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3 REVISÃO DA LITERATURA

3.4 A SITUAÇÃO DOUTRINÁRIA

3.4.1 A doutrina brasileira de investimento à localidade

3.4.1.2 C17-20: o manual das forças blindadas

O C17-20 – Forças-Tarefas Blindadas (2002b, p. 1-1) é o manual do EB que “apresenta a doutrina básica das operações de blindados e estabelece os fundamentos doutrinários relativos ao emprego operacional das FORÇAS-TAREFAS BLINDADAS”. Nota-se que esse manual foi confeccionado com base na Doutrina Delta (BRASIL, 2002b, p. 1-1), já substituída pela DMT.

Dentre outras disposições, é estabelecido que o emprego do combinado CC-Fuz permitirá que suas características sejam aproveitadas em conjunto. Com isso, o emprego desses elementos separadamente ocorrerá de forma eventual, por pequenos períodos de tempo (BRASIL, 2002b, p. 1-9).

Quanto à organização para o combate, optando por empregar FT forte em CC ou em Fuz, deve-se considerar algumas condições especificas, cujas mais interessantes para consecução deste trabalho são destacadas:

(1) FT organizada com predominância de elementos de carros de combate - FT Esqd CC

(a) Terreno favorável aos CC, limpo e com poucos obstáculos.

(b) Posição do inimigo sumariamente organizada e/ou pouco profunda. [...] (d) Necessidade de velocidade e ação de choque.

(2) FT com predominância de elementos de fuzileiros blindados – FT Esqd/Cia Fuz Bld

(a) Visibilidade restrita.

(b) Existência de áreas edificadas e com muitos obstáculos. [...]

(d) Necessidade de limpeza da zona de ação. (BRASIL, 2002b, p. 1-17, grifo nosso)

Deve-se levar em consideração ainda que não devem ser cedidos elementos menores que o pelotão, na formação das FT. Porém, na mesma SU, “um Pel Fuz Bld poderá ser fracionado, cedendo um ou mais grupos de combate ou o grupo de apoio para reforçar outro Pel Fuz Bld, o Pel Ap ou mesmo um Pel CC” (BRASIL, 2002b, p. 1-18).

No escopo do combinado, o CC será empregado para utilizar o fogo e movimento, garantir a potência de fogo e “liderar a ação, sempre que possível”, enquanto o Fuz será responsável por auxiliar na destruição das armas AC, indicar alvos para o CC, realizar a limpeza de áreas, proteger o CC contra inimigo a pé, particularmente contra armas AC e, sendo empregado a pé, esclarecer a situação em áreas edificadas, entre outras ações. Poderão ser empregados elementos Fuz para liderar as ações quando necessário (BRASIL, 2002b, p. 1-19).

Cabe destacar também que os Fuz Bld são mais eficazes quando os campos de tiro são restritos e no combate aproximado, sendo dependentes dos fogos dos carros para suas missões. Já o CC pode prover fogo direto, rápido e preciso, e seus meios optrônicos podem auxiliar no combate em situação de baixa visibilidade. Os CC são, ainda, altamente dependentes do apoio do Fuz Bld quando em combate aproximado (BRASIL, 2002b, 1-20).

Visualizando o emprego da tropa nas operações ofensivas, fica determinado pela referida publicação que a FT deve se utilizar de suas características de potência de fogo, proteção blindada, mobilidade, flexibilidade e ação de choque para a condução das operações, mantendo a iniciativa das ações por meio de “ações rápidas e agressivas, da exploração dos pontos fracos no dispositivo inimigo e de planos alternativos que permitam enfrentar, de imediato, as mais diversas situações” (BRASIL, 2002b, p. 5-1).

Para obter sucesso nesse tipo de operação, o Cmt deve evitar a parte mais forte da defesa inimiga, atraí-lo para fora de suas posições, procurar isolar suas

tropas para impedir seu suprimento e obrigá-lo a lutar em uma direção e em local para o qual não estava preparado, atuando sobre a retaguarda ou flanco do inimigo (BRASIL, 2002b, p. 5-2).

Durante operações ofensivas, ao realizar um ataque, as tropas serão divididas em escalão de ataque, base de fogos e reserva. A base de fogos visa fixar o inimigo e destruir suas armas, sendo que “os CC não são incluídos, normalmente, na base de fogos, uma vez que esse emprego não permite aproveitar adequadamente suas características”, exceto quando o terreno ou obstáculos impedirem seu emprego no escalão de ataque (BRASIL, 2002b, p. 5-26).

