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MATURIDADE PARA ESCOLHA PROFISSIONAL E EXPECTATIVAS

No documento Orientação vocacional - Livro (páginas 49-59)

DE ALUNOS DE CURSOS

TÉCNICOS DO PRONATEC

MA

TURIDADE P

ARA E

PARTE 1

INVESTIGAÇÕES E ENSAIOS TEÓRICOS

47-55

4

Camila Felipe Tonn1, Hellen Cristine Geremia2, Lucas Schweitzer3

1 Psicóloga, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Pessoas (SENAC/SC), atualmente atua como docente no SENAI/SC. [email protected] 2 Psicóloga, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é pós-graduada

em Psicologia Organizacional e do Trabalho. [email protected]

3 Psicólogo, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pós-graduado

em Avaliação Psicológica (Celer/SC). [email protected]

A escolha profissional compõe uma tarefa complexa e desafiadora para ado- lescentes, não apenas pelas diversas transformações físicas e psíquicas pelas quais o adolescente perpassa neste período, mas também pela escolha da ocupação ter impactos importantes no futuro do jovem. Embora as pessoas estejam habituadas a fazer diferentes escolhas ao longo da vida, as decisões profissionais implicam em refletir sobre o lugar em que se deseja trabalhar, a rotina de trabalho, as pessoas com quem vai se relacionar e o retorno que vai obter por meio deste trabalho (Neiva, 1995).

O processo de escolha profissional envolve a definição de uma profissão que comporte esta série de avaliações em meio às várias opções no caminho que são consideradas ou rejeitadas por quem escolhe. Deste modo, escolher implica em decidir entre uma série de opções que parecem melhor para o su- jeito (Lucchiari, 1998). Nesse sentido, é necessário compreender que a escolha profissional ocorre em um processo com diversos fatores associados, tais como: aspectos psicológicos, familiares, educacionais, sociais, econômicos e políticos, que compõem um conjunto de avaliações e decisões que ocorrem ao longo da vida. No que tange especificamente aos aspectos psicológicos envolvidos nesse

processo, estão associadas variáveis como habilidades, interesses, aspectos de personalidade, expectativas em relação ao futuro, valores, bem como a maturi- dade para a escolha profissional (Bordão-Alves & Melo-Silva, 2008).

Ponderar entre estes fatores não costuma ser tarefa fácil, o que pode tor- nar este momento da escolha ambígua para o jovem, envolvendo tanto medo de errar e fracassar, como entusiasmo e expectativas (Soares, 2002). Com as diversas possibilidades de profissões para escolher e as transformações do capitalismo que desencadearam inúmeras mudanças sociais e tecnológicas (Alves, 2007), houve o aumento da necessidade de qualificação e formação de habilidades diferenciadas para a inserção no mercado de trabalho e o sucesso na carreira profissional.

O Governo Federal tem desenvolvido uma série de iniciativas para prover qualificação à população. Em outubro de 2011, por meio da Lei nº 12.513, instituiu o PRONATEC, Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, que é operacionalizado pelos municípios. O PRONATEC é um conjunto de ações que visam ampliar a oferta de vagas na Educação Profissional e Tecnológica no Brasil, melhorando as condições de inserção no mundo do trabalho, sendo destinado a três públicos: estudantes e egres- sos do ensino médio da rede pública (inclusive da educação de jovens e adultos), beneficiários dos programas federais de transferência da renda e trabalhadores. Este programa realizou mais de 8 milhões de matrículas em cursos técnicos e de formação inicial e continuada nos últimos 4 anos (BRASIL, 2014).

Sob esta égide, a tarefa de optar por uma ou outra profissão fica cada vez mais complexa na medida em que aumentam as possibilidades de quali- ficação e atuação profissional, o que exige do adolescente maturidade para a escolha. Melo-Silva, Oliveira e Coelho (2002) consideram que a maturidade para a escolha profissional ocorre quando o jovem se torna maduro para to- mar decisões referentes ao mundo profissional, sendo esta uma das tarefas do desenvolvimento vocacional que busca equilibrar- se entre ganhos e perdas como consequências das decisões ocupacionais presentes na maturidade. Ao encontro destas considerações, Neiva (1998, 2014) menciona ser necessária a aquisição de determinados conhecimentos e de determinadas atitudes para que o jovem atinja maturidade para a decisão profissional. Segundo esses pressupostos teóricos, a maturidade para a escolha profissional compreende duas dimensões: as Atitudes e os Conhecimentos. A dimensão das atitudes compreende os elementos Determinação e Responsabilidade para a escolha profissional, bem como a Independência na definição da escolha; já a dimen- são dos Conhecimentos envolve o Autoconhecimento e o Conhecimento da Realidade educativa e socioprofissional, (Neiva, 2003; Neiva, 2014), sendo que ambas as dimensões e subdimensões são importantes elementos relacio- nados à maturidade para a escolha profissional.

