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TOXICOLOGIA DE INSETICIDAS III ( MECANISMOS DE AÇÃO DE INSETICIDAS)

MANEJO INTEGRADO DAS PRAGAS DO ABACA

A. Pragas chaves

A.1. Cochonilha do abacaxi

-Dysmicoccus brevips (Homoptera: Pseudococcidae)

Características

ninfas – As de 1° ínstar são dotadas de grande mobilidade e podem se locomover a grandes distâncias. Possuem um par de filamentos cerosos e brancos nas margens dos lóbulos anais, enquanto as ninfas de 2° ínstar apresentam 6 pares desses filamentos cerosos nos segmentos abdominais, sendo o último maior e mais espesso que os demais. Ao atingirem o 3° ínstar cor varia de branca a branco-amarelada, corpo liso e sem pernas. As larvas, as ninfas apresentam o máximo de 17 pares de filamentos ao redor do corpo.

adultos – As fêmeas apresentam cerca de 1,0 mm de comprimento, coloração rósea, corpo

oval e coberto por uma secreção pulverulenta branca que aumenta o tamanho do seu corpo em três vezes. Circundando o corpo do inseto existem 34 prolongamentos de tamanhos aproximadamente iguais, exceto os 8 posteriores que são maiores e mais robustos. Os machos são menores, apresentam um par de asas e possuem o par de filamento caudal longo.

Injúrias

As cochonilhas sugam seiva das raízes, axilas e também de frutos. Além disso essa cochonilha está associada à uma importante doença atribuída a um vírus (murcha-do-abacaxi).

OBS: Em consequência dessas injúrias a planta fica enfraquecida o que impede a sua frutificação normal, produzindo frutos atrofiados e murchos, impróprios para o consumo. Podem também ocasionar a morte da planta antes de sua frutificação.

A.2 Broca-do-fruto

-Thecla basalides (Lepidoptera: Lycaenidae)

Características

adultos – As fêmeas apresentam na face superior das asas anteriores uma coloração cinza-

escura, brilhante, margeada por uma faixa estreita escura e uma franja de escamas brancas. As asas posteriores são caracterizadas pela presença de duas manchas circulares alaranjadas, cada uma provida de uma faixa branca na região central. Os machos são semelhantes às fêmeas, porém menores e com uma mancha preta na região costal das asas anteriores.

Injúrias

As larvas penetram nos frutilhos e rompem o tecido parenquimatoso, causando a exsudação de uma resina incolor e pouco viscosa que em contato com o ar torna-se marrom e consistente ocasionando a “resinose”. As galerias no interior do fruto ficam cheias de resina, as quais transmitem odor e sabor desagradáveis ao fruto, tornando-o impróprio para o consumo. Além disso predispõe à infecção por agentes fitopatogênicos, como a fusariose, devido ao orifício provocado pela sua saída do fruto.

B. Pragas secundárias

B.1 Broca do colo do abacaxi

- Paradiophorus crenatus (Coleoptera: Curculionidae)

Características:

O adulto é um besouro brilhante de tamanho variável de 22 a 25 mm de comprimento e de coloração preta e brilhante. Os élitros apresentam sulcos largos e profundos. As larvas abrem galerias na região do coleto e antes de se transformarem em pupas, seccionam a planta na porção situada pouco abaixo da superfície do solo.

Injúrias:

- As plantas atacadas têm a formação dos frutos muito prejudicada, podendo até ficarem secos. Essas plantas, devido à falta de apoio, quebram-se com extrema facilidade.

B.2 Broca do talo do abacaxi

- Castnia icarus (Lepidoptera: Castniidae)

Características

O adulto possui coloração castanho-escura predominante. As asas anteriores são marrons, com reflexos verdes, e três faixas esbranquiçadas. As asas posteriores são de um vermelho vivo, com três faixas transversais escuras. Já as larvas penetram nas folhas, em direção ao interior

da roseta foliar, procurando atingir o talo, onde abrem galerias que destróem os tecidos e podem atacar os frutos.

