CLASSE III EFETIVO 267 277 354 434 420 449 422 411 PROFESSOR
MÊS/ANO COMPONENTES
Out./2006 Out./2010 Out./2014 % de
freq. Nº de
prof. Valor total % de freq.
Nº de
prof. Valor total % de freq.
Nº de
prof. Valor total % ∆ 2006 - 2014 Vencimento-Base 100 24.820 16.093.520 100 26.507 24.907.300 100 25.957 41.629.663 158,67 Aulas Suplementares 85 21.190 3.469.817 95 25.191 8.397.238 91,9 23.856 14.959.596 331,14 Gratificação de Magistério 89 22.195 1.852.284 99 26.308 3.324.133 97,8 25.375 5.022.625 171,16 Gratificação pela Escolaridade 51 12.622 8.383.386 76 20.096 19.929.668 86,7 22.514 36.285.286 332,82 Gratificação de titularidade 16 4.005 306.967 32 8.599 1.075.758 44,6 11.587 2.591.070 744,09 Adicional por tempo de serviço 58 14.289 4.644.481 71 18.700 9.080.178 90,2 23.411 19.210.340 313,62 Abono FUNDEF/FUNDEB 63 15.598 2.819.397 59 15.549 3.097.207 - - - - Abono GEP 42 10.391 1.580.045 55 14.569 2.566.523 - - - - Auxílio- Alimentação - - - 89 23.534 2.710.177 79,1 20.540 6.077.572 - Auxílio-transporte 0,6 157 2.915 34 8.946 773.245 29,1 7.560 634.761 21.675
Fonte: Organizada pelo autor com base nas tabulações das Folhas de Pagamento, realizadas por Cláudio Reis (2017).
Entre os componentes de maior frequência e valor, o que se destaca por ser o único que é recebido por todos os professores e com o maior volume de recursos em
cada período analisado é o vencimento básico. É possível observar que, no período entre 2010 e 2014, o valor total do vencimento básico quase dobrou indo de R$ 24.907.300,00, em 2010, para R$ 41.629.663,00, com aumento de 67,14%, em 2014, podendo ser um reflexo da implementação do PSPN na rede estadual de ensino, uma vez que, em 2011, os valores definidos nacionalmente para o PSPN passaram a ser obrigatórios para todos os governos estaduais e municipais.
O segundo componente de maior peso é a gratificação de escolaridade que, em 2006, era paga a pouco mais da metade dos professores da rede estadual, ou seja, 51%, com o total de R$ 8.383.386,00. Essa gratificação é devida, de acordo com a legislação, apenas para professores com formação em nível superior que, em 2006, se enquadravam na condição do cargo de professores AD – 4 e que, com a nova nomenclatura do PCCR, passaram a ser designados de classe I, II, III e IV.
O adicional por tempo de serviço é o terceiro componente com maior peso no total da Folha de Pagamento, em cada período analisado, e, por ser um adicional que é acrescido na remuneração dos professores a cada triênio, indica uma mudança substancial no aspecto referente à permanência em serviço e à estabilidade dos professores da SEDUC. Em 2006, 58% dos professores recebiam o adicional por tempo de serviço, ao passo que, em 2014, 90,2% estavam recebendo os valores desse adicional. Essa mudança possivelmente é um reflexo do ingresso de concursados, no período analisado na série histórica, e que também indica o aumento substancial do volume de recursos alocados para o pagamento desse adicional, pois, em 2006, foram necessários R$ 4.644.481,00 para esse componente ao passo que, em 2014, o total foi de R$ 19.210.340,00, ou seja, houve um crescimento no período de 313,62%.
Entretanto, devemos recordar que os dados da Tabela 22 indicam que, de 2006 a 2013, o quantitativo total de professores aumentou em apenas 8%. Com isso, não houve aumento expressivo no quantitativo de professores, porém houve mudança significativa no tipo de vínculo, pois os dados da referida tabela indicam redução em 55% dos professores temporários e aumento de 40% dos professores efetivos. Dessa forma, o aumento do quantitativo de professores com vínculo efetivo parece ser a melhor explicação para o aumento de valores alocados no componente adicional por tempo de serviço.
