O avanço das tecnologias utilizadas pelos meios de comunicação é
responsável por uma amplitude informativa que até pouco tempo seria inimaginável,
potencializando o registro e a transmissão dos fatos da vida em sociedade. É notória a
efervescência das relações interpessoais nas mídias tradicionais como jornais e revistas
impressas, como também no rádio e na televisão; maior ainda é a quantidade de
informações produzidas e compartilhadas na rede mundial de computadores.
A propósito, pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil
(CGI.br), entre os meses de novembro de 2015 e junho de 2016, detectou que a
proporção de domicílios brasileiros com acesso à internet é de 51% (cinquenta e um por
cento), o que corresponde a 34,1 milhões de domicílios
81, o que significa que a internet
já é acessível a mais da metade dos brasileiros, fazendo da rede um campo fértil não
apenas à produção e armazenamento de dados e informações, mas também ao
relacionamento de pessoas.
Diante da potencialidade comunicativa dos meios de mídias, com destaque à
internet, e da infinita produção de material de toda espécie e qualidade, notícias,
reportagens, boatos, publicação de imagens, distorções de fatos, republicações de
histórias antigas em contextos não mais atuais, combinados à facilidade com que tudo
se multiplica e se compartilha, não é difícil perceber o potencial danoso que tem a
violação da privacidade cometida no campo da internet.
Outra peculiaridade da internet é o rompimento com o modelo
comunicacional por interposição de veículos de mídia
82. A produção de informação na
81 BRASIL. Comitê Gestor da Internet. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros. Disponível em < http://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/ 2/TIC_Dom_2015_LIVRO_ELETRONICO.pdf > Acesso em: 28 nov. 2016.
82 Anderson Schreiber destaca, com isso, outras perspectivas da sociedade da informação: “Afigura-se sintomático, nesse sentido, que os sites mais acessados do mundo (YouTube, Facebook, MSN, Wikipedia etc.) tenham seu conteúdo criado essencialmente pelos próprios usuários. Para muito além do fenômeno das redes sociais, a interatividade torna-se a pedra de toque dos novos fronts comunicativos, prometendo e, já em alguma medida, produzindo um impacto realmente transformador em setores tão fundamentais da vida social quanto a Educação, a Política e as Artes. O estabelecimento de canais de comunicação autênticos e direitos entre indivíduos situados nas mais diferentes regiões do globo estimula a democratização do acesso à informação e permite que os fatos sejam examinados e discutidos sob diferentes óticas, contribuindo para a redução da intolerância e eliminação de preconceitos. Tem sido destacada, em particular, a importância da Internet na implementação de iniciativas conjuntas antes obstadas pela ausência de um espaço comunicativo comum, contribuindo para o fortalecimento de movimentos sociais e manifestações populares das mais variadas espécies. Os extraordinários benefícios trazidos por esta genuína ‘revolução’ talvez só sejam comparáveis, em magnitude, aos riscos que derivam de todo este novo instrumental tecnológico e da exploração ainda incontrolada destas novas fronteiras. A
internet, ao tempo em que permite a cada pessoa se utilizar do seu perfil virtual nas
redes sociais para publicar fatos, compartilhar dados e informações, elimina da relação
de comunicação os tradicionais veículos de imprensa, como os jornais e revistas, que
por vezes atuavam como filtros selecionando e administrando as notícias
83.
A exposição a que todos estão sujeitos, já retratada quando da análise da
sociedade da informação, e a potencialidade comunicacional que detém a internet
produzem uma conjuntura de circunstâncias que faz Glenn Greenwald afirmar que as
pessoas estão “sem lugar para se esconder”
84.
