Outro aspecto de grande relevância é o manejo da ordenha, atividade esta que pode ser considerada uma das mais importantes da atividade leiteira e que consiste na coleta do leite pelo ordenhador, sendo realizada, em geral, duas vezes ao dia.
Esse momento é muito importante para o sucesso na atividade, pois interfere diretamente na qualidade, na produtividade, na saúde e na vida útil dos animais. A qualidade do leite depende basicamente da carga microbiana inicial do leite e da velocidade de multiplicação das bactérias. Isso está
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Pedilúvio é um local projetado para a passagem das vacas diariamente durante o deslocamento para a ordenha, onde se utilizam produtos indicados para a prevenção e tratamento de problemas dos cascos dos animais.
relacionado ao correto manejo da ordenha, limpeza dos equipamentos, higiene na coleta e rapidez no resfriamento do leite. (FONSECA, SANTOS, 2000). Sabe-se que o leite pode ter sua qualidade alterada durante a ordenha se não forem seguidos os procedimentos recomendados.
Não menos importante é a capacitação das pessoas que realizam esta atividade, pois somente assim, com treinamentos técnicos constantes, se poderá atingir o comprometimento necessário para realizar as tarefas rotineiras diariamente com qualidade. É preciso gostar da atividade e, além disso, ter calma no trato com os animais, garantindo assim a qualidade do leite, a saúde e bem estar dos animais e o alcance de bons resultados.
Conforme Fonseca e Santos, (2000) a carga microbiana do leite é uma variável influenciada diretamente pela carga bacteriana inicial e pela taxa de multiplicação dos microrganismos. A carga bacteriana inicial é a quantidade de microrganismos presentes no leite armazenado no tanque do resfriador, logo depois do fim da ordenha.
Ainda de acordo com o autor, com o objetivo de diminuir a carga bacteriana inicial é importante avaliar quais são os aspectos possivelmente envolvidos com a ordenha, antes, durante e depois, para a decisão de quais medidas serão adotadas.
A ordenha pode ser manual ou mecânica. A ordenha manual, onde o ordenhador utiliza as mãos para a obtenção do leite da vaca, é praticamente inexistente na região onde foi realizado o trabalho.
A ordenha mecânica é aquela que utiliza um conjunto de equipamentos para a sucção do leite do teto da vaca, sendo atualmente o sistema amplamente empregado na região. De acordo com Philpot et al; (2002), a máquina de ordenha é um dispositivo essencial para economizar mão de obra e é utilizada em quase todas as fazendas leiteiras do mundo que possuam mais do que algumas vacas leiteiras.
Em ambos os casos, é importante seguir algumas práticas rotineiras em um ambiente tranquilo e em horários definidos, visando garantir a completa liberação do leite pelo animal, pois qualquer alteração na rotina (mudança de hábitos, golpes, barulho, dor, estresse) poderá fazer com que o animal “esconda” o leite. Isso se dá pela liberação de adrenalina e noradrenalina, hormônios responsáveis pela inibição da descida do leite. A ordenha deve ainda ser feita de forma contínua, ou seja, sem nenhuma interrupção após o início, pois se isso ocorrer haverá prejuízos na produção, podendo acarretar problemas ao animal, devido a presença de leite na glândula após a ordenha, permitindo o início da contaminação e instalação do processo infeccioso.
O correto manejo da ordenha depende do ordenhador. Este deverá ter treinamento e cuidar da higiene pessoal usando roupa limpa para a realização da ordenha. Antes de iniciar os procedimentos, este deverá fazer uma lavagem das mãos utilizando água e sabão em abundância. Após isso, usar uma solução desinfetante à base de cloro, iodo ou clorexidina.
Na sequencia, deve-se fazer a retirada dos primeiros 3 a 4 jatos de leite em uma caneca de fundo preto. Nesse procedimento é possível perceber se há ocorrência de mastite clínica, além de eliminar a fração de leite possivelmente mais contaminado, o qual deverá ser imediatamente descartado em local próprio.