O componente aulas suplementares apresentou, no período de 2016 a 2013, crescimento de 331,14% e indica que houve o crescimento no número de professores que recebem por aulas suplementares, que se caracterizam por serem aulas que ultrapassam a jornada de trabalho mensal dos professores da rede estadual.
A gratificação de magistério, por sua vez, tem um impacto menor em relação aos componentes mencionadas anteriormente e esta é a gratificação específica para o exercício da atividade docente. Apresenta impacto menor do que as aulas suplementares, embora seja o componente que, depois do vencimento básico, apresenta a maior frequência entre o total dos professores da rede estadual, alcançando 97,8% dos professores, em 2014. O percentual não alcança 100%, talvez, em virtude de identificarmos professores lotados em espaços descritos como não educacionais, como verificamos na Tabela 20. Com isso, percebemos que esse componente não recebeu a atenção necessária para estrategicamente estimular os professores em sua atividade principal que é o contato diário com os alunos nas atividades de ensino-aprendizagem, pois, se compararmos o total de recursos, em 2014, para a gratificação de magistério, observaremos que foi de R$ 5.022.625,00, valor muito abaixo do total alocado para a gratificação de escolaridade que foi de R$ 36.285.286,00.
Entre os componentes com maiores valores alocados, dois se destacam pelo crescimento que alcançaram no período analisado. O primeiro é a gratificação de titularidade que, em 2014, foi recebida por apenas 44,6% dos professores, mas que, no período, cresceu 744,09%, indicando crescimento na qualificação dos professores em cursos lato sensu e stricto sensu.
Por fim, a gestão de Ana Julia criou e estendeu o auxílio-alimentação para uma parte considerável dos professores da rede estadual. Em 2014, o auxílio foi pago a 79,1% dos professores e contou com o total de R$ 6.077.572,00 alocados para esse componente.
A seguir, a Tabela 28 apresenta um exercício com os valores médios das subcategorias presentes na estrutura da remuneração dos professores do Estado do Pará, com base no total de cada mês de outubro dos anos da série histórica, com os valores atualizados pela aplicação da correção monetária, por meio do INPC a preços de dezembro de 2014.
Tabela 28 – Estado do Pará – Rede estadual de ensino: Remuneração média dos professores, segundo categorias – 2006/2010, 2013/2014 (valores em reais)
Categorias 2006 % 2010 % 2013 % 2014 %
Vencimento Base 1.085,85 37,96 1.252,88 31,22 1.602,38 30,99 1.699,72 30,12
Vencimento aulas 242,17 8,46 422,39 10,52 558,31 10,80 633,59 11,23
Vantagens Pecuniárias
Vantagens por tempo de serviço 533,17 18,64 619,49 15,44 679,05 13,13 832,62 14,75 Vantagens por local de serviço 51,46 1,80 - - 148,12 2,86 158,69 2,81 Vantagens por função 156,88 5,48 209,95 5,23 222,15 4,30 244,53 4,33 Vantagens p/ tipo de atendimento - - 83,20 2,07 68,54 1,33 62,05 1,10 Direitos e benefícios diversos 62,84 2,20 187,95 4,68 321,53 6,22 307,04 5,44
Vantagens pessoais 607,81 21,25 1.062,68 26,48 1.497,21 28,95 1.611,41 28,55
Outros 120,68 4,22 174,85 4,36 74,12 1,43 94,09 1,67
Total 2.860,85 100,00 4.013,38 100,00 5.171,42 100,00 5.643,73 100,00 Fonte: Organizada por Reis (2016), com base em dados das Folhas de Pagamento.
Vale ressaltar que as médias apresentadas poderiam ser diferentes caso utilizássemos outros critérios, como a formação dos professores, a posição na carreira e o tempo de serviço. Dessa forma, as medias da tabela 28 dizem respeito a uma realidade agregada, ou seja, geral sem a delimitação de critérios de desagregação. Com isso os dados indicam a redução proporcional do vencimento-base, em relação às demais categorias, no período entre 2006 e 2014, cuja participação na remuneração média (R$ 2.860,85) representava 37,96%, caindo para 30,12%, em 2014, embora a remuneração média absoluta, nesse ano, mostre-se superior a 2006 (R$ 5.643,73). Com isso, não estamos afirmando que o valor do vencimento básico diminuiu ao longo da série histórica, mas que, no conjunto das demais subcategorias, não manteve o percentual que tinha em 2006, principalmente em virtude do crescimento na série temporal dos valores referentes à subcategoria vantagens pessoais.
