Baixo Rio Doce
MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo
Essa pesquisa foi desenvolvida nos lagos do baixo rio Doce, no município de Linhares, no Estado do Espírito Santo, Brasil (Figura 1), onde 13 lagos foram escolhidos para serem estudados (Figura 2). Todo esse sistema lacustre é
chamado popularmente de lagoas, em alguns trabalhos e até mesmo nos mapas, também são assim tratados. No entanto, nessa pesquisa foi adotada a terminologia lagos, pois, as dimensões e características geomorfológicas que possuem, assim os classifica (HATUSHIKA, 2007).
Os lagos pesquisados estão localizados em domínios geomorfológicos distintos, entre o Platô Terciário e a Planície Costeira quaternária, encontram-se aqueles que podem ser chamados de lagos externos (Hatushika, 2007; Suguio et al.,1982), nesse domínio os lagos estudados foram: Cacimbas, Parda, Nova de Povoação, e Salgada. Os chamados lagos internos são maiores, e estão presentes em área de Planície de Tabuleiros, sobre sedimentos quaternários da Formação Barreiras, sendo limitados pela planície aluvial do rio Doce (Bozzelli et al., 1992; Hatushika, 2007), neste trabalho são representados pelos lagos Juparanã, Nova, Palmas, Palminhas, Aguiar, de Dentro, Durão, Delfino, e do Brás. Adotou-se a substituição dos nomes dos lagos por códigos como mostra a Tabela I.
Há poucos estudos sobre a formação destes lagos, porém algumas pesquisas realizadas nessa área revelam uma diversidade em seus processos de formação, sendo o produto da dissecação de antigos vales fluviais, na última Transgressão, e inundados no Holoceno com o amento do nível do mar Suguio & Kohler (1992), onde o surgimento desses vales são devidos a reativação tectônica ocorridas com a evolução do Rift Continental, com o evento de ruptura do supercontinente Gondwana e abertura do oceano Atlântico (MELLO et al., 2005).
A barragem dos lagos se dão principalmente pela sedimentação de rios afluentes antigos (por ação marinha e fluvial) Bozzelli et al. (1992), e ainda movimentações neotectônicas responsável pela estruturação do relevo na região (HATUSHIKA, 2007). Feixes de lineamentos na direção NW-SE (noroeste- sudeste) que orientam o curso final do rio Doce, associa-se também, ao alinhamento das desembocaduras dos corpos lacustres da região de Linhares (Mello et al., 2005).
As campanhas foram feitas entre outubro de 2014 a janeiro de 2015 e Outubro de 2015 a fevereiro de 2016. A primeira visita a cada lago foi para o reconhecimento, observações sobre uso da terra, e uso e manutenção dos lagos, e amostragem qualitativa por meio de busca ativa. Após as expedições de reconhecimento da área, amostragens quantitativas foram feitas por meio de Protocolo de Coleta Rápida de Odonata (RAP), que consistiu na contagem visual do número de indivíduos de cada espécie presente em 300 m de corpos d’águas, divididos em 60 segmentos de 5 m, os indivíduos de difícil identificação foram coletados para confirmação taxonômica.
Este método de varredura (scan) foi definido de acordo com o protocolo de De Marco (1998), o qual tem sido aplicado em estudos de Libélulas, gerando estimativas pontuais em várias regiões do Brasil (Juen & De Marco 2011; Reis et al. 2011; Pinto et al. 2012)
Para a coleta de adultos de Odonata, foram utilizadas redes entomológica (puçás) com haste feita em alumínio nas seguintes dimensões: cabo retrátil com cerca de 100 cm de comprimento, e cesta com aproximadamente 90cm de comprimento e 40cm diâmetro.
Os espécimes foram colocados, ainda vivos, em envelopes entomológicos para terem tempo de esvaziar seus intestinos, e assim possibilitar uma melhor conservação. Posteriormente, no laboratório, eles foram imersos em acetona, onde descansaram por 48h, para fixação da coloração dos exemplares, e então colocados para secar, e finalmente postos em envelopes definitivos sobre uma ficha de papel cartão, onde todos seus dados foram registrados, como sugerido por Lencione (2006).
A identificação dos espécimes foram realizadas com base em Lencioni (2005; 2006), Heckman (2006) e Garrison et al. (2006; 2010), e uma série de artigos pertinentes a cada táxon, além da comparação com exemplares previamente identificados por outros especialistas.
O material analisado encontra-se depositado na Coleção Zoológica Norte Capixaba (CZNC - Universidade Federal do Espírito Santo).
Mata ciliar
Para cada lago foram escolhidos dois pontos, com maior e menor área de vegetação ripária, assim, mediu-se a área total dessa vegetação que se estendia pelos 300 m previamente escolhidos para os segmentos com o auxílio do programa Google Earth®.
Vegetação aquática
Para cada ponto do lago, foram medidas a área de vegetação aquática , assim, mediu-se a área total dessa vegetação que se estendia pelos 300 m previamente escolhidos para os segmentos com o auxílio do programa Google Earth®.
Área dos lagos
A área total de cada lago foi medida a partir de arquivo shape do GEOBASES (2002), banco de dados com informações geográficas do Espírito Santo,
utilizando-se o programa QGIS – Versão 2.8.4 “Wroclaw’ (SHERMAN, 2016),
selecionando a função medir área.
Transparência da água
As imagens dos lagos foram pré-processadas individualmente, onde tiveram seus tons de cinza realçados, e posteriormente foi feita a composição colorida RGB (bandas 5;4;3).
Para Florenzano (2008), a composição colorida realça corpos d’água com baixa e alta carga sedimentar suspensa, influenciando a coloração destes com variações de azul escuro e azul claro, respectivamente.
Cada banda realça uma feição específica, sendo que para o sensor utilizado (TM Landsat 5), a banda 3 oferece boa resposta com corpos d’água e evidencia características como o teor de sedimentos presentes neles ou suas profundidades, onde o maior o índice de reflexão é dado para alta carga sedimentar e maiores profundidades.
ANÁLISES ESTATÍSTICAS Riqueza
Foi utilizado o estimador não paramétrico, o Jackknife de primeira ordem, para a estimativa de riqueza de espécies de Odonata. Essa estimativa possibilita averiguar o número de famílias que não foram observadas, mas que potencialmente ocorrem na área (Hellmann & Fowler 1999; Heltshe & Forrester 1983; Heltshe & Forrester 1985):
S Jack 1 = S obs + Q1
m-1 m
Onde:
Sobs = número total de espécies observadas em todas as amostras coletadas; m
= número total de amostras;
Qj = número de espécies que ocorrem em exatamente j amostras (Q1 é a