Considerando todas essas informações, os incentivos governamentais à qua- lificação e a necessidade de contínua formação profissional, questiona-se: qual o nível de maturidade para a escolha profissional de alunos ingressantes em cursos técnicos PRONATEC concomitantes nos anos finais do Ensino Médio?

Método

Trata-se de um estudo de natureza quali-quantitativa constituída de amostra composta por 64 alunos ingressantes de cursos técnicos PRONATEC concomitantes, de uma instituição de ensino de um município da região da Grande Florianópolis. A amostra foi composta por alunos de ambos os sexos e com faixa etária que compreende de 15 a 19 anos de idade, sendo que 25 alunos cursavam o Técnico em Logística, 23 o curso Técnico em RH e 16 o curso Técnico em Informática.

O instrumento utilizado para coleta de dados foi a Escala de Maturidade para a Escolha Profissional – EMEP, composta de 5 subescalas: Determinação, Responsabilidade, Independência, Autoconhecimento e Conhecimento da Realidade Educativa e Socioprofissional (Neiva, 2014). Este instrumento é uma escala de tipo Likert com cinco modalidades de resposta, composta de 45 afirmações que indicam atitudes com relação à escolha profissional. A aplicação da escala foi realizada pelos pesquisadores mediante autorização da instituição de ensino e se deu de forma coletiva em sala de aula, confor- me instruções do manual. O tempo médio de aplicação foi de 30 minutos, incluindo as explicações acerca dos objetivos da pesquisa, seu caráter volun- tário e as instruções para preenchimento da escala. Os estudantes também responderam a um questionário constituído de duas perguntas abertas so- bre motivos para escolha pelo curso de nível técnico e expectativas de futuro profissional.

Após a coleta de dados, os protocolos da EMEP foram avaliados de acordo com as orientações contidas no manual da escala (Neiva, 2014), obtendo-se o nível de maturidade por subescala (a saber, os níveis previstos pela EMEP são: muito inferior, inferior, médio inferior, médio, médio superior, supe- rior e muito superior), para cada participante. Com essas informações, foi possível identificar quantos alunos (por curso técnico) atingiram determina- do nível de maturidade para escolha profissional para cada subdimensão da EMEP. Estes dados foram analisados com estatísticas descritivas, proceden- do-se com a comparação do nível de maturidade em porcentagem, em função das variáveis: curso escolhido, sexo e idade. As respostas dadas às perguntas do segundo questionário foram analisadas e classificadas em categorias de- finidas a posteriori, de acordo com a metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin (2010). Foram elaboradas tabelas para apresentação dos resultados encontrados.

Resultados e Discussão

Da amostra total de alunos pesquisados, a média de idade é de 16 anos e a maioria (77%) são do sexo feminino. No curso de Informática, as idades variam entre 15 e 18 anos e 50% são do sexo masculino e 50% do sexo femi- nino; em Logística 72% feminino e 28% masculino, com faixa etária entre 16 e 19 anos e em Recursos Humanos, 96% do sexo feminino e 4% masculino sendo participantes de 15 a 18 anos.

Nível de Maturidade

CURSO

Informática Logística Recursos Humanos

Muito Inferior 0% 0% 0% Inferior 38% 8% 4% Médio Inferior 13% 12% 22% Médio 31% 60% 48% Médio Superior 6% 12% 9% Superior 6% 4% 17% Muito Superior 6% 4% 0% Total 100% 100% 100% TABELA 1

Comparação do nível de maturidade total dos participantes da pesquisa, de acordo com o curso que frequentam

