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Marcha Independente Apesar de referir que “lhe custa

No documento MADALENA MARTINS RELATORIO DE ESTAGIO (páginas 142-146)

Estudo de caso em UD

categoria 5 Marcha Independente Apesar de referir que “lhe custa

subir escadas”, a doente ainda não necessita de supervisão ou de ajudas físicas para o fazer.

 Capacidade funcional para a realização das atividades de vida diárias, recorri ao Índice de Barthel, que se traduziu num score de 20 pontos, o que revela segundo esse índice, independência total. A doente voltou a referir que apesar de conseguir subir e descer escadas, já apresenta a alguma dificuldade, causada pela dor nos joelhos.

 A capacidade funcional relativa às atividades instrumentais de vida diárias foi avaliada pelo Índice de Lawton e Brody. Nesta avaliação A Sra. M. apresentou um 8, o que corresponde ao máximo possível de AIVD em que uma mulher é independente, classificando-se como

independente em todas as AIVD, definidas neste Índice.

A Sra. M. foi partilhando a sua tristeza em relação aos problemas familiares, à solidão que sente, e percebi também através do Inventário Resumido da Dor, que a dor se interligava para influenciar o seu estado afetivo. Verifiquei, que a dor tinha sobretudo um impacto na disposição (8/10) e no prazer de viver (10/10). Constatando,

também pela evidência científica que cerca de 50% das pessoas com dor crónica têm depressão, justificava-se a aplicação da escala de Depressão Geriátrica de Yesavage (versão curta) para o rastreio da depressão na Sra. M. Verificou-se uma pontuação de 9/15, o que corresponde a uma depressão ligeira. O diálogo que estabelecemos para esta avaliação, criou um momento de abertura para a Sra. M. relatar a sua história de depressão, que está descrita acima, e que ainda não estava documentada no processo da UD.

A Sra. M. apresenta dificuldade em mastigar, porque tem falta de peças dentárias, e tem 2 dentes partidos, que a incomodam por dor, e porque interferem com a capacidade de mastigação, tendo nos últimos dias necessidade de alterar a sua alimentação para pastosa. Refere que precisa de ir ao dentista, mas tem que esperar por ter dinheiro. Não apresenta sede, a ingestão hídrica é diminuta, 1 copo de água por dia. Não gosta de água, nem chá. Tendo em conta, os problemas referidos pela Sra. M., considerámos importante realizar a avaliação do estado nutricional através da escala Mini Nutritional Assessment. Na triagem realizada a Sra. M. obteve um score de 13, sendo considerado um estado nutricional normal, pelo que não foi necessária a avaliação global.

Não refere alterações do padrão de sono, toma medicamentos, e a dor não interfere com a qualidade do sono.

Em relação à eliminação vesical, referiu que desde há uns dias, urina em pequena quantidade, “que custa a urinar”, mas a urina aparentemente não apresenta sinais de infeção, nem a Sra. M. refere disúria. Quanto à eliminação intestinal referiu tendência para a obstipação de 2/3 dias, recorrendo a laxantes quando necessário.

A necessidade de avaliar o risco de queda surgiu do conhecimento progressivo que fomos tendo da Sra. M.: as alterações da sensibilidade dos membros inferiores pela polineuropatia diabética, a dor nos joelhos que dificulta ao subir e descer escadas, as tonturas provocadas pela medicação. A pertinência desta avaliação revelou-se quando a Sra. M. nos comunicou que sofrido uma queda. Assim, foi também avaliada através da escala de Morse, no dia 14 outubro, onde obteve um score de 45 pontos (num total de 125 pontos) por apresentar diagnóstico secundário, e uma história de queda nos últimos 3meses. A pontuação obtida é indicadora de

A Sra. M. apresentou pele e mucosas coradas e hidratadas. Pele dos membros inferiores, região anterior das coxas, apresentou soluções de continuidade em fase de cicatrização, como já foi referido anteriormente. A Sra. M. aplicava tintura de iodo, que referia “ser o melhor para curar”. O seu cabelo é liso e grisalho. Apresentava diminuição da acuidade visual bilateralmente, devido “aos diabetes”, e faz tratamentos a laser regularmente”, de acordo com as suas palavras. Usava óculos. Não referia alterações da acuidade auditiva. Não apresentava alterações significativas no olfato e tato, conseguindo estar alerta e reativa ao ambiente externo.

