Falas das beneficiárias: Temas:
Edna: “eu sou do Rio Grande do Norte, nortista”. Local de
origem. Kely: “Sou de Santa Helena. Eu sou nascida lá, mas minha mãe é de Ituiutaba, de Buriti Alegre. Meu pai que é de Ituiutaba –
MG. Meus avós são de Uberlândia, os outros são de São Paulo. A família é bagunçada, cada um de um lugar.” [...] “Não eu já morava no município daqui. Moro aqui já tem uns 30 anos. Morava em Riverlândia. Município daqui. Ai foi lá que eu fiz essa Bolsa Família.”
Nair: “Eu nasci aqui, do lado do Monte Alegre, numa fazenda no município de Rio Verde. Ai meu pai mudou pro Montividiu e
cabou de criar nós no Montividiu.” [...] “Ai eu vim pra Rio Verde, mora numa casa duma irmã minha. Numa casa da irmã minha casada. Ai eu morei uns cinco anos ou seis.”
Não apresentou um motivo específico de ter mudado pra cidade. Edna: “eu vim, eu mais minha família nós viemos pra Santa
Helena, eu tinha 12 anos de idade, ai meus pais ficaram um tempo lá. Aí eu casei, ai eles foram embora, eu mudei pro Matogrosso, ai retornei pra cá, pra Rio Verde, aí eu tô por aqui...”
Motivo da mudança para Rio Verde Fernanda: “eu cheguei aqui né... eu era da fazenda, ai eu vim pra Montividiu. [...] Ai fiquei lá, morei lá um ano é três meses.
Ai eu vim né. Ai eu vim, eu tenho uma menina que ela é doente” [começou a chorar] ai ela faz tratamento em Goiânia. “Ai eu vim pra cá.”
Kely: “Tenho, nós somos dez irmãos. Nós era 11 mais faleceu um.” [...] “Não mora tudo longe de mim. A mais perto mora em
Goiânia. E a outra mora na mesma distância. Tudo 220km. Mora em Cassilândia-MS. Tudo quase, mora no Mato Grosso. Irmão mesmo, só eu e mais duas”. Ao ser perguntado se havia se casado disse: "Eu nunca fui casada graças a Deus. Eu só passei contrato. Passei contrato e vivi oito mês com um marido e separai.”
Família de origem.
Inicialmente apresentou uma confusão, mas posteriormente descreveu os filhos. Edna: “Quatro do primeiro casamento e três
do segundo casamento. [...] criei tudo sozinha... só eu e Deus.”
Ao relatar dos netos atuais que residem. Edna: “é o mais velho é da minha filha que mora em Goiânia. E as outras três é do
meu filho. [...] é a mãe separou e foi embora...”.
Edna: “têm as menina já pelejou pra mim ir... mas o negócio é que eu não tenho tempo. Assim, as duas meninas estão
estudando de manhã. Ai tem a bebezinha, ai não tem com quem deixar ela. [...] agora que eu não tô levando as menina na escola. Mas eu levava elas todo dia de manhã. Tinha uma que eu olhava, que agora a mãe dela engravidou e ai parou de trabalhar ai. Ai eu não tô olhado ela.”
Constituição Familiar atual.
104
cômodo. É só eu e ele.”
Fernanda: “mora, eu, ela, e mais minha outra menina minha de três anos.” Falando sobre a ajudo do marido. “não, ele só
ajuda assim pra levar pra Goiânia né. Pra fazer o tratamento. Ele ajuda. Ai pede os exames muito caro. [começou a chorar]. Ai ele ajuda. Porque assim, de seis em seis meses ela tem que fazer raio X, ressonância, e aquela cintilografia. Que tem que tomar contraste. Então, foi assim, dois anos mal, nós chegava, já tinha que correr com ela pra Goiânia de novo. Não ficava quieto em casa, só ficava na estrada”.
Nair: “Mora eu, meu esposo e minha filha a Iolanda, que é essa daqui. E meu menino. E o Kaique.” [...] “Ele não mora aqui
não. Ele é grande, já tem 20 anos, cresceu pegou a responsabilidade dele.” [...] “Mora eu, meu esposo, meu menino caçula. [...]o outro já é grande, ai não mora aqui não." [...] “Não, pra mora aqui mesmo na casa dela. Ai eu conheci o pai dela aqui em Rio Verde, lá na Vila Borges.”[...] “É tô com ele, graças a Deus, tive meus filhos.”
