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SOB ENXERTIA E NATIVA

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A comparação qualitativa da castanha-do-Brasil cultivada sob diferentes sistemas, nativa e enxertada, se deu por meio de características físicas, químicas e sanitárias das sementes, com e sem casca.

O teor de água médio observado para a castanha enxertada foi de 3,72%b.u. e da castanha nativa de 3,46%b.u.. Essa umidade é considerada recomendada para armazenamento seguro de castanha-do-Brasil.

Objetivando a comparação entre sistema e coleta, os dados qualitativos das sementes e amêndoas de castanha-do-Brasil enxertada e nativa foram submetidos a análise de variância pelo teste F (Tabelas 6 e 7).

A influência do sistema de produção sobre as propriedades físicas da semente ρap; ρreal; massa 100; massa da castanha) demonstrou ser mais signific7tivo que o período de coleta. Por outro lado no que se refere à características de tamanho e forma (diâmetro geométrico; área superficial; volume da castanha; esfericidade; circularidade) a influência da época de coleta passa a ser significativa tanto quanto o sistema de produção.

Os atributos relativos à cor não apresentaram, com algumas poucas exceções, variação significativa entre sistema e coleta.

Tabela 6. Valores de Fcalculado e coeficiente de variação da análise de variância para os dados de propriedades físicas e cor da semente de castanha-do-Brasil produzida por enxerto e nativa.

Propriedades físicas da castanha com casca Fonte de variação Massa específica real Massa específica aparente Massa de 100 castanhas Massa da castanha Porosidade da castanha Sistema 5,225* 6,572* 101,395* 101,395* 8,460 n.s. Coleta 2,519 n.s. 0,012 n.s. 1,316 n.s. 1,316 n.s. 0,095 n.s. Sistema *Coleta 2,162 n.s. 21,872* 3,739 n.s. 3,739* 1,686 n.s C.V.(%) 6,37 6,34 22,25 22,25 3,43

Tamanho e forma da castanha com casca Fonte de variação Diâmetro Geométrico Volume da castanha com casca

Área superficial Esfericidade Circularidade

Sistema 111,668* 165,900* 12,141* 37,558* 12,140* Coleta 6,856* 58,568* 9,784* 5,433* 9,788* Sistema *Coleta 7,431* 33,483* 0,078 n.s. 0,255 n.s. 0,078 n.s. C.V.(%) 8,76 25,06 12,93 5,78 12,93

Cor da castanha com casca Fonte de

variação L* a* b* Croma Ângulo Hue Sistema 22,055* 2,624 n.s. 3,810* 3,429 n.s. 1,466 n.s. Coleta 0,143 n.s. 3,087 n.s. 3,245 n.s. 3,241 n.s. 3,490 n.s. Sistema *Coleta 17,157* 4,664* 1,505 n.s. 2,440 n.s. 15,556* C.V.(%) 10,11 54,48 27,87 34,09 14,03 n.s.

Não significativo; * significativo a 5% de probabilidade pelo teste F. Sistema: sistema de produção por enxertia e nativa; Coleta: época de coleta das amostras.

Pelo resumo da análise de variância no que se refere às propriedades físicas da semente, apenas a porosidade não apresentou variações significativas, quando analisado o sistema de produção. Analisando o período de coleta nenhum parâmetro foi significativo. Na interação sistema*coleta tem-se a massa específica aparente e massa de castanha com variação significativa.

Dentre as propriedades que compõem o tamanho e a forma das castanhas, apenas na interação sistema*coleta as propriedades área superficial, circularidade e esfericidade não apresentaram variações significativas.

Para cor da castanha com casca pode-se observar diferença significativa para as coordenadas L* e b*, quando analisado o sistema de produção; e L*, a* e ângulo Hue variaram na interação sistema*coleta.

As mesmas propriedades foram avaliadas para a amêndoa. O resultado é apresentado na Tabela 7.

Tabela 7. Valores de Fcalculado e coeficiente de variação da análise de variância para os dados de propriedades físicas da amêndoa de castanha-do-Brasil produzida por enxerto e nativa.

