• Nenhum resultado encontrado

Mas Por Que Falar em Parábolas?

No documento Deus Conosco - D. A. Carson (páginas 116-122)

Afinal, essa era a pergunta feita a Jesus pelos Seus próprios discípulos (13:10). Parte da resposta reside na própria natureza das parábolas, exposta no começo deste

capítulo. Todavia pelo menos três razões teológicas podem ser

aduzidas também.

Primeira, Deus faz urna distinção entre os discípulos de

Jesus e as multidões indiscriminadas (13:11,12). Os “segredos do reino” são dados (por Deus) aos discípulos mas não as multidões. A expressão “segredos do reino” refere-se a várias questões sobre o reino que até então estiveram ocultas porém agora estão reveladas.

À luz de todas as parábolas neste capítulo, o coração desses “segredos” é que o reino que vem final, dramática, explosiva e publicamente no fim dos tempos - uma verdade não oculta, visto que a maioria dos judeus nela acreditava - já estava verdadeiramente entrando no mundo antes do julgamento final, e de uma maneira oculta para operar em silêncio nas pessoas e através delas.

Aqueles a quem é dado entender e perceber esses “segredos do reino” são os discípulos de Jesus; às pessoas em geral não é dado entender. Aquele que já tem luz o suficiente para seguir a Jesus como Seu discípulo receberá mais, e compreenderá os segredos do Reino como resultado disso (13:12). Mas àquele que nem ao menos tem a luz necessária para dar os primeiros passos do discipulado sério (a Jesus) não será dado mais luz. Pior, ele ou ela irá também perder o que ele ou ela tem - presumivelmente o direito de ser um verdadeiro filho da comunidade do pacto (veja 8:11,12). Portanto a proclamação do reino deve estar numa forma velada e essa é uma razão porque Jesus pregava em parábolas.

Segunda, os versículos seguintes (13:13-17) recapitulam

P que Deus revela a verdade a uns e não a outros, do que em ; termos da falta de vida espiritual por parte do povo. Eles

estão sempre ouvindo a Palavra de Deus, porém nunca a compreendem. De fato, eles na verdade fecham seus olhos para grandes partes do seu conteúdo, temendo que se dessem uma olhada bem de perto, isso os forçaria a ver, entender, e a

arrepender-se dos seus caminhos (“converter”, 13:15). Essa

perpectiva não lhes é atraente, como também não é atraente a muitas pessoas hoje em dia. Então a palavra é falada em parábolas parcialmente como uma sentença jurídica sobre

aqueles que não querem ver.

Existem algumas considerações mais abrangentes que nos ajudam a entender o que exatamente Jesus está dizendo aqui. As Escrituras unem freqüentemente temas sobre a escolha soberana de Deus e do pecado pessoal da humanidade (veja Gênesis 50:19,20; Juizes 14:4; Isaías 10:5-7; Ageu 1:12- 14; João 11:49-52). Os dois temas não são opostos entre si, são maneiras complementares de se olhar para as coisas.

Isso é especialmente importante para os temas de Mateus. A medida que o seu livro progride, Mateus mostrou cres­ centemente o fracasso do povo em entender quem Jesus era e que a chegada do reino era simultaneamente o cumprimento de profecia (13:14) e portanto vinculado aos propósitos de Deus, como também era o resultado de terrível rebelião contra Deus (compare com 11:25-30 para outro exemplo de ligação desses temas). Assim, a rejeição em larga escala de Jesus não significa que as coisas estão fora do controle e que os planos de Deus estão sendo frustrados; pois Deus predisse esse resultado e já pronunciou a sentença apropriada.

Contudo, isto não quer dizer que as pessoas não têm nenhuma responsabilidade por sua reação à revelação do que Jesus é e traz. Longe disso. Eles são profundamente responsáveis, devido à grandeza da revelação, (compare com 11:20-24).

É esta combinação de perspectivas que ajuda explicar as

parábolas. É ingênuo pensar que Jesus falou em parábolas para fazer a verdade tornar-se mais fácil de ser entendida. Em parte pelo menos a parábola era para camuflar a verdade. Todavia também é ingênuo pensar que Jesus pregava em parábolas por nenhuma outra razão do que esconder a verdade aos de fora. Se isto fosse tudo o que Ele queria, por quê não simplesmente abster-se de pregar para eles? E por quê Ele também usou parábolas com Seus próprios discípulos?

A verdade é que Seu exato propósito em vir era alcançar os de fora e torná-los Seus discípulo (veja 9:35-38; 10:1-10; 28:16-20). Entretanto, para usar Suas próprias palavras, Ele era sábio por não lançar Suas pérolas aos porcos (7:6). E então Ele muitas vezes pregava através de parábolas; isto é, numa forma velada que endurecia e rejeitava aqueles que eram duros e rebeldes, contudo de uma maneira que iluminava (as vezes com informação adicional) Seus discípulos, aqueles que estavam começando a ver a verdade. As parábolas de Jesus carregam não apenas informação; antes, elas exercitam uma função discriminadora. Elas não comunicam conteúdo esotérico que somente os iniciados podem penetrar mas apresentam as reivindicações do Reino inaugurado e os aspectos do seu clímax apocalíptico de tal forma que suas implicações ficam claras para aqueles que têm olhos para ver.

Agora fica claro por que a primeira parábola, a parábola dos solos, é tão importante. Ela não somente

descreve o avanço paulatino do reino em termos de reações

humanas variadas mas implicitamente desafia o ouvinte ou

leitor a indagar que tipo de solo ele ou ela ê. Aqueles que

não produzem nenhum fruto porque são rasos, facilmente fascinados pela riqueza ou por qualquer outra razão, provavelmente não entenderão; portanto ela é sua sentença de condenação. Na verdade, ela os condena mesmo se eles a entenderem intelectualmente, mas recusam a aceitar o que ela revela sobre o reino. Eventualmente, eles simplesmente ficam ofendidos com Jesus, em parte porque eles não estão dispostos a considerar Suas reivindicações (13:57). Por outro lado, aqueles que produzem frutos se verão no Reino, entretanto igualmente eles captarão a maneira sutil pela qual o Reino penetra a sociedade humana no tempo presente.

Terceira, Mateus também declara que uma razão porque

Jesus falava em parábolas era que, ao assim fazer, Ele estava cumprindo as Escrituras (13:34,35; citando Salmos 78:2). Precisamente como Ele fez isso, não pode ser examinado aqui; mas é uma medida maravilhosa do controle de Deus e Sua direção sobre todo o ministério de Jesus que não somente o Seu proferir parábolas executa o julgamento profetizado por Deus (13:14) mas que mesmo o fato de que Ele pregava

Perguntas para Estudo Suplementar

1. Que tipo de solo é você?

2. Agora já deve ter ficado claro que a chegada a fé dos primeiros discípulos os envolveu no entendimento essencial da nova revelação. De que maneira portanto a chegada deles a fé é igual ou diferente da nossa chegada a

fé?

3. O que a parábola do trigo e do joio sugere sobre quão eficiente será a proclamação do reino antes de Jesus voltar? 4. Por que deveria alguém hoje considerar o reino dos céus

como o tesouro supremo, aquela pérola que vale a pena sacrificar tudo para possuí-la?

5. Liste todas as referências deste capítulo ao julgamento final. Que tipo de retrato elas apresentam?

7

Ministério Multiplicador

No documento Deus Conosco - D. A. Carson (páginas 116-122)