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2.7 LEAN STARTUP

2.7.1 Manufatura enxuta voltada para startups

O método da startup enxuta é voltado para equilibrar o desenvolvimento do projeto com as necessidades do cliente. Essa metodologia é baseada em inúmeras hipóteses, sendo possível ajustar o projeto baseado em feedbacks do ciclo construir- medir-aprender. Por meio desse processo, é possível, segundo Ries (2011), perseverar na ideia ou mudar a hipótese fazendo o chamado pivô. Uma vez que se tem um negócio sustentável, pode-se acelerar o processo.

Ries (2011), acredita que para que se crie um negócio próspero, sendo capaz de mudar o mundo, a empresa precisa ter uma visão. Para alcançar essa visão, as startups precisam ter uma estratégia, a qual inclui um modelo de negócio e um plano de produto. Também é necessária a análise dos parceiros e concorrentes e a criação da persona dos possíveis clientes. Como resultado final é possível verificar o produto, como mostra a Figura 8.

Figure 8 - Processo de criação de uma startup Fonte: Ries (2011).

Como os produtos mudam constantemente, é possível notar que sempre há um processo de otimização gerenciando esse produto. A estratégia também sofre mudanças de acordo com o ambiente inserido, com pivotagens, ou seja, mudanças na estratégia. Já a visão da empresa, raramente apresenta uma mudança. Essas mudanças são melhor representadas na Figura 9.

Figura 9 - Mudanças no processo de criação de uma startup Fonte: Ries (2011).

Como vivemos em um sistema complexo de constantes transformações, o desafio do empreendedor é equilibrar todas as atividades e enfrentar o imperativo de inovar afim de não se tornar obsoleta (RIES, 2011).

Para que a metodologia enxuta seja aplicada na empresa, o autor sugere a utilização da aprendizagem validada, da experimentação, de um ciclo de construir- medir-aprender, do pivô, do Mínimo Produto Viável, essas técnicas apresentadas por Ries (2011) são descritas a seguir:

2.7.1.1 Aprendizagem Validada

Descrita por Ries (2011) como o antídoto principal contra o problema fatal de alcançar o fracasso, ou até mesmo executar com sucesso um plano que não leva a lugar nenhum. A aprendizagem validada é um método rigoroso para demonstrar quando a empresa esta atingindo um nível de extrema incerteza. É o processo empírico, ou seja, por experimentação, que uma equipe descobriu verdades valiosas acerca das perspectivas do negócio presentes e futuras.

2.7.1.2 Experimentação

A metodologia do lean startup reconhece os esforços da startup como experimentos que testam a estratégia que vem sendo seguida, esses testes servem para abstrair as ideias passiveis de resultado de ideias absurdas, sem deixar de seguindo a visão da empresa. Como todo experimento, é adotado o método científico.

O primeiro passo é decompor a grande visão em partes, as suposições mais importantes são a hipótese de valor e a hipótese de crescimento.

A hipótese de valor tem o objetivo de testar se o produto ou serviço de fato fornece valor aos clientes. Já a hipótese de crescimento, testa como novos clientes irão entrar em contato com esse produto ou serviço pela primeira vez. Ries (2011) afirma que um bom modo do programa alastrar é por meio de um crescimento viral.

A intenção da experimentação é encontrar os early adoptors e através deles testar se as hipóteses levarão a um negócio sustentável. Quando a hipótese é anulada, é feito a pivotagem a outras hipóteses são então formuladas para serem testadas, sempre em um ciclo em busca do negócio sustentável.

2.7.1.3 Ciclo de feedback construir-medir-aprender

De acordo com Ries (2011), uma startup é um catalisador que transforma ideias em produtos. Dessa maneira, um processo de iteração com o cliente é feito e têm-se feedbacks e dados. De acordo com os experimentos de mercado as ideias vão sendo transformadas e temos o ciclo construir-medir-aprender que é mostrado na Figura 10.

Figura 10 - Ciclo construir-medir-aprender Fonte: Ries (2011).

Esse ciclo de feedback esta no centro do lean startup. É através desse ciclo que se transforma as suposições em afirmações. Blank (2007) afirma que para transformar os instintos em dados é necessário sair do prédio (“get out of the building”) e aprender.

É possível relacionar o ciclo com o princípio da manufatura enxuta genchi gembutsu. Esse principio trata-se de basear as decisões estratégicas na compreensão direta dos clientes, também explanado por Blank (2007) como “saia e veja por você mesmo" (“go and see for yourself”).