A partir dos dados apresentados na tabela 1, é possível observar que boa parte dos jovens que frequentam o curso de Informática apresentam níveis inferiores de maturidade total para escolha profissional. Entre os estudantes do curso de Logística e RH, prevalecem os níveis médios de maturidade. Ao estratificar os dados coletados de acordo com a idade dos participantes, per- cebe-se que entre os jovens matriculados no curso de Informática, aqueles com idades entre 15 e 17 anos apresentam níveis inferiores de maturidade total para escolha, sendo que a maioria dos alunos com 18 anos passam a apresentar níveis médios. No curso de Logística, os alunos com 16, 17 e 18 anos apresentam nível médio de maturidade total, subindo para níveis su- periores entre a maioria dos jovens com 19 anos. Em relação aos alunos do curso de RH, a maioria daqueles que possuem 15, 16 e 18 anos apresentaram nível médio de maturidade total para escolha. Nesse sentido, Neiva (2014) salienta que a maturidade aumenta em função do nível escolar, o que, no caso da presente pesquisa, também pode ser observado em relação a idade dos participantes. Apesar disso, entre os alunos do curso de RH, aqueles com 17 anos apresentam níveis inferiores de maturidade para escolha, enquanto nas outras faixas etárias prevalece o nível médio.

No que tange à análise da maturidade total dos participantes de acordo com o sexo, é possível perceber que não existem discrepâncias: cerca de meta- de dos participantes dos dois sexos apresentaram indicativos de nível médio de maturidade, aproximadamente um terço dos estudantes apresentaram níveis inferiores e cerca de 20% níveis superiores, independente do sexo.

Com base nos dados presentes na tabela 2, verifica-se que os jovens que frequentam o curso de Informática apresentam menores níveis de maturida- de para a escolha nos fatores Determinação e Conhecimento da Realidade. Sendo assim, ainda que esses jovens possuam pouco conhecimento em re- lação à realidade profissional e educacional e estarem pouco decididos, de- monstram preocupação e agem para efetivação da escolha.

A área de atuação em Tecnologia da Informação (TI) vem crescendo consideravelmente no mundo e especialmente no Brasil, onde apresentou

TABELA 2

Distribuição do nível de maturidade dos jovens que frequentam o curso de técnico em Informática, pelo percentual total de indicações dos mesmos

um aumento de 15,4% em 2013 e 9,2% em 2014 (Beer, 2014). Essa expan- são rápida gerou a necessidade crescente de profissionais para atuação na área de TI em maior volume e mais especializados (Mangia, 2013). Por isso, as possibilidades de formação na área também vem crescendo. De acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (2011) existem nove tipos de cursos para formação em nível técnico no Eixo Tecnológico de Informação e Comunicação, sendo que o curso de Informática está entre os dez cursos com maior número de matrículas nas redes pública e privada (INEP, 2014). Um estudo realizado pelo Observatório SOFTEX (2012) indica que houve crescimento de 8,3% ao ano no número de matrículas em cursos técnicos na área de TI entre 2004 a 2010, mas, apesar disso, o número de egressos teve um decréscimo de 2,9% ao ano. Essa tendência se evidencia ao se analisar os índices de evasão do curso de Informática na instituição pesquisada, que chegou a 31,5% no primeiro semestre.

Nível de

Maturidade Determinação Responsabilidade Independência

Auto conhecimento Conhecimento da Realidade Muito Inferior 6% 0% 0% 6% 0% Inferior 6% 13% 13% 6% 25% Médio Inferior 25% 19% 19% 19% 38% Médio 38% 19% 56% 44% 38% Médio Superior 13% 19% 6% 19% 0% Superior 6% 25% 6% 0% 0% Muito Superior 6% 6% 0% 6% 0% Total 100% 100% 100% 100% 100%

Nesse sentido, é possível refletir sobre o nível de maturidade que os alu- nos dos cursos na área de TI têm no momento da escolha pelo curso. A grande disseminação da mídia em relação à necessidade de profissionais na área e os salários elevados podem ser um determinante para a busca de formação na área de TI sem o devido conhecimento das possibilidades de formação e atua- ção das diversas profissões existentes. Além disso, a diversidade de cursos na área, que nem sempre possuem especificidades claras para aqueles com certo desconhecimento da realidade profissional, pode ser um dos determinantes para o aluno estar pouco decidido e seguro em relação à escolha.

