CAPÍTULO 5 – TERRA DE ÍNDIO X TERRA DE USINA
5.2 MAPEAMENTO DOS CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS E
O mapeamento dos conflitos socioambientais e fundiários na TI Potiguara Monte mor envolveu os atores sociais previstos no item 5.1, com seus interesses e suas relações com os conflitos em tela, por conseguinte, segue a análise dos dados coletados nesta pesquisa concernente ao mapeamento dos conflitos e os impactos realizados nas atividades desenvolvidas pelas usinas e pelos Potiguara.
Algumas atividades econômicas como a extração de madeira, a carvoaria, a plantação da cana, entre outras, desenvolvidas pelos próprios índios Potiguara podem ocasionar degradação ambiental (Quadro 10 – Conflitos ambientais causados pelos índios), com isso surgem conflitos com a APA Barra do Rio Mamanguape sobreposta a área indígena, assim, o ICMbio entra em contato com os índios para proibir a realização dessas atividades, mas os índios por sua vez, em virtude de sua cultura e de problemas sociais com a habitação e o desemprego, necessitam da realização dessas atividades (extração de madeira e produção de carvão), haja vista a inexistência de políticas públicas municipal, estadual ou federal com o intuito de capacitar os índios ou de conceder outras perspectivas de sobrevivência.
Ficando, desta forma, um impasse onde os caciques entendem por bem não permitir a interferência dos órgãos ambientais por ser questão de necessidade da população local e também por entender que os índios chegaram primeiro nas terras, há mais de 500 anos, enquanto que a implantação da APA, que foi realizada através do Decreto Federal nº 924, em 1993, com o intuito de proteger o peixe boi do estuário.
O Quadro 10 demonstra a categoria Conflitos Ambientais causados pelos índios, através das seguintes subcategorias: lixo, carvoaria e plantação de cana de açúcar. Todos os problemas ambientais ocorrem por falta de ações governamentais mais eficientes e a degradação em virtude das atividades canavieiras.
Quadro 10: Categoria – Conflitos Ambientais causados pelos índios
SUBCATEGORIAS Afirmações relevantes Entrevistado/
Paginação LIXO
“muito lixo jogado ali” Associação de
Jaraguá/25 “Num tem coleta [...] Eles queimam, queima o
lixo” Cacique de Três Rios/59
CARVOARIA “Acho que é uma das coisas mais degradantes,
é o carvão, as carvoaria” Cacique de Monte Mor/69
EXTRAÇÃO DE
MADEIRA “Retirada de madeira, já pras casa sabe. Porque tem muitos que num tem recurso pra compra tijolo ai vai pro maingue tirar as madeira.”
Cacique de Jaraguá/108
PLANTIO DA
CANA DE
AÇUCAR
“onde o governo não chegou [...] muitos migraram pra o plantio da cana de açúcar por quê? Porque é uma cultura garantida, do mercado garantido [...] e isso [...] trouxe o desmatamento. É, traz o veneno que é usado nas áreas indígenas. Ai vem doenças provenientes da queimada da cana de açúcar, a fumaça tudo isso.”
FUNAI/Baia da Traição/45
“às vezes os próprios índios estão envolvidos
no plantio” (referindo-se a cana de açúcar) FUNAI-DF (Monitoramento Territorial)/05 “A influência da cana de açúcar é muito
grande. E também eu como Cacique, logo quando eu entrei, tivemo até uma polêmica dos plantadore de cana que a gente tem muito indígena que planta cana. É incentivado pela usina, mai ele planta cana”
Cacique Geral/95
“Não aqui em Três Rio tem não. Agora que aqui ai em baixo tem, tem, na Aldeia Brejinho, né, tem Tramataia, que num era pra existi mai a cana. Que é mermo vizinho ao maingue. E eles colocam veneno. Mermo sendo do índio, mas colocam veneno.”
Cacique Três Rios/62
Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
Diegues (2001, p. 72) ao tratar sobre etnoconhecimento e plano de manejo afirma que:
Tendo em vista as limitações das contribuições da própria ciência, deveria haver um esforço maior em se integrar o etnoconhecimento das populações tradicionais nos planos de manejo. Ademais, em áreas onde existam comunidades tradicionais, é imperioso que estes planos de manejo percam seu caráter autoritário e tecnocrático, passando a ser um processo de integração gradativa do conhecimento, dos fazeres e das técnicas patrimoniais nas tomadas de decisões sobre o uso do espaço por longo tempo habitado e usado pelo morador tradicional.
