• Nenhum resultado encontrado

Network Dimensão

Esquema 1 (2): Organização da fundamentação teórica

2.2 Capital Social

2.2.1 Dimensão cognitiva

2.2.1.2 Componentes cognitivos para análise de redes sociais informais Além das dimensões estruturais e relacionais, que serão tratadas em seções mais

2.2.1.2.2 Mapas cognitivos e os processos de cognição social

Lord e Maher (1991) consideram que o processamento da informação social é uma questão desafiadora de se explicar a partir de uma perspectiva da ciência cognitiva. Percepções sociais são baseadas tanto sobre fatores implícitos quanto explícitos e os indivíduos podem ter pouco insight com relação aos processos implícitos afetando as cognições sociais.

A dimensão social dos processos cognitivos humanos resultou em uma área específica de pesquisa na Psicologia Social, com interesses nos processos usados pelas pessoas para gerarem o conhecimento e a compreensão dos aspectos da vida cotidiana. Neste sentido, a

“cognição social”, resgata, cientificamente, tópicos como, os processos de atribuição, formação de impressões, estereótipos, atitudes, protótipos, schemas e scripts. (BASTOS, 2001).

Weick e Bougon (1986) apresentam a noção de “mapas cognitivos” como uma metáfora para analisar a natureza do fenômeno “organização”. Os autores afirmam: “As organizações existem largamente na mente, e sua existência toma a forma de mapas cognitivos. Então, o que une uma organização é o mesmo que vincula, ou coloca junto, pensamentos” (WEICK; BOUGON, 1986:102).

Além da dicotomia entre indivíduo e organizações (BASTOS, 2000; 2001) cabe afirmar que “organizações” podem ser, para diferentes indivíduos, realidades distintas. Tichy Hornstein e Nisberg (1977) consideram que aquilo que se vê de uma organização depende daquilo que se procura. Juntos, o que se procura e o que se vê determinam as ações dos indivíduos. Há quase meio século, Zajonc e Wolf (1966) demonstraram que os membros de uma organização buscam diferentes coisas. Os mapas ou estruturas cognitivas representam os modelos ou teorias de organização que são interiorizadas pelas pessoas. Estes modelos guiam a análise das situações organizacionais e ações subseqüentes.

Rousseau (1997) destaca o vínculo entre o acentuado processo de mudança por que passam as organizações e as transições conceituais que impõem ao estudo do comportamento organizacional. Neste sentido, a organização vista como “processo” demonstra uma particular atenção para o nível grupal, redes sociais, cognição gerencial, construção de sentido (organizational sensemaking) entre outros. Desta forma, a autora mostra a organização como uma construção social.

Apoiando-se em uma análise dos estudos cognitivos na Psicologia, Walsh (1995) apresenta um esquema que sintetiza a pesquisa sobre as estruturas de conhecimento, termo genérico para assinalar que os indivíduos constroem representações de seu ambiente e elas

guiam todo o processo de busca, seleção, armazenamento e geração de novos conhecimentos e comportamentos. Em diferentes níveis de análise (indivíduo, grupo, organização e indústria), os estudos cognitivos têm se voltado para: o desenvolvimento e mudanças nas estruturas de conhecimento; a representação ou a “estrutura do conhecimento” em si, buscando descobrir, em face de estruturas específicas utilizadas por gerentes, seus atributos, conteúdos específicos e como esses se estruturam; o uso e conseqüências dessas estruturas, ou seja, qual seu impacto sobre resultados organizacionais, em seus diferentes níveis.

Os mapas cognitivos são ferramentas para representar dados verbais (informações orais ou escritas que expressam afirmações, predições, explanações, argumentos, regras) através dos quais se pode ter acesso a representações internas e a elementos cognitivos (imagens, conceitos, crenças causais, teorias, heurísticas, regras, scripts etc.) (LAUKKANEN, 1992). Neste sentido, Bastos (2002) esclarece que os mapas podem dar acesso a pressupostos do respondente, mesmo quando estes não são visíveis para o próprio participante.

