4 CAMINHO METODOLÓGICO
4.5 Instrumento de Coleta de Dados
4.5.1 Mapas afetivos
A metodologia dos mapas afetivos está fundamentada nos mapas coletivos cognitivos do Lynch em meio aos pressupostos da Psicologia Ambiental, bem como teoria Histórico-Cultural proposta por Vygotsky (BOMFIM, 2010).
Os mapas cognitivos de Lynch estão baseados na ideia de que cada sujeito tem um mapa mental, um processo em que as pessoas codificam e decodificam os locais dos quais participam. Os mapas cognitivos privilegiam a estrutura e a identidade, detendo-se menos no significado dado pelo informante, ou seja, no seu conteúdo simbólico (BOMFIM, 2008).
Na Psicologia Social, por meio da matriz teórica histórico-cultural, está calcada outra parte do embasamento dos mapas afetivos. Na referida abordagem teórica, está expressa a linha argumentativa do afeto como subtexto da linguagem.
Desta forma, os mapas afetivos foram desenvolvidos por Bomfim (2008), no intuito de buscar a representação dos lugares para além do cunho apenas cognitivo. Ela procurou compreender a dimensão psicossocial e sociocultural na relação entre espaço construído e subjetividade, destacando a afetividade como fator agregador da percepção dos espaços.
Por isso, pensamos em buscar uma metodologia que pudesse facilitar o processo de tornar tangível o intangível, pela fundamentação de um instrumento que abarcasse imagens e palavras, pela formulação de sínteses ligadas aos sentimentos, ligadas de forma menos elaborada e mais sensível. (BOMFIM, 2008, p. 255).
Os mapas afetivos foram escolhidos como instrumento por apresentar a possibilidade de produção de imagens, por intermédio da linguagem do desenho e do uso de metáforas, facilitando a deflagração dos afetos, sentimentos e emoções presentes na vivência (BOMFIM, 2010).
O mapa afetivo procura capturar as emoções e sentimentos dos sujeitos na forma de uma imagem, que pode ser de contraste, destruição, insegurança, agradabilidade, e pertencimento revelando a estima ao lugar. Esta estima relacionada a uma imagem expressa os significados quanto a um lugar. Assim, pelos afetos das pessoas aos lugares, chegamos às imagens que incorporam a estima, podendo ser positiva (vinculação e potencia de ação) ou negativa (desvinculação e falta de potencia de ação) (BOMFIM, 2010).
Nas pesquisas anteriores com os mapas afetivos, as imagens de agradabilidade e pertencimento revelam uma estima positiva de lugar e as imagens de destruição, insegurança e contraste refletem uma estima negativa de lugar (BOMFIM, 2010; PINHEIRO, 2009; FURLANI, 2005).
Os mapas afetivos têm na sua composição, respectivamente, o desenho do ambiente, o significado do desenho, os sentimentos deflagrados, as palavras-sínteses (síntese dos sentimentos), o que pensa sobre o ambiente e, por fim uma busca quanto às categorias da escala Likert.
A aplicação dos mapas afetivos se inicia pela solicitação de um desenho que representa a forma como o sujeito vê e sente o ambiente (o hospital, no caso da pesquisa em curso). De acordo com o pensamento da idealizadora do instrumento, o desenho permite a deflagração das emoções e sentimentos (BOMFIM, 2008).
Em seguida à realização do desenho, é solicitada ao participante que este dê um significado para seu desenho. Neste momento, o sujeito explicitar acerca do que tencionou representar com a imagem gráfica. Logo após, é pedido ao pesquisando que expresse e descreva os sentimentos suscitados com base no seu desenho. Na sequência, é sugerido que sejam escritas palavras-sínteses, possibilitando um resumo maior dos sentimentos evocados para aquele ambiente (FURLANI; BOMFIM, 2005).
Portanto, o respondente registra seis palavras-sínteses, que podem ser sentimentos, substantivos ou qualidades atribuídos ao desenho. Posteriormente, é
indagado do sujeito qual o pensamento que tem do lugar (o hospital) que representou, como também é solicitado que este faça uma comparação do lugar. Depois são solicitados a responder a algumas perguntas referentes à identificação do respondente (idade, sexo etc.).
Finalizando, temos as categorias da Escala Likert, que compreendem as afirmações baseadas em dimensões levantadas no momento do pré-teste, correspondendo a uma escala de 0 a 10. Há possibilidades resultantes de distintas dimensões aparecerem, tais como: pertencimento, contraste, agradabilidade, destruição e insegurança.
Tornou-se necessário, entretanto, adequar o instrumento à proposta investigativa do estudo em foco. Sendo assim, a quantidade de seis sujeitos participantes da pesquisa inviabilizou um pré-teste e, portanto, a possibilidade de gerar categorias para a escala Likert. Por conseguinte, o mapa afetivo utilizado nesta pesquisa apresentou a configuração a seguir delineada.
Desenho: este é o primeiro momento da aplicação em que foi entregue o instrumento ao sujeito, sendo solicitado que o respondente desenhe sua forma de ver, sua maneira de representar ou de sentir o hospital onde trabalha.
a) Significado do desenho: o objetivo deste item foi oferecer uma possibilidade ao sujeito de esclarecer sobre a imagem gráfica produzida.
b) Sentimentos: este item visou à expressão e descrição dos sentimentos suscitados quanto ao desenho pelo informante.
c) Palavras-síntese: nesse momento, foi solicitado ao sujeito um resumo dos sentimentos que foram evocados na realização da tarefa.
d) O que pensa do hospital: objetivou que o respondente expressasse o que pensava do hospital.
e) Comparação do hospital: neste item, foi pedida a comparação do hospital com algo, permitindo uma elaboração de metáforas. Como recurso linguístico, a metáfora representou uma nova síntese dos sentimentos.
f) O que é o hospital: permitiu ao respondente expressar o que era mais representativo do hospital.
g) Do que gosta no hospital: consistiu na identificação do que o sujeito gosta no ambiente do hospital.
h) Do que não gosta no hospital: consistiu na identificação do que o participante não gosta no ambiente do hospital.
i) O que poderia melhorar no hospital: possibilitou ao sujeito expressar o que pensava sobre possíveis condições de melhorias na instituição hospitalar.
j) Identificação do respondente: foram solicitados alguns dados de identificação como sexo, idade, tempo de trabalho no hospital.
k) O que eu gostaria no hospital [...]: a frase, para ser completada, objetivou autorizar a comunicação livre, permitindo anunciar espontaneamente a expressão de pensamentos ou sentimentos.