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3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL

3.1 Macro contexto

Segundo as Normas Orientadoras do EP 2010-2011, “este entende-se como um projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação entre teoria e prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação.”

Tem como objetivo geral a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão.

A natureza complexa, unitária e integral do processo de ensino e aprendizagem, bem como as características gerais da atividade do professor que decorre num contexto balizado pelas condições gerais do sistema educativo, pelas condições locais das situações de educação e pelas condições mais próximas da relação educativa, obrigam a uma tentativa de integração e de interligação das várias áreas e domínios a percorrer no processo de formação e, em particular, no EP, de forma a retirar o formalismo das realizações e a promover as vivências que conduzem ao desenvolvimento da competência profissional.

A competência profissional assenta no desenvolvimento de competências pedagógicas, didáticas e científicas, associadas a um desempenho profissional crítico e reflexivo que se apoia igualmente numa ética profissional em que se destaca a capacidade para o trabalho em equipa, o sentido de responsabilidade, a assiduidade, a pontualidade, a apresentação e a conduta adequadas na escola.

Os determinantes do exercício da competência, tais como os valores, a motivação e a atitude positiva face à profissão percorrem todas as áreas de desempenho e em todas têm de ser trabalhados de forma sistemática.

Assim, encarei o EP como a oportunidade por excelência na fundação de alicerces sólidos para a prática do ensino em contexto real. Ser Estagiário é ser aquele que quer formar-se, aprender, conhecer, não só na teoria, mas também na prática, o que quer ser um profissional competente, aplicando-o a cada instante, refletindo a cada momento, tornando-se melhor em cada ocasião da sua vida.

Ser um profissional competente, e mais do que isso, querer ser excelente no que se faz, é o objetivo de todos aqueles que amam o ato de ensinar. O caminho para a excelência é longo e implica essencialmente reflexão e investigação para a tomada de ação concreta e adequada. É, no fundo, um caminho de dedicação e aprofundamento do Ser que cada um de nós é e no que se quer tornar.

Pretendo em cada passo caminhar para a excelência, pois ensinar é o meu destino. Desejo ser um profissional competente excelente, neste como em todos os momentos da minha vida.

Contudo, não posso falar de EP, sem adquirir um conhecimento aprofundado da EF na atualidade.

3.1.1 A EDUCAÇÃO (Física) na atualidade

“Eu sou eu e a minha circunstância. Se não a salvo a ela, não me salvo a mim.” Ortega Y Gasset (cit. por Bento, 2006, p. 72)

A educação é um fenómeno fundamental ao Homem. É, também, uma ajuda para o fundar como sujeito e como pessoa, para construir a sua autonomia baseada no entendimento de si próprio, dos outros e do Mundo.

Patrício (cit. por Garcia et al., 2009, p. 25) acrescenta que “educar é realizar algo de ideal. Educar é fazer. (…) Fazer o homem em humanidade! Realizar no homem a plenitude que nele existe como um poder ser. Para que ele possa ser mais e melhor. Educar é levar aquele que está mais baixo para um saber mais alto. (…) Educar é, por conseguinte e obviamente, mudar e modificar. Mudar e adquirir novos modos para ser, para ser mais e melhor, para crescer como pessoa em direção ao mãos alto.”

“No educar configura-se, portanto, um movimento de aproximação infatigável ao mais alto, ao mais pleno, ao mais perfeito. Um movimento de aperfeiçoamento da individualidade, de ultrapassagem do apagamento e desaparecimento do indivíduo no gregarismo e na massificação do «nós», para ascender á consciência do «Eu».” (Garcia et al., 2009, p. 26)

Não é novidade que a educação acontece em toda a parte e que as influências educativas podem ocorrer sem serem planificadas, daí se falar em educação no sentido lato. E esta remete-nos para pessoas, para situações, para factos, para experiências, que de algum modo nos educam. No entanto, também temos ao nosso dispor um outro tipo de educação, a educação escolarizada, onde se estabelecem relações interpessoais, nas quais pessoas já educadas exercem conscientemente influências sobre outras.

Centremo-nos na EF em específico…

“Costa (1992) afirma que a história da disciplina escolar da EF – uma história de quase dois séculos, é a história da permanente necessidade de fundamentar, legitimar e alicerçar o seu lugar, a sua relevância e presença no seio das disciplinas escolares. (…) O fenómeno ludodesportivo está

profundamente ligado à sociedade e, como facto social total da natureza e funcionamento simbólicos é capaz dos mais diversos investimentos sociais.”

As suas conquistas começaram a ficar consolidadas com o reconhecimento do estatuto universitário da EF enquanto área disciplinar, levando à elaboração dos Programas Nacionais de EF.

Atualmente, trata-se de uma disciplina de caráter obrigatório, com uma carga horária de três tempos semanais de 45 minutos ou um de 90 e outro de 45, para o Ensino Básico, e quatro tempos de 45 minutos ou dois de 90 para o Ensino Secundário.

Bento (1995) considera que “a disciplina de EF tem como principal objetivo a formação básico-corporal e desportiva dos alunos. Ensina o aluno a procurar superar as suas limitações físicas. No desporto, é possível aprender que no plano ético, estético, espiritual e racional o homem não encontra limitações. A grande tarefa pedagógica do professor é conseguir transmitir aos alunos que a vitória é somente parte do prazer de jogar e que na derrota há vitórias.”

Rosado (2009) acrescenta que, “do ponto de vista individual, a educação desportiva enfatiza competências de vida como o autoconhecimento, o autocontrolo, a autorrealização, valorização do esforço, da perseverança, do autoaperfeiçoamento e da harmonia pessoal.”

A EF, enquanto área curricular, estabelece um quadro de relações com as áreas que, com ela, partilham os contributos fundamentais para a formação dos alunos ao longo da escolaridade.

A conceção da EF apresentada nos Programas Nacionais centra-se no valor educativo do desporto pedagogicamente orientado para o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno. Assim pode definir-se como a apropriação das habilidades técnicas e conhecimentos, na elevação das capacidades do aluno e na formação das aptidões, atitudes e valores, (bens de personalidade que representam o rendimento educativo), proporcionadas pela exploração das suas possibilidades de desporto adequado – intenso, saudável, gratificante e culturalmente significativo.

Neste sentido e durante este processo, o professor deve ter presente quatro princípios fundamentais que o próprio programa estabelece: a participação

motivada dos alunos com o intuito de criar hábitos de desporto regular, a promoção de uma atividade autónoma e criativa que possa ultrapassar as fronteiras escolares contrariando a tendência sedentária da sociedade atual. Para isto o desporto na escola poderá funcionar como um veículo extraordinário de divulgação da preponderância que prática desportiva regular pode assumir na saúde e bem-estar da população.

Conhecendo um pouco melhor a EF em sentido lato, reportemo-nos ao contexto legal, institucional e de natureza funcional no EP como professor de EF.

No documento Relatório Final de Estágio Profissional (páginas 61-66)

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