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mapa de perigo

No documento DesastresNaturais (páginas 151-155)

ANáLISE E mAPEAmENTO DE RISCO

PERIGO TECNOLÓGICO (TECHNOLOGICAL HAZARDS)

9.3. mapa de perigo

O mapa de perigo representa a probabilidade espacial e temporal de ocorrer um processo ou um fenômeno com potencial de causar danos. Os métodos de avaliação de perigos são bastante diferenciados, pois dependem do tipo de processo e das características da área. Na avaliação de perigo a escorregamentos, Tominaga et al (2008), consideraram

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a suscetibilidade natural do terreno e as características do uso e ocupação do solo como indicativos do perigo potencial (Figura 9.1). Outros autores, tais como Einstein (1988), Cooke & Doorkamp (1990), Fernandes e Amaral (1996) também consideram que o mapa de suscetibilidade corresponde ao mapa de perigo, quando se trata de escorregamentos, uma vez que representam probabilidades espaciais, as quais podem ser consideradas também como indicativas das probabilidades temporais.

Normalmente, utilizam-se duas abordagens principais para análise de perigo, uma qualitativa e outra quantitativa. Métodos qualitativos, em geral, são baseados no julgamento de especialista por meio de dados obtidos em observações de campo e em interpretação de fotos aéreas. Adota-se análise geomorfológica de campo, ou análise de combinação de mapas de índices dos fatores que afetam a estabilidade de vertentes.

Os métodos quantitativos baseiam-se principalmente em análises estatísticas, por meio da comparação da distribuição espacial dos fenômenos com os parâmetros considerados. Este método procura contornar a subjetividade das abordagens qualitativas. Os resultados podem ser aplicados em áreas que atualmente não apresentam feições de instabilidade, mas onde existem condições de suscetibilidade de futuras instabilidades. Utilizam-se também modelos geotécnicos determinísticos, que do mesmo modo que na análise de suscetibilidade, são voltados para análise de vertentes ou de locais específicos para fins da engenharia.

A avaliação do perigo é resultante da combinação das informações do meio físico (tipo de solo, declividade, clima, etc.) e do mapa de inventário de processos como os de escorregamentos e de erosão. Os atributos descritos neste mapa podem ser analisados qualitativamente, classificando-se, por exemplo, em baixo, médio ou alto perigo. O mapa de perigo representa, portanto, o potencial de ocorrência, em uma área ou região, de processos que podem ser causadores de desastres naturais e, desta forma, contribui com importantes subsídios para o adequado planejamento do uso e ocupação do solo visando o controle e redução dos desastres naturais (Figura 9.2).

Com a disseminação do uso de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), os estudos de perigo ou de previsão de áreas instáveis tiveram um grande desenvolvimento a partir da década passada. Os métodos adotados nestes estudos podem ser agrupados em três tipos principais: os empíricos; os probabilísticos e os determinísticos (Fernandes et al., 2001; Savage et al., 2004).

Métodos empíricos

O método empírico baseia-se na distribuição das cicatrizes recentes e depósitos associados como indicativo das áreas que podem apresentar futuras instabilizações. Por meio da produção de mapas de inventários ou mapas de densidade de ocorrências, são indicadas as áreas com potencial de instabilização (Fernandes et al. 2001). Estes modelos usam dados pluviométricos regionais, mapeamentos geológicos e geomorfológicos, dados geotécnicos, e dados digitais do terreno em SIG para estimar a distribuição espacial e temporal do potencial de instabilidade das vertentes.

Um outro método considerado empírico são as análises efetuadas a partir de mapeamentos geomorfológicos e/ou geotécnicos, produzindo, em geral, um mapa de perigo por

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meio da combinação de vários mapas referentes aos fatores condicionantes da instabilização, aos quais são atribuídos notas e pesos, a partir da experiência do profissional (Fernandes et al., 2001). Métodos probabilísticos

Em geral, os métodos probabilísticos adotam análises com bases estatísticas, as quais conferem menor subjetividade nos mapeamentos de áreas suscetíveis, possibilitando a replicabilidade. Estes procedimentos baseiam-se no princípio de que os fatores que causaram a instabilidade de um determinado local no passado poderão gerar novas instabilizações no futuro (Van Westen, 1993; Guzzetti et al., 1999). Entretanto, deve-se destacar que, como os critérios e regras de combinação nestes métodos baseiam- se em padrões mensurados a partir de observações e/ou ensaios de campo, torna-se necessária, a disponibilidade de extensos bancos de dados sobre os processos estudados, o que é muito raro na realidade brasileira (Fernandes et al., 2001).

Métodos determinísticos

Os métodos determinísticos são abordagens que utilizam modelos matemáticos em bases físicas, ou seja, que descrevem alguns dos processos e leis físicas que controlam a estabilidade de vertentes. São empregados programas computacionais baseados em modelos de fluxos hidrológicos e de estabilidade de vertentes (Fernandes et al., 2001; Savage et al. 2004). Uma outra abordagem de análise determinística adota modelos de estabilidade de vertentes para determinar o perigo de escorregamento, por meio de cálculo do fator de segurança.

Estes modelos determinísticos requerem uma grande quantidade de dados detalhados obtidos em testes de laboratório e em ensaios de campo, sendo assim, mais apropriados para fornecer as informações quantitativas do perigo de instabilização, as quais podem ser usadas diretamente em projetos de engenharia, ou na quantificação do risco. Contudo, o alto custo de obtenção dos dados limita sua aplicação apenas para estudos localizados e em áreas menores.

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