Com base nos dados presentes na tabela 3, é possível observar que os fa- tores pertencentes à dimensão Atitudes (Determinação, Responsabilidade e Independência) apresentaram maiores índices, indicando, de forma em geral, que os alunos do curso de Logística possuem maturidade média em relação à decisão e segurança com relação à escolha, preocupação com a escolha profis- sional, empreendendo ações para sua efetivação, com responsabilidade neste

processo, bem como para a definição da escolha de forma independente, sem deixar-se influenciar por ideias de outras pessoas (Neiva, 2003; Neiva, 2014). Apesar disso, nos fatores pertencentes a dimensão dos Conhecimentos, em especial na subdimensão Autoconhecimento, as classificações obtidas cha- mam a atenção quando comparadas as outras subdimensões avaliadas pelo EMEP. Os índices obtidos podem indicar que estes jovens possuem um me- nor autoconhecimento sobre si mesmos no que tange ao conhecimento de aspectos pessoais importantes para a escolha profissional, tais como: valores, interesses, habilidades, características pessoais. No fator Conhecimento da Realidade, houve uma maior distribuição entre as classificações, com a maio- ria dos jovens localizados na média da população, porém com uma quanti- dade significativa de sujeitos com índices inferiores ou superiores à média, indicando que elementos como o nível de conhecimento sobre as profissões, não encontram homogeneidade neste curso (Neiva, 2003; Neiva, 2014).

Nível de

Maturidade Determinação Responsabilidade Independência

Auto conhecimento Conhecimento da Realidade Muito Inferior 0% 0% 0% 0% 0% Inferior 4% 12% 8% 12% 12% Médio Inferior 16% 20% 16% 40% 16% Médio 56% 56% 56% 32% 44% Médio Superior 12% 4% 12% 4% 12% Superior 8% 4% 8% 8% 16% Muito Superior 4% 4% 0% 4% 0% Total 100% 100% 100% 100% 100% TABELA 3

Distribuição do nível de maturidade dos jovens que frequentam o curso de técnico em Logística, pelo percentual total de indicações dos mesmos

O processo de autoconhecimento é fundamental para a realização de uma escolha contextualizada aos desejos individuais (Soares, 2002). Sem reflexão sobre características, gostos, interesses valores, habilidades e metas pesso- ais, aumenta-se o risco de se realizar uma escolha profissional sem satisfação e alcance dos objetivos. Ao encontro disso, constata-se que o índice de evasão do curso de Logística foi de 19,5% no primeiro semestre. Dessa forma, perce- be-se que permaneceram no curso jovens com nível médio de maturidade to- tal e menor conhecimento sobre si, indicando que o fator Autoconhecimento pode influenciar na decisão de permanecer ou desistir do curso, ainda que não esteja isoladamente relacionado à altos índices de desistência.

A partir da análise dos dados, percebe-se que a maior parte dos alunos de RH apresenta preocupação com a escolha profissional, empreendem ações para a efetivação da escolha de forma independente, sem se deixar influen- ciar diretamente pela opinião de outras pessoas. O processo de escolha en- volve múltiplas variáveis, como interesses e gostos pessoais, a maneira como

TABELA 4

Distribuição do nível de maturidade dos jovens que frequentam o curso de técnico em Recursos Humanos, pelo percentual total de indicações dos mesmos

Nível de

Maturidade Determinação Responsabilidade Independência

Auto conhecimento Conhecimento da Realidade Muito Inferior 0% 4% 0% 0% 0% Inferior 4% 4% 4% 4% 17% Médio Inferior 9% 22% 22% 22% 22% Médio 61% 35% 35% 52% 52% Médio Superior 13% 13% 13% 0% 9% Superior 0% 17% 17% 22% 0% Muito Superior 13% 4% 9% 0% 0% Total 100% 100% 100% 100% 100%

o jovem percebe a realidade, autopercepção, informação profissional e in- fluências sociais, de pares, pais e familiares (Almeida & Pinho, 2008). Essas influências, explícitas ou implícitas, podem facilitar ou dificultar o processo de escolha, sendo que a grande questão da escolha profissional se coloca na forma com que o indivíduo lida com as influências que recebe.

Cabe destacar que o curso de RH apresentou um percentual de 18% de evasão no primeiro semestre. Dessa forma, os alunos que permaneceram no curso podem ser aqueles que apresentam nível médio de maturidade total e maiores níveis de preocupação com a escolha profissional, realizando ações com autonomia para escolha, indicando que os fatores Responsabilidade e Independência podem influenciar na decisão do aluno em permanecer no curso escolhido.