Propriedades físicas da amêndoa Fonte de variação Massa específica real Massa específica aparente Massa de 100 castanhas Massa da castanha Porosidade da castanha Sistema 1,786 n.s. 0,027 n.s. 261,585* 261,585* 2,377 n.s. Coleta 0,027 n.s. 0,338 n.s. 10,763* 10,763* 0,458 n.s. Sistema *Coleta 0,012 n.s. 1,130 n.s. 13,624 n.s. 13,624* 1,675 n.s. C.V.(%) 6,91 6,92 12,99 12,99 3,77

Tamanho e forma da amêndoa Fonte de variação Diâmetro Geométrico Volume da castanha sem casca Área

superficial Esfericidade Circularidade Sistema 147,761* 114,907* 191,845* 158,206* 191,877* Coleta 17,817* 64,975* 2,146 n.s. 1,469 n.s. 2,143 n.s. Sistema *Coleta 17,082* 11,773* 3,240 n.s. 6,341* 3,418 n.s. C.V.(%) 4,71 24,85 11,74 6,68 11,73 Cor da amêndoa Fonte de

variação L* a* b* Croma Ângulo Hue Sistema 0,668 n.s. 5,030* 11,641* 16,456* 1,018 n.s. Coleta 2,671 n.s. 1,950 n.s. 0,796 n.s. 1,979 n.s. 0,041 n.s. Sistema *Coleta 0,014 n.s. 0,690 n.s. 4,665* 4,171* 2,243 n.s. C.V.(%) 17,17 33,32 29,25 19,05 41,67 n.s.

Não significativo; * significativo a 5% de probabilidade pelo teste F, Sistema de produção por enxertis e nativa; coleta época de coleta das amostras.

Das propriedades físicas da amêndoa, apenas a massa de 100 castanhas, assim como a massa individual variaram significativamente em relação ao sistema e período de coleta.

O tamanho e a forma das castanhas produzidas sobre diferentes sistemas foram significativos.

As coordenadas relativas a cor da castanha também demonstraram pouca influência entre as fontes de variação analisadas, porém verifica-se que houve variação importante para a cromaticidade, e para a* e b*.

Na análise de variância da amêndoa, foi constatado que: a) dentre as propriedades físicas a massa de 100 castanhas variou significativamente quando analisado o sistema de produção e o período de coleta, e a massa da castanha apresentou diferença nas três fontes de variação; b) para tamanho e forma, o diâmetro geométrico e o volume da castanha obtiveram diferenças significativas nas três fontes de variação; a área superficial e a circularidade apenas variaram para sistema de produção; e a esfericidade apresentou diferença no sistema de produção e na interação sistema*coleta; c) na análise de cor as coordenadas a*, b* e croma apresentaram diferenças significativas, quando analisado o sistema de produção, e o b* e croma diferiram na interação sistema*coleta;

O conhecimento sobre as características das propriedades físicas, tamanho e forma é de grande importância, pois esses parâmetros indicam a qualidade do produto, além de serem imprescindíveis nos processos de pré-processamento, armazenamento e comercialização. Os valores médios encontrados para essas propriedades para as sementes e amêndoas são apresentados nas Tabelas 8, 9, 10 e 11 respectivamente.

Tabela 8. Valores médios das dimensões características das sementes de castanha-do- Brasil produzida sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Dimensões Características (mm)

Sistema A B C

Nativa 17,00 22,86 35,00

Enxerto 20,32 26,90 46,74

A: comprimento do menor eixo; B: comprimento do eixo médio; C: comprimento do maior eixo; em mm.

Pelas médias das dimensões características da semente de castanha-do-Brasil apresentadas na Tabela 8, observou que a semente produzida por enxertia tem maior tamanho que a nativa. Pode destacar neste estudo que a semente enxertada atingiu tamanho médio próximo ao tamanho médio citado por Santos et al. (2006), para sementes nativa obtidas no estado do Pará, que pelo conhecimento popular, são maiores que as castanhas produzidas em outros estados da região amazônica. No estudo destes autores as

dimensões encontradas foram de 45,86 mm para a maior dimensão “ ” , 8,1 mm para a dimensão média “ ” e , mm para a menor dimensão “ ” .

Após as sementes serem descascadas as amêndoas foram submetidas as avaliações das dimensões características apresentadas na Tabela 9.

Tabela 9. Valores médios das dimensões características da amêndoa de castanha-do-Brasil produzido sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Dimensões Características (mm)

Sistema A B C

Nativa 12,33 14,74 27,92

Enxerto 11,73 16,76 38,53

A: comprimento do maior eixo; B: comprimento do eixo médio; C: comprimento do menor eixo; em mm.

