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6. ANÁLISE SOCIOECONÔMICA DA INDÚSTRIA

6.1 RENTABILIDADE DA INDÚSTRIA

6.1.3 Mão-de-obra e a empresa

As atividades desempenhadas nas empresas de pesca estão divididas pela função da mão-de-obra, que pode ser representada por funcionários da administração, beneficiamento, apoio e/ou pescadores.

No Estado do Pará, de acordo com as entrevistas, as empresas de pesca empregam em média 140 pessoas, cujo número total pode variar de 9 a 550. No setor administrativo, o pessoal envolvido oscila de 2 a 30 pessoas, com média de 10.5 empregados por empresa. Na linha de produção (beneficiamento) os funcionários atuam na recepção do pescado, seleção, filetagem e embalagem. As empresas empregam de 18 a 373 pessoas (variável de acordo com o tamanho da empresa e a época do ano). O setor de apoio (motoristas, vigilantes, mecânicos, limpeza etc.) emprega, em média, 15,7 pessoas. Com relação ao número de pescadores, a média é de 77,4, variando de 15 a 160 no total. O tempo de permanência dos funcionários das empresas varia de acordo com a função: no setor administrativo, os funcionários permanecem em média 3,5 anos; na linha de produção, 2,8 anos; e no apoio, 3,9 anos. Os pescadores são os que apresentam maior rotatividade, o tempo de permanência médio é de 9 meses (Tabela 21).

Adicionalmente, as empresas de pescado possuem dois tipos de contratação de mão de obra: o permanente e o temporário, que variam em função da safra e entressafra do pescado. Neste trabalho, observou-se que nas empresas de pesca, a média de funcionários que trabalham no verão foi de 145.8, oscilando entre 30 a 550 pessoas. No inverno, a média ficou em torno de 135 pessoas.

Tabela 21: Número total de funcionários das empresas de pescado do estado do Pará, 2008.

SETOR Nº FUNCIONÁRIOS PERMANÊNCIA

mínimo máximo média tempo médio

Administração 2 30 10,5 3,5

Produção 18 373 126 2,8

Apoio 3 40 15,7 3,9

Pesca 15 160 77,4 9 (meses)

O perfil social dos funcionários (baseado em Almeida, 2006), é basicamente o mesmo. Dos funcionários da administração, 64% são casados, 29% são solteiros e 7% são separados ou divorciados. Esse perfil basicamente não varia para os funcionários da produção e manutenção. A maioria dos funcionários é composta por mulheres, sendo que elas assumem, principalmente, as funções nos setores de produção (62%) e administração. Os serviços do setor de manutenção de máquinas são executados geralmente por homens (67%) (Tabela 22).

A maioria dos funcionários da produção e manutenção mora em casa própria, onde residem, em média, mais 4 pessoas da família, e mais da metade das casas são de alvenaria. Todas as casas possuem fornecimento de energia elétrica e 59% possuem abastecimento público de água. A renda mensal recebida pelo funcionário da produção é de R$ 337,00, enquanto a renda familiar fica em torno de R$ 547,00 mensais, já que outros membros da família trabalham. As principais despesas são com alimentação (R$ 177,00) e educação (R$ 29,00).

Tabela 22: Estado civil, religião e número de filhos dos funcionários, Pará.

ESTADO CIVIL ADMINISTRAÇÃO PRODUÇÃO MANUTENÇÃO

Casado 64% 58% 76% Solteiro 29% 41% 19% Separado/divorciado 7% 1% 5% Sexo Homens 29% 38% 67% Mulheres 71% 62% 33% Filhos Média de filhos 1,00 2,28 1,90

Entre os funcionários da administração, aproximadamente o mesmo percentual mora em casa própria (entre 69 e 71%) e em torno de 80% mora em casa feita de alvenaria, com uma média de 4 pessoas. Todas as casas possuem fornecimento de energia elétrica. O abastecimento de água é, na maior parte, da rede pública (71%). A renda dos funcionários da administração é bem mais alta que a dos funcionários da produção e da manutenção, ficando em torno de R$ 996,00. Entre as despesas mensais, o maior gasto é com alimentação (R$ 334,00) e educação (R$ 111,00).

As mulheres dos setores de produção e manutenção geralmente começaram a trabalhar a partir dos 18 anos. Os homens do mesmo setor começaram a trabalhar mais cedo, sendo que a maioria iniciou o trabalho entre 10 e 20 anos. O regime de trabalho para a maioria dos funcionários da produção, manutenção e administração das indústrias de pescado é de contrato permanente, sendo somente 3% que não possui contrato permanente. Também todos apresentam carteira assinada (96-97%).

As dificuldades apontadas pelos funcionários são principalmente em relação às suas atividades na empresa e aos cursos de treinamento recebidos. Em relação às dificuldades, entre 23 e 29% tiveram algum tipo de dificuldade em relação a fardamento, transporte e

relacionamento com os colegas.

Mais de 50% dos funcionários tiveram treinamento, e poucos sentiram dificuldades em relação a este (apenas 9%). Os problemas que esses funcionários enfrentaram foram bastante variados, tais como conteúdo do curso complexo, dificuldades em identificar as espécies de pescado, dificuldade de deslocamento para o local e dificuldade visual para assistir aos cursos. A maioria dos funcionários, entretanto, acha que os cursos são acessíveis e adequados.

Os funcionários permanentes que sentiram alguma dificuldade no trabalho citaram alguns problemas como: o uso do fardamento; a falta de transporte de casa para o trabalho; o relacionamento com os colegas; a falta de material de trabalho, principalmente nos setores de limpeza e embalagem; a extensão do horário de saída; a pouca quantidade de alimento oferecido no refeitório; ou ainda o longo período de trabalho em pé. Entre os funcionários temporários da produção, o problema apontado foi o peso do material que precisam carregar.

Várias sugestões foram apresentadas pelos funcionários da produção e manutenção para que a empresa melhore seu serviço: a empresa deveria comprar equipamentos e fardamentos novos; conceder aumento salarial; reduzir a jornada de trabalho; oferecer mais cursos de capacitação e especialização. Algumas sugestões ainda foram citadas em menor proporção como: solicitação do pagamento em dia dos salários; carteira assinada para todos os funcionários; melhor distribuição de funções na empresa; dentre outras.

Dentre os funcionários da produção, 30% sofreram acidentes de trabalho. Na manutenção, o número de acidentes foi de 19%, enquanto na administração o total de acidentes soma 7% dos funcionários. Dos funcionários da produção que sofreram acidentes, 27% receberam benefício do INSS. Os acidentes na manutenção foram muito maiores, visto que 75% dos acidentados receberam benefício.

As enfermidades ocorreram principalmente no setor de manutenção (22%). As principais doenças adquiridas foram: respiratórias (37%) como gripes, pneumonia e tosse; dores no corpo (17%); infecções urinárias ou intestinais (11%); reumatismos (8%). Ainda, em menor escala, outros funcionários afirmaram que tiveram perda de audição, desgaste físico, alergias às luvas usadas e problemas na coluna devido ao excesso de peso que carregam.

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