CAPÍTULO 4 – O PROCESSO DE REQUALIFICAÇÃO NO COMÉRCIO
D. Master Plan (2006 – em fase de elaboração)
Encomendado pelo Escritório de Revitalização do Comércio em janeiro de 2006, consiste num projeto que vem sendo elaborado pelo consórcio TC/BR e Concremat Engenharia, com o objetivo de elaborar o “Planejamento Geral de Requalificação Urbana da Zona do Bairro do Comércio”, que deveria atender aos termos de referência que definiam a área de intervenção e o escopo que os estudos devem contemplar (Figura 4.09).
Figura 4.09 – Área de atuação do Master Plan.
Fonte: Salvador, 2006b.
Assim, o Master Plan deve conter os seguintes documentos: um plano de revitalização da área do Comércio que considere os aspectos físicos, econômicos, sociais e institucionais; projetos básicos de intervenção em infra-estrutura e urbanização prevista no plano, de responsabilidade dos poderes públicos; um plano diretor de aproveitamento da área do porto em consonância com o plano de revitalização; um projeto básico das instalações portuárias a serem construídas na área, objeto de permuta com o porto; uma análise da legislação para uso e ocupação do solo vigente na área.
Dentro do “plano de revitalização” deverão ser analisados todos os estudos e projetos desenvolvidos para a área, bem como as políticas públicas que estão sendo implementadas, de modo a haver compatibilização das propostas existentes com as que serão elaboradas. Do mesmo modo, as diretrizes para a área deverão considerar as vocações e o público alvo, procurando atrair atividades compatíveis; promover o uso habitacional, melhorias na circulação, transportes, estacionamentos, serviços públicos (drenagem, iluminação, saneamento, etc.), mobiliário urbano, praças, espaços abertos e áreas para pedestres; preservação de
edificações e monumentos de interesse histórico e cultural; e valorização da paisagem urbana.
A partir dessas diretrizes, se definirão: as ações dos poderes públicos de incentivos e regulamentação, bem como as ações diretas de investimentos e desapropriações; os convênios com outras esferas de governo; as parcerias público-privado; e as fontes de recursos e financiamentos. É bastante ressaltada a importância do “plano de revitalização” apresentar propostas e diretrizes que especifiquem claramente objetivos, responsabilidades, prazos e fontes de recursos, de modo a possibilitar o surgimento de interessados e sua efetiva implementação (ESCRITÓRIO, 2006).
Segundo informações obtidas no Escritório de Revitalização do Comércio, até dezembro de 2006, haviam sido elaborados seis relatórios parciais nos quais constam diagnósticos sócio-econômico e físico-urbanístico da área, com cadastros das edificações da área de estudo, bem como o mapeamento dos diversos aspectos que foram levantados em trabalho de campo, como: pontos de referência; pontos de alagamento; pontos de congestionamento; pólos atrativos de tráfego; roteiro de coleta de lixo; telefones públicos, tipo de pavimentação das ruas e das calçados, uso do solo; tipologia da ocupação; entre outras (SALVADOR, 2006b).
4.1.4 O ESCRITÓRIO DE REVITALIZAÇÃO DO COMÉRCIO
Apesar da requalificação do Comércio ter começado a ser pensada desde a década de 1980, as intervenções começaram a ser executadas desde 2001, quando o poder público municipal resolveu dar início à efetivação de um processo de requalificação no Comércio (PREFEITO, 2001). A implantação do “Escritório de Revitalização do Comércio”, em 03 de novembro de 2003, vinculado à então Secretaria Municipal de Transportes Urbanos – SMTU (atual SETIN), representou a criação de um centro de referência para a atração de mais investimentos e negócios para a área (ESCRITÓRIO, 2003).
O Escritório de Revitalização tem o objetivo de integrar ações que vinham sendo implementadas de maneira isolada, nos últimos anos, catalisando os vários agentes que atuam na área, de modo a convergir interesses e investimentos. Após sua implantação, o processo de requalificação do Comércio começou a ganhar
força, intensificando não apenas o desenvolvimento de estudos, mas a implementação efetiva das propostas existentes para a área.
Atualmente, além de providenciar a atração de empreendimentos e realização de eventos na área, o Escritório de Revitalização do Comércio tem se dedicado ao desenvolvimento de três projetos:
O Planejamento Estratégico que, a exemplo de outros pelo mundo, baseia-se na sensação de segurança que se cria a partir de propostas capazes de atrair investidores para reverter a “crise” local, abordadas por Borja e Castells (1997). No processo de requalificação do Comércio, é um projeto que tem como parceiros a Fundação Odebrecht e a Organização Prado Valladares;
O Condomínio Digital ou Consórcio Empresarial Tecnológico, à princípio, proposto para ser implantado no edifício do Instituto do Cacau. Segue a lógica das novas tendências de organização espacial de pólos de desenvolvimento de alta tecnologia, abordadas por Benko (2002). Trata-se de um projeto que visa ao fortalecimento da capacidade de inovação empresarial no setor, e sua articulação com centros de pesquisa, desenvolvimento e instituições de ensino e o setor público. Os centros de TI são “vendidos” como um meio para incluir as cidades nos grandes eixos econômicos mundiais, demandando, sobretudo, dinamismo e capacidade de integração da cidade ou região em um fluxo do processo produtivo, permitindo o estabelecimento de estratégias de desenvolvimento apoiadas em seu potencial de pesquisa. Entretanto, trata-se de mais uma “realidade politicamente construída”, que serve para atender ao que Benko (2002) considera o consenso do aumento da atratividade local em função do “clima propício aos negócios” oferecido;
O Master Plan, já apresentado no item 4.1.3.4, que realiza estudos que propõem projetos estratégicos para acelerar e otimizar o processo de requalificação do Comércio e seu entorno, incluindo-se aí a área portuária, também nos moldes estudados por Borja e Castells (1997) e Compans (2005).
As ações que foram efetivadas pelo Escritório de Revitalização do Comércio – criado para gerir a área, como a agência Charles Center Management Inc. em Baltimore – fazem parte do cenário atual da área, que será apresentado no item a seguir.
4.2 O NOVO CENÁRIO DO COMÉRCIO COM A IMPLANTAÇÃO
DAS PROPOSTAS DESENVOLVIDAS
A área do Comércio tem apresentado constantes mudanças, em função da dinâmica do próprio processo de requalificação e das expectativas criadas para a população local, empresários e poderes públicos. Dessa maneira, foram levantados aspectos relevantes sempre analisados por meio dos planos, programas e projetos propostos para a área, que indicam que, após o início deste processo, já foram realizadas ações como a reurbanização de praças, a restauração de monumentos com características significativas e a recuperação de espaços culturais, passando, ainda, por uma reorganização da circulação e do transporte, como veremos nos itens a seguir.