2.1 Vídeos como suporte multimodal
2.1.5 Marcadores de modalidade
Assim, os marcadores de modalidade, para esta investigação, são elementos que se prestam a representar partes de um objetivo ou de uma realidade para criar
10 “The makers of signs, whether child or adult, seek to make a representation of some object or entity, whether physical or semiotic, and in which their interest in the object, at the point of making the representation, is a complex one, arising out of the cultural, social and psychological history of the sign-maker, and focused by the specific context in which the signmaker produces the sign. That ‘interest’ is the source of the selection of what is seen as the criterial aspect of the object, and this criterial aspect is then regarded as adequately representative of the object in a given context. In other words, it is never the ‘whole object’ but only ever its criterial aspects which are represented.” (KRESS et al., 2006, p. 7).
11 “These modality markers have been established by the groups within which we interact as relatively reliable guides to the truth or factuality of messages, and they have developed out of the central values, beliefs and social needs of that group.” (KRESS et al., 2006, p. 154).
significado. Os autores (KRESS et al., 2006) apresentam os principais marcadores de modalidade naturalísticos ligados a cor que são: a saturação de cor, a diferenciação de cores, a modulação de cor, a contextualização, a representação, a profundidade, a iluminação e o brilho. Esses marcadores possuem uma regra, quanto maior a abstração menor a modalidade, ou seja, quanto menor a saturação, a diferenciação, a modulação e o brilho de uma imagem menor a modalidade da imagem.
Uma imagem colorida, quando comparada com uma imagem preto e branco, ou seja, uma comparação pelo grau de saturação da imagem apresenta, ao observador, possui uma grama muito maior de elementos modais a serem observados. A imagem ou vídeo com pouca saturação, preto e branco, não é capaz de apresentar os mesmos elementos modais. Veja o exemplo na figura 3.
FIGURA 3 – Escala de saturação
Fonte: Página do verbete saturação da Wikipédia, 2022.12
É importante salientar que não existe uma relação de certo e errado, ou ainda de bom e de ruim nas escolhas que os criadores de signos fazem ao empregar os marcadores de modalidade. Apenas há uma escolha que atende a um objetivo específico a ser executado pela linguagem multimodal empregada na comunicação por meio de imagens e vídeos.
Os autores descrevem e exemplificam cada marcador modal ligado a cor de forma aprofundada e completa. Esses conceitos foram aglutinados e apresentados de forma sintética (Quadro 1), de maneira a atender as demandas específicas desta investigação.
12 Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Satura. Acesso em: 31 jan. 2021.
Quadro 1 – Marcadores modais de cor
(1) Saturação de cor É uma escala que vai da saturação total da cor à ausência de cor; ou seja, para preto e branco.
(2) Diferenciação de cores É uma escala que vai de uma gama diversificada de cores ao monocromático.
(3) Modulação de cor É uma escala que vai da cor totalmente modulada, com, por exemplo, o uso de muitos tons diferentes de vermelho até a cor simples e não modulada.
(4) Contextualização É uma escala que vai da ausência de fundo ao fundo mais totalmente articulado e detalhado.
(5) Representação É uma escala que vai da abstração máxima à representação máxima dos detalhes pictóricos.
(6) Profundidade É uma escala que vai da ausência de
profundidade à perspectiva de profundidade máxima.
(7) Iluminação. É uma escala que vai desde a representação mais completa do jogo de luz e sombra até sua ausência.
(8) Brilho É uma escala que vai de um número máximo de
diferentes graus de brilho a apenas dois graus:
preto e branco, ou cinza escuro e cinza claro, ou dois valores de brilho da mesma cor.