Pelos valores descritos na Tabela 9, a amêndoa de castanha produzida por enxertia apresenta maior média para as dimensões características, ou seja, tem maior tamanho, sendo em torno de 27% superior à amêndoa nativa,

Em relação a menor dimensão “ ” a amêndoa en ertada apresentou menor resultado, o que não foi observado na semente. Isso pode ser explicado pelo fato da forma da semente ser diferente da amêndoa. Resultado semelhante foi observado por Nogueira (2011) quando comparou o comportamento da forma da semente e amêndoa de castanha nativa.

Tabela 10. Valores médios observados para propriedades físicas e tamanho e forma da semente de castanha-do-Brasil produzida sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Propriedades físicas da semente Sistema/ Coleta ρaparente, kg m -3 ρ real, kg m -3 Porosidade, % 1 2 1 2 1 2 Nativa 521,54 Aa 563,19 Ab 938,77 Aa 936,93 Aa 44,44 Aa 43,56 Aa Enxerto 539,93 Aa 500,20 Bb 997,84 Ba 949,76 Aa 45,89 Aa 47,33 Aa

Massa, g Massa de 100 sementes, g

1 2 1 2

Nativa 4,64 Aa 5,69 Aa 463,65 Aa 569,25 Aa Enxerto 8,75 Ba 8,48 Ba 875,05 Ba 848,10 Ba

Tamanho e forma da semente Sistema/

Coleta

Esfericidade, % Circularidade, % Volume, cm3

1 2 1 2 1 2

Nativa 67,09 Aa 69,5 Aa 46,34 Aa 50,90 Ab 9,22 Aa 7,38 Aa Enxerto 62,32 Ba 63,87 Ba 42,05 Ba 45,86 Ba 23,19 Ba 13,13 Bb

Diâmetro Geométrico, mm Área Superficial, mm2

1 2 1 2

Nativa 22,44 Aa 25,22 Ab 145,59 Aa 159,92 Aa

Enxerto 29,36 Ba 29,31 Ba 132,11 Ba 144,09 Ba

Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Observa-se que para as massas específicas os resultados foram distintos entre sistemas, ou seja, a massa específica real apresentou maiores valores para a semente de enxerto, sendo estatisticamente diferente na 1ª coleta. Para a massa específica aparente, que é dependente da porosidade, os maiores valores foram observados para a semente nativa. A semente produzida por enxertia é de maior tamanho e menos esférica, assim se acomoda de forma desuniforme em um dado volume, logo apresenta maior porosidade e menor massa específica aparente.

Há variação expressiva da massa específica aparente entre coletas, no caso da semente nativa, verifica-se que o valor médio aumentou da 1ª para a 2ª coleta. Do contrário, para semente enxertada houve decréscimo. Isso pode também ser observado com relação ao volume da semente enxertada cuja redução foi em torno de 43%, isso é explicado em função do período de maturação e coleta dos frutos entre os dois sistemas serem distintos.

Nogueira et al. (2014) relatou valores de 947 kg m-3 para a massa específica real, 504 kg m-3 para a massa específica aparente e 47 % para a porosidade de castanha nativa. Valores semelhantes aos encontrados neste estudo, com exceção da massa específica aparente que foi superior na 2ª coleta da castanha nativa que atingiu valor de 563 kg m-3. No

entanto o valor do volume (6,46 cm3) encontrados pelos mesmos autores é inferior ao observado nos dois sistemas de produção.

O conhecimento sobre tamanho e forma é necessário na classificação e separação dos produtos, todavia, a massa específica, a massa específica unitária e a porosidade são parâmetros importantes em projetos de equipamentos para secagem, processamento e armazenamento (RAZAVI et al., 2008).

A castanha enxertada se destaca de forma significativa da nativa no que diz respeito à massa e logo, em relação a massa de 100 sementes. Para as coletas 1 e 2 tem-se uma diferença de 47 e 33%, respectivamente. Os valores de massa para a castanha enxertada mostram-se acima dos valores encontrados em estudos realizados com castanha nativa por Van Rijsoort et al. (2003) que relatam massa de 7,2 g semente-1, em estudo realizado na Bolívia, e por Taffarel et al. (2013), que conferiu massa de 6,09 g semente-1 para castanha da região de Itaúba-MT.

A esfericidade e circularidade da semente variou entre sistemas, sendo a semente nativa em média 5% mais esférica e mais circular que a semente produzida por enxerto. Há tendência de aumento para estas propriedades em relação ao tempo de coleta. Os valores de circularidade e esfericidade determinadas para a castanha nativa são semelhantes ao encontrado por Taffarel et al. (2013), que relatou 47 e 69% respectivamente. Entretanto Nogueira et al. (2014) relataram circularidade de 66% em estudo realizado no ano safra 2010/2011, valor acima do encontrado neste estudo.