Tal como no estudo de caso anterior, pensamos ser pertinente para a nossa aprendizagem a esquematização do diagnóstico funcional da Sra. M., que apresentamos na tabela 2, baseado em Moraes (2008).

Em termos de aprendizagem é-nos útil recorrer à classificação clinico-funcional do idoso de Moraes & Moraes (2014). A Sra. M. situa-se na categoria de Idoso em risco de fragilização, que é a pessoa idosa capaz de gerir a sua vida de forma independente e autónoma. No entanto, encontra-se num estado dinâmico entre a senescência e senilidade, resultando na presença de limitações funcionais (declínio funcional iminente), mas sem dependência funcional (Moraes & Moraes, 2014). Considera-se que a Sra. M. está em risco de fragilização pois apresenta condições crónicas preditores de desfechos adversos como a presença de comorbilidades múltiplas, como polipatologias (presença simultânea de cinco ou mais condições crónicas de saúde, em sistemas fisiológicos diferentes), e ainda polifarmácia. Constata-se ainda, alguma evidência de sarcopenia, com alteração de massa e função muscular (força e desempenho muscular, fraqueza e fatigabilidade nos membros inferiores).

Tabela 2 - Diagnóstico funcional global da Sra. B.

Funções Comprometimento funcional

Não Sim

Comunicação Visão Sim. Usa óculos por retinopatia diabética

Audição x Fala/voz x

Cognição/ Humor

Cognição x (sem deficit cognitivo)

Humor Depressão ligeira

Mobilidade Postura/marcha x(Marcha

independente Nível 5)

Atividades vida

diária

Atividades vida diária x (independência total) Atividades instrumentais da vida diária x (independência em todas as AIVD)

Outras funções Saúde Bucal Faltam peças dentárias, e outar a necessitar

tratamento Estado nutricional x (estado

nutricional normal) Continência

esfincteriana

X

Risco queda Médio risco queda Risco de úlcera

pressão

x (não avaliado com escala Morse)

Sono Depende de fármaco

Interação social Lazer Dificuldade económica em realizar atividades que

desejaria Suporte familiar x

Suporte social x Segurança ambiental X Fonte: Adaptado de Moraes (2008)

Conhecimento dos recursos da pessoa idosa

A Sra. M. referiu ainda sentir-se com recursos para manter-se independente e autónoma, na sua casa, é o seu maior desejo. No entanto, o filho já tem falado que quando a mãe não puder estar sozinha e necessitar de apoio, poderá ir viver com ele. Apesar das preocupações com os filhos, e mesmo de alguma conflitualidade com o filho, pareceu existir um suporte mútuo, quando necessário.

Em relação à sua saúde, apesar da interpretação que dá à diabetes e da depressão ligeira identificada, o seu desejo se se manter autónoma e independente,

motiva a adesão regime terapêutico instituído. Valoriza os resultados obtidos, desde que veio à UD, no que diz respeito à diminuição da dor, e ao melhor desempenho funcional.

Na primeira consulta, identificou-se a falta de conhecimentos sobre a autoavaliação da dor, sobre o regime medicamentoso (objetivos e efeitos secundários), bem como os tratamentos não farmacológicos propostos (EMAF), e resultados esperados. Desconhecia também, a acessibilidade à UD.

Neste sentido necessitámos de construir, em conjunto com a Sra. M., uma ação que a ajudasse a cuidar de si, nomeadamente no controlo da dor crónica. Assim, na construção do processo de parceria com a Sra. M. surgiu a 3ª fase, que apresentamos de seguida.

No documento MADALENA MARTINS RELATORIO DE ESTAGIO (páginas 142-146)