Fernanda: “é a mais velha agora, que mudo de escola, ela vai a tarde também. Ela entra 20 pras 2 e sai 5. Ela vai dois
períodos. E a outra de três anos fica comigo. Assim agora de manhã elas tão na escola. Ai 11:30 horas elas vêm. Ai eu só levo a outra maior, e a pequeninha fica.” Sobre a filha mais nova: “estuda... ela ficava na creche, ai as menina pediu pra levar ela pra escola. Agora em julho ela faz quatro anos...”
Rotina Familiar
Fernanda: “não, só dá escola para casa, da casa para a escola. [...] não, às vezes quando eu tava em Montividiu em ia né.
Mas, aqui, lá onde eu moro. Lá no Monte Sião, assim, não tem igreja perto. E eu sou daquelas escureceu eu não ponho o pé na rua. [...]é fico quieta, com as meninas. Apesar delas durmi cedo, porque elas levanta cedo pra ir pra escola. E eu sou daquela, eu só vou onde as menina pode ir. Aonde elas não pode, eu não sou de deixar com gente. Sempre tão na minha companhia.”
Relações Sociais
Relata do auxílio que recebe dos filhos por criar os netos. Edna: “não a que manda é a minha filha né [...] aí é o pai que
ajuda”.
Renda Familiar Fernanda: “você fala assim da Bolsa Família ou a da minha renda? [...] não, ai, eu tenho né a renda da Bolsa Família e meu
pai me ajuda. Assim, com um poquim, e as vezes quando acontece de surgi um serviço eu vou e faço também, né. [...] “é dá diária. Um dia você trabalha e outro dia não. Assim, eu trabalho quando as menina tá na escola. Aí elas estudam de manhã. [...] aham... ai meu pai me ajuda um pouco, e eu tenho o dinheiro do Bolsa Família. Eu pego R$134,00 das duas.”[...] “não, mais assim, mil vez pouco do que nada. Né não?”
Kely: “À renda que eu tenho, é que eu vendo enxovais. E a renda que eu tenho é bem pouquinha. As menina que me ajuda.”
[...] “Tem a pensão do pai dele né. Na verdade ele tinha que manda mais, mas o pai só manda R$200,00. Ela vai dar uns R$220,00 uns R$240,00, porque agora o salário subiu né.” [...] Referente ao Bolsa Família: “Ajuda nas coisa de casa, eu não esbanjo dinheiro de jeito nenhum. Eu mesmo deixo guardado lá na Caixa. Você acha que eu guardo dentro de casa? Eu não, ele pode dinheiro pior que tudo. Ai, a tal da escola dele pede um dinheiro. Toda hora “mãe, preciso faze um trabalho, mãe eu quero comprar um. Uma coisa pra por no computador dele. Um cartucho pra por na impressora, pra poder impressar em
105
casa. Sabe como é?! [...] porque ai ele impressa em casa mesmo. Direto tem que dar dinheiro pra esse cartucho. Direto pede dinheiro. Mas direto é direto. Eu vendo meus enxoval, meus trem. Mas eu recebo é de 60 em 60 dia.[...] mas dá pra tirar um dinheirinho. E vai indo. As meninas, a que mora na fazenda, ela que ajuda, gás ela que compra, é difícil eu comprar um gás.”
Nair: “É a do Bolsa Família.”[...] “É.. não só do menino. A menina não tá estudando e vai casa.”[...] “Aí ela vai casa, ai eu
tirei ela do benefício. Tirei ela, aí tá só o caçula de 15 anos.”[...] “Ai vai casa também né. Ai eu falei “vou tirar né, se não vai corta do menino”. Ai eu fui lá e tirei ela.”. Ao ser perguntada da renda informal. “Faço, de vez em quando eu vendo um tapete. Da vizinha aqui, ela faz, aí ela me dá pra vender. Ai eu vou pra Montividiu, minha mãe mora lá, ai eu vou pra lá, vendo lá.”
A beneficiária não sabe definir ao certo. Edna: “Ixi eu nem me lembro, acho que...[...] era pequenininha... se eu me lembro,
não me engano acho que vai fazer de onze pra doze anos que nós mora aqui. Acho que foi no segundo ano mais ou menos que a gente tava morando aqui.”
Inserção no Programa Bolsa Família. Fernanda: “que quando eu entrei? [...] ah, foi assim, quando a minha menina começou a fazer o tratamento, eu fiz o cadastro.
Mas, assim demorou pra mim começar a receber. Demorou, demorou, demorou, aí saiu né?!”
Kely: “À Lívia. Você conhece a Lívia? [...] ela é da Bolsa Família. Foi ela que arrumou essa Bolsa pra mim - Ela falou pra
mim - “você só tem ele, você não trabalha, só seu marido trabalha. Você pode fazer a Bolsa pra você. E arrumou essa Bolsa Família pro meu menino.”