A especificidade do campo digital
85, não há dúvida, reclamava uma também
específica regulamentação legislativa, o que é alcançado com a promulgação da Lei
12.965, de 23 de abril de 2014, o Marco Civil da Internet. Responsável por introduzir na
ordem jurídica nacional “princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da
afirmação não tem nada de cataclísmica. Inovação e risco são fatores intimamente conectados. Da mesma maneira que não se deve adotar uma postura ludista em relação aos avanços tecnológicos, confundindo-os com os eventuais perigos suscitados pela sua utilização, não se deve incorrer no equívoco oposto: ignorar os riscos trazidos por toda essa imensa transformação dos meios e instrumentos de comunicação. Superexposição dos indivíduos, violações à privacidade, uso indevido de imagem, venda de dados pessoais, furto de identidade são apenas alguns dos riscos trazidos pelas novas tecnologias de comunicação, além de outros que dizem respeito ao próprio papel da Mídia em sociedades democráticas”. SCHREIBER, Anderson. Direito e mídia. In: SCHREIBER, Anderson (Coord.). Direito e mídia. São Paulo: Atlas, 2013. p. 12-13.
83 O fenômeno é chamado por Marcos Alberto Sant’Anna Bitelli de “desintermediação”. Na explicação do autor: “A Internet traz consigo o fenômeno da ‘desintermediação’, eliminando ou diminuíndo intermediários entre o produtor original da informação, bem ou serviço e o usuário, consumidor ou destinatário”. BITELLI, Marcos Alberto Sant’Anna. O direito da comunicação e da comunicação social. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 332.
84 A obra de Glenn Greenwald retrata a atuação de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América, a NSA, na sua disposição de expor a vigilância que os EUA exerciam sobre os cidadãos de seu próprio país. Cf. GREENWALD, Glenn. Sem lugar para se esconder: Edward Snowden, a NSA e a espionagem do governo americano. Trad. de Fernanda Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.
85 Sobre as peculiaridades do trato jurídico da internet, Gabriel Rocha Furtado, em artigo escrito antes da promulgação do Marco Civil da Internet, afirmava o seguinte: “A regulamentação da Internet enfrenta dois grandes obstáculos já de início: o seu caráter global e a sua estrutura não hierarquizada. Essas duas características tornam a questão da regulamentação da Internet no Brasil consideravelmente problemática, pois se chocam com dois dos pressupostos do ordenamento jurídico pátrio, que são a sua territorialidade e sua construção piramidal, entre outros. Um regramento nacional tende a esbarrar nos limites territoriais do Estado brasileiro, dependendo de acordos internacionais – aos quais os Estados estrangeiros podem ou não assinar – para que suas normas tenham eficácia alhures. Isso de maneira tal que, caso um comportamento tido pelo direito brasileiro como não merecedor de tutela esteja sendo, ou tenha sido, praticado em um servidor não alocado no Brasil e/ou por pessoa que esteja fora do país, dificilmente a lei brasileira teria alcance sobre si, permanecendo safa aquela ilicitude. Em uma outra via, complementar, a regulamentação da Internet deve ser cônscia do fato de esta ter sido deliberadamente desenvolvida para desviar quaisquer obstáculos ao fluxo de informações, seja por razões técnicas ou pela tentativa de bloqueio da comunicação. É de seu âmago, portanto, a busca da liberdade e do fluxo livre de informações. Um marco jurídico há de respeitar essa característica essencial, sob pena de infligir um golpe fatal nessa fantástica ferramenta de comunicação”. FURTADO, Gabriel Rocha. O marco civil da Internet: a construção da cidadania virtual. In: SCHREIBER, Anderson (Coord.). Direito e mídia. São Paulo: Atlas, 2013. p. 238-239.
internet”
86, conforme preceitua o seu art. 1º, o Marco Civil da Internet surge com o
propósito de sanar uma imensa lacuna normativa, em se tratando, dentre outras
perspectivas, de temas como a “proteção de dados pessoais, o comércio eletrônico, os
crimes cibernéticos, o direito autoral, a governança da internet e a regulação da
atividade dos centros públicos de acesso à internet”
87.
