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Manufatura RevalorizadaPotencial competitivo

4.3 Interface e modelo de simulação do GP-

4.3.7 Módulo MRP

A lógica do cálculo das necessidades dos materiais (material resource planning - MRP) será usada no jogo GP-2 para o controle de estoques da matéria-prima madeira e dos produtos em processo (partes do produto final que já estão prontas mas ainda não foram usadas. Por exemplo o estrado da

cama é um produto em processo).

O modelo de controle de estoques pela lógica do MRP considera a dependência da demanda que existe entre os itens componentes de produtos acabados (MOREIRA, 2000). Assim, partindo-se das quantidades de produtos acabados a serem produzidos período a período, determinadas no PMP, pode- se calcular as necessidades dos demais itens dependentes, de acordo com a estrutura do produto, começando pelos componentes de nível superior até chegar-se às matérias-primas. A Figura 4.21 ilustra a primeira tela do módulo

MRP, o qual é formado por seis telas no total.

Para obter-se uma cama LX são necessárias uma cabeceira, duas laterais, uma peseira e um estrado (Figura 4.21). Para formar duas laterais são necessárias duas travessas laterais e dois montantes laterais. Já o estrado é composto por nove sarrafos e quatro travessas estrado. Partindo-se da quantidade de produtos acabados pode-se calcular as necessidades das partes componentes deste produto. Observando ainda a Figura 4.21, nota-se que a matérias-primas apareceriam na estrutura do produto logo abaixo dos níveis mais baixos (cabeceira, peseira, travessa lateral, montante lateral, sarrafo

estrado e travessa estrado). No caso do jogo GP-2 apenas a matéria-prima madeira será controlada por esta lógica (última tela do módulo MRP). Assim

como o PMP é representado por um registro, o controle de estoques pela lógica MRP também utiliza uma tabela semelhante para facilitar o tratamento das informações.

O módulo MRP é formado por estes arquivos ou tabelas, sendo um para cada item componente dos produtos acabados, um para cada produto acabado e mais um arquivo para a matéria-prima madeira, totalizando 11 arquivos. Cada tela do módulo MRP é formada por dois arquivos, compondo com isto seis telas. A tela que contém os arquivos dos produtos acabados é visualizada na Figura 4.21. Na parte superior do arquivo aparecem o nome do item, o seu código, o tamanho do lote de reposição (Q), que no GP-2 poderá ser de dois tipos: (1) lote fixo, onde sempre que ocorre uma necessidade de reposição, a quantidade do lote é fixa (válido para o montante lateral e travessa lateral); (2)

lote livre, onde a reposição pode ser feita na quantidade da necessidade

(adotado para os produtos finais, cabeceira, peseira, estrado, lateral, sarrafo,

travessa do estrado e madeira).

Figura 4.21 Primeira tela do módulo MRP no GP-2.

Ainda na parte superior do arquivo aparece o estoque de segurança (Qs), que é o zero relativo dentro da lógica MRP, ou seja, quando for atingido seu

valor será planejada uma reposição do item. Como este é o arquivo do produto acabado, o estoque de segurança já foi definido no PMP, e aparece aqui como informação. Fechando a parte superior do arquivo aparece o lead time, isto é, o tempo necessário para reposição do item.

A primeira linha de valores do arquivo MRP indica os períodos que o MRP vai considerar para o planejamento. No jogo são sete períodos, que são atualizados no tempo à medida que o jogo avança. A segunda linha de valores indica as necessidades brutas, que são as quantidades que representam a utilização futura ou demanda do item em questão, durante cada período, sem considerar os estoques. No caso do produto acabado as necessidades brutas são os valores de previsão de demanda do PMP, que foram estipulados no módulo PMP. A terceira linha mostra os recebimentos programados, que são ordens já liberadas em períodos anteriores com previsão de entrada conforme o lead time. No exemplo da Figura 4.21 espera-se receber um lote de 375 unidades de camas LX e 360 de camas ST no período 13. Na quarta linha são informados os estoques projetados, disponíveis ao final de cada período. São calculados pela soma dos estoques anteriores com os recebimentos programados menos as necessidades brutas. As necessidades líquidas, que são quantidades do item que devem ser programadas para atender um determinado PMP, aparecem na quinta linha. A primeira necessidade líquida surge no período em que o valor dos estoques projetados ficar negativo, ou, quando atingir o valor do estoque de segurança. A partir deste ponto as necessidades líquidas serão as faltas de estoques projetados.