Nair: “Quando eu entrei no Bolsa Família, quando eu fiz eu tava morando lá na Vila Borges. Nós morava de aluguel. Não
morava em casa própria não. Ai a diretora lá da escola lá da Rosalina Borges. Foi e fez pra mim. Era Bolsa Escola na época.” [...] Família extensa também é beneficiária. Nair: “Pra casa dela.” [...] “Tem dois filhos. Eu já tenho um netim, e uma netinha.” [...] “E foi eu que falei pra ela fazer. Falei “faz a Bolsa Família. É muito bom né.”. Ai ela falou “não, mãe então vou fazer”. Ai eu fui pra lá, e fiquei com meu netim.”
Kely: “Ixi, comecei a receber tem muito tempo. Eu comecei a receber acho que ele tinha três anos”. [...] “Hoje, ele vai fazer
15 agora em abril. Tem 14. Acho que ele tinha de três pra quatro anos que ele tinha. Ai, eu comecei a receber. Acho que era R$12,00 na época. Depois foi pra R$18,00. Agora, depois eles cortaram. Eu mudei pra cá. Ai cortaram. Ai larguei. E ficou um sete ou oito anos.”
Tempo de inserção no Programa Usuária não reconhece mudanças que ocorreram na política pública. Edna: “não pra mim assim, mudou só porque eu tirei o
menino. Porque eu sempre cuido muito. Quando muda de escola essas coisas, eu tô sempre atenta. Eu peso, cuido da saúde. Então sempre, é, na escola direto. Então, eu tô sempre cuidando disso aí direitinho. E o menino quis ir um tempo pra onde tá a mãe dele. Mas ele não fica lá. Ele vai mais não para. Ele ficou só cinco mês lá com ela. Ai eu tirei ele e não coloquei mais também. Porque agora ele já tá querendo trabalha né. Acha uma coisinha pra faze. Um dia ou dois, ai ele já vai né.”
Percepção de mudança dentro do Programa no tempo que está inserida. Kely: “É o Bolsa Família. Eu queria fazer o Bolsa Escola que eles falaram que ganha mais né?! Porque Bolsa Família é Informações
106
muito poquim né?! Mas, ajuda.” [...] “E porque tem umas pessoas que tem mais?”. escassas sobre o funcionament o do Programa/ descrédito na política. Kely: “Eu tinha uma neta. Mas aí ela já fez 16, e é só até 16. Eu acho que é né.” [...] “Acho que é. Ela fez 16, agora pego só
do menino. R$122,00 parece que ela falou pra mim. Que ela falou que a menina ficava com R$100,00, e R$22,00 pro menino.”. [...] “Nunca fui informada não.” [...] “É eu não sei, até quando vinha a Bolsa Escola, era mais. Agora que é Bolsa Família. Sempre era menos. Só que agora tem gente que recebe, não sei porque a minha menina, estudava no PETI também. Não sei. Sei que tem vários que estuda e a ganha bem mais.” [...] “É ganha e não precisa. Tem muitos. Sei que compra é roupa, é faz ganhar o dinheiro atoa, sem precisão. Porque a gente tem que usar porque precisa. Tem vez que eu não preciso, eu guardo ele. Porque as vezes depois precisa né?! Eu guardo ele”. [...] “Não porque tem muitas pessoas que recebe esse Bolsa Família, inclusive tem um amigo meu, que era açougueiro que tava recebendo. Ai cortaram esses dias.” [...] “é.. não tinha... ai cortaram. Então, através dele tem vários ai. Tem um rapaz ai de frente mesmo. Que não tem nenhum filho, solteiro tá recebendo.” [...] “Recebia mais. Parece que era cento e tanto. Ai eu falei pra meu menino”.[...] “Eu tenho uma vizinha que ganha R$122,00 parece. Dois meninos que ela tem.” “Será porquê?”. Ao ser perguntado se já buscou a respostas dessa
pergunta. “Não, nunca perguntei não.”
Nair: “É três né.”[...]“É eles agora já tá grande, agora só eu que peso.” [...] “É eu sempre falo pra ele ir pra escola né.