Injúrias

- A destruição dos tecidos internos ocasiona o definhamento da planta, promovendo o amarelecimento e posterior secamento das folhas, que podem ser destacadas com facilidade.

B.3 Ácaro alaranjado

- Dolichotetranychus floridanus (Acari: Tenuipalpidae)

Características

adultos – Ácaros de coloração alaranjada de 0,3 mm de comprimento. A fêmea tem dois pares de setas anais e as setas genitais são mais curtas do que a distância entre suas bases; as estrias sobre o escudo genital da fêmea são lisas e externamente lobadas; o macho tem dois solenideos um no tarso I e outro no II; o estilete genital do macho é equiparado ao tamanho da tíbia IV.

Injúrias

Os ácaros desenvolvem-se na parte aclorofilada da base das folhas, onde promovem lesões necróticas. Tais lesões podem prejudicar a circulação da seiva no interior da folha e causar prejuízos à planta, além de propiciar a entrada de microorganismos, como bactérias e fungos.

B.4 Tripes

- Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae)

Características

adultos – Apresentam cor variável, de amarelo-claro a marrom, possui asas alongadas,

estreitas e franjadas. Medem 1,5 mm de comprimento.

Injúrias

- Esses insetos raspam os tecidos foliares alimentando-se da seiva das plantas. Nestas, quando jovens, os sintomas caracterizam-se pela presença de manchas arredondadas de cor amarelada na superfície das folhas, o que dá origem ao nome Yellow Spot. Essas manchas se coalescem e, posteriormente, tornam-se necrosadas. Podem atacar a cultura no estádio da floração,

ocasionando deformações e necrose. São importantes vetores de viroses, causando significativas perdas nas colheitas.

II.TOMADA DE DECISÃO

II.1. Amostragem e nível de controle

Ainda não se têm um critério estabelecido, a nível nacional, para amostragem na cultura do abacaxi. Por outro lado, sugere-se que uma forma de viabilizá-la seria a leitura visual de um determinado número de plantas, observando-se a abundância de pragas, principalmente as chaves, de inimigos naturais e anotação de insetos vivos, parasitados e predadores presentes. Não havendo dados de pesquisa a respeito, a execução do manejo de pragas fica a critério do bom senso do técnico para determinar o momento mais adequado para o controle (Gravena et al., 1982).

III. Estratégias do MIP

III.1. Preservação e incremento dos inimigos naturais; III.2. Redução das infestações iniciais das pragas; III.3. Redução das populações das pragas;

III.4. Redução da susceptibilidade hospedeira; III.5. Redução da competição com a cultura; III.6. Aumento da diversidade do agroecossistema.

IV. Táticas do MIP

IV.1) Controle cultural

Roguing ou eliminação das plantas doentes que deve ser efetuada a partir do 3° mês após o plantio;

Arranquio e a destruição de restos de cultura anteriores, bem como de outras plantas hospedeiras como a tiririca;

Alteração do período de diferenciação floral, pois a densidade da broca do fruto é menor no inverno, então a diferenciação floral coincidindo com este período a porcentagem de frutos atacados pode ser reduzida;

Rotação de culturas, pois a broca do fruto é praga específica;

Utilização de mudas sadias através do sistema convencional, procedendo-se a (ceva, pré- seleção das mudas após a colheita, cura, seleção e tratamento das mudas para o plantio) e/ou

Utilização de mudas sadias através de outros sistemas de produção de mudas, como por exemplo, produção de mudas in vitro ou por meio da técnica de propagação rápida de secções de caule.

