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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.5 SISTEMAS E MÉTODOS DE CUSTEIO

2.5.3 Método do Custeio Baseado em Atividade ABC

O custeio baseado em atividade apresentou-se como uma alternativa ao custeio por absorção na medida em que se vale de inúmeras bases de apropriação para os custos. O ABC assumiu como pressuposto principal que os recursos de uma indústria são consumidos por atividade e, somente então se soma o custo dessas atividades para determinar o custo de fabricar o produto. Definindo-se, neste contexto, atividade como um evento, uma tarefa ou uma unidade de trabalho com um propósito específico (HORNGREN; DATAR; FOSTER, 2003). Haja vista que os custos diretos podem ser alocados aos produtos facilmente, o foco do ABC é dado aos custos indiretos na medida em que ele refina a alocação destes custos aos departamentos, processos, produtos e outros objetos de custos.

Maher (2001) ressalta que o método em questão é mais detalhado e complexo que os convencionais, mas, como vantagem, pode fornecer custos mais precisos, permitindo aos gestores tomarem suas decisões melhores informados. O ABC desafia os esquemas tradicionais de alocação que não refletem o consumo natural de recursos, isto é, ele parte de duas bases simples: o que se faz e quanto se gasta para se fazer. Segundo Kaplan e Cooper (1998, p. 3) o ABC surgiu em meados de 1980 na medida em que se necessitava de informações mais acuradas dos custos dos recursos demandados pelos produtos, serviços, consumidores e canais. Isso se deveu à drástica alteração da estrutura de custos dos produtos e serviços devido à parcela de despesas indiretas (que no passado apresentavam valores pequenos em relação aos custos totais) cresceu sobremodo. Isso ocorreu devido à conjugação de novas técnicas de gerenciamento, de tecnologias de produção, estratégias de marketing com uma diversificação de produtos cada vez maior, entre outros fatores.

Para Kaplan e Cooper (1998) o ABC permite que os custos indiretos e despesas de suporte sejam direcionados, primeiro às atividades e processos e depois aos produtos, serviços e consumidores. Fornecendo aos gestores uma ideia clara da “economia” de suas operações.

Segundo Horngren, Datar e Foster (2003) o ABC envolve quatro etapas:

1. Identificar as atividades que consomem recursos e atribuir-lhes custos; 2. Identificar o(s) direcionador(es) de custos de cada atividade, sabendo

que, um direcionador de custos é um fator que causa; o qual “direciona” os custos de uma atividade;

3. Calcular uma taxa por unidade do direcionador de custos ou por transação; cada atividade pode ter mais de uma taxa;

4. Atribuir custos aos produtos, multiplicando a taxa do direcionador pelo volume do direcionador consumido pelo produto.

O sistema de custeio ABC surgiu como uma demanda por melhores informações de custos advinda devido às mudanças sofridas pelas indústrias em geral, principalmente após a década de 70, como argumentado na contextualização deste trabalho.

A primeira versão do ABC é esquematizada na Figura 3:

Fonte: Nakagawa (1994, p. 68). Adaptado pelo autor. Figura 3 - Primeira versão do ABC

Nesta primeira versão do ABC os recursos são alocados às atividades através dos cost

drivers (direcionadores de custos). Cada grupo de atividades pertence a um cost pool

(centro de custos) que, por sua vez, alocam os custos aos objetos de custeio.

Cooper e Kaplan (1998) observam que, ao desenvolver um sistema ABC, a organização deveria identificar inicialmente as atividades que estão sendo executadas por seus recursos indiretos e de apoio. O custeio ABC difere do custeio tradicional pela maneira como os custos são atribuídos; no sistema tradicional, para atribuição dos custos incorridos, é utilizado um modelo de acumulação de dois estágios: primeiro os custos são acumulados por função ou departamento, depois, rateados pelos produtos por meio de um fator volumétrico de medição. Já o ABC tem como enfoque os recursos e as atividades como geradores de custos, enquanto que, o custeio tradicional focaliza os produtos como geradores de custos (COGAN, 2003).

Bornia (2009) sintetiza o ABC pressupondo que as atividades consomem recursos, gerando custos, e que os produtos utilizam tais atividades, absorvendo seus custos. Neste âmbito, é necessário dividir a indústria em atividades, calcular seus custos, compreender seus comportamentos, para que seja possível identificar as relações existentes entre o custo das atividades e sua intensidade de uso pelos produtos para alocação dos custos aos produtos.

O segundo tipo de direcionador, destacado por Martins (2003), é o de custos de atividades, o qual identifica como os produtos consomem as atividades, isto é, a relação entre as atividades e os produtos. O pesquisador explica que a quantidade de direcionadores que a indústria vai utilizar depende do grau de precisão desejado e da relação custo-benefício, haja vista que, muitas vezes, essas relações possuem um alto custo para que se possam identificá-las ou mensurá-las. A Figura 4 esquematiza o método de custeio ABC.

Nota-se que, o método é basicamente constituído de recursos, atividades, direcionadores e objetos de custeio. Os recursos são representados pelos custos e despesas, os quais são acumulados nos centros de atividades e distribuídos aos

produtos por meio dos direcionadores. Em suma, as atividades consomem recursos enquanto os objetos de custeio consomem as atividades.

Fonte: Cogan (1999, p. 59). Adaptado pelo autor. Figura 4 - Esquema básico do método de custeio ABC

O método descreve a forma como uma indústria emprega recursos para alcançar determinado objetivo. Nota-se que com a sua efetiva utilização, torna-se possível calcular os verdadeiros custos de produtos e de serviços. O ABC, se implantado e operacionalizado corretamente, pode fornecer informações precisas e relevantes para decisões a respeito da formação de preços de produtos, clientes e análise de lucratividades dos produtos e melhoria de processos. No entanto, aplicá-lo corretamente e operacionalizá-lo a contento não é tarefa fácil; é custoso e trabalhoso.