A determinação dessas propriedades é indispensável em projetos de equipamentos que realizem o descasque dos produtos vegetais, assim como determinar o tamanho dos transportadores (SIRISOMBOON et al., 2007).

Com relação ao tamanho tem-se, as castanhas nativas com menor diâmetro geométrico, porém apresentam maior área superficial.

A semente nativa tem forma mais arredondada que a semente de enxerto, por outro lado, a semente de enxerto é mais volumosa e possui maior massa.

Foi constatado por vários autores que, a castanha produzida no norte de Mato Grosso é menor que a castanha produzida na região do noroeste do estado, nos estados do Pará, do Amapá e da Bolivia (NOGUEIRA et al., 2014; MULLER et al., 1995; FERREIRA et al., 2006; VAN RIJSOORT et al., 2003) . No entanto o tamanho da castanha produzida sob enxertia é similar ao tamanho da castanha encontrada por Taffarel et al. (2013) com produto da região de Juína MT.

Percebe-se com este estudo que a castanha produzida sob enxertia apresenta maior tamanho e massa, informação importante na comercialização, uma vez que a composição do preço praticado tem relação direta com essas características.

A castanha foi beneficiada, ou seja, descascada tendo as propriedades físicas determinadas e avaliadas (Tabela 11).

Tabela 11. Valores médios observados para propriedades físicas, e tamanho e forma da amêndoa de castanha-do-Brasil produzida sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Propriedades físicas da amêndoa Sistema/ Coleta ρaparente, kg m -3 ρ real, kg m -3 Porosidade, % 1 2 1 2 1 2 Nativa 584,52n.s. 601,96 n.s. 1002,04 n.s. 1007,03 n.s. 41,67 n.s. 39,89 n.s. Enxerto 597,53 n.s. 592,42 n.s. 1028,27 n.s. 1029,28 n.s. 41,89 n.s. 42,44 n.s.

Massa, g Massa de 100 sementes, g

1 2 1 2

Nativa 2,33 Aa 3,05 Ab 233,85 Aa 305,20 Ab Enxerto 4,37 Ba 4,32 Ba 437,15 Ba 432,95 Ba

Tamanho e forma da amêndoa Sistema/

Coleta

Esfericidade, % Circularidade, % Volume, cm-3

1 2 1 2 1 2

Nativa 60,00 Aa 63,14 Aa 42,67 Aa 45,93 Aa 4,56 Aa 3,15 Aa Enxerto 51,55 Ba 50,45 Ba 30,86 Ba 30,48 Ba 8,88 Ba 5,37 Bb

Diâmetro Geométrico, mm Área Superficial, mm2

1 2 1 2

Nativa 16,35 Aa 17,96 Ab 134,06 Aa 144,30 Aa Enxerto 19,50 Ba 19,51 Ba 96,97 Ba 95,78 Ba Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade; n.s.

não significativo (p<0,05).

Os dados da castanha quando descascada e submetida à avaliações de propriedades físicas entre os sistemas de produção, indicaram que todas as propriedades relativas à massa das castanhas produzidas sob enxertia foram superiores a nativa. A variação para as massas específicas não foi significativa. Por outro lado, os valores de massa da castanha enxertada foram bem superiores, conforme observado na Tabela 12.

A amêndoa nativa apresentou variação significativa entre coletas para a massa e massa de 100 castanhas, o que não foi evidenciado para a castanha de enxerto. Segundo Moritz (1984), a castanheira conserva frutos mais velhos enquanto acontece a floração e desenvolvimento dos novos frutos, fator que pode influenciar no acúmulo de massa da castanha coletada no mês de dezembro, logo após início da queda dos ouriços.

Quando comparado o valor de 3,30 g para massa da castanha obtida por Nogueira (2014), com os dados encontrados neste estudo, observa-se que apenas para a amêndoa nativa na 2ª coleta o resultado se assemelha. No entanto Ferreira et al. (2006) encontraram

valor de 5,63 g em castanhas coletadas no estado do Amapá, resultado mais próximo do obtido para a massa da castanha enxertada.