Com relação à privacidade na rede, incumbe ao art. 3º, incisos II e III, da
mesma Lei 12.965, de 23 de abril de 2014
88, elencar a sua proteção como um dos seus
princípios, no sentido de que ainda a livre expressão, comunicação e manifestação de
pensamento não devem violar a privacidade alheia
89, protegendo-se, inclusive, os dados
pessoais dos usuários da internet.
Reservam-se os arts. 18 a 21 a tratar da responsabilização pelo cometimento
de danos no âmbito da rede mundial de computadores, mormente os de natureza moral,
caracterizados em razão da violação a direitos da personalidade, com o imediato
destaque de que o conteúdo compartilhado na internet não é de responsabilidade dos
provedores
90, mas sim do usuário que o disponibilizou em rede. Apenas se ordenado
judicialmente a tornar indisponível algum conteúdo, e descumprida tal ordem, é que o
provedor há de arcar com a responsabilidade
91.
Longe de exaurir o teor do Marco Civil da Internet e os contornos da
privacidade em rede, o que se pretende é demonstrar as novas facetas da chamada
86 BRASIL. Marco Civil da Internet. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil _03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm > Acesso em 03 mar. 2016. 87 BRASIL. Exposição de Motivos Interministerial Nº 00086 - MJ/MP/MCT/MC. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Projetos/ExpMotiv/EMI/2011/86-MJ%20MP%20MCT%20MC.htm > Acesso em 03 mar. 2016.
88 “Art. 3º. A disciplina do uso da internet no Brasil tem os seguintes princípios: I - garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, nos termos da Constituição Federal; II - proteção da privacidade; III - proteção dos dados pessoais, na forma da lei; [...]”. BRASIL. Marco Civil da Internet. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil _03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm > Acesso em 03 mar. 2016.
89 “Art. 8º. A garantia do direito à privacidade e à liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do direito de acesso à internet”. BRASIL. Marco Civil da Internet. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil _03/_ato2011- 2014/2014/lei/l12965.htm > Acesso em 03 mar. 2016.
90 “Art. 18. O provedor de conexão à internet não será responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros”. BRASIL. Marco Civil da Internet. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil _03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm > Acesso em 03 mar. 2016.
91 “Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário. [...]”.BRASIL. Marco Civil da Internet. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil _03/_ato2011- 2014/2014/lei/l12965.htm > Acesso em 03 mar. 2016.
sociedade da informação, que se alarga por meio da internet, que desponta talvez como
o principal meio de compartilhamento de informações.
4 LIBERDADES COMUNICATIVAS
Quaisquer discussões que, como esta, enveredem pelo tema da liberdade,
hão de, necessariamente, restringi-lo sob algum aspecto, pois é próprio ao seu conceito a
apresentação de múltiplas acepções e a impossibilidade de uma unicidade conceitual
92.
Refere-se a doutrina a classificações diversas, entre filosóficas e jurídicas, e a suas
variadas conotações, em épocas e locais diferentes
93.
Frente a variados conceitos possíveis e igualmente oriundos de um mesmo
ponto (a liberdade), pode-se ser sucinto ao menos em um consenso: “é uma palavra
perigosa”, como anunciam Jean Rivero e Hugues Moutouh
94, decorrendo de seus
sentidos, também, a conotação que ora se passa a trabalhar, a de comunicação.
As atividades comunicativas inerentes às relações intersubjetivas
protagonizadas pela pessoa como ser em relação, requerem que lhe seja assegurada
autonomia para expor o que se pensa e, outrossim, buscar saber o que se lhe interessa.
Assim, o exercício das atividades comunicativas desenvolvem-se por duas perspectivas,
a emissão ou reprodução de uma notícia, anunciando-se um fato verdadeiro ou fictício,
o que se faz ativamente, e, de outro lado, a receptação de uma notícia, igualmente
verdadeira ou fictícia, o que se faz passivamente, ou ativamente, quando em se tratando
de busca à informação.