Não se pode tratar de conflitos ambientais sem questionar sobre como fazer a conservação ambiental e manter a sobrevivência da comunidade tradicional. Segundo Lima e Barroso-Hoffmann (2002, p. 96):
Há o reconhecimento de que não se pode pensar a preservação dos remanescentes da Mata Atlântica sem desenvolver alternativas de sustentação para as populações locais que vivem nessas áreas ou em seu entorno.
Desta forma, é imprescindível a presença de uma política pública indigenista que favoreça tanto a comunidade tradicional como o meio ambiente, incentivando a realização de atividades de subsistência sustentável, sem a agressão ao meio ambiente, possibilitando com isso a convivência entre os índios e a natureza.
O lixo (Figura 10) é um problema socioambiental oriundo da falta de infraestrutura mínima que deveria ser concedido pelo governo para a garantia da cidadania em uma comunidade, contudo, a falta de políticas públicas em relação aos índios ocorre de forma diferente conforme cada aldeia, sendo identificado também este problema na TI Potiguara Monte Mor, através do Mapa 04, com a presença de 03 lixões.
Figura 10: Lixo jogado pela população na Aldeia Jaraguá
A Aldeia Monte Mor é a melhor estruturada, possuindo a maioria de suas ruas com calçamento, coleta de lixo é realizada regularmente pelo Município de Rio Tinto/PB, água encanada e fossa, apesar de não ter o serviço de esgoto.
Contudo tanto a Aldeia Jaraguá quanto a Aldeia Três Rios não possuem ruas calçadas, porém a Aldeia Jaraguá tem a coleta de lixo realizada pelo Município de Rio Tinto, após uma briga na justiça federal, conforme o Cacique local, mas a comunidade, mesmo com a coleta de lixo, joga o lixo nas ruas e quintais da aldeia, proporcionando problemas sociais em decorrência da proliferação de animais como ratos, baratas e escorpiões, como também ocasiona problemas ambientais em virtude do lixo ser levado com as chuvas para os rios e maré da região, contaminando as águas e o solo, como pode-se constatar na Figura 10.
Com relação ao lixo na Aldeia Três Rios este ocorre também por causa da falta de coleta pela Prefeitura, no caso Marcação, contudo as ruas da aldeia não tem nenhuma sujeira, uma vez que os índios realizam a queima do lixo, conforme o Quadro 10. A liderança local informou tal fato desconhecendo o perigo que pode ocasionar a queima do lixo para a população e o meio ambiente, pois a preocupação da comunidade é que a aldeia fique sem a sujeira do lixo, utilizando inclusive as cinzas como adubo. Todavia, essa situação pode ocasionar, além de queimaduras em quem provocar o fogo, a emissão de gases à atmosfera causando problemas respiratórios na comunidade local.
Ainda de acordo com o Quadro 10, ao tratar de Conflitos Ambientais causados pelos próprios índios tem-se também as carvoarias e a extração de madeira, no caso da carvoaria há extração de madeira nas matas da região para a produção de carvão, onde os índios tiram a madeira, queima e enterram. Depois esperam apagar o fogo e retiram o carvão para vender na comunidade e no Centro de Rio Tinto/PB. Com relação a extração realizada em Jaraguá, além de ser para a realização da produção do carvão, é feita também para a construção de casas de taipa, danificando o meio ambiente, mas em proporções bem menores do que o desmatamento realizado pelas usinas de cana de açúcar para o plantio da monocultura.
A retirada de madeiras ocorre em todas as terras indígenas, para a construção de casas e produção de carvão, além de outras atividades econômicas que são utilizadas em uso comum coletivo pela população, como as lavouras brancas que são as roças de macaxeira, feijão, batata, além da mandioca que é vendida in natura ou beneficiada através da produção de farinha, existindo em quase toda aldeia uma casa de farinha comunitária dos índios.
