1. Introdução
5.2 Os múltiplos sentidos da adoção "homoafetiva"
5.2.2 Os sentidos de "família", "filiação" e "sexualidade"
5.2.2.4 Mas há a possibilidade de ser uma "família boa"
Partindo da versão produzida pelos postulantes, os técnicos procuram, em suas falas, pontos altos que poderiam colaborar para o deferimento de seu processo em habilitação ou de adoção.
A maioria destas falas se constituía na afirmação da "normalidade" desses sujeitos, de modo a comprovarem que estão "aptos" para exercerem a parentalidade e constituírem famílias. Isso porque, nos pareceres técnicos, a homossexualidade ainda era representada como algo incerto, suspeito ou duvidoso. No processo de habilitação conjunta de Carlos e
148 Henrique, ao se utilizarem da psicologia como "ciência", destacou-se o caráter potencialmente perigoso da homossexualidade:
O psicólogo Roberto Granã ensina que 'todos os desvios sexuais são, em qualquer idade, essencialmente, desvios infantis'. [...] o homossexualismo é fruto de um pré- determinismo psíquico primitivo. Origina-se nas relações parentais das crianças, desde sua concepção até os 3 ou 4 anos de idade. Será mais ou menos corroborada de acordo com o ambiente em que ela se desenvolva, o que posteriormente determinará sua orientação sexual definitiva.
Ao afirmar que a homossexualidade é potencialmente aprendida na faixa etária infantil por meio do contexto em que a criança está desenvolvida, o que se está querendo afirmar é sobre um possível perigo da parentalidade homossexual.
Em meio a esses pânicos morais (MISKOLCI, 2007), precisava-se afirmar que, ainda que homossexuais, podiam estes ser uma boa família. Deste modo, a seleção das falas dos entrevistados durante o estudo psicossocial é que indicaria se estes postulantes estavam aptos ou não.
André, durante a entrevista com a psicóloga do judiciário, procurou destacar que estava motivado a ser pai. Assim, procurou afirmar que sua orientação homossexual não seria um impedimento. Conforme consta nos autos:
O autor considera-se homossexual. Ele relatou que não tem intenção de ter um relacionamento afetivo e não sente falta. [...] Ele é discreto em relação à sua sexualidade. Em seu trabalho, ele afirma ser casado para não ser importunado. Porém, sua família e amigos sabem e aceitam sua opção.
A atitude de André em ocultar sua homossexualidade perante a sociedade tem sido utilizada como estratégia por pessoas de orientação sexual e identidade de gênero não hegemônicas, como forma de não sofrer formas de violência e estigmatização. (PECHENY, 2004; ERIBON, 2008)94. Assim, manter uma identidade discreta visa maior tolerância em relação à homossexualidade95.
O postulante, ao afirmar tal fato, procurou positivar sua homossexualidade como discreta, como forma de torná-la mais próxima do grau de respeitabilidade e aceitabilidade social. (RUBIN, s/d) . Seu parecer, no entanto, foi desfavorável. Para as técnicas, no estudo
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É o que Goffman (2008) aponta como uma “dupla biografia”, em que este homem gay representa diferentes identidades, de acordo com as circunstâncias – uma para o âmbito público e outra para o privado.
95 Pecheny (2004) aponta que, no contexto argentino, desde a abolição do Santo Ofício, não há restrições que impeçam a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, o autor aponta que socialmente é exigido que estes mantenham uma atitude discreta.
149 psicossocial ficou percebido, dentre outras coisas, que "o requerente mostra dificuldade em aceitar sua opção sexual, o que para a psicóloga deixa dúvidas de como ele poderá auxiliar o filho em relação ao preconceito existente em nossa sociedade".
No caso de Carlos e Henrique, a positivação da homossexualidade foi argumentada de forma semelhante, mas num contexto distinto. Segundo as técnicas, em sua habilitação conjunta, "não observamos nada que possa inviabilizar o pleito. Percebemos que os requerentes levam uma vida ajustada, com comportamento ético e fiel aos seus princípios".
Para indicar que "vida ajustada" era essa, a equipe técnica passou a narrar como o casal baseava seu relacionamento em laços de afeto, mantinha uma vida conjugal estável e poderia oferecer um "ambiente saudável" para a criança.
Aventamos que essa "vida ajustada" propiciada por um "ambiente saudável" se refira a uma conformação ao modelo de conjugalidade e família estabelecido pelas normativas heterossexuais. Pensar na parentalidade homossexual dentro de uma lógica heteronormativa evoca considerar de que forma o direito à parentalidade pressupõe um ajustamento aos imperativos da heterossexualidade.
