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Método

No documento Download/Open (páginas 40-43)

Para subsidiar o entendimento do objeto de estudo da tese, que é o Parque Natural Regional do Pantanal e o Instituto Parque do Pantanal, elegeu-se analisá-lo sob a ótica das instituições. Para tanto, foram importantes a apreensão do tema em sala de aula, pesquisa e estudos em livros, discussões e material disponibilizado pelos professores e pela orientadora. Dos institucionalistas foram selecionados alguns que estão principalmente no Referencial Teórico. Mesmo entendendo que existem diferentes abordagens entre os institucionalistas, aqui procurou utilizar seus ensinamentos não realçando as diferenças, mas se servindo das construções que pudessem agregar, construindo pontes. Os autores mais utilizados foram Hodgson (s.d; 1988; 1993; 1997; 1998; 2000; 2004); Chang, H-.J.(2002; 2005); Coriat; Dosi (1998); Evans (1996; 2004); North, (1980); Foss, (1997); e a revisão da literatura realizada por Castro (2004).

Estudar o Pantanal decorre da minha vontade em entendê-lo, e a criação do PNRP animou a empreender tal desafio. Leituras e estudos anteriores, confirmados por sondagem inicial para a formatação das questões a serem examinadas, levaram-me a detectar que o cerne da questão está em instituir mecanismos para a permanência dos pantaneiros no Pantanal, com dificuldades de viabilizar economicamente a propriedade, com seu sistema de produção econômico. Estão se estabelecendo, no Pantanal, outros proprietários rurais, alguns oriundos de fora do Estado, outros do planalto sul-mato-grossense. Eles representariam por volta de 7% dos estabelecimentos (CEZAR, 1999). A hipótese é se esse Parque é capaz de trazer o desenvolvimento local para sua área de atuação.

Como apresentado no capítulo teórico, a análise do desenvolvimento foi feita sob a ótica das instituições e de suas especificidades, e privilegiando aspectos do capital social; seus aportes auxiliaram a entender as adesões, a coesão e a organização. Buscamos averiguar a capacidade de trabalho em conjunto e a participação social: do(a) fazendeiro(a) como proprietário(a), da mulher como esposa, mãe e partícipe da atividade econômica, dos filhos, do envolvimento dos estratos sociais, como o de peões e de índios; como se dá a preservação da cultura, de instituição de normas e parcerias; e seus mecanismos de manifestação, de participação, se há o associativismo. Esses diversos aspectos consistiram nos indicadores de pesquisa e análise.

Não pretendi verificar renda, tampouco quantificá-la. Para tanto, a escolha do método de investigação pela pesquisa qualitativa, por meio de entrevistas e relatos orais, de consulta aos documentos, foi pela necessidade de se entenderem os fatos que levaram a constituir o Parque Natural Regional do Pantanal, o modelo desse Parque, o que levou à escolha; como se organizam e como é feita a administração, e se já existem resultados significativos.

Ao invés de inferir mecanismos de mensuração, entendi ser mais importante saber dos próprios integrantes, a percepção do Parque. Pelo lado dos(as) fazendeiros(as) busquei entender suas expectativas e formas de se relacionarem com o Parque, sua aceitação e suas perspectivas. Da mulher fazendeira, à frente dos negócios, como age e reage diante da fazenda de criação de gado e se está envolvida com outra(s) atividade(s) e projeto(s) do PNRP. Da mulher fazendeira como esposa e mãe e em suas novas funções na atividade ora praticada e qual a sua participação nessa construção. Quanto aos filhos como sucessores e partícipes no processo, seus envolvimentos com as atividades da fazenda e com os novos empreendimentos. Dos peões, identificando quais atividades exercem e se o seu mundo em mudança afeta-o, e em que dimensão. Dos índios, como se sentem em face da criação do Parque e como agem e reagem, se e como estão inseridos.

Foi possível obter-se respostas às indagações consultando as pessoas que estiveram ou estão ligadas ao Parque, e a partir de seus relatos, apreender suas percepções desse universo e, ao mesmo tempo, ajudando a elucidar as questões que estavam registradas em outras fontes de consulta.

Identifiquei parcerias e a seguir investiguei a motivação e o envolvimento dos parceiros; Evans (2004) auxiliou no entendimento dessa questão. São as instituições parceiras público privadas, nacionais e internacionais, que apóiam ou apoiaram ações no IPP/PNRP. Suas contribuições com pessoal, recursos financeiros, pesquisas, treinamentos, divulgação, entre outros, atuaram no sentido de buscar a consolidação do Parque.

Com instituições públicas brasileiras no âmbito federal, o Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA), tanto do Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte (EMBRAPA Gado de Corte) como do Centro de Pesquisas do Pantanal (EMBRAPA Pantanal), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul: a Secretaria Estadual de Produção e Turismo, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), e algumas ações com prefeituras dos municípios do PNRP. As instituições privadas que desenvolvem pesquisas na região ou que de alguma forma auxiliaram são: a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP); o Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso do Sul (SEBRAE), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e entidades da sociedade civil (ONG ou OSCIP), entre outras.