O escalão de ataque, por sua vez, tem a missão de cerrar sobre o oponente para destruí-lo e deve ser composto por CC e Fuz, “em uma formação que tenha massa e profundidade”, atacando os flancos da posição, sempre que possível. Para isso, a formação irá progredir com velocidade e violência, empregando os elementos de forma que cheguem juntos ao objetivo (BRASIL, 2002b, p. 5-27).

Para realizar esse ataque, convém lembrar, os fuzileiros devem progredir embarcados o máximo possível, aproveitando a proteção blindada. O desembarque será realizado no interior do objetivo ou após esse, a fim de realizar o assalto na direção contrária ao esperado pela defesa inimiga, enfrentando menos obstáculos e com os fogos inimigos não ajustados. Em casos esporádicos, os fuzileiros poderão realizar o desembarque antes do objetivo, particularmente

quando a progressão das viaturas blindadas se tornar difícil ou muito lenta, quando for necessária a remoção de obstáculos ou, quando a segurança aproximada dos carros de combate exigir a atuação dos Fuz desembarcados, em estreito contato com os CC, nos níveis mais elementares da tropa (GC - Seç CC) (BRASIL, 2002b, p. 5-28).

O combinado CC-Fuz poderá ainda compor a reserva, para que o comandante possa influir no combate. A reserva será uma força à disposição do Cmt para emprego em qualquer parte da Z Aç (BRASIL, 2002b, p. 5-28) e terá, em princípio, as seguintes missões:

a) explorar o êxito obtido pelas forças do escalão de ataque; b) reforçar elementos de primeiro escalão;

c) substituir elementos de primeiro escalão; d) manter ou aumentar a impulsão do ataque;

e) manter o terreno conquistado pelo escalão de ataque; f) destruir os contra-ataques inimigos;

g) proporcionar segurança nos flancos ou na retaguarda. (BRASIL, 2002b, p. 5-28)

A reserva deverá ser mais forte quando o objetivo for profundo, quando houver meios suficientes disponíveis, quando não houver muitas informações sobre o inimigo ou quando não for possível visualizar o ataque até o objetivo (BRASIL, 2002b, p. 5-28).

Ao determinar a escolha dos objetivos, o manual em foco destaca que a FT Bld recebe, como objetivo, uma força blindada ou mecanizada do inimigo, posições defensivas inimigas, acidentes capitais no terreno e outras instalações importantes na retaguarda do dispositivo adversário. A FT de nível unidade pode, assim, cumprir um ou mais objetivos, determinando às suas subunidades objetivos que permitam conquistar e controlar o objetivo da unidade como um todo, para controlar toda a área pela observação e pelo fogo (BRASIL, 2002b, p. 5-31).

Os objetivos das subunidades consistirão, então, de objetivos intermediários, para facilitar o controle, mudanças de direção e proporcionar condições para o prosseguimento; finais, quando caracterizar o cumprimento da missão da subunidade; e decisivo, quando consistir na região cuja posse for de maior importância para cumprir a missão da unidade. Em todos os objetivos deverão ser realizadas a consolidação e a reorganização, ocasionando, muitas vezes, diminuição da velocidade, motivo pelo qual deve-se reduzir ao máximo a quantidade de objetivos intermediários (BRASIL, 2002b, 5-32).

Para conquistar esses objetivos podem ser determinados ataques principais ou secundários. O ataque principal deve ser orientado para o objetivo decisivo, de forma a causar o maior dano ao dispositivo inimigo com o menor número de baixas para o atacante. O ataque secundário visa conquistar outros objetivos finais, de forma a facilitar as ações do ataque principal(BRASIL, 2002b, p. 5-12).

Considerando a via de acesso a ser utilizada para os ataques principal e secundários, e analisando o dispositivo inimigo, deve-se considerar:

em princípio, a melhor via de acesso quanto ao terreno para o atacante será, também, aquela onde o inimigo irá concentrar seu poder de combate, a maioria de seus obstáculos e seus fogos ajustados. Em princípio esta Via A não deverá ser utilizada pelo ataque principal (BRASIL, 2002b, p. 5-12).

Para a realização do ataque, o escalão de ataque deve progredir em massa em direção ao objetivo, de forma a aproveitar a potência de fogo e a ação de choque dos CC, cerrando para o objetivo “no menor tempo possível. Quanto mais tempo

ficar exposto aos fogos inimigos tanto maiores serão suas perdas”. O aumento da velocidade do ataque também contribui para a ação de choque proporcionada à FT (BRASIL, 2002b, p. 5-34).

