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SOB ENXERTIA E NATIVA

2 MATERIAL E MÉTODOS

Com a finalidade de caracterizar e comparar propriedades da castanha-do-Brasil produzida por enxerto e nativa foram obtidas amostras na região Norte de Mato Grosso.

De acordo com a classificação climática de Köppen a região é caracterizada como tropical, sendo o tipo climático Aw, com duas estações bem definidas: chuvosa e seca. A precipitação média anual permanece em torno 2.000 mm, com maior concentração entre outubro e março. A temperatura média anual é de 28 °C (KOPPEN, 1931).

As amostras de castanha nativa foram obtidas com castanheiros do município de Itaúba – MT, os quais coletam as castanhas em meio a mata localizada na região amazônica. A colheita neste sistema ocorre de forma aleatória depois que o ouriço cai no chão. A coleta foi realizada em duas épocas, ou seja, nos meses de dezembro de 2014 e março de 2015. A castanha enxertada foi obtida de um produtor do município de Santa Carmem – MT. A coleta dos ouriços caídos no chão foi feita aleatoriamente na área de produção, nos meses de fevereiro e abril de 2015.

Após o procedimento de coleta, as amostras foram encaminhadas ao Laboratório de Pós-colheita da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus de Sinop para preparo, acondicionamento e armazenamento refrigerado (3 oC) até realização das análises.

Foram obtidos 40 frutos por coleta no sistema de produção nativa, totalizando 80 frutos, em média 1.440 sementes que foram separadas e selecionadas para posterior análises. Para o sistema por enxertia foram coletados 35 frutos na 1ª coleta, e 17 frutos na 2ª coleta, de acordo com a disponibilidade, totalizando 52 frutos, e em média 832 castanhas que foram selecionadas. A seleção constou na separação de castanhas inteiras e sem danos aparentes.

Foram avaliadas sementes e amêndoas de castanha.

O delineamento experimental foi em esquema fatorial 2 x 2, sendo dois sistemas de produção e duas épocas de colheita. O número de repetições foi de acordo com a análise qualitativa realizada.

Avaliações físicas das castanhas com e sem casca:

a) Quantificação do teor de água da castanha: foi realizada pelo método direto, onde as amostras de sementes inteiras armazenadas em câmara fria foram expostas a condição ambiente para atingirem condição de equilíbrio. Em seguida foram trituradas, ainda com casca, e submetidas à secagem pelo método de estufa, com circulação forçada de ar, a 95 ºC por 6 horas (AOAC, 2008). Foram realizadas 5 repetições por amostra.

b) As dimensões características das sementes e amêndoas foram obtidas pela medição, com paquímetro digital (0,01 mm), conforme esquema demonstrado na Figura 2. Foram coletadas ao acaso 20 (vinte) castanhas com e sem casca por sistema/coleta.

Figura 2. Desenho esquemático de um esferoide prolato e suas dimensões características (a; b; c).

c) Para o cálculo do volume da castanha considerou-se que esta aproxima-se do formato de um esferoide prolato, o qual possui o semi-eixo de rotação menor que os demais semi-eixos (a > b, c). O volume de um esferoide prolato é dado pela Equação 1:

b

a

V

2

3

4

(Eq.1) Em que:

V - o volume do esferoide prolato a - comprimento do semi-eixo maior b - comprimento do semi-eixo menor

d) Ainda com os dados das dimensões das sementes e amêndoas calculou-se: circularidade, esfericidade, área superficial na posição de repouso e diâmetro geométrico, caracterizando o tamanho e a forma da castanha-do-Brasil, de acordo com expressões propostas por Mohsenin (1986), descritas na Tabela 5.

Tabela 5. Equações utilizadas para a determinação do tamanho e forma das castanhas com e sem casca (Mohsenin, 1986),

Circularidade,% Esfericidade,% Diâmetro Geométrico, mm Área Superficial, mm2 c 1 Es 1 1 1 1 s c As letras A, B e C referem-se às dimensões da castanha, e Cc Circularidade, Es Esfericidade, Dg Diâmetro geométrico e As Área superficial.

e) A massa individual da castanha foi obtida em balança analítica (0,01 g), foram pesadas ao acaso 20 sementes e amêndoas por sistema e coleta.

f) A massa de 100 castanhas das sementes e amêndoas foi obtida pela média de 8 repetições de 10 castanhas, multiplicada por 10, conforme Regras de Análise para Sementes (BRASIL, 2009).

g) A massa específica unitária foi determinada pelo princípio de Arquimedes, onde 15 sementes e amêndoas, e de massa previamente aferida foram introduzidas uma a uma, com auxílio de um suporte, em um líquido de densidade conhecida. No caso foi usado o óleo de soja ρóleo 891 kg m-3). Assim, foi determinado o volume deslocado pela castanha a partir da análise da massa deslocada, e por fim obteve-se a massa específica unitária utilizando a equação:

(Eq. 2) Em que:

ρreal: massa específica real, kg m-3, mamostra: massa da castanha, g,

ρóleo: massa específica do óleo de soja, kg m-3, móleo: massa do óleo, g.

h) A porosidade das sementes e amêndoas de castanha, foi realizada em três repetições pelo método da complementação de volume por líquido, utilizando óleo de soja como referência. O volume referência foi de 300 mL. Para realizar a leitura do volume do líquido de complementação foi feito uso de uma proveta graduada.

i) A massa específica aparente foi calculada de maneira indireta utilizando a equação descrita por Mohsenin 1986 , a qual relaciona a massa específica unitária ρHg) e a porosidade para a determinação da massa específica aparente.