Fonte: KRESS et al, 2006, p. 160-162)13
Os marcadores de modalidade, de contextualização, de representação e de profundidade são os principais elementos naturalísticos analisados nos produtos multimodais elaborados pelos estudantes. Essa escolha não impede que os demais marcadores sejam considerados nas análises, mas os três citados apresentam intensa relação entre as escolhas e os significados sem que limitações ou diferenças entre os artefatos tecnológicos interfiram, diretamente, nos resultados. Como exemplo, o brilho, a iluminação e a modulação de cor podem facilmente sofrer
13 (1) Colour saturation, a scale running from full colour saturation to the absence of colour; that is, to black and white. (2) Colour differentiation, a scale running from a maximally diversified range of colours to monochrome. (3) Colour modulation, a scale running from fully modulated colour, with, for example, the use of many different shades of red, to plain, unmodulated colour. (4) Contextualization, a scale running from the absence of background to the most fully articulated and detailed background. (5) Representation, a scale running from maximum abstraction to maximum representation of pictorial detail. (6) Depth, a scale running from the absence of depth to maximally deep perspective. (7) Illumination, a scale running from the fullest representation of the play of light and shade to its absence.
(8) Brightness, a scale running from a maximum number of different degrees of brightness to just two degrees: black and white, or dark grey and lighter grey, or two brightness values of the same colour.
alterações em decorrência da câmera e aos equipamentos de iluminação empregados, e isso não é desejável quando se analisa realidades sociais já conhecidas com o objetivo de identificar as representações e os significados das produções audiovisual, e não sua capacidade técnica.
É sabido que essas questões de ordem técnica apontam para tendências sociais importantes, entretanto, esse apontamento é mais relevante quando não se tem conhecimentos prévios das realidades socioeconômicas que os criadores de signo estão inseridos, o que não é o caso desta investigação.
A contextualização, segundo Kress et al. (2006) e a ausência de contextualização reduz a modalidade. Um vídeo em que o ator está em um cenário de fundo totalmente preto ou branco possui menos elementos modais e torna-se genérico em vez de particular, que é quando há um cenário conectado com um local particular e, em um momento específico no tempo, há um momento do vídeo sob o sol mostrando o entorno de ator.
A representação, segundo Kress et al. (2006), é a escolha de mostrar ou não os detalhes dos objetos ou seres representados nas imagens. Um criador de signo pode escolher mostrar em detalhes (fios de cabelo, folhas de árvores, um aspecto da pele etc.) dos elementos representados, ou pode se distanciar do detalhe, por exemplo, “o participante é então representado meramente pelas linhas que traçam seu contorno. Além disso, o contorno pode ser simplificado em diferentes graus: a cabeça pode se tornar um círculo, os olhos dois pontos, a boca uma linha curta e reta”.
(KRESS et al., 2006, p. 162)14.
A profundidade, segundo Kress et al. (2006), é a parte central tem modalidade mais elevada que os demais setores da imagem. Assim, os elementos que aparecem em segundo plano, em linhas ou sobrepostos apresentam menor modalidade. Dessa maneira, a escolha por elementos em profundidade pode demonstrar a importância desse elemento para o criador de signo.
Os autores ainda descrevem como todos os marcadores de modalidade, quando, em exagero, podem criar situações em que a imagem se distancia dos elementos naturalísticos contemporâneos e assumem aspectos não naturais. Apesar da importância desse ponto, esta investigação se dedicou a compreender os
14 “The participant is then represented merely by the lines that trace its contour. Beyond this, the contour may be simplified to different degrees: a head may become a circle, the eyes two dots, the mouth a short, straight line.” (KRESS et al., 2006, p. 162).
significados das representações criados pelos estudantes, sem se aprofundar na identificação ou não de elementos naturalísticos. Assim, esses marcadores de modalidade contribuíram para esta investigação, fornecendo conceitos e parâmetros para a análise dos vídeos para identificar os elementos modais empregados pelos estudantes e seus significados e importâncias.
Além dos marcadores de modalidade, os significados são analisados a partir das relações entre os produtores de signos e os observadores, que foram elaborados com base nos conteúdos de composição de Kress e Van Leeuwen (2006). Os autores definem esse conceito como “a maneira como os elementos representacionais e interativos são feitos para se relacionar, a maneira como são integrados em um todo significativo” (KRESS et al, 2006, p. 176).15
Isso significa que o posicionamento dos elementos que compõem uma imagem, como os participantes e os elementos linguísticos, estabelece relações entre si e com o espectador, o que cria valor de informação relativo a cada elemento que compõe a imagem. A partir dessa composição, os significados impressos nos produtos audiovisuais podem ser identificados e entendidos.