Durante a progressão, os CC devem procurar destruir blindados inimigos e posições de armas anticarro e de armas coletivas, sempre à maior distância possível, para permitir a progressão da FT. Da mesma forma, o armamento orgânico das VBTP17 deve ser utilizado, exceto o armamento individual dos fuzileiros, para não expô-los ao fogo inimigo. O emprego de fumígenos também pode facilitar a progressão (BRASIL, 2002b, p. 5-34).

A distância entre os CC e os Fuz, e a necessidade de esses últimos progredirem embarcados ou desembarcados, irá variar conforme os fatores de decisão. Em geral, os CC irão progredir à frente, seguidos pelos Fuz embarcados, de forma que a força se desloque como um todo. Na consideração da distância entre as frações, não devem ser expostas as VBTP dos fuzileiros desnecessariamente, principalmente quando houver arma AC inimiga, sob pena de reduzir drasticamente a mobilidade do elemento fuzileiro. Quando desembarcados, os fuzileiros poderão aproveitar-se da proteção blindada do CC, ocupando posição à retaguarda dos mesmos (BRASIL, 2002b, p. 5-37 a 5-38).

A opção pelos fuzileiros embarcados visa aumentar a velocidade de progressão, aumentar a mobilidade tática, diminuir as baixas com o uso da proteção blindada, preservar a energia dos militares para as ações mais importantes e permitir o emprego de artilharia da força amiga com munição de tempo (BRASIL, 2002b, p. 5-39).

[No assalto ao objetivo] é fundamental o apoio dos fuzileiros blindados aos

carros de combate, seja pelo fogo do armamento das VBC-Fuz / VBTP18

destruindo as armas anticarro de curto alcance do inimigo e posições de metralhadoras, não destruídas ou ultrapassadas pelos carros de combate, seja pela ação dos fuzileiros desembarcados, empregando fogos de assalto e o combate corpo - a - corpo, destruindo ou capturando as guarnições dos blindados inimigos destruídos ou avariados, eliminando resistências remanescentes da posição defensiva inimiga nas trincheiras, abrigos e dobras do terreno ou removendo obstáculos que impeçam a progressão das viaturas blindadas. (BRASIL, 2002b, p. 5-35)

17 VBTP – Viatura Blindada de Transpote de Pessoal. Utilizada para transporte de fuzileiros, é dotada

de uma blindagem média, menor que a dos carros de combate, e de uma metralhadora. Não possui canhão.

18 VBC-Fuz (ou VBCI) – Viatura Blindada de Combate de Fuzileiros (ou de Infantaria). Diferencia-se da VBTP por seu armamento principal. Uma VBCI utiliza como armamento principal um canhão 20mm ou maior, enquanto a VBTP geralmente utiliza uma metralhadora até o calibre .50. Também é chamada de IFV (Infantry Fighting Vehicle).

Havendo indícios que na área do objetivo existem resistências que possam causar danos aos blindados, ou se não for possível visualizar toda a área do objetivo, como em uma localidade, os Fuz assaltarão a pé. Para as ações de consolidação, “parte dos fuzileiros poderá receber a missão de executar uma limpeza mais detalhada da área do objetivo” (BRASIL, 2002b, p. 5-38).

Após conquistado o objetivo, os CC devem ocupar posições que permitam a defesa da área para se opor a um contra-ataque inimigo, ou para prosseguir a manobra, mantendo a impulsão do ataque. Para evitar os contra-ataques, particularmente se houver intenção de manter o local, a FT irá realizar desde ações mais simples para a própria segurança, até a montagem de um dispositivo defensivo elaborado. O manual prevê ainda que “não havendo imposição de manter um objetivo intermediário, a FT deve prosseguir no ataque, logo que possível e sem perda de tempo, reorganizando-se durante o movimento” (BRASIL, 2002b, 5-36).

Diferentemente do manual C7-20, o manual das Forças Tarefas Blindadas apresenta apenas três formas de ataque empregando o combinado CC-Fuz: em uma única direção, em direções convergentes e com o CC somente apoiando pelo fogo.

Para a escolha do processo, cita o documento, deve-se atentar para explorar ao máximo as características da tropa blindada – potência de fogo, proteção blindada, flexibilidade, mobilidade e ação de choque – e aumentar ao máximo a velocidade de deslocamento, além de manter os fuzileiros embarcados o maior tempo possível. Os fuzileiros irão desembarcar principalmente para:

1) evitar sua destruição por fogo AC inimigo;

2) abrir ou remover obstáculos que impeçam o movimento dos CC e VBTP/ VBC-Fuz para a frente;

3) cooperar na neutralização ou destruição das armas AC que detenham a progressão dos CC e VBTP/ VBC-Fuz; [...]