Os conflitos ambientais são notórios nas aldeias indígenas Potiguara, pois a natureza demonstra a forma impiedosa do tratamento dado pelo homem, seja o índio ou o não índio. Pesando em uma balança, indubitavelmente, os danos causados pelo desmatamento e dejetos oriundos da plantação de cana de açúcar são maiores. Contudo, não deixa de existeir também a degradação ambiental causada pelos próprios índios, pelas atividades já supra mencionadas como também pela carcinicultura, contudo tal atividade não é desenvolvida nas Aldeias em análise, ocorrendo a cata do camarão natural na Aldeia Três Rios, sem a realização de viveiro.
A plantação de cana de açúcar é realizada pelas usinas através de seus trabalhadores índios e não índios. Já os índios além de plantar no entorno das aldeias como empregados das usinas, plantam também dentro das terras indígenas, como atividade desenvolvida agrícola, na pesquisa pode-se constatar que essa plantação ocorre na Aldeia Monte Mor, além de outras aldeias fora da TI Potiguara Monte Mor, como Tramataia e Brejinho, segundo o Quadro 10.
A plantação de cana em área indígena não é proibida por lei, contudo há um contrassenso tanto por causa da visão preservacionista que se tem dos índios, como também pela luta dos índios na retomada de suas terras contra as usinas e suas plantações de cana de açúcar. Por conseguinte, há ainda o problema ambiental oriundo da colocação de fertilizantes e agrotóxicos na plantação seja pelos índios ou pelas usinas. O IBGE (2010) ao realizar uma pesquisa de indicadores de desenvolvimento sustentável trata dos fertilizantes e agrotóxicos da seguinte forma:
Os fertilizantes são largamente utilizados para o aumento da produtividade agrícola, estando associados à eutrofização dos rios e lagos, à acidificação dos solos, à contaminação de aquíferos e reservatórios de água, à geração de gases associados ao efeito estufa e à destruição da camada de ozônio. (IBGE, 2010, P. 45)
Os agrotóxicos podem ser persistentes, móveis e tóxicos no solo, na água e no ar. Tendem a acumular-se no solo e na biota e seus resíduos podem chegar às águas superficiais por escoamento e às subterrâneas por lixiviação. (IBGE, 2010, P. 52)
Além do agravante da aplicação desses produtos tóxicos serem realizados não apenas em uma TI, mas também em uma UC, a APA Barra do Rio Mamanguape, uma área de preservação ambiental federal que é degradada a cada dia.
No Quadro 11 é identificada a Categoria Conflitos Ambientais provocados pelas usinas, o que prejudica e danifica o meio ambiente, sendo como subcategorias, as
consequências da degradação ambiental da plantação da cana através do desmatamento, do assoreamento, agrotóxico, carcinicultura e conflito fundiário. Os problemas ambientais ocasionam a diminuição da vasão dos rios, a extinção de algumas nascentes e a poluição do ar, dos rios, dos aquíferos.
Quadro 11: Categoria – Conflitos Ambientais provocados pelas usinas
SUBCATEGORIAS Afirmações relevantes Entrevistado/
Paginação
DESMATAMENTO
“depois né, do processo demarcatório e hoje graças a Deus, a usina se afastou, num veio mais aqui, mai também depois que acabaro com tudo né [...] com o desmatamento da usina”
Associação de Jaraguá/25
“Desmatamento tinha porque foi a usina que
fei né” Cacique de Três Rios/59
“O maior problema ambiental que a gente tem é a questão do desmatamento. Esse desmatamento foi feito pra plantação né, pra agricultura da lavoura da cana de açúcar [...] a Miriri”
Associação de Monte Mor/80
ASSOREAMENTO
“A usina Monte Alegre que era tombém, que ela botava muita cana dentro do rio Mamanguape [...] em Monte Mor nós temo aqui um, uma fazendeira aqui chama Emílio [...] no Rio Paraíso, que ainda tem um arrendamento aqui dentro da Terra de Monte Mor”
Cacique de Três Rios/56
“Desmatamento pra cana de açúcar e ai
assoreou o rio (rio do Gelo)” Cacique de Monte Mor/69 “quando começaram a plantar cana de açúcar
ai ficou na areia e cada chuvada que dava ai ia
cavando e fazendo aquela erosão” Cacique Geral/97
AGROTÓXICO
“Porque eles (usinas) colocam veneno” Cacique de Três Rios/57
“Os defensivos agrícolas, nós trabalhamos mais com o controle biológico, com as vespas que agente compra aqui em Camaratuba, pela ASPLAN. E hoje a aplicação de herbicidas são todos os produtos, são todos controlados. Todos naturalmente.”