Todas as propriedades de tamanho e forma da amêndoa diferiram entre os sistemas de produção, onde a nativa variou significativamente em relação a de enxerto nos parâmetros de esfericidade, circularidade e área superficial, ou seja, a amêndoa nativa é mais esférica e mais circular que a de enxerto. Nogueira et al. (2014) relatam valor menor que o observado neste estudo para a esfericidade (48%) e valor maior para a circularidade (52%) em estudo realizado na safra 2010/2011, reforçando a sugestão feita por Taffarel et al. (2013), de que tanto o tamanho quanto a forma da castanha-do-Brasil podem variar a cada ano safra, e não ser característica do produto coletado na região.

A amêndoa enxertada se destaca da nativa de forma significativa nos parâmetros de volume e diâmetro geométrico, para as coletas 1 e 2. Nogueira et al. (2014) obteve valor médio para o volume de 3,30 cm3, esse resultado é similar aos encontrados para a castanha nativa deste estudo.

Entre as coletas, a amêndoa nativa variou apenas em relação ao diâmetro geométrico com diferença superior na 2ª coleta de 9%, e a de enxerto apresentou maior resultado na 1ª coleta para o volume em 40%, resultado semelhante à semente.

Razavi et al. (2008) destacam a importância das propriedades físicas, de tamanho e forma no processamento, armazenamento, conservação e comercialização, assim os dados levantados no presente estudo são de grande relevância haja vista, que pouco se sabe sobre essas características de castanha-do-Brasil. A comercialização é realizada in natura, indicativo que a castanha de enxerto pode representar boa rentabilidade ao produtor, em função de ser maior e apresentar maior massa.

Outra caracterização de relativa importância é a cor dos produtos alimentícios, levadas em consideração no momento da comercialização, pois a qualidade visual é fator observado pelo consumidor. Os dados médios de cor para semente e amêndoa de castanha são apresentados nas Tabelas 12 e 13.

Tabela 12. Valores médios observados para cor das sementes de castanha-do-Brasil produzida sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Sistema/ Coleta L* a* b* 1 2 1 2 1 2 Nativa 43,19 Aa 47,60 Ab 10,84 Aa 6,97 Ab 18,21 Aa 15,23 Ab Enxerto 42,65 Aa 38,98 Bb 7,11 Ba 7,50 Aa 15,08 Ba 14,52 Aa

Croma Ângulo HUE

1 2 1 2

Nativa 21,33 Aa 16,77 Ab 0,51 Aa 0,42 Ab Enxerto 16,70 Ba 16,37 Aa 0,43 Ba 0,46 Aa Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Para se determinar a cor das sementes e amêndoas de castanhas, foram consideradas as coordenadas de luminosidade L* (L*=0 preto e L* = 100 branco), a*e b* relativas as cores vermelha e amarela, respectivamente, o índice de saturação (croma) que indica a variação do grau de intensidade da cor, e o angulo Hue que está relacionado a tonalidade da cor. Tanto o croma quanto o ângulo Hue auxiliam no entendimento das variações de cor encontradas nas amostras.

A luminosidade (L*) da semente diferiu entre sistemas apenas na 2ª coleta, onde a nativa apresentou valores 18% maiores, ou seja, a semente nativa é mais clara que a de enxerto, essa variação na cor também foi observada nos ouriços.

A semente nativa apresentou cores mais fortes, mais vivas, e com maior tonalidade em relação à de enxerto na 1ª coleta, conforme observado na Tabela 10 por meio das coordenadas a*, b*, croma e ângulo Hue.

Analisando as coletas, a semente nativa apresentou cores mais fortes (amarela e vermelha) e vivas na 1ª coleta. Na 2ª coleta tem-se uma redução da vivacidade e tonalidade da cor.

A cor da semente enxertada apresentou pequena alteração. A coordenada que variou de forma significativa foi a luminosidade, ou seja, a casca da castanha enxertada sofreu um escurecimento.

É provável que esta variação de cor entre coletas e sistemas, seja em função do tempo que a mesma permanece junto ao solo, onde a castanha enxertada é colhida mais rapidamente. Esse tempo favorece a contaminação por microrganismos que causam alterações químicas indesejáveis e deterioração do alimento (SOUZA; LEITE, 2002; SOUSA, 2003).

Tabela 13. Valores médios observados para cor das amêndoas de castanha-do-Brasil produzida sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Sistema/ Coleta L* a* b* 1 2 1 2 1 2 Nativa 52,07 Aa 49,08 Aa 11,72 Aa 10,05 Aa 16,89 Aa 18,20 Aa Enxerto 53,92 Aa 50,46 Aa 9,42 Ba 9,00 Aa 15,60 Aa 12,45 Bb

Croma Ângulo HUE

1 2 1 2

Nativa 20,64 Aa 21,17 Aa 0,61 Aa 0,51 Aa Enxerto 18,99 Aa 16,16 Bb 0,58 Aa 0,65 Aa Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na coluna e minúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

A avaliação da cor da amêndoa (Tabela 13) apresenta pouca variação entre sistemas e coletas. Tem-se que para a cor vermelha (a*) a castanha nativa é mais forte mais intensa (coleta 1).