IV.2) Controle biológico

Grupo Ordem Espécie Família Praga

controlada

Parasitóide Hymenoptera Anagyrus ananatis Encyrtidae Cochonilha

Parasitóide Hymenoptera Anastatus anonastis Eupelmidae Cochonilha

Parasitóide Hymenoptera Euryrophalus prestiosa Encyrtidae Cochonilha

Parasitóide Hymenoptera Hambletonia psedococcina Encyrtidae Cochonilha

Parasitóide Diptera Schizobremia formosona Cecydomiidae Cochonilha

Predador Diptera Baccha stenogaster Syrphidae Cochonilha

Predador Coleoptera Cryptolaemus affinis Coccinellidae Cochonilha

Predador Hemiptera Cyrtopeltis varians Miridae Cochonilha

Predador Diptera Pseudiastata brasiliensis Drosophilidae Cochonilha

Predador Coleoptera Scymnus sp Coccinellidae Cochonilha

Parasitóide Hymenoptera Heptasmicra sp Chalcididae Broca do fruto

Parasitóide Hymenoptera Tetrastichus gahani Eulophidae Broca do fruto

Parasitóide Hymenoptera Metadontia curvidentata Chalcididae Broca do fruto

Predador Diptera Zygosturmia heinrich Tachinidae Broca do fruto

Predador Diptera Drino heinrichi Tachinidae Broca do fruto

- - Bacillus thuringiensis - Broca do fruto

Fonte: Santa-Cecília (1990)

IV.3) Controle químico

IV.3.1) Tratamento das mudas

- Procedimentos:

- Imersão das mudas durante 3 a 5 min em uma emulsão de etiom 500 g/l CE (500 ml/100 l de água) ou de paratiom metílico 600 g/l CE (135 ml/100 l de água);

IV.3.2) Controle químico da cochonilha

Recomendações:

- Fazer pulverização preventiva entre 60-150 dias pós-colheita; - Fazer tratamentos preventivos na fase de crescimento das mudas e;

- Durante o restante do ciclo fazer monitoramento usando o bom senso para efetuar o controle (Santa-Cecília & Silva,1991);

Nos períodos chuvosos recomenda-se utilizar inseticidas granulados.

OBS: É importante que as pulverizações sejam dirigidas para as axilas foliares, em volta de toda a base da planta, e que se alternem os produtos, para evitar a utilização de um inseticida durante vários anos.

IV.3.3) Controle químico da broca do fruto

- Recomendações:

-As pulverizações devem ser feitas desde a emissão da inflorescência até o fechamento das últimas flores, em intervalos de 15 dias, num total de três a quatro aplicações. Quando o controle é feito com inseticida biológico, por exemplo (Bacillus thuringiensis), o intervalo entre aplicações deve ser de sete a dez dias;

V.BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

BORTOLI, S.A. de. 1982. Broca do fruto e Cochonilha do abacaxi. In: 1° Simpósio sobre abacaxicultura. Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: UNESP-FCAVJ. p. 157-167.

GALLO, D., NAKANO, O., SILVEIRA NETO, S., CARVALHO, R.D.L., BATISTA, G.C. DE, BERTI FILHO, E., PARRA, J.R.P., ZUCCHI, R.A., ALVES, S.B. & VENDRAMINI, J.D. 1988. Manual de Entomologia Agrícola. São Paulo, Agronômica

Ceres. 649 p.

SANCHES, N.F. 1985. A broca-do-fruto do abacaxi. In: Informe Agropecuário: A cultura do

abacaxizeiro, Belo Horizonte, v. 11, n. 130, p. 43-46.

SANTA-CECÍLIA, L.V.C. & REIS, P.R. 1985. A cochonilha e a murcha do abacaxizeiro.

In: Informe Agropecuário: A cultura do abacaxizeiro, Belo Horizonte, v. 11, n. 130, p. 37-41.

SANTA-CECÍLIA, L.V.C. & CHALFOUN, S.M. 1998. Pragas e doenças que afetam o

abacaxizeiro. In: Informe Agropecuário: Abacaxi: Tecnologia de Produção e Comercialização, Belo Horizonte, v. 19, n. 195, p. 40-57.