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3. ANÁLISE DOS DADOS

3.3 Materiais utilizados para apresentar as obras

Aqui buscamos apresentar as falas das entrevistadas que se referem aos materiais que as mesmas utilizam para expor as obras para os alunos durante as aulas. Quando iniciamos a busca, vimos que todas as entrevistadas utilizam tanto os vídeos e recursos tecnológicos quanto materiais impressos para apresentar as obras para os alunos. Apenas duas das entrevistadas citam a existência dos livros didáticos, porém afirmam não os utilizar.

Dentre os recursos tecnológicos citados pelas professoras, a utilização de TV/Vídeo apareceu nas falas de todas as entrevistadas, como podemos observar nesta

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frase da professora Renata: “eu tenho vídeos, aí, eu ponho”. Da mesma forma, diz a professora Laura: “Tá, uma coisa que eu gosto muito é a televisão, gosto muito porque me dá liberdade de levar bastante coisa no pendrive, então, eu gosto muito de mostrar imagens”. Já a professora Valentina diz que “nós temos uma sala de vídeo, em alguns momentos nossa, eu necessito dessa sala, então como eu tenho muito material no computador eu levo o data-show, eu apresento, então eu tenho que ter algum recurso áudio-visual”. E, por fim, a professora Teresa afirma: “Tá, nas artes visuais, eu uso muita projeção, nem sempre tem como fazer projeção, [...] mas tem a TV que ela é móvel, então geralmente eu uso a TV porque eu conecto o HDMI no computador e beleza”.

Assim, todas as professoras apresentam a utilização da televisão para a apresentação de certos tipos de obras ou manifestações artísticas para os alunos. Embora haja a presença de outros recursos nas salas de aula, os relatos não se diferem em práticas, pois podemos observar que o uso das imagens na televisão ou em outro tipo de plataforma se mantém dentro de um modelo tradicional de ensino, em que as professoras apresentam os materiais, ou apenas “ilustram” uma explicação, como relatado pela professora Laura: “mostro um vídeo pra ilustrar uma explicação de alguma coisa”. Vemos o mesmo teor na fala da professora Valentina: “eu faço muita coisa no PowerPoint, então eu resumo, pra eles e aí eles visualizam e veem a imagem, e vê o texto resumido”, que relata que apresenta os conteúdos para os alunos verem.

Mas em alguns momentos também podemos ver práticas que fogem ao modelo tradicional quando a professora Laura relata que: “filme mesmo eu acabei passando um pra cada sala, que eles me pediram”, apresentando que trabalhou vídeos por solicitação dos alunos, preparando sua aula diante de uma demanda dos próprios alunos.

Aparecem também relatos do uso de materiais pessoais das professoras para a utilização nas aulas, como podemos ver na fala da professora Teresa: “nem sempre ela [a TV] tá disponível, então eu abro o meu computador. Eu abro o computador, eles veem”. Outra fala que vem em reforço à esta fala da professora Teresa, em relação ao uso de materiais próprios por falta de recursos disponíveis na escola, é a da professora Renata: “são essas coisas que a gente tem e vídeos né, não tem muitas coisas que a escola nos oferece hoje”. Assim, ela relata que utiliza os vídeos pois não lhe são oferecidas muitas outras opções de materiais pela escola.

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Diante das falas, podemos ver que a utilização da televisão acaba sendo de preferência das professoras pois lhes permite apresentar os materiais preparados por elas para a realização das aulas. Também vemos o uso do computador ou do data-show, que vem para suprir uma falta de recursos disponibilizados pela escola. Assim, muitas vezes aparecem nas falas das professoras que estes materiais são pessoais, e não da escola.

Outro material muito utilizado pelas professoras são os materiais impressos. Quando falamos dos materiais impressos, a príncípio imaginávamos a reprodução das obras, e isto apareceu nas falas de três entrevistadas, como podemos ver nesta da professora Renata: “As Pinacotecas são minhas, algumas particulares que eu fazia coleção, então aqui na escola eu tenho um monte, eu trago e deixo aí, mas são minhas. Mas outros materiais que eu imprimia, fazia, pegava da escola papel cartão, colocava as figuras, ponho lá”. Ao citar as Pinacotecas, Renata se refere às coleções de obras impressas da Pinacoteca, afirmando utilizá-las mas deixa bem claro que são materiais dela, e não disponibilizados pela escola. Isso também aparece na fala da professora Valentina: “trabalho muito com imagens que eu tenho, que são imagens... ah... como que eu vou falar pra você... são obras de Arte que eu tenho em tamanho grande, eu apresento pra eles”. E também vimos a mesma realidade na fala da professora Teresa:

Eu tenho também algumas imagens impressas, que eu fui fazendo coleção de banca sabe, aquelas que são as obras mais caras e blá, blá, blá? Porque é muito difícil fazer um trabalho em grupo, ou fazer uma recreação sei lá, uma transposição de linguagem se não tem a imagem física né, e aí eu uso essas, mas elas são extremamente limitadas. E eu tenho os materiais educativos da Bienal, que é também o que eu uso, mas são imagens limitadas.

