5.3 Os Mapas Conceituais Construídos em cada Período do PPGExR
5.3.4 Mapa conceitual IV período – 2000 – 2010
O mapa conceitual construído a partir dos conceitos levantados nas dissertações defendidas entre os anos de 2000 e 2010 no PPGExR mostrou-se muito interessante, haja
vista que, no âmbito acadêmico, os novos conceitos já foram aceitos e são amplamente estudados. Embora ainda não tenha havido nenhuma dissertação que tenha declarado explicitamente que um novo paradigma tenha ocupado o lugar do paradigma de difusão de inovações, é exatamente isso que o levantamento das dissertações salienta, isto é, um novo paradigma de extensão rural, ainda não tão potente e hegemônico quanto o anterior, está em vigor para a comunidade científica da extensão rural. O mapa está exposto na figura – 16.
Figura 16 Mapa Conceitual do Período IV
O mapa apresenta uma extensão rural já embasada em novos conceitos e novas concepções, onde a educação não se corporifica mais como “uma educação bancária” e nem mesmo a comunicação como uma simples ferramenta de transmissão de informações. Ao analisarmos esse mapa, constatamos que as relações entre extensionista e agricultores são dialógicas, horizontais e interativas, a questão ambiental e a sustentabilidade assim como
especificamente a redução de utilização de insumos externos à propriedade, temas e desafios que se apresentam para a extensão rural. Ainda que persista a difusão de inovações, ela agora se restringe endogenamente a partir das reais necessidades dos agricultores.
A organização social e a visão sistêmica são dois conceitos também novos para a extensão rural e demonstram uma preocupação com a organização e a cidadania dos agricultores, bem como enseja uma compreensão da complexidade na qual os agricultores estão inseridos, para tanto, utiliza-se um enfoque sistêmico que busca, por sua vez, entender todas as relações que o sistema propriedade rural possui internamente, bem como quais são aquelas que mantém com o sistema maior onde o sistema representado por essa propriedade rural está inserido. Essa compreensão sistêmica é que poderá auxiliar o extensionista rural a buscar elementos que embasem as suas atividades e que possam contemplar o desenvolvimento de tecnologias que sejam realmente adequadas para a realidade.
A educação não formal continua sendo um dos principais conceitos da extensão rural, ela é informal, pois não se dá em um ambiente formal de uma escola, mas a sua concepção de educação não é mais de depositar conhecimentos nos agricultores, senão de construir os conhecimentos junto com eles, para tanto, utiliza, como ferramenta, o diálogo e considera a interdisciplinaridade como algo relevante para que o diálogo possa ser a base da construção de conhecimentos que seja adequada. Os extensionistas, nessa nova concepção, também são vistos como facilitadores de um processo de empoderamento por parte dos agricultores.
Deteremos-nos um pouco sobre as dissertações que foram analisadas nesse período do PPGExR. Essas dissertações não mais se detêm na crítica ao paradigma de difusão de inovações, mas buscam apresentar os caminhos que a extensão rural, ao menos no ambiente acadêmico e político, estava ou deveria estar percorrendo. Algumas delas trabalham sobre a reestruturação da extensão rural, tendo em vista que esse período é posterior ao momento de crise em que a necessidade de uma extensão rural pública passou a ser questionada, e quais os desafios que essa nova extensão rural enfrentará ou enfrentou em diferentes lugares, no que concerne a esse quesito, Silva (2000) faz a discussão sobre a extensão rural em Santa Catarina. Colombo (2000) traz uma discussão semelhante quando aponta a proposta da EMATER/RS – ASCAR para a construção de um modelo alternativo de desenvolvimento rural, sendo que, em seu trabalho, ele apresenta diferentes etapas pelas quais a extensão rural passou e, finalmente, acresce os novos conceitos, desafios da extensão rural.
Em 2001, Homen propõe uma discussão muito interessante, tendo em conta o mapa conceitual que foi aqui apresentado, ela aponta uma extensão rural diante de um desafio de transição agroecológica e qual é o papel do extensionista rural nesse processo. A autora
entende a Agroecologia como proposta de extensão rural, ou seja, a extensão rural tendo o seu trabalho embasado em uma proposta de transição agroecológica dos agricultores familiares, assim sendo, o público alvo da extensão rural é aqueles agricultores que até então estavam excluídos de um processo de modernização. Homen (2001) trabalha em uma concepção que, na época, estava em uma discussão bastante intensa sobre à Agroecologia quando ela chegou mesmo a ser proposta, ainda de maneira embrionária, por alguns pensadores da extensão rural como novo paradigma para a extensão rural. Entretanto, além de citar a Agroecologia com tal papel, não houve um esforço de sistematização da temática de maneira a evidenciá-la como uma real e possível candidata a paradigma de extensão rural. É possível que isso não tenha ocorrido, pois a temática da Agroecologia gera polêmica na própria comunidade científica da extensão rural. Existem cientistas que a apontam como ciência e outros discordam dessa posição. Mesmo algumas políticas públicas, como é o caso da PNATER, fazem referência. Assim, ainda que haja uma discussão quanto ao papel da Agroecologia na extensão rural e ela esteja presente no mapa conceitual aqui apresentado na condição de uma concepção da extensão rural, não se pode afirmar claramente que esse seja o novo paradigma da extensão rural, muito embora alguns autores já a tenham citado como tal.
Outras dissertações que foram defendidas no período tratam sobre o papel da extensão rural como formadora de capital social no meio rural e sobre a questão da educação em sua nova concepção, libertadora e dialógica, e de que maneira as instituições de extensão rural têm trabalhado com essa questão. Então, no âmbito da comunidade científica do PPGExR, fica claro que o momento de críticas ao paradigma de difusão de inovações já está findado e que os novos conceitos da extensão rural já foram absorvidos pelos cientistas da comunidade científica, bem como de mais alguns elementos pertencentes à comunidade científica global da extensão rural. Cabe ressalvar que não encontramos, nas dissertações do PPGExR, indicativos claros de qual possa ser o novo candidato a paradigma de extensão rural. Nesse sentido, passemos a uma análise mais geral do panorama da extensão rural nos diferentes períodos identificados, qual era o momento político de cada um deles e tentaremos identificar quais são os elementos que indiquem o novo paradigma da extensão rural que se apresenta para a comunidade científica do PPGExR.
5.4 Aproximações conceituais da comunidade científica restrita (PPGExR) e a