6) participar de ataques através de regiões fortificadas ou através de

localidades e vilas que não puderem ser desviadas;

7) auxiliar a progressão dos CC sob certas condições de visibilidade restrita e campos de tiro reduzidos (escuridão, fumaça, neblina, bosques densos, terreno cortado);

8) realizar a limpeza de um objetivo e auxiliar na sua consolidação. (BRASIL, 2002b, p. 5-39, grifo nosso)

Dentre as três formas de conduzir o ataque, merece destaque o emprego do CC e do Fuz um uma única direção, particularmente com os fuzileiros desembarcados, pois “este (sic) processo poderá ser empregado em situações de

pouca visibilidade, como em bosques, localidades e neblina densa” (BRASIL, 2002b, p. 5-41, grifo nosso).

Nesse processo, o CC e o Fuz progredirão juntos, com os Fuz se deslocando entre os CC ou à sua retaguarda imediata, de acordo com o terreno e o inimigo, de forma que ambos se beneficiem do apoio mútuo e da proteção blindada. Em ocasiões em que o movimento do CC à frente for impedido, seja pelo terreno, obstáculos ou armas AC inimigas, o Fuz poderá avançar para eliminar essa dificuldade, e o CC então voltará a liderar o ataque. Nesse caso, as VBTP deverão seguir de perto o movimento, para serem empregadas quando possível (BRASIL, 2002b, p. 5-42).

Ao tratar especificamente sobre o combate em área edificada, o C17-20 se baseia no manual C31-50 – Combate em Zonas Fortificadas e Localidades e no C100-5 – antigo manual de operações, ambos não mais em vigor.

O C17-20, ao versar sobre o combate em localidades, identifica suas características:

(1) observação limitada; (2) campos de tiro reduzidos;

(3) dificuldades de controle e coordenação;

(4) descentralização máxima, até os mais baixos escalões de comando; (5) dificuldade de localizar o inimigo (devido à pequena visibilidade e à ampliação e reflexão de som nas áreas edificadas);

(6) dificuldade de comunicações;

(7) predomínio do combate aproximado, estando os contendores separados, muitas vezes, apenas por um muro (ou parede);

(8) dificuldade de apoio cerrado de artilharia e aéreo (por ser pequena a margem de segurança, devido à proximidade do inimigo e às dificuldades de observação e de comunicações);

(9) emprego freqüente do tiro à queima-roupa, mesmo para canhões de tiro tenso;

(10) reduzida eficiência de tiro indireto;

(11) maiores necessidades de limpeza e de segurança em todas as direções, devido à extrema compartimentação das áreas edificadas;

(12) desenvolvimento do combate em três dimensões, frente, profundidade e altura;

(13) frequência das ações noturnas, devido à dificuldade de atravessar áreas à luz do dia;

(14) canalização do movimento das viaturas pelas ruas longitudinais; (15) plenitude dos obstáculos artificiais;

(16) lentidão das operações;

(17) necessidade de controle de incêndio. (BRASIL, 2002b, p. 9-7)

Da mesma maneira que o C7-20, o manual das FT Bld dividem o ataque a um ambiente urbano em três fases: o isolamento, a conquista de uma área de apoio na periferia e a progressão no interior da localidade (BRASIL, 2002b, p. 9-7).

Para realizar o investimento na localidade, a publicação propõe que as FT forte em Fuz deverão realizar a atividade, com as FT forte em CC realizando base de fogos. Quando os Fuz adentram a localidade, devem avançar protegidos pela proteção blindada, seja de suas próprias VBTP, seja dos CC. Nessa fase, “em princípio, [os fuzileiros] deverão realizar o ataque desembarcados” (BRASIL, 2002b, p. 9-6).

Na terceira fase do ataque à uma localidade, qual seja a progressão em seu interior, o manual indica:

Consiste na progressão sistemática casa por casa, quarteirão por quarteirão, através da área edificada. Nesta fase, adquire particular importância a coordenação dos elementos empenhados, sendo necessário designar-se limites perfeitamente definidos e direções balizadas por pontos inconfundíveis, além de freqüentes linhas de controle. Ademais, é imprescindível que todos os prédios sejam completamente vasculhados, para que a progressão possa continuar sem focos de resistência à sua retaguarda. (BRASIL, 2002b, p. 9-8)