No geral as amêndoas da castanha nativa apresentaram cores mais fortes, intensas e com tonalidade mais próxima do vermelho e amarelo que a de enxerto. Porém essa variação não foi significativa.

As diferenças encontradas entre os sistemas para a amêndoa, pode ser em função de que as de enxerto quando eram descascadas apresentaram vários pontos com a película externa das amêndoas desprendidas espontaneamente, o que não ocorreu com as amêndoas do sistema nativo.

Outro aspecto comentado e avaliado em relação à amêndoas e castanhas é a contaminação fungica, que dependendo das condições de microclima e estresse podem produzir toxinas que causam sérias enfermidades quando consumidas.

Os resultados estatísticos, referente a análise de variância da infestação fungica são apresentados na Tabela 14.

Tem-se que a influência da contaminação fungica sobre os sistemas de produção foi aleatória, assim como para época de coleta.

Acredita-se que a contaminação por fungos seja significativamente crescente durante as coletas, o que foi observado para Aspergillus, Penicillium e Rhizopus, considerados os principais fungos para este tipo de produto.

Com relação ao sistema, os fungos Penicillium, Cercospora e Rhizopus demonstraram dados significativamente diferentes.

Tabela 14. Valores de Fcalculado e coeficiente de variação da análise de variância para dados de contaminação por fungos em castanha-do-Brasil sem casca produzida por enxerto e nativa.

Fungos (nível de gênero) Fonte de

variação Fusarium Aspergillus Penicillium Sistema 0,476 n.s. 3,564 n.s. 19,910*

Coleta 3,701 n.s. 44,314* 20,508* Sistema *Coleta 0,756 n.s. 42,990* 43,210*

C.V.(%) 21,62 37,43 10,08

Fonte de

variação Cercospora Rhizopus Phomopsis Sistema 85,657* 43,278* 2,278 n.s.

Coleta 0,947 n.s. 9,207* 2,733 n.s. Sistema *Coleta 23,371* 6,138* 1,822 n.s.

C.V.(%) 49,32 28,25 362,92

n.s.

Não significativo; * significativo a 5% de probabilidade pelo teste F; Sistema: sistema de produção por enxertia e nativa; Coleta: época de coleta das amostras.

Para os dados de sanidade, o gênero Aspergillus variou no período de coleta e na interação sistema*coleta; a Cercospora diferiu entre si na análise do sistema de produção e na interação sistema*coleta; os gêneros Penicillium e Rhizopus apresentaram diferença entre as três fontes de variação.

A contaminação por fungos, micotoxinas, principalmente a aflatoxina é um entrave na exportação da castanha, pois países da Europa e os E.U.A, praticam exigências fitossanitárias rígidas. A partir da década de 2000 o mercado europeu e americano criaram normas fitossanitárias exigindo maior qualidade das castanhas-do-Brasil importadas, reduzindo a tolerância de 20 para 4 ppb (parte por bilhão) de aflatoxinas, (MACIEL,2007). Desta forma, o controle da contaminação por aflatoxinas é de extrema relevância não apenas para a saúde pública devido aos efeitos carcinogênicos em seres humanos, mas também com relação a perdas econômicas e o impacto sócio-ambiental, conforme documento publicado pela União Europeia (COMISSÃO DA UNIÃO EUROPÉIA, 2003).

Os dados médios da incidência fungica encontrados na castanha nativa e produzidas sob enxertia estão apresentados na Tabela 15.

Tabela 15. Valores médios observados para infestação fungica na amêndoa de castanha- do-Brasil produzida sob enxertia e nativa. Sinop, 2015.

Sistema/ Coleta

Fusarium, % Rhizopus, % Aspergillus, %

1 2 1 2 1 2

Nativa 81,33 Aa 96,66 Aa 72,00 Aa 40,00 Ab 17,33 Aa 91,66 Ab Enxerto 90,00 Aa 95,00 Aa 100,00 Ba 100,00 Ba 66,00 Ba 57,50 Ba

Cercospora, % Phomopsis, % Penicilium, %

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