Seria essa uma forma de agência encontrada por estes indivíduos que têm as suas subjetividades marginalizadas pelo Estado?
A negociação da sexualidade aos padrões hegemônicos sugere diferentes interpretações. Todas elas apontam a forma como a busca por direitos sociais são atravessados por valores e moralidades.
Essa questão desdobra-se na que foi chamada de "necessidade da diversidade dos gêneros". Na habilitação conjunta de Carlos e Henrique, essa diversidade foi apontada como necessária ao desenvolvimento da criança.
Ainda em relação a questionamentos que esta subescritora já vinha consignado em casos de pretendentes com opção sexual homoafetiva, a Sra. técnica se antecipou e lançou manifestação no sentido de que a construção de papéis de pai e mãe, no caso dos requerentes, se dará da mesma forma que nas adoções monoparentais, já que as funções de pai e mãe necessitam existir. [...] No que diz respeito à construção de papéis de pai e mãe, ocorrerá da mesma forma que nas adoções monoparentais. As funções paternas e maternas necessitam igualmente existir, porém, exercidas independente do gênero sexual, pois são funções. A função paterna precisa existir em três vértices: proteção, limite e direção. E a função materna se realizará provendo o vínculo, a nutrição e a organização. Existindo as duas funções, estarão garantindo às crianças sua estrutura psíquica. No caso dos requerentes, percebemos que o equilíbrio de ambos possibilitará, junto com a ajuda das madrinhas e dos amigos que os cercam, suprir de forma saudável essas funções.
150 Comparada às famílias monoparentais, em que há apenas o exercício da paternidade ou da maternidade, sem pressupor alguma forma de prejuízo à formação psicossocial da criança, a equipe técnica procurou destacar que de igual forma seriam as adoções "homoafetivas".
Para além disso, indicou que essas funções independem do gênero do postulante. Mais necessário, segundo estas, seria que os requerentes garantissem "proteção, limite e direção", bem como "vínculo, nutrição e organização" no cotidiano do adotando.
Além disso, ao afirmar que estes contariam com a "ajuda das madrinhas e dos amigos que os cercam", indicou uma forma de compensação de gênero. Dito de outra forma, a presença de mulheres num ambiente familiar gay masculino possibilitaria que essas "funções parentais" fossem exercidas.
Laura e Carolina indicaram também que contaram com apoio profissional para o desenvolvimento psíquico das suas filhas já adotadas. Habilitando-se para adotar um terceiro filho, a técnica registrou que:
Carolina comentou que, por intermédio da Igreja Messiânica, já conseguiram uma vaga para que as meninas tenham acompanhamento psicológico [...] isso devido tanto às suas histórias de abandono, como em relação ao preconceito que a sociedade nutre em relação aos homossexuais para que elas entendessem sua 'nova' configuração familiar.
Esse fato, ao ser utilizado como argumento favorável, procurou evidenciar que Laura e Carolina estariam aptas para receber a nova criança pleiteada, na medida em que poderiam garantir também um acompanhamento "normalizador". Além disso, o uso da psicologia como ajuda profissional corroborou para uma reificação da homossexualidade como algo distante da normalidade familiar.
André chegou a afirmar que "gostaria que seu filho não fosse homossexual", que "deseja que a criança tenha uma vida 'normal' e que se case e tenha filhos". Sua declaração se baseia na ideia de que a normalidade das famílias constituídas por pares do mesmo sexo só serão comprovadas na heterossexualidade dos filhos. (GARCIA et al, 2007). Ou seja, a boa parentalidade "homoafetiva" se evidenciaria pela não homossexualização parental. Tal compreensão corrobora, ainda, para tornar a homossexualidade marginalizada frente aos modelos parentais, como uma espécie de "falha" (Ibid.).
Dessa forma, podemos perceber como os postulantes procuram indicar formas de "normalidade" ou de possível "normalização" de suas relações para atender aos requisitos da parentalidade heteronormativa. A adequação de suas "famílias" aos modelos hegemônicos,
151 evidenciados pelas características heterossexuais, seria uma forma de confirmar o sucesso de sua paternidade/maternidade, ainda que "'homoafetiva".
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A principal questão em torno da construção desta dissertação foi a de investigar como gays e lésbicas, tidos como "homoafetivos", compreendiam os sentidos de família e adoção quando pleiteavam a habilitação e/ou processo de adoção. Também procurou-se identificar como estes tiveram seu pleito de habilitação e adoção discutido e argumentando por representantes do Judiciário, entre 2000 e 2013. O caminho trilhado para compreender tal questão foi o de identificar como a questão da sexualidade do requerente à habilitação e adoção, se conectava à um leque de embasamentos jurídicos, científicos e morais.