As liberdades comunicativas, nesse sentir, compõem a liberdade de
expressão, enquanto exteriorização do pensamento, e a liberdade de informação,
consubstanciada ativa (informar) ou passivamente (ser informado). Já a liberdade de
92 Assim afirma Carlos Eduardo Pianovski Ruzyk, ao pontuar que: “ao mesmo tempo em que se reconhece a liberdade como conceito plural, não se ouvida o sentido ideológico que cada concepção cobre a liberdade carrega em seu bojo. A pluralidade de perfis apreende essa pluralidade ideológica, rechaçando o autoritarismo do pensamento único (seja qual for sua fonte), mas não deixa de reconhecer criticamente – e, nessa medida, não deixa de se posicionar no plano axiológico – que a prevalência de um ou de outro perfil da liberdade pode conduzir a fundamentações diversas que podem acarretar perfis eficaciais também diversos”. RUZYK, Carlos Eduardo Pianovski. Institutos fundamentais do direito civil e liberdade(s): repensando a dimensão funcional do contrato, da propriedade e da família. Rio de Janeiro: GZ Editora, 2011. p. 13.
93 Por não ser o propósito do presente trabalho ingressar a fundo na análise do tema liberdade, em suas mais amplas concepções, sugere-se, por retratar a liberdade na antiguidade, no medievo, e a sua transição à era moderna, o “passeio histórico” retratado por Jimenna Rocha Cordeiro Guedes. Cf. GUEDES, Jimenna Rocha Cordeiro. A construção do conceito de liberdade: da pré-modernidade à modernidade em crise. Revista Direito e Liberdade. Natal, v. 12, n. 2, p. 125-142 – jul/dez 2010. Disponível em < http:// www.esmarn.tjrn.jus.br/revistas/index.php/revista_direito_e_liberdade/article/view/352/388 > Acesso em: 28 set. 2016.
94 RIVERO, Jean; MOUTOUH, Hugues. Liberdades públicas. Trad. de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 8.
imprensa trata-se, diga-se de logo, da liberdade de se expressar ou de informar
potencializada por meios profissionais de comunicação.
As liberdades comunicativas mostram-se, pois, como instrumentos a
viabilizar o exercício da expressão, informação e imprensa, pois estas restariam
inexequíveis não fosse a admissão da livre comunicação das pessoas. Trata-se, com
precisão, do que lecionam os já mencionados Jean Rivero e Hugues Moutouh, quando
dizem que “a liberdade de pensar e de crer, de escolher sua verdade, [...] ficaria
incompleta se o homem não tivesse, ao mesmo tempo, reconhecida a plena liberdade de
compartilhar suas convicções”
95.
Historicamente, o tema é objeto de debates e normatizações: já a francesa
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, dispôs em seu art. 11
96acerca da possibilidade, conferida a cada cidadão, de falar, escrever e imprimir
livremente, fixada a responsabilidade do agente pelos eventuais abusos cometidos em
seu exercício.
Também na Declaração Universal dos Direitos Humanos, é possível
encontrar vetores normativos em defesa das liberdades comunicativas, com destaque
aos artigos XVIII
97e XIX
98, em que se registram a titularidade individual de direito à
liberdade de pensamento, consciência, religião, opinião e expressão.
O tema apresenta, bem se vê, feição de direito fundamental, ante sua
compreensão como direito público subjetivo
99. A propósito, o seu trato no ordenamento
95 E seguem: “[...] Esse direito abrange a liberdade de opinião e a liberdade de receber ou de transmitir informações ou idéias sem que possa haver ingerência de autoridades públicas e sem consideração de fronteira”. RIVERO, Jean; MOUTOUH, Hugues. Liberdades públicas. Trad. de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 551.
96 In verbis: “Art. 11. La libre communication des pensées et des opinions est un des droits les plus précieux de l'Homme: tout Citoyen peut donc parler, écrire, imprimer librement, sauf à répondre de l'abus de cette liberté dans les cas déterminés par la Loi”. FRANÇA. Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen de 1789. Disponível em < https://www.legifrance.gouv.fr/Droit-francais/Constitution /Declaration-des-Droits-de-l-Homme-et-du-Citoyen-de-1789 > Acesso em: 28 set. 2016.