Porque agora está estudando a noite. O vizinho passa aqui. Ai eles vão a noite.”[...] “Eu tava sem entende, “será por causa de que, o peso e a medida?” porque tira a medida dá gente né.” [...] “Não, porque tem muita gente que fala. Eu pego tantos, outros tantos. Ai eu pego R$140,00. Ai igual a mulher aqui pega mais do que eu. Ai ela perguntou, e eu “eu pego R$140,00.”. É por causa de que?”[...] Ao ser perguntado se já buscou a respostas dessa pergunta: “aham. Elas são tão boa pra conversa com a gente”
Retirada do neto mais velho que parou de estudar. Edna: “é porque se não ia perde o das meninas. É...”. Conheciment
o das
condicionalid
ades e
recebimento do benefício. Nair: “Não ele não pesa mais não, eu fui lá e ela falou seu menino não pesa mais não. E a frequência da escola vai pra lá. Ai
quem pesa agora só eu.”[...] “Tem, os meus netim. A minha netinha tem cinco. E o outro é menor.”[...]“Não, eu não entendo. Por causa de que?” [...] “Entende, porque agora eu converso com ele, explico, que agora tá só ele né. “Aí eu falo, você tem que ir, se não corta o benefício. Se não, corta o Bolsa Família. Você tem que ir pra escola. Ai ele “eu vou”. Ai eu falo “se tiver muita falta corta o benefício.”
Edna: “não, eu só participo mesmo das reuniões todo mês. Agora tem aquele pessoal que vai lá né, dá aquela Escola de Pais
né?!”
Condicionalid
ades do
Programa Fernanda: “[...] é tenho os trem direitinho. E tenho como comprava tudo, porque elas pesam. [...] eu participo assim, das
reuniões. Mas, de curso eu não participo.”
Kely: “Agora da idade dele não pesa mais.” [...] “É boa né, bom que ajuda. Igual você tá falando ai, tem violão, tem igual
vários cursos que tem ali né. Ali tem vários cursos, pá escavadeira pra fazer o curso. Inclusive eu tava lendo, e falei pra ele. Ai ele falou “a mãe esse não dá pra mim faze não. Porque eu sou de menor. Não dá pra fazer”. Ai ele tava fazendo a capoeira.
107
Mas ai como ele estuda cedo e de tarde. Ai vai estuda a noite, ai não vai ter como.”
Nair: “Aí eu não achei vaga pra ela. E eu fiquei com medo também dela vir a noite de lá.” [...] “É muito perigoso. Nossa, até
a noite. Eu fui atrás.” “Fui lá no CRAS e conversei com a Celma (assistente social). Ai ela falou “já que não achou a vaga, tem que tirar se não vai corta seu benefício né?!”. Ai eu fui lá e tirei ela. Mas, eu achei ruim né. Porque ela fica sem estudar é ruim né. Mas, eu fui lá, pelejei com ela. E ela “só tem a noite”. A noite o pai dela também não quis porque é muito perigoso lá vir sozinha.” [...] “Falei pra ela “vai pra escola, se não vai até cortar. Porque tá bloqueado”. Ai ela pegou e foi. E fui tentando ir lá direto. Nossa mais eu achei ruim... fui lá a mulher falou “não, tá bloqueado!”. Você tem que ir lá no Mercado Novo, na agência lá de baixo. Ai nossa eu achei tão ruim, é tão bom quando a gente chega pega. Nossa mas eu achei ruim, fui lá no Mercado Novo. “Ah, não saiu não, mas o dinheiro tá aqui.”. Ai ela olhou lá né. “tá lá pra você pegar”, o dinheiro tá lá. Ai a moça falou que tava bloqueado.” [...] “Ai eles foi depois direitinho né. Ai eu fui pega e saiu.”
Dificuldade de acesso as condicionalid
ades do
Programa.
Nair: “Só assim, teve uma vez que fez bloquear. Ai eu corri atrás, corri, corri. Até desbloquear.” [...] “Uai eu não sei se era
por causa da menina que não tava indo pra escola direito, eu acho que era. Porque ela tava ficando com muita falta. Ai eu fui lá no Mercado Novo, conversei. E ela falou “não, o dinheiro.” Falou que o dinheiro tava lá pra mim pegar. Mas não saia tava bloqueado. Ai eu fui tentando, fui tentando, até desbloquear.”