(Eq. 3) Em que:

ρap: massa específica aparente, kg m-3, ρreal: massa específica real, kg m-3, Ɛ: porosidade, %.

Avaliação de cor da castanha:

j) A cor da castanha foi aferida com o auxílio de um colorímetro tristímulo em três posições aleatórias do ouriço, sendo obtidas as coordenadas L*, a* e b*. Em que *L é a luminosidade (*L = 0 – preto e *L = 100 – branco); e a* e b* as responsáveis pela

cromaticidade. Por meio das coordenadas a* e b* foi calculado a saturação (croma) e a tonalidade (ângulo Hue) utilizando as equações 4 e 5 respectivamente.

roma a b (Eq. 4)

n ulo ue arc tan b

a (Eq.5)

Avaliação sanitária da castanha:

k) A Identificação de fungos presentes nas amostras foi realizada pelo método de incubação em substrato de papel ou método do papel de filtro “blotter test” , onde foram dispostas 5 amêndoas em 15 caixas plásticas (gerbox) sobre camada de papel de filtro umedecido (2 folhas sobrepostas) totalizando 75 castanhas avaliadas por sistema e coleta, mantendo distanciados em 1-2 cm, permitindo a passagem integral de luz incidente. As caixas com as castanhas foram incubadas em estufa do tipo B.O.D., com fotoperíodo de 12 horas pelo período de 7 dias à temperatura de 25 ± 2 ºC. Após este período as castanhas foram examinadas individualmente com auxílio de um estereomicroscópio a resolução de 30-80X, para observação de frutificações típicas do crescimento de fungos em nível de gênero (BRASIL, 2009).

Avaliação química da castanha:

l) Cinzas: o teor de cinzas indica a adição de matérias inorgânicas ao alimento. Este parâmetro foi avaliado iniciando com a amostra seca ao ar, que foi calcinado à 600 ºC em uma mufla por 3 horas. Em seguida as amostras foram colocadas em um dessecador até que a temperatura estabilizasse com a temperatura ambiente, para então serem pesadas em balança analítica com precisão de 0,001 g. A quantidade de cinzas, foi determinada pelas Equações 6, 7 e 8:

(Eq. 6)

(Eq. 7) Em que:

%MMASA: percentual de cinzas com base na amostra seca ao ar; MM: massa das cinzas, g;

CAD: massa do cadinho, g;

ASA: massa de amostra seca ao ar, g.

%ASE: percentual de amostra seca em estufa.

m) Teor de Óleo: foi realizado a análise de acordo com a metodologia descrita por Zenebon et al., (2008), Onde a extração do extrato etéreo ou gordura bruta se determina pelo método Goldfisch, utilizando o extrator e posterior evaporação do solvente. As amostras, foram preparadas em papel filtro e pesadas em balança analítica de precisão (0,001) contendo aproximadamente 10 g cada, depois levadas no extrator com, aproximadamente 40 mL de éter de petróleo, por 6 horas à 85 °C, sendo que nas duas primeiras horas as amostras ficaram submersas no solvente e as quatro horas seguinte foram submetidas ao gotejamento do éter. Na sequência os recipientes foram transferidos para uma estufa sem circulação forçada de ar, à 105 °C por 2 horas. Após este período as amostras ficaram dispostas em dessecador a fim de estabilizar a temperatura, em seguida foi realizada a pesagem.

n) Teor de Matéria Seca: Foram colocados cadinhos de porcelana em estufa sem circulação de ar à temperatura de 105 ºC para estabilizar por um período de 24 horas, os cadinhos foram transferidos para o dessecador por 30 minutos até o equilíbrio da temperatura. Após pesado e anotado o peso do cadinho, pesou-se 2 g da amostra, transferidos para uma estufa para secagem a 105 ºC por 24 horas, e na sequencia foram pesadas as amostras em balança analítica com precisão de 0,001 g. A quantidade de matéria seca foi determinada pela Equação 9.

(Eq. 9) Em que:

%MS: percentual de matéria seca;

ASE: massa de amostra seca em estufa, g; ASA: massa de amostra seca ao ar, g; CAD: massa do cadinho, g.

o) Teor de Proteína: a técnica de avaliação empregada foi a do nitrogênio total, pelo método de Kjeldahl e bloco digestor. Com aproximadamente 250 mg da amostra triturada, somada à 2 g de mistura digestora e 5 mL de ácido sulfúrico (H2SO4), em tubo de ensaio, na sequencia foram levadas a um bloco digestor com controle de temperatura até a marca de 400 ºC. Assim que as amostras atingiram temperatura ambiente, foi adicionado 15 mL de agua destilada. A solução foi transferida a um elermeyer de 250 mL e acrescentado 25 mL de hidróxido de sódio e realizado a titulação com ácido clorídrico (2%) e indicador fenolftaleína (verde para rosa claro),

com isso apurou-se o valor de nitrogênio total, e determinado a proteína bruta utilizando o fator 6,25 x %N (ZENEBON et al., 2008).

p) Teor de Sólidos solúveis (Brix): para a determinação dos sólidos solúveis as amêndoas foram maceradas e homogeneizadas. Transferida uma fração para o prisma do refratômetro de escala. Foram realizadas 3 leituras por amostra.

A análise estatística das propriedades físicas, químicas e sanitária das castanhas com e sem casca foi realizada com auxílio do software SISVAR, por meio de análise de variância pelo teste F (p<0,05). Quando observada significância, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade (FERREIRA, 2000).

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