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Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto

Capítulo 3. As Igrejas Setecentistas de Minas Gerais

3.2 As Igrejas Selecionadas

3.2.4 Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto

Tendo em vista a sua situação histórica na cidade, o valor em termos de arte, e o alto custo de sua luxuosa construção, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto é uma das igrejas mais importantes do Estado de Minas Gerais. A expressão da realeza exteriorizada em sua edificação demonstra a forma como seus construtores e idealizadores procuravam cultuar a grandeza divina por meio de pompas e esplendores do Triunfo Eucarístico que caracterizava uma época o reflexo do sentimento do início de 1700 (MOURÃO, 1986).

Esta Matriz foi inaugurada em 1733, com os requintados festejos do Triunfo Eucarísticos, ensejando acontecimento singular e raro na vida de Ouro Preto, tendo sido sucessora de uma capela primitiva edificada por volta de 1711. Foi construída com uma impressionante rapidez para o período colonial, uma vez que se conhecem casos de igrejas que levaram cerca de um século para ficarem prontas, pois que esta região de Ouro Preto. Foi elevada a qualidade de Paróquia em 1724, no tempo da capela primitiva, onde somente em 1730 teve início a obra da igreja nova, deste modo pode-se avaliar o quão rápida foi a sua construção (IPHAN, 2004b).

Por outro lado, Salles (1999) afirma que a construção desta Matriz teve diversas interrupções e em várias épocas, motivo pelo qual se podem observar as alterações no

conjunto de seus aspectos, pois há registros de obra em 1736 com a colocação de grades e serviços na mesa da comunhão e no coro. Tirapelli (1952) afirma que a obra do coro foi concluída em 1746, por José Pinto de Souza, em 1737, serviços no púlpito e escadas executados por José Martins Lisboa, em 1740, serviços nos altar de São José e em 1741 aumento da capela-mor. Entretanto a sua maior importância decorre da qualidade de seus entalhes que reveste toda a nave e a capela-mor, constituindo o mais belo e harmônico do barroco de Minas, e que foram realizados pelo artista Francisco Xavier de Brito, que era vinculado a Ordem Terceira da Paciência, do Rio de Janeiro.

Seu projeto foi idealizado pelo Engenheiro Pedro Gomes Chaves, figura de relevo da época, tendo sido considerado o primeiro profissional formado a chegar a Minas Gerais. Esta igreja é servida de dois corredores laterais que se estendem das portas de acesso laterais até a sacristia localizada em seus fundos. A área destinada à prática religiosa é divida em três partes: o coro, localizado sobre a portada da entrada principal, a nave destinada a maior parte do público e a capela-mor, onde está localizado o altar, figura 3.2.12. Foi construída de taipa e adobes. Processo construtivo que pode ser considerado precário e frágil, o que acarretou constantes reformas e reconstruções, que acabaram por desfigurar quase por completo o projeto inicial, ao longo de vários anos.

Figura 3.2.12 – Planta baixa da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, Ouro Preto. Fonte: Adaptado de SANTOS, 1951.

Era nesta Matriz que os governadores tomavam posse quando chegavam a Minas, fato que demonstra o quão importante eram esses templo para a sociedade da época, pois atendiam a vários eventos sociais pela falta de espaços adequados, estando profundamente ligadas à vida e ao crescimento da cidade. Tanto do ponto de vista político, como do social, artístico ou cultural.

A Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto é uma construção sólida, assim como as demais igrejas construídas neste período, têm paredes muito grossas, possuindo a parte central do frontispício saliente. As suas bases e colunas são de cantaria, bem como a guarnição de sua portada. O frontão movimentado com curvas terminando em cruz sobre o crescente, deixa claro o estilo barroco presente. Suas torres são quadrangulares, terminadas em cúpula de alvenaria ou cantaria. Na fachada há quatro sacadas e um óculo sobre a portada, figura 3.2.13.

Segundo Mourão (1986) o interior da Matriz revela uma certa incongruência com o que se sabe de sua história, pois o estilo dos altares não parece ter sido concebido nas primeiras décadas do século XVIII, como é apresentado em seu histórico, sobretudo, não está em consonância com o fato de já estar construída a parte principal da igreja no ano 1733, pois não possui nenhum altar do tipo arquivoltas do início deste século, curiosamente, e ao contrário, tem seu altar-mor em dossel, guarnecidos com muitas esculturas e complicados entalhes, mais característicos de meados deste século, figura 3.2.14.

Acima do altar-mor há uma representação em alto relevo da Santíssima Trindade. Guarnecendo o arco do trono surgem consolos em lugar de colunas. Depois dos nichos, colunas torsas sustentam a arquitrave superior. Na capela-mor pode-se encontrar também as tribunas gradeadas.

Os púlpitos são providos de esculturas e os altares laterais são do tipo de dossel, possuindo um número expressivo de esculturas em talhas douradas, sendo o teto decorado com pinturas em painéis e a mesa da comunhão ornada e sustentada por balaústres torneados de madeira preta.

A tabela 3.2.4 apresenta parâmetros métricos, como comprimentos, larguras, alturas e áreas relativas à igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, para posterior análise.

Tabela 3.2.4 – Medidas da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto. LOCAL COMPRIMENTO (m) LARGURA (m) ALTURA (m) ÁREA (m²) Nave 19,51 12,33 11,59 199,09 Coro 9,26 7,10 6,98 70,65 Capela-mor + arco 9,11 6,73 10,28 67,26 TOTAL 337,00