Considerando os dados colhidos sobre a opinião dos participantes em re- lação aos motivos para a escolha do curso técnico, os jovens de todos os cursos investigados afirmaram que os principais motivos para essa escolha foram o aprimoramento da formação acadêmica e a melhoria das condições de inser- ção no mercado de trabalho, categorias que, somadas, foram indicadas por 100% dos alunos do curso de Informática, 92% de Logística e 87% de Recursos Humanos. Tais dados corroboram a pesquisa de Madeira (2006), que indica que dentre as principais razões para jovens optarem pela formação técnica es- tão a preocupação em obter qualificação que viabilize a inserção no mercado de trabalho e uma formação qualificada que propicie experiência prática.

Ainda que em menor proporção, outros motivos indicados pelos jovens para a escolha do ensino técnico chamam a atenção. A valorização profis- sional da formação, por exemplo, foi explicitada por 25% dos alunos de Informática, 16% dos de Logística e 13% dos de RH. Esses dados podem evi- denciar que, embora o ensino técnico no Brasil possua características mais assistencialistas, muitas vezes se configurando como uma segunda opção para aqueles que não têm condições de investir no ensino superior (Cunha,

2010), os incentivos governamentais realizados nos últimos anos para am- pliação da educação profissional têm contribuído para o desenvolvimento integral dos jovens, com uma formação mais sólida que parece se refletir nos dados colhidos.

Cabe destacar a informação obtida de que a principal expectativa de fu- turo após o término do curso técnico para 74% dos jovens matriculados em Recursos Humanos, 69% em Informática e 64% em Logística é atuar profissio- nalmente na área de formação técnica. Cerca de 78% dos alunos do curso de RH e 25% do curso de Informática indicam pretender cursar o Ensino Superior após a conclusão do nível técnico. Sparta e Gomes (2005) constataram que o vestibular foi a escolha dominante após o término do Ensino Médio, principal- mente entre alunos das escolas particulares. Entre os jovens da escola pública, houve indicações principalmente de realização de curso pré-vestibular, curso profissionalizante e ingresso no mercado de trabalho. Nesse sentido, a forma- ção técnica pode ser entendida como uma alternativa intermediária entre a conclusão do Ensino Médio e a Educação Superior, pois permite uma inserção no mercado de forma mais qualificada (Madeira, 2006).

Considerações finais

Considerando os dados coletados na amostra de alunos dos cursos técni- cos de Informática, Logística e RH, constatou-se que existem variações no ní- vel de maturidade para escolha profissional em função do curso, sendo que os alunos do curso de Informática apresentaram níveis abaixo da média quanto à maturidade total. Em relação ao sexo, não foram observadas diferenças significativas na maturidade total. Nesse sentido, é possível destacar uma relação entre altos índices de evasão e menor maturidade para a escolha pro- fissional, como observado no curso de Informática. Apesar disso, os cursos com maiores índices de maturidade por fator foram os cursos de Logística e Recursos Humanos com maioria feminina, corroborando os achados de Neiva (2003) que verificou uma tendência de terem as moças mais maturida- de para escolher do que rapazes. Outro resultado que chama a atenção foi a identificada tendência de evolução da maturidade para a escolha profissional de acordo com o aumento da idade dos participantes.

A escolha pela formação técnica na modalidade concomitante ocorre ain- da antes da conclusão do Ensino Médio, ou seja, acontece mais precocemen- te, sendo necessário que existam iniciativas para permitir o desenvolvimento da maturidade para escolha profissional. Assim, considera-se que projetos de orientação profissional cujo objetivo é auxiliar jovens candidatos às vagas dos programas de incentivo desenvolvidos pelo governo federal, no desen- volvimento da maturidade para a escolha profissional, favorecem para que esta seja realizada de maneira refletida e contextualizada.

Apesar dos dados obtidos por meio da pesquisa não serem generalizáveis em função do tamanho reduzido da amostra, recomenda-se que mais estu- dos sejam realizados com o intuito de investigar a maturidade para escolha profissional com alunos do ensino técnico e que se dediquem à temática da

“maturidade para a escolha profissional” ou outros elementos relacionados à escolha profissional neste nível de formação. Assim, seria possível compa- rar os resultados encontrados na presente pesquisa com o de outras popula- ções principalmente ao se considerar que ainda são recentes os estudos com foco nos estudantes de cursos do nível técnico e profissional que buscam in- vestigar a escolha profissional, rendimento escolar, a evasão ou a transição para o mercado de trabalho (Basso, 2014). Além disso, as particularidades dessa população em relação a outros grupos de estudantes do ensino médio

No documento Orientação vocacional - Livro (páginas 49-59)