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(MATERIAL DE ESTUDO) COISA JULGADA

No documento DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO (páginas 147-162)

Coisa Julgada. Aspectos Legais.

• Estabelece o art. 6º, § 3º da Lei de Introdução às

Normas do Direito Brasileiro:

– § 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso

• Já o art. 502 do CPC reza que:

– Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. .

• Os dois dispositivos, na verdade, tratam de

aspectos diferentes da coisa julgada.

Coisa Julgada. Aspectos Doutrinários.

• A doutrina divide a coisa julgada em dois aspectos: Formal e Material.

• O aspecto formal está voltado para os efeitos da coisa julgada dentro do processo, caracterizando-se pela impossibilidade de ser atacada por recurso de qualquer natureza (art. 6º, § 3º, LINDB), o que acarreta na

imutabilidade da decisão.

• Toda sentença produz coisa julgada formal.

• Não confundir com trânsito em julgado, que é o

momento em que a decisão torna-se imutável, ligado à

Coisa Julgada. Aspectos Doutrinários.

• O aspecto Material está voltado para os efeitos da coisa julgada fora do processo, caracterizando-se pela impossibilidade de ser rediscutido o seu objeto (art. 502 CPC), o que acarreta na imperatividade da decisão.

• Nem toda sentença produz coisa julgada material, mas, apenas, aquelas que resolvem o processo com resolução de mérito (definitivas).

• As ações de “estado” das coisas, proferidas em relações continuativas, não produzem coisa julgada material nem mesmo quando a sentença for proferida com resolução do mérito. Neste caso, a alteração do estado original possibilita a ação revisional (Ex: adicional de insalubridade em contratos que continuam em vigor).

Coisa Julgada. Natureza.

• A sentença definitiva transitada em julgado tem natureza de norma jurídica individual.

• Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida.

• Para a maioria dos autores, há em toda decisão definitiva uma natureza jurídica declaratória, independentemente na natureza do pedido, posto que a sentença declara o direito no caso em concreto.

• Maria Helena Diniz defende que esta propriedade da sentença não é declaratória e, sim, constitutiva, posto que cria norma individual.

Coisa Julgada. Limites.

• A coisa julgada constitui norma jurídica. Diante

disto, há que se ponderar sobre o alcance da

aplicabilidade desta norma jurídica, o que se

estuda sob a denominação de limites da coisa

julgada.

• Os limites são divididos em subjetivos e

Coisa Julgada. Limites subjetivos.

• Reza o art. 506 do CPC:

– Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros.

• O Direito Processual Civil tradicional concebeu a lide individual. Portanto, o ordinário é que os limites atinjam somente os sujeitos do processo.

• Os sujeitos do processo são definidos, a priori, na petição inicial, através da qualificação das partes, mas podem ser alterados no curso da lide pelo instituto da intervenção de terceiros.

• Por vezes a sentença atinge a terceiros interessados, por via reflexa (Perito, União – custas e constribuições previdenciárias, etc).

Coisa Julgada. Limites subjetivos. Continuação.

• Nas Ações Coletivas, o limite subjetivo da coisa julgada é elastecido como se vê do art. 103 do CDC:

• Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada:

• I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81 (interesses difusos);

• II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81 (interesses coletivos);

• III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81 (interesses individuais homogêneos).

Coisa Julgada. Limites Objetivos.

• Prevê o art. 503 do CPC:

– Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida.

– § 1o O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se:

– I - dessa resolução depender o julgamento do mérito;

– II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia;

– III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal.

– § 2o A hipótese do § 1o não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial.

Coisa Julgada. Limites Objetivos.

• Os limites objetivos da ação são fixados na

petição inicial através da causa de pedir e

do pedido.

• O exato limite da coisa julgada é

estabelecido por via reflexa, ou seja, por

exclusão. Veja-se o art. 504 do CPC.