Em complemento ao ciclo da aprendizagem baseado na hipótese, a ideia pode ser perseverada ou pivotada, o conceito de pivô é descrito na sessão a seguir.

2.7.1.4 Pivô

Pivô é uma mudança em um ou mais aspectos da estratégia do negócio de acordo com Ries (2011), como complemento o autor define como uma correção estruturada e projetada para testar uma hipótese fundamental sobre o produto, a estratégia ou a máquina de crescimento.

Durante o processo do Lean Startup, a equipe é confrontada com a decisão de persistir ou pivotar. Ries (2011) afirma que não há como remover o elemento humano dessa decisão, mesmo tendo como base o método científico, a visão e a intuição do empreendedor são elementos fundamentais nesse processo de decisão.

Ries (2011) recomenda que haja uma reunião frequente para a discussão de perseverar ou pivotar. Essa reunião deve ser baseada em todos os dados coletados e nos resultados obtidos, bem como feedbacks e opiniões de usuários.

A seguir é descrito o Mínimo Produto Viável (MVP) que serve como comprovação de uma hipótese e motivo para uma pivotagem ou persistência.

2.7.1.5 MVP – Minimum Viable Product

De acordo com Brickman (2016) em um mundo de tentativas e erros, quem encontra os erros da maneira mais rápida possível ganha. Essa filosofia é chamada de “fail fast”, ou seja, falhe o mais rápido possível para aprender e fazer o certo o mais rápido possível e ter o sucesso. Ries (2011) chama essa filosofia de “Lean” e Beck (2003) chama de “Ágil”. Tendo como base essa filosofia surgiu o Mínimo Produto Viável.

O Mínimo Produto Viável, também conhecido como MVP, vai na contramão do desenvolvimento do produto tradicional, que em geral leva um período longo de

incubação aspirando a perfeição do produto. O MVP ajuda os empreendedores a começar o processo de aprendizagem o mais rápido possível. No entanto, não é o menor produto imaginável, trata-se apenas da maneira mais rápida de percorrer uma volta no ciclo construir-medir-aprender e obter o máximo de feedbacks com o menor esforço possível

Diferentemente de um teste de conceito ou protótipo, o MVP é projetado para responder perguntas técnicas ou de design do produto, de maneira a testar as hipóteses fundamentais do negócio. A relação com a manufatura enxuta é que qualquer trabalho adicional que vá além do que foi requerido para iniciar a aprendizagem é desperdício (RIES, 2011).

De acordo com Brickman (2016), o conceito de MVP é de complicado entendimento para os fundadores pois é um produto que é uma prova de conceito, portanto não é produto, o MVP deve ser tratado como um processo dentro da organização. O erro dos fundadores é que eles pensam que o processo do MVP vai resultar em um produto final e estável, como mostra a Figura 11.

Figura 11 - Como os fundadores pensam que um MVP funciona. Fonte: Brickman (2016).

O MVP é considerado como processo pela repetitividade das tarefas: 1. Identificar os riscos e elaborar uma hipótese;

2. Encontrar o menor experimento (não em tamanho físico, mas de tamanho de esforço) que prove ou não essa hipótese;

3. Usar os resultados para continuar o projeto no curso correto. (BRICKMAN, 2016)

A maneira mais rápida encontrada pelo Brickman (2016) para analisar as hipóteses do produto é fazer um MVP para cada uma das hipóteses, a Figura 6 mostra como o MVP realmente precisa se comportar dentro de uma organização.

Figura 12 - Como o MVP funciona. Fonte: Brickman (2016).

A figura 12 mostra que para atingir o produto final, muitas provas de conceito precisam ser realizadas a fim de o produto ter o encaixe no mercado. Dessa maneira, na construção de um produto surgem muitas hipóteses. É assumido: o público-alvo; a melhor estratégia de mercado; os problemas mais relevantes do público-alvo; a melhor estratégia de marketing; enfim, infinitas outras hipóteses. Não importa o quanto foi pesquisado, algumas das hipóteses são falsas e o problema é que para saber quais delas, o teste é primordial. (BRICKMAN, 2016)

No tópico a seguir será explorado a importância do desenvolvimento de clientes juntamente com o desenvolvimento do produto, isso acontece devido a um teste de hipóteses proposto por Blank (2007).

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