Bloqueio do benefício do descumprime nto das condicionalid ades
Relato de quando foi receber o dinheiro na Caixa Econômica. Fernanda: “Ai depois, eu peguei um mês, aí depois. Eu não
peguei mais. Ai cancelou. Ai eu fui lá arrumou de novo. Ai eu continuei a receber como antes.” Relato sobre a inconstância do recebimento do benefício. [...] “uai eu fiquei mais eu fiquei pensando assim, mais se eu perder como, porque eu to fazendo as coisas certas? Eu levo as menina pra pesa, assim a declaração da escola ta tudo em dias né. Eu fiquei pensando, mas eu tenho como prova que eu não saquei dinheiro antes do tempo. Eu tenho como eu prova que eu não tinha sacado. Ai depois eu fui lá de novo, e eles tornou a arrumar pra mim de novo. Ai no próximo mês, no outro mês ai veio o pagamento do outro mês que eu não tinha recebido que tava bloqueado. E o outro junto.” “ai não tinha dinheiro. Igual o mês passado fui receber e não tinha dinheiro. Ai eu ainda vim aqui, a assistente ligou la. Na Promoção Social, e eles falou pra mim que eu não tava retirando o dinheiro. Mas eu tenho todos os comprovante. E tem como eu comprava que eu tava pegando. Então, deve ser rolo deles lá né. [...]Mas eu tenho que esperar o próximo pagamento agora em abril, pra mim ver se deu certo ou não. Porque agora em março eu não saquei. Não saquei. Até eu trouxe aqui o comprovante pra assistente vê lá. Né... na promoção pra mim. Ai eles falou lá, constatou que eu não tava retirando meu dinheiro. Mas, assim, eu tava tem todos os comprovante que eu tava retirando.”
Falha no Sistema Bolsa Família
Kely: “Não num fui. Ai eu fui lá. Conversava com a Lívia e ela falava, vai lá de novo. No... como que é. no mercado velho.”
[...] “é.. ai ela falava “vai lá”. Eu fui umas três ou quatro vezes. Ai não veio de jeito nenhum. Ai depois que eu vim aqui no CRAS, que eu consegui. Ai mandaram eu ir lá. Aí que consegui arruma.”[...] “Não, ai tá com um ou dois, quatro meses que eu já recebo.”
108 Edna: “teve uma vez que eles mandaram uma cartinha para mim. Só que eu fui lá nas meninas, mas elas disseram que foi
porque tinha encontrado, mas foi erro deles lá. Eles disse que não tinha encontrado meu endereço. Mas eu nunca mudei daqui né. Desde que eu mora aqui, é toda vida aqui”.
Responde se teve alguma explicação do porquê seu dinheiro foi bloqueado. Fernanda: “[...] não só falam que eu não tava
tirando o dinheiro. [...] é igual assim, eu acho que a gente não pode faze compromisso com o dinheiro de Bolsa Família. Porque você vê, você faz o compromisso, aí depois chega o dia você não tem. Ai passa apertado. [...]não posso, contando com ele eu tenho medo né, depois eu vo e fica com o nome sujo. Passa apertado, então, eu prefiro assim, saca primeiro pra depois eu fazer o compromisso, porque é uma coisa que assim, que a gente pensa assim “ah, isso ai é uma coisa que eu posso conta com isso ai, que isso ai vai dá tudo certo”. Não. Acho que não, a gente não pode conta com isso”. Fernanda: “ah eu acho né, que é um direito. Você vê assim, que... [...] uai eu fico preocupada né, porque as coisas tão tudo em dia, porque que você não recebi? Né? Porque assim, se os outros teve o direito, porque não chegou, porque a mim que não. Hum, assim, minhas coisas tão tudo em ordem, porque não. Eu penso assim, igual esse mês agora mesmo. Eu contando com esse dinheiro, eu cheguei lá né... falou que tava bloqueado, ai eu vim aqui, passei aqui, porque eu tenho o cadastro aqui. Né a assistente social olhou pra mim lá, e ela falou “é vamo,..”, aí concedeu de novo. Ai ela falou “vamo ver o que tá acontecendo?” ai falou a mesma coisa que eu não tava retirando...”
Sentimento de impotência frente ao sistema.
Argui sobre as atitudes quando o benefício foi bloqueado sem aviso prévio. Kely: “Ai fica sem né! Faze o que? Não adianta.
Tinha que se virar com o que tinha.”
Usuária entende o dinheiro recebido como uma ajuda. Edna: “Eu gosto das minhas coisas tudo sabe, certinha... pra não
prejudica nem a mim nem as pessoas que tão me ajudando né.”
Visão de que o benefício é um auxílio. Kely: “Não fiquei com raiva não. Não fiquei com raiva não, tem que ficar com raiva com um coisa que é dá gente. A gente
ganha e ainda, quando não ganha... tem que dar graças a Deus de ganhar, as vezes dá pra inteirar comprar um gás. Dá pra inteirar... comprar um trem de comer né?! Num é verdade? Porque eu acho que assim.”[...] “Não, eu entendo como um auxílio, porque não é direito não. Entendeu?!” [...]“Porque eu acho que a gente já ganha esse trem, já é ganhado já, ainda fica exigindo as coisas. Entendeu?” [...] “Já tá ganhando...”
Nair: “Como se fosse um auxílio?”[...] “É como se fosse uma ajuda?”[...] “É um direito?”[...] “Pra mim é como se fosse uma