A boa preparação do úbere antes da ordenha visa estimular a “descida do leite” e reduzir a contaminação bacteriana da superfície dos tetos. A descida ou ejeção do leite é um processo que é desencadeado a partir do impulso nervoso produzido pelo estímulo nas regiões sensitivas do úbere e do teto, podendo ser feito pelo contato com o bezerro, pelo ordenhador e pela ordenhadeira. Este estímulo chega ao cérebro do animal que em seguida libera a oxitocina, um hormônio que por via sanguínea provoca a contração dos alvéolos mamários e a liberação do leite. Para atender ao segundo ponto, a redução da contaminação bacteriana, é necessário ordenhar tetos limpos e secos. Conforme Philpot et al; (2002), a ordenha de tetos
limpos e secos contribui para reduzir novas infecções intramamárias e garantir a produção de leite de alta qualidade, com um mínimo de microrganismos que reduziriam a qualidade dos derivados lácteos processados.
O principal cuidado a ser tomado antes, durante e depois da ordenha é com a higiene em geral, tanto dos animais, quanto do ordenhador, do local e dos equipamentos utilizados, visando garantir a qualidade do leite. Dependendo do ambiente em que se encontram e do manejo utilizado, a microbiota na superfície externa do úbere poderá variar, podendo estar presentes coliformes, estafilococos, estreptococos, leveduras, fungos e outros.
Na lavagem dos tetos, deve-se usar uma quantidade mínima de água somente nos tetos e secá-los cuidadosamente antes de proceder à ordenha. Se os tetos estiverem limpos, pode-se apenas imergi-los em solução desinfetante, esperar o tempo de contato recomendado e secá- los cuidadosamente, a fim de evitar que resíduos do produto caiam no leite. A secagem deve ser feita com papel toalha descartável. (BRITO, 2005).
Em seguida deve ser realizada a desinfecção dos tetos, (predipping), com o uso de produtos recomendados, à base de hipoclorito de sódio, iodo ou clorexidina, prática esta que tem por objetivo a diminuição da contaminação dos tetos e auxiliar na prevenção de mastite. Após mergulhar os tetos na solução indicada, aguardar trinta segundos para a ação do produto, fazendo-se então a secagem dos tetos com o uso de papel toalha descartável. Este procedimento de secagem é indispensável para evitar a contaminação do leite, bem como para evitar o deslizamento e queda das teteiras durante a ordenha.
Após isso, inicia-se a ordenha propriamente dita, com a colocação das teteiras. Deve- se ter o máximo cuidado para evitar a entrada de ar no sistema, abrindo o registro de vácuo quando o conjunto já estiver posicionado abaixo do úbere da vaca a ser ordenhada. Após a colocação das teteiras deve-se ter o cuidado e proceder ao ajuste do sistema caso necessário, evitando com isso a entrada de ar ou a queda do conjunto, o que interfere negativamente, podendo ser uma das causas de contaminação do leite, ou favorecendo a ocorrência de mastite.
Ao final da ordenha (término do fluxo de leite) o sistema de vácuo deverá ser fechado e o conjunto de ordenha retirado. Importante salientar que este momento é importante, pois se as teteiras ficarem por mais tempo que o necessário, ocorrerá a sobre-ordenha, que é prejudicial ao animal. Também não se recomenda fazer pressão sobre o conjunto de teteiras com o objetivo de extrair todo o leite, assim como o repasse manual após a retirada das teteiras também não é recomendado.
Concluída a ordenha, deve-se fazer novamente a desinfecção dos tetos (posdipping), mergulhando completamente os tetos do animal com o uso de canecas do tipo “sem retorno” com uso dos produtos recomendados. Esta prática irá auxiliar no controle de mastite. Recomenda-se ainda, fornecer alimentação aos animais logo após a ordenha, para que os mesmos permaneçam em pé, evitando a contaminação ambiental, até que o esfíncter do teto se feche completamente.
Importante ainda salientar que após a retirada do conjunto de ordenha de um animal e antes da colocação no próximo animal a ser ordenhado, recomenda-se a desinfecção das teteiras. De acordo com Philpot et al; (2002), o procedimento consiste em imergi-las em uma solução desinfetante durante alguns segundos. É preferível mergulhar dois copos de teteiras de cada vez, permitindo assim que o desinfetante atinja todo o comprimento das teteiras, o que não ocorre se forem mergulhados os quatro copos ao mesmo tempo. A solução desinfetante deve ser trocada quando se tornar turva. Também é aconselhável, primeiramente enxaguar as teteiras e o coletor em um balde de água limpa, ou esguichar água com uma mangueira para remover o resíduo de leite.
É preciso compreender que se o procedimento não for feito corretamente, poderá propagar microrganismos da mastite e provocar deslizamentos das teteiras durante a ordenha.