Usina Monte Alegre/16
“agente faz o controle biológico com vespa.” Usina Japungu/11 “em 2003 quando teve a retomada [...] tinha
um projeto feito pela Usina Miriri pá fazer tainque de camarão de fora a fora até o Rio do
CARCINICULTURA sobemo disso, fumo direto no Ministério Público e falemo que na área da gente se o IBAMA não respeitar, mai tinha que respeitar ao meno a gente”
Rios/60 e 61
“do outro lado do Rio Mamanguape é a Ilha do Aritingui [...] a Usina ia fazer lá 200 viveiro [...] 40 hectare derrubado do maingue ali do outro lado [...] Num é terra indígena, mas tá dentro da APA e atinge a gente aqui. Porque cada despesca dessa eles usam um mate, uma química que sai matando a lava do siri, lava de tudo, de siri a peixe”
Cacique Três Rios/61
CONFLITO FUNDIÁRIO
“no ano passado teve um conflito grande [...] era uma cana que tava dentro da área, eles sabiam que não podiam tirar essa cana e mesmo assim colocaram os carros dentro pra tirar [...] a Miriri e a Japungu [...] a gente ficou lá acampado quase três meses [...] no final teve um acordo né. Eles tirariam a cana e repassariam um valor pra comunidade que seria o certo”
Associação de Monte Mor/83
“Monte Mor, Jaraguá, Três Rios. Aquela região ali que foi afetada, teve um afeto muito grande, assim, da cana de açúcar na época em que os usineiros se apossaram das terras”
OIP/86
Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
O desmatamento existente na região da TI Potiguara Monte Mor é visível, em todas as aldeias pesquisadas há problemas ambientais em decorrência do plantio da cana de açúcar. E essa situação pode ser identificada através da análise do Mapa 04 de Cardoso e Guimarães (2012, p. 115) o Mapeamento de Impactos e Conflitos Ambientais e Territoriais nas Terras Indígenas do Povo Potiguara, onde na TI Potiguara de Monte Mor é identificado que quase a totalidade da TI possui área degradada ou sujeita ao desmatamento, existindo apenas uma pequena região situada entre as Aldeias Monte Mor e Jaraguá de área preservada. Tais fatos também foram identificados no trabalho de campo, como pode ser observado na Figura 11, uma aula de campo realizada com os professores e alunos da Escola Indígena Cacique Domingos da Aldeia Jaraguá em 16 de junho de 2013 com o intuito de realizar o plantio de mudas de plantas nativas na Nascente da Água Mineral, nome dado pela população local.
Mapa 04: Mapa de impactos e conflitos Ambientais e Fundiários nas terras do Povo Potiguara
Fazendo uma ligação do Quadro 11 e do Mapa 04 constata-se também a presença da devastação causada pelas usinas de cana de açúcar, não só por causa do desmatamento causado devido ao plantio da cana de açúcar, mas também por causa dos rejeitos derramados junto com a contaminação dos agrotóxicos e herbicidas, essa contaminação é realizada através do solo, dos rios e do subsolo, chegando aos aquíferos das aldeias, prejudicando a lavoura branca dos índios e as atividades realizadas na maré e nos rios. O último caso identificado pelos índios Potiguara foi o derramamento da calda da cana de açúcar jogado no rio Mamanguape pela Usina Monte Alegre em 12 de setembro de 2013, matando peixes e crustáceos, deixando muitos índios sem ter atividade econômica por causa da poluição do rio, prejudicando a sobrevivência do povo Potiguara.
O agrotóxico é um problema que atinge quase todas as aldeias indígenas Potiguara, conforme o Mapa 04 e confirmado pelo índios, em virtude da presença constante das plantações de cana de açúcar dentro e no entorno das terras indígenas, transformando a paisagem das aldeias, um mar de cana, proporcionando poucas áreas de biodiversidade na região. Contudo, as usinas entrevistadas afirmam a realização de controle biológico, não sendo realizada a aplicação de agrotóxico.
Figura 11: Nascente da Água Mineral sem a mata ciliar na Aldeia Jaraguá.