Finalmente na sexta linha aparece a liberação de ordens, que são ordens planejadas a serem liberadas no início de cada período, conforme necessidade. Para a cama ST, do arquivo da Figura 4.21, uma ordem de 420 unidades será liberada no período 13 para atender uma necessidade líquida de 420 unidades do período 14 (visto que o lead time é de um período). A

liberação de ordens é apenas um planejamento das liberações, e as ordens

Este planejamento de ordens é repassado ao módulo Ordens, para o seqüenciamento e emissão.

Uma vez calculada as necessidades dos produtos acabados, passa-se a calcular as necessidades dos itens que se encontram logo abaixo na estrutura destes produtos.

Faz-se este planejamento para todos os itens que compõem os produtos acabados até se chegar na matéria-prima madeira, devendo-se atualizá-lo a cada rodada do jogo conforme os resultados (produção e vendas). É importante observar que os gestores, a partir do PMP, executam o planejamento das necessidades dos materiais preenchendo somente os campos de liberação planejada de ordens e estoques de segurança (campos em cor verde), sendo os demais preenchidos pelo sistema.

4.3.8 Módulo PP

O módulo PP (de Ponto de Pedido) possibilita aos gestores realizarem o controle de estoques de três das quatro matérias-primas envolvidas no jogo:

prego, tinta e parafuso. Estas matérias-primas terão controle de estoque pela

técnica do ponto de pedido. A quarta matéria-prima, madeira, será controloda via lógica MRP, como já citado anteriormente. O modelo de ponto de pedido para controle de estoques (TUBINO, 2000) consiste em determinar uma quantidade de itens em estoque, chamada de ponto de pedido ou de reposição, que, quando atingida, dá início ao processo de reposição do item (ordem de compra). A quantidade de estoque mantida pode ser separada em duas partes: uma que atende à demanda do item até ser atingido o ponto de pedido e outra que deve ser suficiente para atender à demanda do item durante o seu tempo de ressuprimento (ou lead time de reposição), mais um nível de estoque de segurança ou reserva, que serve para absorver as variações aleatórias de

demanda e/ou variações no próprio tempo de ressuprimento. A equação a seguir define o valor do ponto de pedido.

PP = d . t + Qs

Onde:

PP= Ponto de Pedido;

Qs= Estoque de segurança (estoque mínimo);

T= Tempo de ressuprimento;

d= Demanda por unidade de tempo.

No jogo GP-2 os gestores terão opção de definir livremente a quantidade do estoque de segurança, mas contarão com um sistema de apoio à decisão que calcula um valor de estoque de segurança, conforme um nível de serviço escolhido pelo participante.

A Figura 4.22 mostra a tela do módulo PP onde será feito o controle de estoques (tinta, prego e parafuso) via ponto de pedido. No alto a esquerda da tela são informadas as necessidades de matéria-prima para cada tipo de produto, empregada para o cálculo da demanda na fórmula do ponto de pedido. Abaixo são informados os estoques de segurança (Qs) das matérias- primas, calculados pelo sistema em função do nível de segurança (80, 85, 90, 95 e 99,99%) escolhido pelo gestor. No lado superior direito da tela encontra-se a demanda média histórica por período das camas e o respectivo desvio padrão usado no cálculo do Qs. Abaixo aparece a demanda média de

matérias-primas decorrente da demanda média de produtos acabados. Finalmente no canto inferior direito aparece o quadro do ponto de pedido com o

(fixado em uma semana ou período do jogo), e o valor do ponto de pedido calculado pelo sistema.

Em síntese, neste módulo a decisão dos gestores (campos em verde) recai sobre o valor do estoque de segurança que se deseja ter para cada item. Por exemplo, o sistema calcula para a matéria-prima prego (Figura 5.22), que tem uma demanda média por período de 268 kg (570 camas ST mais 501 camas LX vezes 0,25 kg/cama), e um estoque de segurança escolhido como 25 unidades (seguiu-se a sugestão do nível de serviço de 90%), um valor para o ponto de pedido de 293 kg (268 vezes 1 mais 25).