúncias de irregularidades.17

Os moradores de certa forma, já estavam cansados e com medo de paralisações nas obras, pois a obra tinha seu termino marcador para fins de 2003, foi retomada em 2005 e foi embargada pelo TCU em 28 de Abril de 2006 a pedido do ministério público. O jornal página 20 publicou sobre as causas da paralisação e o retorno das obras em entrevista a Wolvenar Camargo, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras públicas no dia 9 de junho de 2006,

O secretário contou que as obras no Mocinha foram iniciadas em janeiro de 2003 pela administração anterior, que em 24 meses concluiu apenas 19% das obras. ‘Conseguimos concluir 41% da obra em nove meses de trabalho, enquanto a gestão municipal anterior passou dois anos trabalhando no projeto e não fez nem a metade do que já fizemos’, ressaltou Wolvenar.

Nesse período que a obra foi embargada a gestão já tinha feito parte de infra- estrutura, rede de água, esgoto e drenagem, além da construção de creches, unidade de saúde, construção do Centro Comunitário e construído 84 das 126 casas. Por esse motivo os moradores almejava logo o fim das obras, pois a mesma ficou paralisada quase dois anos.

E ao observar essa manifestação nos remete a lembrarmos de que esse bairro que cresceu sem planejamento é sua organização foi feita pelos moradores, as ruas, os postes de energia elétrica, as divisões dos lotes, essa organização é uma representação do que eles acreditam ser um bairro. Eles sempre protestaram e nesse momento não poderia ser diferente.

E a maioria desses sujeitos tem um sentimento impagável por suas terras, e que somente o fato de mudar-se, gera uma forma de resistência.

O projeto previa também a reordenação do espaço e para isso teria que retirar algumas famílias de seus terrenos, segundo o relatório e os Jornais a gazeta e Página 20, um dos maiores problemas previstos com as obras seria a remoção de casas para abrir passagem às ruas, ou na retirada das famílias que hoje vivem em áreas alagáveis do igarapé são Francisco.

Conforme podemos observar nestes parágrafos do Jornal A Gazeta datado no dia 29 de agosto de 2005, segundo eles a execução do projeto seria tranquila, no entanto, os maiores problemas previstos seriam a remoção das casas e de famílias, por quê?

O relatório de urbanização, também cita esses moradores como contrários ao projeto, e que tinha interesses próprios:

A equipe identificou que o grupo de resistência defendia apenas interesses

próprios porque eram pessoas que detinham as maiores áreas de terras. Também conversou com cada morador e os convenceu de que as cercas e muros deveriam ser derrubados...

Se esses moradores defendiam interesses próprios, que interesses o poder publico defendia? remetendo-nos ao sentimento criado de pertencimento do local. Como foi o caso da professora Neli Rodrigues, a mesma detinha uma grande propriedade que acabou sendo diminuída com a execução do projeto, esta é um exemplo das muitas resistências enfrentadas por moradores ante a intervenção não somente no bairro, mas dentro do seu lar, de sua propriedade, no seu caso ele resistiu como pôde, pois o governo não queria pagar o valor que a mesma acreditava que merecia, segundo o relato da mesma, invadiram sua terra, e não pagaram o valor que ela pedia.

Ao intitularmos este subcapitulo como lutas e resistências, o objetivo seria retratar um bairro que de nenhuma forma segue uma linearidade de acontecimento e que de nenhuma forma é estático, através das entrevistas e das nossas pesquisas encontramos sujeitos que se identificaram com o bairro, que sua moradia era sua vida, suas lembranças, assim como, encontramos moradores que ansiava por melhorias por sofrerem com uma estrutura que não lhes forneciam contentamento e tranquilidade de habitabilidade.

Portanto, a busca ela moradia digna, pela infra-estrutura básica, é uma luta constante em cada bairro, no bairro Mocinha Magalhães a luta foi um pouco mais visível devido ser resultado de um projeto, de ser diferente das obras ocorrida na cidade de Rio Branco, e principalmente pela verba que foi destinado somente a ele.

CAPITULO III

DE ZONA DE RISCO SOCIAL A MODERNIDADE URBANÍSTICA: ALGUNS LUGARES DA MEMÓRIA

Este Capitulo aborda um pouco do conceito de Zona risco social, que seria as pessoas localizadas em áreas alagadiças, geralmente localizadas próximas ao igarapé, e o momento da transformação urbanística do bairro, como esses moradores vivenciaram esse processo de mudanças, principalmente quais suas lembranças em relação ao período, pois é muito importante a memória desses acontecimentos, pois constitui a fonte desse trabalho lembranças e reminiscências, aproveitando-as e transformando-as em produção do conhecimento científico, portanto as analisaremos como fonte, como objeto de estudo.

Os lugares da memória são lugares espaciais, materiais e simbólicos que registram essa memória que a sociedade de um modo geral tem dificuldade de registrar ou até mesmo guardar devido a rapidez com que se passa, o que Loiva Otero aponta como aceleração histórica.

No entanto, alguns lugares da memória proposto neste capitulo, são as memória de moradores que vivenciaram o processo de urbanização, são os lugares da memória dos moradores do bairro que conhecem muito bem sua realidade.

Para isso a metodologia utilizada é a da história oral, e a fonte principal foi as entrevistas com os moradores e ex-moradores do bairro.

3.1 O ECO DISCIPLINADOR DA MODERNIDADE: O DISCURSO OFICIAL NA

No documento ROSANGELA SILVA DO VALE (páginas 39-43)

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