Instituições internacionais também atuaram e/ou atuam auxiliando desde a sua fase de implantação: da Europa a União Européia e sua antecessora Comunidade Econômica Européia representada pela Comissão das Comunidades Européias; da França, a Federação dos Parques Naturais Regionais da França, o Centro de Cooperação Internacional de Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD) e o Fundo Francês para o Meio Ambiente (FFEM). Há apoio e parceria de organizações não-governamentais como a WWF-Brasil. Com base na Fazenda Rio Negro tem-se a Conservação Internacional (CI-Brasil) e a Earth Watch Institute.

Programas setoriais, alguns subdivididos em subprogramas e/ou projetos, refletem sua opção por atividades econômicas. O que buscam? Como o fazem? Selecionaram-se as pousadas, as escolas, a onça-pintada e a onça-parda, parte dos programas para análise. Privilegiam a experiência acumulada, isto é, o fazer dentro daquilo que faziam e sabiam fazer, com os instrumentos disponíveis na fazenda. Indagados, os fazendeiros informaram que estão testando a utilização, o aprimoramento, novos usos e formas de organização administrativa e relacional, e mudanças na organização econômica da fazenda.

A pesquisa em ciências sociais, em especial na socioeconomia, requer uma combinação de métodos, havendo distintos tipos de estudo: exploratórios, descritivos e experimentais (TRIVIÑOS, 1987; YIN, 1984 apud CÉSAR, 1999). A eleição de sua aplicação varia de acordo com os objetivos. Na linguagem das ciências sociais a coleta de dados é chamada “pesquisa de campo” e é gerada para subsidiar os estudos. Como trabalhar com pesquisa de campo foi descrito extensamente na literatura das ciências sociais. Entre os estrangeiros tem-se Brenner et al. (1985); Brenner (1985); Patton (1990); Goldenberg (2003); Deslandes (1994); Trivinõs (1987); Richardson et al. (1999); Alves-Mazzotti et al. (2004). Não há uma única forma e podem combinar entre si: pesquisa em arquivos, estudo de caso e história oral.

Cada qual apresenta aspectos favoráveis e desfavoráveis, recomendando-se análise cuidadosa na escolha da conveniência do método e a convergência com o objetivo do estudo. Considerações como recursos materiais e financeiros, tempo, treinamento pessoal, capacidade de comunicar-se, acesso e ética são componentes na decisão da estratégia (GOLDENBERG, 2003).

As estratégias envolveram indagações pertinentes: como e por quê, quem, o que, onde, e quanto. A pesquisa qualitativa é baseada principalmente nos conceitos de ir ao campo buscar os dados. Ela é utilizada nas ciências sociais para entender questões particulares, em um nível de detalhes que não pode ser quantificado, por utilizar aspectos motivacionais, como aspirações, valores, crenças e atitudes, situados em um espaço mais profundo das relações e dos processos, difíceis de serem reduzidos a variáveis (DESLANDES, 1994).

Não há consenso entre os cientistas sociais sobre a validade da pesquisa científica qualitativa. Para alguns, há falta de objetividade, rigor e controle científico por não possuir testes adequados de validade e fidedignidade, bem como não produzir generalizações que permitam a construção de um conjunto de leis do comportamento humano. Outros alegam falta de regras guiando as atividades de coleta dos dados o que pode ensejar que o viés (bias)22 do pesquisador venha a modelar os dados do comportamento humano. Para minimizar isto, compete ao pesquisador reconhecer o “viés” para poder prevenir sua interferência nas conclusões (GOLDENBERG, 2003).

Observa-se que a pesquisa qualitativa vem sendo bastante utilizada nos estudos de desenvolvimento local, como registra Ballesteros (1998, p. 8): “(...) estudiar las técnicas cualitativas que permiten potenciar el nivel local de los estudios territoriales y analizar alguna técnica prospectiva de aplicación en la planificación estratégica con enfoque local”.

A pesquisa quantitativa, segundo outra corrente de pesquisadores, não assegura a neutralidade do pesquisador, tampouco que o pesquisador que a adote tenha consciência da interferência de seus valores na seleção e no encaminhamento do problema estudado. Assim, ambas as técnicas de pesquisa apresentam prós e contras; cientistas sociais, como Max Weber, Pierre Bourdieu e Howard Becker, acreditam ser fundamental a explicitação de todos os passos da pesquisa, para evitar o “viés” e buscar “o que Pierre Bourdieu chama de objetivação: esforço controlado de conter a subjetividade” (GOLDENBERG, 2003, p. 45).

Na tese foi adotada a técnica qualitativa para a compreensão das questões relacionadas com o Pantanal, o Parque e o Instituto.

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A utilização do termo inglês traduzido como viés, parcialidade, preconceito, é comum entre os cientistas sociais (GOLDENBERG, 2003).

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