É possível observar que as categorias vencimento-base, vantagens por tempo de serviço e vantagens pessoais são aquelas com maior participação na composição da remuneração média. Em 2006, representavam, juntas, 77,85% contra 73,42%, em 2014,
o que mostra que a redução dos ganhos absolutos também está presente, de forma agregada, nas principais categorias da remuneração média dos professores.
Gráfico 3 – Estado do Pará: Rede estadual de educação: categorias incidentes na Remuneração Média dos Professores – 2006/2010/2013/2014
Fonte: Folha de Pagamento. Secretaria de Estado de Educação – SEDUC/PA. Organizado por Antônio Reis (2016).
As vantagens pessoais que constituem o grupo de gratificações (gratificação a título de representação, por titularidade, escolaridade, vantagem pecuniária de decisão judicial e vantagem por desempenho de gestão) foram as que evidenciaram maior crescimento no período. Todavia, não fazem parte de uma política abrangente de aumento da remuneração dos professores, em face de algumas estarem relacionadas a atividades extraclasse (gratificação a título de representação e vantagem por desempenho de gestão) e de outras que dependem de esforço próprio dos profissionais para realizarem cursos de pós-graduação, pagos com os próprios recursos, ou tentando vagas públicas, muito disputadas, por haver poucos cursos de mestrado e doutorado em educação no Pará.
Entre os componentes do subgrupo das vantagens pessoais, dois são os que têm mais frequência: a gratificação29 de titularidade e a gratificação de escolaridade. O primeiro, obtido a partir da conclusão de cursos de pós-graduação, e o segundo, recebido automaticamente pelos professores que ingressam nos quadros da SEDUC com a escolaridade em nível superior.
29 A nomenclatura desses dois componentes que são designadas de “gratificação” na Folha de Pagamento
parece estar com o uso indevido, pois de acordo com Meirelles (1996) as gratificações sejam as relacionadas ao serviço ou pessoais são liberalidades puras da Administração concedidas por recíproco interesse do serviço e do servidor com caráter transitório e por isso não são incorporadas a remuneração. O correto deveria ser adicional de escolaridade e titularidade por serem vantagens permanentes.
A gratificação convênio vestibular foi criada para servir de estímulo ao trabalho dos professores que preparavam os estudantes para os concursos seletivos de vestibular e, como as turmas de convênio específicas para esse fim deixaram de existir, a gratificação foi incorporada ao vencimento básico.
As outras gratificações possuem baixa frequência, pois, em 2014, apenas 33 professores receberam valores correspondentes a título de representação e quanto a gratificação tempo integral por decisão judicial teve apenas duas ocorrências e para Vantagem Decisão Judicial Educação Especial, que foi recebida por 115 professores, no mesmo ano. Essas situações de decisão judicial não são estáveis quanto à frequência dos professores que as recebem e apresentam caráter pontual, em decorrência de decisões na esfera da justiça, em virtude de servidores que se sentiram prejudicados por diversas razões de discordância, nos valores recebidos em seus contracheques. O gráfico abaixo indica o crescimento dos recursos totais alocados para os componentes da categoria vantagens pessoais.
Gráfico 4 – Evolução nos valores das vantagens pessoais
Fonte: Gráfico elaborado pelo autor.
No gráfico percebemos que os valores de gratificação convênio deixam de constar em 2014, pois são realocados para o vencimento e os valores crescentes no conjunto de vantagens pessoais estão relacionados à gratificação de escolaridade e por titularidade.
Portanto, o panorama apresentado neste capítulo, a partir dos dados extraídos das folhas de pagamento, contribuem para a reflexão a respeito das políticas de remuneração que foram praticadas no período de 2006 a 2014, e nos ajudam a perceber as mudanças ocorridas nos componentes que formam a estrutura da remuneração dos
professores. Dessa forma, no capítulo seguinte nos deteremos na análise dessas políticas apreendidas ao longo da série histórica.
CAPÍTULO IV – A POLÍTICA DE REMUNERAÇÃO DOS PROFESSORES DA