Na Figura 11 pode-se constatar a área preservada no horizonte e na frente o desmatamento em uma área de preservação ambiental, haja vista que deveria ser uma mata ciliar no entorno do rio, contudo não há nenhuma vegetação nas cabeceiras do rio, havendo um assoreamento do rio, ao ponto do rio em grande parte ser apenas um filete de água.
Na pesquisa ação ocorrida na Escola Indígena Cacique Domingos na Aldeia Jaraguá, os alunos e professores com a ajuda do Exército Brasileiro, Tiro de Guerra do Município de Rio tinto/PB, realizaram em 18 de junho de 2013 uma coleta de lixo no entorno da escola e reuniram vários sacos de lixo que cobriram a calçada na frente da escola. Nas Figuras 12 e 13 verificam-se a coleta de lixo realizada pela comunidade escolar de Jaraguá nas atividades da Semana do Meio Ambiente do Projeto Escola Sustentável.
As atividades realizadas pelos alunos e professores referente ao plantio de mudas nativas na Nascente da Água Mineral e a Coleta de Lixo foram desenvolvidas em projetos escolares para a Conferência Ambiental do Estado da Paraíba. Com essas atitudes vê-se o interesse das comunidades na conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida dos índios, tentando minimizar os danos oriundos da plantação da cana, como também causados pelos próprios índios.
Figura 12: Coleta de lixo pelos alunos, professores e Exército na Aldeia Jaraguá
No Quadro 11 destaca-se também o assoreamento dos rios, fato constatado também na Figura 11 e no Mapa 04 onde há uma voçoroca entre as Aldeias Monte Mor e Jaraguá, este problema ambiental é de grande monta, conhecido popularmente como “Buraco do Padre” uma cratera iniciada logo após a Igreja Nossa Senhora dos Prazeres. Essa erosão iniciou, segundo relatos dos professores locais, em virtude do esgoto da Companhia de Tecidos Rio Tinto fundada pelos Lundgren no Município de Rio Tinto no início do Século passado, tendo aumentado com o desmatamento provocado pelas usinas para a plantação da cana de açúcar. E tendo em vista o descaso do governo que não faz nada para minimizar o problema, a cada dia piora o assoreamento e diminui vasão das nascentes.
Figura 13: Coleta de lixo pelos alunos, professores e Exército na Aldeia Jaraguá
Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
A carcinicultura é outra atividade realizada pelas usinas de cana de açúcar o que proporciona a salinização do solo e a degradação do mangue. Essa atividade é realizada também por alguns índios de aldeias situadas fora da TI Potiguara de Monte Mor, como também por outros, como no caso do Ex-Prefeito de Marcação que tinha três viveiros de
camarão na Camboa de Três Rios, desativado após a intervenção do Ministério Público Federal.
Tendo em vista os problemas ambientais na TI Potiguara de Monte Mor foi indagado aos entrevistados durante a pesquisa se havia algum projeto na área ambiental com o intuito de mitigar os conflitos ambientais existentes nas aldeias. Como respostas pode-se verificar (Quadro 12) alguns projetos ambientais. Esses projetos são desenvolvidos pelo Governo Federal, pelas usinas de cana de açúcar e pelas associações indígenas, alguns já estão sendo implementado e outros ainda aguardam liberação do Governo Federal para começar a realização.
Quadro 12: Categoria – Projetos Ambientais
PROJETOS AMBIENTAIS
“do GATI que é um projeto de Gestão Ambiental em Terras Indígenas onde a gente tá implantando”
Cacique de Monte Mor/70
“Centro de Educação Ambiental trabalho de educação ambiental nas comunidades e nas escolas”
Usina Japungu/11
“Nós temos uma agrovila. Nós temos umas 60 casas. Temos uma escolinha né, nessa agrovila, que atende aos filhos dos funcionários [...] dentro da escolinha é feito uma educação ambiental, semanalmente esse nosso estagiário vai lá pra falar e ficar com as crianças também em um determinado horário, fora isso, nós temos os diálogos semanal de meio ambiente”
Usina Monte Alegre/15
“via Governo Federal, [...] com vários projetos de sustentabilidade [...] Teve a questão da plantação de eucalipto pra produção né, de, de carvão, de repente, uma área que fosse destinada pra isso. Ou [...] com criação de abelhas [...] com relação à criação de frango, de galinha né, que o pessoal diz de capoeira, mas como incentivo pra produção de ovos [...] Mas, assim, depois o projeto não deu