Vemos nas falas dessas três professoras a busca pelo mesmo tipo de material, que geralmente acaba sendo adquirido pelas próprias professoras e “colecionado” de forma particular.

Outra visão sobre o material impresso apareceu na fala da professora Laura, que relatou trabalhar com textos impressos:

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Então, teve textos que eu levei impresso, teve texto que eu passei na lousa pra fazer a leitura, é uma coisa que eu gosto de fazer, porque é uma coisa também que eu identifico que a galera não faz, então eu acho importante assim você ter uma leitura, então eu gosto de levar pequenos textos com conceitos, então ao invés de levar simplesmente uma atividade e falar: ó, o ponto é isso e já propor uma atividade sobre o ponto, eu gosto de passar os conceitos.

Segundo Laura, ela trabalha com textos pois identifica que os alunos tem defasagem em conhecimentos específicos e conceitos sobre Arte, mas não apresenta nenhum relato sobre a apresentação de obras artísticas.

Uma outra visão sobre os materiais impressos que nos chamou muita atenção foi da professora Renata quando diz: “Teatro? Não tem coisas assim pra teatro”. A professora é a única a citar o Teatro, o que nos mostra uma preocupação e um olhar para as demais linguagem artísticas. Em nenhum outro momento, nos exemplos dados pelas professoras de materiais que utilizam em suas aulas, aparecem as outras linguagens artísticas. Assim, como já discutimos anteriormente, parece existir uma predominância das artes visuais.

Pela fala dessa professora, ao demonstrar que não existem materiais prontos para o trabalho teatral na escola, assim como nas artes visuais, podemos direcionar nossos pensamentos em duas direções de reflexão: a primeira de que as artes visuais são predominantes na escola e, mesmo que por materiais pessoais e sem muita qualidade, ainda apresentam mais recursos de trabalho para as professoras; a segunda de que pelo conceito de aula ainda estar fortemente pautado no modelo tradicional, as professoras buscam materiais que sustentem esse modelo, e o encontram em materiais visuais para a apresentação de obras.

Mais um suporte pedagógico que apareceu nas falas de duas professoras, mas apenas para destacar a sua existência e falta de qualidade, foram os Livros Didáticos/Apostilas.

A professora Laura relata a existência deste material: “Até existe um livro lá didático, né cada, os alunos, eles têm um livro que eles levam pra casa, mas eu não usei” porém relata não o ter utilizado. E a professora Valentina complementa relatando que: “eles mandam livro didático pra gente mas não é tão assim”. Vemos nas falas dessas

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professoras que o material não despertou interesse para uso da professora Laura e a professora Valentina afirma não ser um bom material.

Podemos entender que todos esses materiais, tanto os livros ou apostilas, quanto os impressos não oferecem um bom suporte de trabalho para o professor, como vimos na fala da professora Teresa ao relatar: “mas são imagens limitadas”. Ela afirma uma limitação dessas imagens, o que nos remete novamente ao que trouxemos de Barbosa (1989) quando cita que os alunos não têm acesso à obras de arte, sendo que o máximo que eles podem ter são estar diante de materiais de baixa qualidade.

Pudemos observar que os vídeos, os recursos tecnológicos como televisão, computador e data-show, os materiais impressos e também os livros didáticos são os materiais utilizados pelas professoras para apresentar as obras para os alunos e, assim, o que os alunos têm acesso são representações das obras.

Não observamos nas falas das entrevistadas nenhum tipo de vivência ou experimentação artística com obras reais. Porém, sobre as condições e possibilidades para esse tipo de experimentação artística, esse assunto foge ao escopo desta pesquisa. Assim, o que destacamos aqui é que os alunos conhecem as obras apenas por representações das mesmas, sejam elas em fotografias, seleção de imagens na internet ou impressões. Seguimos agora com o que as entrevistadas nos apresentaram sobre o que acreditam ser as funções do ensino de Arte na escola.