O dispositivo para a invasão da localidade deve ser reajustado para que as pequenas unidades sejam compostas por equipes de “fuzileiros - armas de apoio - carros blindados”, descentralizando as ações até o nível do GC. Utilizar-se-á uma progressão lenta, coberta pelo fogo, evitando progredir pelas ruas, mas sim por quintais e pelo interior dos quarteirões, por dentro dos prédios, telhados ou brechas nas paredes (BRASIL, 2002b, p. 9-10). Cabe enfatizar:

esta fase oferece possibilidade de surpresa e de riscos para o atacante, não só pela existência de armas da defesa em locais imprevisíveis e difíceis de determinar, como também, pelo abundante emprego, por parte do defensor, de minas, armadilhas e demolições preparadas e ainda, pela utilização de vias de acesso subterrâneas, ao nível do solo, através dos andares dos prédios e, mesmo, pelos telhados. (BRASIL, 2002b, p. 9-10)

De maneira geral, está previsto que objetivos sejam marcados no interior da localidade quando a tropa for empregada para a conquista da localidade propriamente dita, podendo consistir em objetivos para uma ou mais subunidades ou para a unidade como um todo, conforme a zona de ação determinada. Os objetivos serão, então, marcados “nas orlas anterior e posterior da localidade e, às vezes, entre ambas as orlas, para os elementos encarregados da limpeza da área edificada” (BRASIL, 2002b, p. 9-8).

gerais, conquistar uma área para apoiar a progressão em seu interior (orla anterior) e para apoiar o prosseguimento da operação, após a passagem pela localidade (orla posterior). Os objetivos no interior da localidade constituirão em instalações de utilidade pública, da administração pública, militares, pontos dominantes e outras edificações importantes, tudo para atender “às necessidades de coordenação, limpeza e segurança” (BRASIL, 2002b, p. 9-6).

O manual prevê ainda a utilização de linhas de controle para facilitar a coordenação do avanço, de maneira semelhante ao já descrito no C7-20 (BRASIL, 2002b, p. 9-10). Da mesma forma, os procedimentos para a marcação dos limites são idênticos aos previstos no C7-20 (BRASIL, 2002b, p. 9-9).

A reserva deve deslocar-se o mais próximo possível das tropas em 1º escalão, de um a três quarteirões de distância, realizando a proteção dos flancos e da retaguarda, ocupando prédios já conquistados para evitar que o inimigo os retome (BRASIL, 2002b, p. 9-10 e 9-11).

O valor da reserva dependerá do inimigo, do tamanho da localidade, do tamanho da zona de ação da unidade e da quantidade de meios disponíveis. Normalmente, a reserva da unidade será pequena, podendo ser até um pelotão, aumentando a necessidade de reserva das subunidades (BRASIL, 2002b, p. 9-11).

O emprego da reserva se dará para atuar sobre contra-ataques inimigos, limpeza das resistências desbordadas, proteger os flancos da tropa, atuar sobre o flanco do inimigo que detenha uma subunidade em seu avanço, substituir elementos de 1º escalão e corrigir erros de direção (BRASIL, 2002b, p. 9-11).

Apesar de prever essa invasão sistemática, o próprio manual ressalta que nas localidades com uma defesa fraca, tropas poderão avançar diretamente até os objetivos na orla posterior da localidade, ficando a reserva a cargo da sua limpeza (BRASIL, 2002b, p. 9-11).

Para planejar o ataque, esse manual ressalta que devem ser utilizadas plantas atualizadas da cidade e informações de desertores e civis que conheçam a localidade. Deve-se utilizar todas as vias de acesso, inclusive as subterrâneas e por cima dos prédios, o que pode dar certa vantagem ao atacante, diz o manual (BRASIL, 2002b, p. 9-10).

Por fim, esse manual define a missão de cada um dos elementos CC e fuzileiros nas ruas de uma cidade:

a. Missão dos Fuz Bld no combate de rua

(1) Localização de alvos para o engajamento das armas dos carros de combate.

(2) Neutralização e destruição de armas anticarro do inimigo.

(3) Assalto e redução de posições e limpeza dos edifícios, sob a proteção dos fogos dos carros de combate.

(4) Proteção dos carros de combate contra as medidas individuais anticarro. (5) Realização da segurança e da defesa de área, uma vez limpa.

b. Missão dos CC, quando empregados no combate de rua

(1) Neutralização das posições inimigas pelo fogo das metralhadoras para permitir aos fuzileiros cerrarem sobre o inimigo e destruí-lo.

(2) Destruição de pontos fortes do inimigo pelo fogo dos carros de combate. (3) Destruição das barricadas encontradas nas ruas.

(4) Abrir passagem nas edificações, facilitando aos fuzileiros vasculharem seu interior, quando as passagens estiverem bloqueadas por entulhos, obstáculos ou fogo inimigo e permitindo seu acesso pelo segundo andar. (5) Tomar sob seus fogos qualquer outro alvo indicado pelos fuzileiros. (BRASIL, 2002b, p. 9-12).