Mediante a tais questões, procurou-se compreender, quais os sentidos estão sendo dados sobre a parentalidade adotiva "homoafetiva". Por um lado, almejou-se identificar nas versões produzidas pelo estudo psicossocial, como gays e lésbicas tem dado sentido ao seu desejo de parentalidade via adoção. Por outro, buscou-se compreender como os "operadores do direito" produziram sentidos sobre família, adoção e homossexualidade na forma como compunham seus argumentos para o deferimento ou não do pleito.
Para tanto, a abordagem partiu de análise documental de 5 processos e 3 habilitações em adoção pleiteados no município do Rio de Janeiro que tramitaram na 1° Vara da Infância, da Juventude e do Idoso (1°VIJI) regional de Madureira e na 2° Vara da Infância, da Juventude e do Idoso (2°VIJI) regional de Santa Cruz. Além disso, foram feitas pesquisas etnográficas e entrevistas com representantes do Judiciário carioca e dos Grupos de Apoio à Adoção, que, embora não usadas nesta dissertação, corroboraram para a apreensão dos sentidos produzidos sobre adoção e "homoafetividade" no cenário adotivo carioca.
Considerando que a adoção por pessoas de identidade homossexual e lésbica, nunca fora algo impeditivo pelas leis de adoção, me dediquei a identificar como esta questão tomou escopo a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal em maio de 2011, que equiparou de forma análoga as uniões "homoafetivas" às uniões estáveis. Desta forma, a análise centralizou-se em verificar qual o impacto desta decisão na prática adotiva, antes e após a promulgação da lei 12.010/09, que estabeleceu novas diretrizes para a adoção.
Neste respeito, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ao equiparar por analogia as uniões "homoafetivas" às uniões estáveis como entidade familiar, viabilizou a gays e lésbicas direitos judiciais, como o da adoção conjunta. Este fato tem ampla relevância no presente trabalho, pois aponta um dado novo na sociedade brasileira, que é a possibilidade da adoção conjunta por um casal gay ou lésbico de identidade assumida. Isso porque, no que
153 se refere à adoção conjunta, a referida lei determina no art. 39, § 2º: “para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família”.
No entanto, essa determinação foi percebida de forma diversa e controversa. Alguns entenderam-na como uma "vedação" legal à adoção por pares do mesmo sexo, visto que a decisão do Supremo Tribunal Federal não configurava uma lei. Outros a viram como uma brecha para que pares gays e lésbicas pudessem adotar conjuntamente, uma vez que viviam de forma análoga à união estável.
Vale ressaltar que tal embate se alterou com a decisão do Supremo Tribunal Federal, corroborando para a ampliação do escopo de direitos de gays e lésbicas, como a conjugalidade e a parentalidade.
Apesar de alguns casais já terem tido deferimento de seu pleito conjunto à habilitação e adoção no município do Rio de Janeiro antes da decisão do Supremo Tribunal Federal, conforme dados de pesquisa de campo, esta situação não era respaldada. Por ficar a cargo do entendimento do Juiz e dos demais técnicos do Judiciário, o que se pode afirmar é que esta situação correspondia a uma "marginalização" da parentalidade homossexual.
No mesmo sentido, creio que a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011 ao reconhecer as famílias compostas por pares do mesmo sexo de modo análogo às que são estabelecidas por pares heterossexuais, referenda uma normatização na conjugalidade. Tal decisão materializa a ideia de que a sexualidade homossexual pode ser tornada “boa” desde que adequada a um modelo monogâmico, “saudável”, e não promíscuo.
Apesar desta decisão e de uma crescente aceitação da associação entre homossexualidade, família e filiação percebemos que esta não é plena. Sendo assim, pude perceber que os membros do Poder Judiciário, mesmo produzindo um discurso de aceitação, operacionalizam, em âmbito do processo de habilitação e adoção, triagens no procedimento adotivo por pares do mesmo sexo.
Pude verificar que o desejo de paternidade ou maternidade era indicado como a maior motivação dos postulantes nas argumentações técnicas. Nesse sentido, os diversos representantes do Judiciário procuravam favorecer o pleito através de uma positivação da "homoafetividade" à luz do direito, das transformações sociais, da "ciência" e do próprio perfil do requerente no estudo psicossocial.
Na análise dos processos, a primeira questão a que se dedicavam os estudos psicossociais e a argumentação dos demais operadores do Judiciário, era a verificação jurídica
154 do objeto em análise, gays e lésbicas adotarem conjuntamente. Nesse sentido, procuravam indicar na legislação vigente a forma de interpretar o referido pleito. A discussão em torno da sexualidade e dos princípios de garantias, como a igualdade, mostravam-se a primeira fonte de argumentação. As transformações sociais e a mudança na concepção jurídica da família, acompanhavam a linha favorável ao pleito. Em seguida, relacionavam tais embasamentos à lei 12010/09 como forma de interpretação da lei. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal, esta tornou-se também uma fonte de embasamento para o deferimento à adoção por pares do mesmo sexo.