– Art. 504. Não fazem coisa julgada:

– I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença;

– II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença.

Coisa Julgada. Limites Objetivos. Continuação.

• Logo, apenas o dispositivo faz coisa julgada.

• O dispositivo pode ser:

– Direto: Retrata a solução apresentada em cada questão decidida.

– Indireto: Quando faz remissão a outros elementos do processo que não o próprio dispositivo.

• Um recurso utilizado para trazer os fundamentos

para a coisa julgada é inserir, no dispositivo, a

expressão: “

... nos termos da fundamentação que fica

Coisa Julgada. Relativização da coisa julgada.

• A coisa julgada é protegida pela Constituição Federal no art. 5º, inciso XXXVI:

• XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

• A Medida Provisória 2.180/2001 acrescentou o § 5º ao art. 844 da CLT que assim estabelece:

• § 5o Considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal ou em aplicação ou interpretação tidas por incompatíveis com a Constituição Federal.

• Vê-se, pois, que há restrição à exeqüibilidade da

sentença transitada em julgado que fosse

“inconstitucional” , o que altera a hipótese de

Coisa Julgada. Relativização da coisa julgada. Continuação.

• A questão é saber se há validade neste dispositivo.

• No meu entender, o dispositivo é inconstitucional formal e materialmente.

• Formalmente porque a Medida Provisória requer relevância e urgência o que, em matéria processual, não há. Neste sentido está o art. 62, I, b da Constituição Federal com a redação que lhe foi data pela EC 32/2001:

• "Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

• § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: • I – relativa a:

Coisa Julgada. Relativização da coisa julgada. Continuação.

• Também há inconstitucionalidade material porque viola o já transcrito art. 5º, XXXVI da Constituição Federal. • O fundamento contrário é no sentido de que a sentença

transitada em julgado é norma jurídica e, como qualquer outra norma jurídica, não pode estar em desacordo com a Constituição Federal. Do contrário, admitir-se-ia que o Poder Judiciário poderia revogar a Carta Magna.

• Embora filosoficamente aceitável, o fundamento acima invalida a principal finalidade da coisa julgada, que é exatamente a segurança jurídica que decorre da

Coisa Julgada. Autonomia.

• A coisa julgada trabalhista em autonomia em relação às decisões proferidas em outros ramos do Poder Judiciário.

• Exceção se faz, apenas, à decisão penal condenatória transitada em julgado, que repercute também na esfera trabalhista por força da aplicação do art. 935 do Código Civil.

• O inverso não é verdadeiro. A absolvição na esfera criminal não induz à coisa julgada no processo do trabalho.

• Portanto, se o empregado foi condenado na esfera penal pela prática de apropriação indébita, por exemplo, que também constitui fundamento da justa causa (ato de improbidade), então a justa causa está provada também na esfera trabalhista.

• Entretanto, se houve absolvição na ação penal, há que se permitir a produção de provas no processo do trabalho.

• A hipótese é de pouca ocorrência na prática, posto que a ação trabalhista é mais célere que a ação penal.

Coisa Julgada. Autonomia. Continuação.

• O Juiz do trabalho não deve suspender o andamento da ação trabalhista pela mera existência de inquérito policial. O inquérito não é ação. É procedimento administrativo procedido pelo Poder Executivo sob supervisão do Poder Judiciário.

• Caso já exista ação penal em andamento (denúncia ofertada e aceita), o Juiz do Trabalho poderá suspender a ação trabalhista que verse sobre o mesmo fato, a fim de evitar decisões judiciais conflitantes. Se assim o fizer, estará amparado pelo art. 265 do CPC.

• Esta suspensão não pode demorar mais do que um ano. Caso este prazo seja superado, o Juiz decidirá a questão.

• Convém, de toda sorte, que a suspensão seja feita depois de encerrada a fase probatória, a fim de que as provas não sejam perdidas pelo decurso do tempo.

No documento DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO (páginas 147-162)

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