TOXICOLOGIA DE INSETICIDAS III ( MECANISMOS DE AÇÃO DE INSETICIDAS)
MANEJO INTEGRADO DAS PRAGAS DO MARACUJAZEIRO
Marcelo PICANÇO Alfredo Henrique Rocha GONRING
I.IDENTIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS PRAGAS
A. Pragas chave
1. Lagartas desfolhadoras
- Dione juno juno (Cr.) (Lepidoptera: Nymphalidae)
- Agraulis vanillae vanillae (L.) (Lepidoptera: Nymphalida)
1.1. Identificação (Quadro 1)
QUADRO 1 - Características das Duas Principais Espécies de Lepidópteros do Maracujazeiro. Características
D. juno juno A. vanillae vanillae
Ovos Amarelos avermelhados e
reunidos em conjuntos
Dispostos isoladamente
Lagartas Pretas, recobertas por espinhos, hábito gregário e alcançando 3 cm
de comprimento
Preta, com pontuações e faixa lateral amarelos, vivem isoladamente com até 3
cm de comprimento
Pupas São crisálidas São crisálidas
Adultos Borboletas alaranjadas, margens externas das asas pretas e 6 cm de
envergadura
Borboletas alaranjadas, com manchas pretas na asa anterior, faixa preta na asa posterior ao longo da margem externa com
áreas mais claras e 6 cm de envergadura
1.2. Injúrias
Desfolha das plantas. B. Pragas secundárias 1. Percevejos
- Percevejo do maracujá - Diactor bilineatus (Fabr.) (Heteroptera: Coreidae) - Percevejo dos frutos - Holymenia clavigera (Herb.) (Heteroptera: Coreidae) - Percevejo de renda - Gargaphia lunulata (Mary) (Heteroptera: Tingidae).
1.1. Características
- Percevejo do maracujá - verde escuro com expansão na perna em forma de folha. - Percevejo dos frutos - asas hialinas.
- Percevejo de renda osadultos são pequenos com asas rendilhadas hialinas.
1.2. Injúrias
- Percevejo do maracujá e o Percevejo dos frutos, atacam flores e frutos novos provocando a queda e murchamento destes.
- Percevejo de renda: sucção de seiva das folhas e introdução de toxinas, provocando destruição de clorofila e retardando o crescimento e desenvolvimento das plantas.
2. Moscas-das-frutas
- Anastrepha pseudoparallela (Loew) (Diptera: Tephritidae) Mosca Sul Americana - Ceratitis capitata (Diptera: Tephritidae) Mosca do Mediterrâneo
2.1. Características
ovos - colocados no interior dos frutos.
larvas - "vermiformes" e se alimentam dos frutos.
pupas - encerrada num pupário; a empupação ocorre no solo.
adultos: C. capitata (mosca do mediterrâneo) é uma mosca com 4 a 5 mm de comprimento, de
coloração predominantemente amarela. Os olhos são castanhos violáceos. O tórax é preto na face superior, com desenhos simétricos brancos. O abdome é amarelo com listras transversais acinzentadas. As asas são de uma transparência rosada em listras amarelas, sombreadas. Anastrepha spp. (mosca sul-americana) é uma mosca com cerca de 6,5 mm de comprimento, de coloração geral amarelo, com uma mancha amarela em forma de "s" que vai da base à extremidade da asa. No bordo posterior da asa há outra mancha da mesma cor e em forma de "v" invertido. As duas manchas são sombreadas de pretos.
2.2. Injúrias
As larvas danificam a polpa dos frutos, os quais apresentam externamente um pequeno orifício no centro de uma mancha de coloração marrom. Neste orifício (feito pelo ovipositor), ocorre o apodrecimento, resultando em queda do fruto. C. capitata apresenta o ovipositor mais curto e ataca apenas os frutos de maracujá que se encontram num estágio de maturação mais avançado. As moscas do gênero Anastrepha (ovipositor mais longo) podem atacar frutos verdes ou maduros.
3. Mosca do botão floral
3.1. Características
ovos – são colocados no interior do botão floral.
larvas – são vermiforme, possuem 3 ínstares, sendo que o primeiro de coloração branca e o
último creme, chegando a medir 7 mm de comprimento.
3.2. Injúrias
As larvas alimentam-se de toda a parte interna, esse dano inixia-se normalmente pelas anteras, nas quias as larvas de primeiro e segundo ínstares preferem alimentar de grãos de pólem, a sequir alimentam-se do ovário, órgão de sustentação do ovário e da base do botão floral, levando à queda.
4. Broca do maracujá
- Philonis passiflorae O'Brien (Coleoptera: Curculionidae).
4.1. Características
larvas - brancas, ápodas e se desenvolvem no interior dos ramos.
adultos - besouro de 0,7 cm de comprimento, com rostro prolongado, cabeça e protórax
marrons e élitros esbranquiçados com duas faixas marrons que se cruzam.
4.2. Injúrias
- Broqueamento dos ramos, os quais acabam secando.
5. Cigarrinhas
- Emposca sp. (Homoptera: Cicadellidae)
a) Características:
ovos - postura endofítica nas folhas, pecíolos e caules. ninfas - coloração amarelo-esverdeada; desprovida de asas.
adultos - coloração esverdeada, com cerca de 3 mm; ninfas e adultos deslocam-se com
rapidez, e não raros em movimentos laterais. Ciclo completo em torno de 3 semanas.
b) Injúrias
Sucção de seiva e injeção de toxinas provocando enfezamento das plantas (semelhante sintomas de viroses). É mais prejudicial até o florescimento.