Após a constatação de que juridicamente estes tornavam-se aptos à adotar, os técnicos e operadores do Judiciário passavam a se dedicar em comprovar "cientificamente" a "normalidade" da parentalidade de gays e lésbicas. Assim, procuravam identificar o caráter social da família, através de estudos sócio-antropológicos. Também objetivavam atestar que não haveria qualquer forma de prejuízo à formação moral e psicológica da criança, através da psiquiatria, psicologia, pediatria e da medicina. Diante desta questão, cabe suscitar a seguinte reflexão: qual o motivo de atestar a "normalidade" da parentalidade de gays e lésbicas? Não seria esta uma forma de reificar o lugar da homossexualidade como potencialmente perigosa para a criança e para a família? Concluo que embora houvesse uma positivação da homossexualidade, estes estudos refletiam uma concepção heteronormativa de família.
A argumentação baseada na garantia de direitos de gays e lésbicas, no entanto, passou a ser reordenada frente ao direito das crianças e adolescentes que estivessem aptos à adoção. Me refiro aqui à impressão de campo de que os representantes do Judiciário possam estar vendo na adoção por homossexuais um caminho para resolução de um problema: dar um destino às crianças dificilmente adotáveis, que são crianças com perfil de cor negra ou parda, que esteja em idade igual ou superior a sete anos de idade, pertencente a grupo de irmãos (ou seja, duas ou mais crianças da mesma família), e portadora de alguma doença crônica. Embora este dado tenha sido veementemente refutado pelos interlocutores no campo, avento que a positivação do pleito movido por "homoafetivos" possa ser decorrente de uma “pressão” do judiciário para solucionar um “problema” jurídico dual, homossexuais querendo adotar e crianças que não correspondem ao perfil desejado precisando ser adotadas.
Além disso pude perceber que o princípio do "melhor interesse da criança" era usado de forma dual pelos técnicos e operadores do direito. Se por um lado, percebiam na adoção "homoafetiva" uma vantagem para crianças serem adotadas, por outro, foi acionado como
155 uma forma de "proteção" das crianças e adolescentes em relação à terem pais gays ou mães lésbicas.
Por fim, a própria fala dos postulantes, no estudo psicossocial, era tornada embasamento para indicar a possibilidade destes se tornarem uma boa família. Dentre a seleção das falas, as que eram tornadas embasamento referiam-se na afirmação da "normalidade" destes sujeitos, através das suas atividades desenvolvidas, como uma forma de apresentar-se mais próximos da respeitabilidade e aceitabilidade social. Assim, procuravam indicar que, enquanto "normais", podiam exercer a paternidade ou maternidade.
O que se quer realçar aqui é que, embora os operadores do Judiciário mostrarem-se favoráveis ao pleito e, por isso, buscarem positivar a "homoafetividade", estes mecanismos corroboravam para uma adequação daqueles aos imperativos da heterossexualidade. Ou seja, gays e lésbicas podem adotar, desde que correspondentes ao modelo hegemônico de família e parentalidade. Sendo assim, concluo que, na prática judiciária a aceitação da associação entre homossexualidade e família é parcial.
Assim, o que podemos verificar é que de forma recorrente, embora haja uma aceitação da adoção por pessoas de declarada orientação homossexual e o deferimento de seus requerimentos ao projeto filiativo adotivo, entretanto, estes continuam sendo vistos como rompendo ao modelo de família vinculado ao conceito da heteronormatividade.
Esta aceitação vem sendo justificada, sobretudo, à luz da garantia de direitos. Mas, por outro lado, estes direitos têm sido contrapostos por um receio da forma com que o deferimento pode afetar a criança ou o adolescente. Nesta medida, tem manifestado explicitamente pânicos morais ao associar família, homossexualidade, crianças e relações de parentesco. Portanto, não representa uma aceitação plena.
Em virtude disso, embora se perceba uma modificação no cenário nacional a respeito de pessoas de identidade homossexual em relação aos seus direitos, entretanto, ainda se tem permanente uma concepção de homossexualidade associada ao rompimento do modelo familiar ou de uma possível adequação deste ao que se estabelece por família. Essa permanência se verifica nas entrelinhas dos processos, quando se interroga em que medida homossexuais podem ou não adotar, e quando no deferimento, evidencia-se a maneira com que este modelo de família e de parentalidade ainda se mostra passível de controle e regulações.
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