97 “Art. XVIII. Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular”. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em < http://www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf > Acesso em: 28 set. 2016.
98 “Art. XIX. Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em < http://www.dudh.org.br/wp-content/ uploads/2014/12/dudh.pdf > Acesso em: 28 set. 2016.
99 “Direitos fundamentais são direitos público-subjetivos de pessoas (físicas ou jurídicas), contidos em dispositivos constitucionais e, portanto, que encerram caráter normativo supremo dentro do Estado, tendo como finalidade limitar o exercício do poder estatal em face da liberdade individual”. DIMOULIS,
jurídico brasileiro
100não é outro que não o de direito fundamental, consoante disposição
do art. 5º, incisos IV, V, VI, XIII e XIV, da Constituição da República Federativa do
Brasil
101e a reserva de um capítulo próprio ao regramento da comunicação social
102.
Dimitri; MARTINS, Leonardo. Teoria geral dos direitos fundamentais. 5. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Atlas, 2014. p. 41.
100 Observando o textos anteriores das Constituições brasileiras, identifica-se referência às liberdades comunicativas em algumas passagens, a se ver: i) a Constituição Imperial de 1824, outorgada pelo então Imperador Dom Pedro I, dispunha em seu art. 179, IV, que “todos podem communicar os seus pensamentos, por palavras, escriptos, e publical-os pela Imprensa, sem dependencia de censura; com tanto que hajam de responder pelos abusos, que commetterem no exercicio deste Direito, nos casos, e pela fórma, que a Lei determinar” (BRASIL. Constituição Política do Império do Brazil, de 1824. Disponível em < http://www.planalto .gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao24.htm > Acesso em 28 set. 2016);
ii) por sua vez, a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 1891, tratou do tem em seu
art. 72, § 12, a saber, “em qualquer assunto é livre a manifestação de pensamento pela imprensa ou pela tribuna, sem dependência de censura, respondendo cada um pelos abusos que cometer nos casos e pela forma que a lei determinar. Não é permitido o anonimato” (BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 1891. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituicao91.htm > Acesso em 28 set. 2016); iii) já a Constituição da República de 1934, em seu art. 113, 5, firmava o direito à liberdade religiosa, com a ressalva de que não contrariasse a ordem pública e os bons costumes, note-se: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença e garantido o livre exercício dos cultos religiosos, desde que não contravenham à ordem pública e aos bons costumes. As associações religiosas adquirem personalidade jurídica nos termos da lei civil”. O mesmo art. 113, 9, referia-se à liberdade de pensamento: “em qualquer assunto é livre a manifestação do pensamento, sem dependência de censura, salvo quanto a espetáculos e diversões públicas, respondendo cada um pelos abusos que cometer, nos casos e pela forma que a lei determinar. Não é permitido anonimato. É segurado o direito de resposta. A publicação de livros e periódicos independe de licença do Poder Público. Não será, porém, tolerada propaganda, de guerra ou de processos violentos, para subverter a ordem política ou social” (BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 1934. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituicao34.htm > Acesso em 28 set. 2016); iv) pouco tempo depois, a ordem jurídica sofre nova alteração, por meio da Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1937, e o tema das liberdades comunicativas recebe tratamento nos seguintes dispositivos: art. 122, 4º. “Todos os indivíduos e confissões religiosas podem exercer pública e livremente o seu culto, associando-se para esse fim e adquirindo bens, observadas as disposições do direito comum, as exigências da ordem pública e dos bons costumes”; art. 122, 15. “todo cidadão tem o direito de manifestar o seu pensamento, oralmente, ou por escrito, impresso ou por imagens, mediante as condições e nos limites prescritos em lei”; merece destaque o parágrafo do mesmo art. 122, a prever uma série de limitações ao exercício das liberdade de expressão, informação e de imprensa: “A lei pode prescrever: a) com o fim de