6. Abelhas
- Trigona spinipes (Hymenoptera: Apidae),Árapua.
- Aphis mellifera (Hymenoptera: Apidae), abelha doméstica.
6.1. Injúrias
- Além de roubarem o pólen, prejudicam na polinização natural, esses fazem raspagem em ramos novos e botões florais para a retirada de celulose para a confecção dos ninhos.
II.ESTRATÉGIAS E TÁTICAS DO MIP
1. Amostragem
- Mosca das frutas: uso de 4 frascos caça mosca/ha, colocados dependurados em hastes na altura das plantas. Nesses frascos, coloca-se 20 ml de isca com a seguinte composição:
- estimulante alimentar: suco dos frutos (25%), ou açúcar (5%) ou melaço (5%), ou proteína
hidrolizada (1%).
- inseticida (3%) (Quadro 2). - água.
- Amostragem deve ser semanal e o período crítico é durante a frutificação. 2. Nível de controle
- Mosca das frutas: 0,5 mosca/armadilha
3. Controle mecânico
- Catação de ovos, ninfas ou lagaretas e adultos dos percevejos e das lagaretas desfolhadoras.
4. Controle cultural
- localização da sementeira e de novas plantações longe de plantios velhos e abandonados. - Catação e enterrio dos frutos caídos e atacados por mosca-das-frutas e mosca-dos botões florais em vala, cobrindo-os posteriormente com terra ou telado de malha fina, para a emergência de parasitóides.
- Poda dos ramos atacados por insetos broqueadores.
- Colocação de pedaços de madeira mole para confecção de ninhos pelas abelhas polinizadoras (gênero Xilocopa).
- localizar e destruir os ninhos de arapuás.
- Plantio de espécies mais atrativas para as abelhas melíferas. - Erradicação de plantas com sintomas de virose.
5. Controle por comportamento
- Pulverização de isca tóxica de um dos lados da espaldeira assim que for atingido o nível de controle para mosca-das-frutas (a composição da isca tóxica se encontra no ítem 1 deste tópico)
6. Controle Biológico
- Uso de Bacillus thuringiensis var. kurstaki no controle de lagartas desfolhadoras de pequeno tamanho.
- Uso de Baculovirus (NPV) específico, no controle de desfolhadoras de pequeno tamanho (usa-se 80 lagartas infectadas/ha).
- Uso de vespas e percevejos predadores e vespas e moscas parasitóides no controle de lagartas, percevejos, ovos e mosca das frutas.
7. Controle químico (Quadro 2).
- Evitar o uso de inseticidas muito tóxicos á abelhas (principalmente carbamatos).
- Aplicação durante a manhã antes da abertura das flores que ocorre no período da tarde (para maracujá amarelo). No roxo, aplicar à tarde (abertura de flores pela manhã) (seletividade ecológica).
- Uso de inseticidas seletivos (Deltametrina, Cartap e malationm) aos inimigos naturais.
QUADRO 2 - Inseticidadas Utilizados no Controle de Pragas do Maracujazeiro.
Praga Nome
técnico
Nome comercial Carência (dias) Classe toxicológica Grupo 1/ Químico Lagartas Cartap Fenthion B. thuringiensis B. thuringiensis Cartap BR 500 Lebaycid 500 Thuricide * Dipel PM 14 21 - - II II IV IV NT F BT BT Moscas das Frutas Fenthion Trichlorfon Lebaycide 500 * Dipterex 500 21 07 II II F F Percevejos Fenthion Trichlorfon Lebaycide 500 * Dipterex 500 21 07 II II F F 1/ BT - Bacteriano, F - Fosforado, NT - Grupo da Nereistoxina (dos biocarbamatos)
III-BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.D.L.; BATISTA, G.C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B. & VENDRAMIN, J.D. 1988. Manual de Entomologia Agrícola. São Paulo, Agronômica Ceres.
649 p.
GRAVENA, S. 1980. Perspectiva do manejo integrado de pragas do maracujá. In:
RUGGIERO, C. Cultura do maracujazeiro. FCAV. 147p.
LIMA, M.F.C.; VEIGA, A.S.L. 1995. Ocorrência de inimigos naturais de Dione juno juno
(CR.), Agraulis vanillae maculosa (S.) e Eueides isabella dianasa (HÜB.) (Lepidoptera: Nymphalidae) em Pernambuco. An. Soc. Entomol. Bras. , v.24, n.3, p.631-634.
MANICA, I. Fruticultura tropical: 1. Maracujá. São Paulo: Ceres, 151p., 191.
PICANÇO, M.C.; GUEDES, R.N.C.; BATALHA, V.C. & CAMPOS, R.P. 1996. Toxicity
of insecticides to Dione juno juno (Lepidoptera: Heliconidae) and selectivity to two of its predaceous bugs. Trop. Sci, 36: 51-53.
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SÃO JOSÉ, A.R. A cultura do maracujá no Brasil. Jabuticabal, FUNEP, 1991, 247p.
SILVA, M.S.; BUCKNER, C.H.; PICANÇO, P. & CRUZ, C.D. 1997 Influência de
Trigona spinipes Fabr. (Hymenoptera: Apidae) na polinização do maracujazeiro amarelo. Na. Soc. Ent. Brasil, 26(2): 217-221.
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thuringiensis (Berliner) e Fenitrotion + Fenvalerate no controle da lagaeta do maracujá dione juno juno (Cramer, 1977) (Lepidoptera: Heliconidae).Na. Soc. Ent. Brasil. 9(2): 255-260.