Nicolini (1999) apresenta o mapa cognitivo como uma das estratégias possíveis para representar cognições sociais: ”mapas poderiam ser considerados apenas instrumentos de descrição e representação que ajudam na discussão e análise de alguns modos de pensamento e explicações dos eventos” (p.836). Desta forma, o trabalho de mapear estruturas cognitivas envolveria, “explorar as maneiras pelas quais essas entidades representacionais são unidas, transformadas ou contrastadas” (p. 836).

Bastos (2002), traz uma rica explanação dos aspectos metodológicos que tornam as técnicas de mapeamento cognitivo uma ferramenta importante para a investigação de processos organizacionais nas dimensões simbólica, comunicativa e hermenêutica. Ele salienta a pluralidade de formas de sua apresentação e tratamento gráfico. Para ele:

[...] mapa cognitivo é um rótulo bastante amplo que engloba procedimentos muito diversificados de descrever e representar graficamente cognições ou informações e conhecimentos que as pessoas acessam para dar sentido a eventos, lidar com problemas e fundamentar suas decisões e ações (BASTOS, 2002, p. 68).

Na tentativa de organizar a diversidade que caracteriza a captura dos mapas cognitivos Huff (1990) propôs um continuum em que um extremo representa os mapas que avaliam atenção, associação e importância de conteúdos cognitivos e que se detêm no material manifesto; o outro extremo representa os mapas que especificam schemas, enquadramentos e códigos perceptuais com elevado grau de interpretação por parte do pesquisador. Entre os dois extremos, estão os mapas que descrevem categorias e taxionomias, os mapas causais e os mapas que descrevem a estrutura de raciocínio e decisão.

Fiol e Huff (1992) destacam três tipos de mapas cognitivos. Estes mapas já têm sido explorados por autores nacionais da área das organizações (ex. BASTOS, 2000/2002; MACHADO-DA-SILVA et al. 2000). Estes mapas são descritos a seguir.

Mapas de identidade: apóiam-se numa análise de conteúdo para identificar conceitos e

temas centrais nos discursos enunciados pelos indivíduos, apontam as principais características do terreno cognitivo e as atividades envolvidas na sua construção são básicas para todos os demais tipos de mapas.

Mapas de categorização: buscam descrever os schemas utilizados por gestores ao

agruparem eventos e situações com base em suas semelhanças e diferenças, tendo acesso ao sistema de categorias de pensamento utilizado e a dimensão de hierarquia que existe entre esses conceitos.

Mapas causais: são os mais difundidos nos estudos gerenciais e fornecem uma

compreensão dos vínculos que indivíduos estabelecem entre ações e resultados ao longo do tempo.

Os mapas de identidade são adotados neste estudo de tese para capturar os significados compartilhados pelos empresários incubados com relação a uma carreira empreendedora de sucesso e sobre o papel da network para o desenvolvimento desta carreira. No capítulo da metodologia são descritas as técnicas utilizadas para a elaboração destes mapas.

Nos últimos anos, Baron (1998, 2000) e outros pesquisadores (BAUM, LOCKE e SMITH, 2001; SHANE, 2000) têm buscado não só aumentar o rigor metodológico, mas criar ligações conceituais entre empreendedorismo e cognição. Neste esforço de pesquisa, os métodos e construtos psicológicos apresentados são relevantes para a compreensão das características e atividades dos empreendedores.

Como visto, a dimensão cognitiva do capital social destaca os aspectos da rede de relações que dizem respeito aos significados compartilhados, que permitem a existência de uma rede de relações de reconhecimento mútuo, institucionalizada em campos sociais. Na prática, o compartilhamento de significados ocorre como resultado da interação dos indivíduos em uma estrutura social com características próprias. Nesta perspectiva, a seção seguinte passa a discorrer sobre a dimensão estrutural.